O caso do palhaço com poderes mentais

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Era manhã de segunda e a menina mantinha os olhos atentos nos palhaços. Dr. Mané se aproximou do seu leito e olhou discretamente a placa com o nome dela.

- Não precisa falar nada! Vou adivinhar seu nome, eu tenho poderes mentais!
- Tá!, ela prontamente respondeu.
- Qual é a primeira letra do seu nome?
- E.
- E, E…Elaine?, arriscou Mané.
- Não.
- Elizabete?, tentou Dr. Cavaco.
- Não.
- Eduarda!
- Acertou!, respondeu a menina, admirada.
- Você nasceu da sua mãe?, continuou Mané.
- Acertou!, respondeu Eduarda, agora maravilhada.

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Os pais riam da inocência.
- Você mora na sua casa?
- Acertou de novo!, disse encantada com os poderes do palhaço.
- Eu tenho poderes mentais…, respondeu Mané se gabando.

Então Eduarda perguntou: 
- Adivinha o que eu sei fazer? Começa com a letra L.
- L, L… Lamber sorvete?
- Não.
- L… Limpar a casa?, tentou Cavaco.
- Não. 
- Lutar karatê?
- Não.
- Levitar?
- Não.
- Levar a vó à igreja?
- Não.
- Levar a mãe na escola?
- Não.
- Lavar cueca?
- Não.
- Ler um livro?
- Não.
- L, L, L…Não sei, disse Mané desconsolado.
- Também não sei. L, L…, pensou Cavaco.
- O que você faz que começa com a letra L?, por fim perguntaram os palhaços.
- Escrever!

Todos os pais, as crianças maiores e principalmente nós, os palhaços, rimos muito! Que sabedoria!

Dr. Mané Pereira (Márcio Douglas)
Hospital Santa Marcelina – São Paulo

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Direitos Universais da Criança Hospitalizada

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Feito com muita seriedade e uma pitada de besteirologia pelo Dr. Lui.

1. Toda criança tem o direito de ser atendida e entendida.

seis momentos

2. Toda criança tem o direito de ser impaciente mesmo que seja paciente.

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3. Toda criança tem o direito de tomar chá de cadeira por poucos minutos.

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4. Toda criança hospitalizada tem direito a uma cadeira de rodas para arejar as ideias.

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5. Toda criança tem o direito de tomar injeção com carinho e proteção.

seis momentos

6. Toda criança hospitalizada tem o direito de berrar, chorar e espernear se uma agulha lhe espetar.

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7. Toda criança hospitalizada tem o direito a uma volta médica em menos de 360 dias.

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8. Toda criança tem o direito de ser criança sem precisar tomar remédio com validade.

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9. Toda criança hospitalizada tem o direito de ver um sorriso médico mesmo que seja banguelo.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

10. Toda criança tem o direito de escolher o sabor do seu soro preferido.

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11. Toda criança tem o direito de tomar 3x ao dia injeções de ânimo.

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12. Toda criança tem o direito de brincar, mesmo se hospitalizada ter que ficar.

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13. Toda criança tem o direito a uma boa alimentação rica em bobagem e bobisses sem quilos e sem grilos.

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14. Toda criança hospitalizada tem o direito de se alfabetizar e aprender desde pequeno a decifrar letra de médico. 

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15. Toda criança tem o direito de ser ela mesma porque não vem com bula de remédio. 

Fotografia da dupla dos Doutores da Alegria Sueli Andrade e Henrique Glomer no Hospital do Mandaqui.

16. Toda criança hospitalizada tem o direito de receber visitas inesperadas mesmo que não seja a hora marcada. 

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17. Toda criança tem o direito de não fazer as coisas direito e por isso é todo o seu direito.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

* Dr. Lui é o ator Luciano Pontes, diretamente do Recife.

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Um tapa no visual

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- E você entende o que estamos fazendo aqui? Todas as segundas e quartas, faça sol ou faça chuva, feriado ou aniversário, estamos aqui. Cuidamos de besteira, tolice, pum frouxo, pulga atrás da orelha, grilo na cuca, caspa no joelho, chulé encravado, dentre outras mil duzentas e oitenta e três especialidades.

A menina já tinha entendido tudo. Com 12 anos, cabelos ondulados que batiam na metade das costas, sua pele cor de chocolate com muito leite e um sorriso que abria buraquinhos na bochecha, nos acompanhou durante meses. Seguia-nos em quase todas as enfermarias e chegou até a sugerir tipos de procedimentos besteirológicos. 

Tudo pra ela era como se estivesse acontecendo pela primeira vez. A gente não podia mudar um botão da roupa que ela percebia.

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Em um dia desses, andando pelo corredor, percebemos que ela não estava. Encontramos com sua mãe, um pouco chorosa. Disse que a filha tinha ido fazer uma cirurgia. Não estava muito bem fisicamente. Sabíamos que era uma neurocirurgia, e que não era a primeira.

 – Ela está um pouco sonolenta e debilitada. Não está no andar, está no bloco cirúrgico, contou a mãe. Quando estava a caminho, ela lembrou que era dia da visita dos palhaços. Lá do corredor do bloco cirúrgico, ela ouviu a canção que vocês cantarolavam, e balbuciou “olha eles, mãe, estou ouvindo!”.

Dias depois encontramos com a garota, que voltou com um corte de cabelo radical: metade raspado e metade grande.

O Dr. Dud Grud disse que vai pensar seriamente em aderir à nova tendência da primavera/verão e quer “dar um tapa” no visual. Dr. Marmelo está até agora correndo atrás dele de mão aberta!

Dr. Dud Grud (Eduardo Filho) e Dr. Marmelo (Marcelo Oliveira)
Hospital da Restauração – Recife

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