A criança do vovô

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Alguns adultos nunca deixam “sua criança” se esconder por trás das inúmeras couraças que a vida nos obriga a vestir.

O vovô do M., um garotinho de apenas quatro anos, é uma prova de que é realmente possível não só preservarmos a nossa criança interior, quanto também acioná-la sempre que o momento pedir. Ao entrarmos no quarto, o M. e a sua mãe sorriram, e o seu avô, que também não nos conhecia, disse um sonoro e super disposto ENTREM!“. 

O menino estava com a cama repleta de brinquedos e um deles era um boneco que congela pessoas. Dra Mary En foi a primeira a ser “congelada”, mas o vovô, rápido como um flash, a descongelou.

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Então o boneco (conduzido pelo M., claro) tratou de congelar a besteirologista de novo! A dra Baju ficou olhando aquele zigue-zague e gritou: Vovô!”. E ele, comprando a brincadeira, tornou a descongelar a Mary En.

A disputa entre o boneco e o vovô era acirrada, mas o pequeno M., com uma esperteza maior que o seu tamanho, congelou a todos no quarto. Congelados, não sabíamos o que fazer. O nosso vovô também estava paralisado.

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Inesperadamente, a mãe do garotinho grita: Ahááaaa!. Descongelou todo mundo e atacou o pequeno com cócegas!

Descobrimos, nesse momento, que o vovô não era o único que tinha a poção mágica do descongelamento… Foi incrível! Aproveitamos pra tomar um “antídoto” que não permitiria mais que ficássemos congeladas e saímos fugidas, antes que o tal “antídoto” perdesse o efeito…

Nessa fuga, percebemos o quão legal foi o encontro com essa família. A mãe do M. é uma mulher muito doce e alegre e o vovô nos surpreendeu lindamente, levando-nos ao mundo da imaginação numa naturalidade e rapidez incríveis! Que encontro! Pura alegria!

Dra Mary En e dra Baju (Enne Marx e Juliana de Almeida)
Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira – Recife

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Doutores recomenda: A Rainha Procura

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Uma rainha solitária precisa recuperar seu reino, massacrado pelo exército adversário, e se depara com dois palhaços. Ela muda de ideia: precisa agora de um bobo da corte e promove uma competição entre os dois, com ajuda da plateia. Divertidíssimo!

“A Rainha Procura” entra em cartaz no SESC Santo Amaro, em São Paulo, neste final de semana. Estreia na sexta, 1 de maio, e depois aos domingos (3, 10, 17 e 24 de maio), sempre às 16h no Teatro localizado no 1º andar. Os ingressos custam R$ 17 (inteira), R$ 8,50 (meia) e R$ 5 (matriculados no SESC).

O espetáculo, da Cia. do Quintal, é vencedor do Grande Prêmio da Crítica APCA 2013 e traz David Tayiu, palhaço do elenco dos Doutores da Alegria, entre outros ex-integrantes da organização.

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O espetáculo se dá em um grande tabuleiro de xadrez, na qual os candidatos terão a difícil tarefa de alegrar a Rainha com os mais inusitados desafios. Apenas um candidato será o escolhido, enquanto o outro terá a sua cabeça cortada. O que os candidatos não esperavam era que cada desafio, por mais atrapalhada que fosse sua realização, pudesse trazer à Rainha não apenas a alegria, mas também a esperança, a imaginação, a coragem e o fim de sua solidão.

Recomendado para toda a família! Não perca! :0)

É preciso fabular!

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A semana começou pra lá de profunda! Logo na segunda-feira tivemos uma palestra em nossa sede com o filósofo e amigo Emílio Terron, que trouxe uma abordagem bastante especial sobre aspectos que norteiam a felicidade.

Ele partiu da definição de intuição e de tempo de Henri Bergson (1859 – 1941). Segundo ele, toda vez que recebemos um estímulo do ambiente, recorremos à nossa memória, que nos fornece subsídios para tomar uma ação naquele momento. Esse processo, automático, garante a nossa sobrevivência e a continuidade da vida. O que Bergson procurou estimular é justamente um contraponto a esse modo automático. “Se ao recebermos o estímulo, alongarmos o tempo de resposta, explorando a memória, podemos encontrar novas zonas do pensamento e sabotar esse automatismo, se desprendendo de crenças que, muitas vezes, reduzem a nossa percepção do mundo.”, contou Terron.

ciclo de palestras

Assim, a intuição seria esse movimento que nos autoriza a entrar em novas zonas do pensamento, a experimentar o novo. “A intuição lida com algo que estava adormecido em nós. Quando você intui, você cria uma ficção.”, afirmou o filósofo. Ele deu o exemplo das brincadeiras que os palhaços dos Doutores da Alegria fazem no hospital, explorando outras realidades, quebrando a fronteira do olhar. Neste sentido, Emilio falou sobre a importância de estimular a ficção, uma vez que a vida não pode se reduzir somente à inteligência.

“A vida não pode ser reduzida à inteligência. É preciso fabular, ultrapassar as barreiras das leis universais, como fazem artistas e suas obras de arte.”, finalizou Emilio, iniciando um debate interessante sobre o tema. O evento contou com interessados no assunto, artistas e professores e alunos da Escola.

A palestra iniciou um ciclo de encontros sobre temas que circundam o trabalho  da organização, como alegria, saúde e políticas públicas. Em breve outras palestras serão abertas ao público, sempre na sede paulista. Até a próxima!

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Diário de um pequeno rebelde

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Terça-feira, 10 de março de 2015.

Eu (Dr. Valdisney) e Dr. Sandoval entramos animados. No corredor de camas à direita do Pronto-Socorro Infantil, começamos os nossos atendimentos besteirológicos cama por cama. Perto da metade dos leitos, ouvimos uma voz de um jovem, muito forte:

- Ei, vagabundo!

Continuamos atendendo outra cama. Ele continuou, agressivo:

- Ei, vagabundo! Vagabundo!

Cheguei mais perto do menino e me direcionei ao Sandoval:

- Ô Sandoval, você já arrumou emprego?
- O que foi? Soltei um pum na minha vaga.. bunda! 

Todos riram, inclusive o menino. Nós, palhaços, saímos correndo.

Quinta-feira, 12 de março de 2015.

No corredor da Pediatria, encontramos o menino novamente. Muito agressivo, tentou várias vezes dar chutes. Paramos e falamos com ele.

- Por que você quer bater na gente? Não te fizemos nada, viemos aqui pra brincar. Você não pode machucar as pessoas.

diario de um jovem

O menino olhou pra mim, abriu os braços e disse:

- Palhaço! Carinho! Me pega no colo. 

Peguei o menino nos braços e ele ficou quietinho. Dançamos pelo corredor, dançamos muito… Às vezes, o carinho é o melhor remédio.

Terça-feira, 17 de março de 2015.

Encontramos o menino novamente na Pediatria. Ele continua chutando, mordendo, xingando. Mas também continua pedindo carinho.

Dr. Valdisney (Val Pires)
Hospital do Campo Limpo – São Paulo

O que tem de bom por aqui?

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Quem acorda pela manhã e diz: “Hoje vou passear no hospital!”?

Acho que ninguém, né? Por melhor que seja o hospital, não dá vontade de ir. Imagina agora uma criança passar dois, três, sete dias dentro de um hospital sem seus brinquedos, sem seus amigos, irmãos, parentes… Enfim, saindo da rotina, tomando remédios amargos, injeções e soro… Nada tentador!

Onde eu quero chegar com tudo isso? Calma, já vou explicar! Em um belo dia estávamos pegando as informações do dia no Hospital do Mandaqui quando avistamos a D., e ali mesmo, no corredor, já começamos os exames besteirológicos. Nenhum pum encravado, nem miolo mole, nem chulé seco. Tudo normal.

Fotografia da dupla dos Doutores da Alegria Sueli Andrade e Henrique Glomer no Hospital do Mandaqui.

Continuamos nosso dia de trabalho… E quem encontramos novamente? A D. virou nossa “sombra”, seguiu a gente pra tudo que é canto! Até tentei dar alta pra ela, mas foi em vão, por incrível que pareça ela não queria ir embora!

Voltamos no outro dia e ficamos sabendo que ela tinha feito um desenho nosso. O mais surpreendente veio a seguir: sabe por que ela fez o desenho? Porque perguntaram pra ela: “o que tem de bom por aqui?”. E para a nossa alegria, D. nos presenteou com sua obra de arte. Perguntinha porreta essa, que me fez ficar pensando, e essa pequena história, esse pequeno encontro, dentre tantos outros, é o que tem de bom por aqui

desenho d
Dr. Dus"Cuais (Henrique Rimoli)

Hospital do Mandaqui – São Paulo

 

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Se algum dia me vir chorando

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Nem sempre os besteirologistas são queridos à primeira visita.

É preciso, muitas vezes, o tempo da conquista até que os laços de estabeleçam. E esse é o caminho que leva e eleva os encontros aos momentos felizes dentro de um hospital. E como nem tudo é fácil, é preciso persistir e achar, ao menos, uma brecha no meio de um choro imbuído de medo, manha ou outro sentimento de vulnerabilidade de uma criança, por exemplo, para a transformação crescer. 

Naquele dia, a pequena D. chorou bem depois de termos tido a permissão para entrar na enfermaria e de ter nos olhado três vezes. A sua mãe, fonte e porto seguro, não estava ao seu lado e isso agravou a reação. Enquanto ela chorava, as outras crianças esperavam, ávidas, a vez de a brincadeira acontecer com elas. É sempre comum, ao vermos uma reação de choro de uma criança, acreditarmos que não é conveniente nossa presença e partirmos. Nessas situações me pego pensando que sair, desistir, é o caminho mais fácil e previsível.

se algum dia me vir chorando2

Às vezes, claro que não dá para seguir, noutras tem sempre uma chance. E talvez eu acredite sempre na outra chance. É que o meu desejo por dentro e fora da máscara que uso é de ir além, de mudar, de conseguir conectar e estabelecer um canal de comunicação sem desistir tão fácil do encontro só porque tem choro. Isso é um desafio, um risco, um abismo cheio de possibilidades

E foi sem medo de partir o fio, e percebendo que aquele choro era porque ela acreditava que por trás daquela máscara não havia um ser gente, um humano chorão feito ela, que decidi ir além. Enquanto a razão pedia para sair, ir embora, a emoção pedia que arriscasse atravessar o limiar. Assim foi que, ao lado de sua mãe, retiramos o nariz vermelho de palhaço que somos e revelamos o “nosso segredo”. E eis que a fonte secou e o olho brilhou, mas sem rir.

Ela se viu no espelho dos nossos olhos e reconheceu uma criança, mais adulta que ela, e que sabia e queria brincar. 

se algum dia me vir chorando

E assim saímos, sem mais som nenhum de choro, apenas um olhar silencioso e curioso acompanhando nossas ações e brincadeiras com as outras crianças da enfermaria. Se fôssemos embora, desistido dela, o choro não seria alento do desconhecido. Ao menos agora, ela saberá que o mistério está além do que se quer ver e o que se vê é real como ela é. 

E se algum dia me vir chorando, não vá embora e nem desista de mim.

Dr. Lui (Luciano Pontes)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Imagine um hospital que…

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Muitas conversas sobre o futuro dos hospitais vêm se dando ao redor do mundo. Aqui no Brasil, fóruns e congressos discutem novas maneiras de acolher pacientes, abordagens além-médicas para tratar doenças e formas de abrigar a crescente população idosa na sociedade. Mas talvez as conversas ainda aconteçam muito a portas fechadas, sem envolver vozes da comunidade, como os profissionais de saúde, os pacientes e ONGs que atuam no setor.

Uma organização quis virar a mesa, inverter os papéis. Em 2013, conduziu um experimento com pessoas de todo o mundo, abrindo um diálogo global sobre o papel dos hospitais no século 21. O Institute For The Future, localizado no Vale do Silício (Califórnia), atua com a missão de ajudar empresas e organizações a construir os futuros que desejam, prevendo tendências e comportamentos.

No experimento com hospitais, desenvolveram um jogo dinâmico e envolveram 637 pessoas de diferentes nacionalidades para, juntas, reinventarem um sistema de saúde que atenda às necessidades contemporâneas, com novas forças sociais, econômicas, tecnológicas e epidemiológicas.

hosp-wafti.org_.uk_

Como foi esse jogo?

Com duração total de 24 horas, o jogo consistia em um vídeo inicial com a proposta e três desafios partindo do pressuposto de que o modelo atual de hospital é insustentável e precisa de reinvenção. Os participantes precisavam repensar e discutir três problemáticas (abaixo) utilizando respostas curtas, de no máximo 140 caracteres.

 Os desafios…

+ dificuldades enfrentadas por departamentos de emergência
+ hospital como centro de bem-estar da comunidade, não apenas lugar para tratar doenças
+ papel que o hospital pode desempenhar para diminuir a lacuna entre as descobertas científicas e melhores resultados na saúde

E os resultados, quais foram?

Foram geradas 4.528 ideias! O Institute For The Future reuniu as mais expressivas e inspiradoras em um documento, disponibilizado em inglês em seu site (aqui, ó).

Eles destacam a ideia comum de ter hospitais menores que ofereçam serviços de cuidados atrelados a ferramentas digitais. Seria preciso reaproveitar os espaços físicos existentes, pensar as qualificações da sua força de trabalho e as estratégias para, de fato, conectar-se às comunidades locais. Muito inspirador! Outras percepções surgiram, como essas:

“Hospitais devem ser o epicentro de atendimento de urgências, mas não o único foco de um sistema de cuidados de saúde.”

“Poderiam tornar-se lugares que recolhem histórias de saúde, em vez de apenas coletar relatos de doença. Um lugar para falar, um lugar para ouvir.”

Depois do relatório inicial, a organização analisa mais profundamente todas as ideias, ameaças e oportunidades que surgiram do jogo. Um trabalho denso!

Imagine esse exercício sendo proposto em cada hospital pelo país. Uma construção coletiva com ideias de pacientes, médicos, um fórum aberto”, idealiza um dos jogadores. E nós também!

Doutores da Alegria bate na tecla de que o hospital precisa ser enxergado como um local em se respire vida e saúde; e que, portanto, pode ser habitado pela arte em suas mais diversas formas. O palhaço, a música, o teatro, a dança, a poesia… Todas essas manifestações artísticas afetam as relações, nos ensinam a pensar e a sentir o que não é dito ou traduzido de outra forma.

Diversos hospitais pelo mundo estão mudando seus interiores com este pensamento. Seria esse o primeiro pequeno passo para o hospital do futuro? 

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Doutores recomenda: “Bruxas da Escócia” com entrada gratuita

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Shakespeare para crianças. Parece impossível? O diretor Angelo Brandini e a Cia Vagalum Tum Tum mais uma vez adaptam um clássico do dramaturgo inglês pela lente do olhar do palhaço.

“Macbeth” inspirou o espetáculo “Bruxas da Escócia“, que estreou em 2014 contando a história de um nobre e valoroso escocês que, após vencer uma batalha, é surpreendido por três bruxas que fazem previsões sobre seu futuro, sendo a mais surpreendente a de que ele em breve será rei. Tem duração de 60 minutos.

Bruxas da Escócia - Joao Caldas

Além de Brandini, o elenco traz artistas que integram o time de besteirologistas que atuam nos hospitais paulistanos. “Bruxas da Escócia” já tem seu reconhecimento e ganhou, em 2014, prêmios importantes, como Melhor Espetáculo com Texto Adaptado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Bruxas da Escócia 4 - Joao Caldas

Em abril tem apresentações no Teatro João Caetano e no Teatro Flávio Império, ambos em São Paulo, com entrada gratuita. Leve as crianças!

4 e 5 de abril às 16h
Teatro João Caetano 
Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino – São Paulo
mais informações aqui 

25 e 26 de abril às 16h
Teatro Flávio Império
Rua Professor Alves Pedroso, 600 – Cangaíba – São Paulo
mais informações aqui

Para acompanhar a agenda de espetáculos da trupe, visite o site www.ciavagalum.com.br