2016: a gente equilibrou

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O ano que vai passando foi muito significativo para esta associação que vos fala.

Depois de um longo período de mudanças organizacionais e ajustes de estratégia (é, tem tudo isso aqui!), fechamos o ano com alguns marcos muito especiais. Foi difícil? Foi. Mas Doutores da Alegria nunca foi dada a tarefas fáceis, sempre preferindo o equilíbrio de uma corda bamba e o sossego de um trapézio.

equilibristaedfonte: tekatecla.com

O trajeto que vem pela frente, em 2017, carregará os reflexos do que conquistamos neste ano. Veja alguns momentos que consideramos especiais em 2016:

Enfim, 25

Foi um ano de festa! Ah, foi! Doutores da Alegria comemorou 25 anos em setembro, alcançando a maturidade como organização. Celebramos as conquistas dessas décadas, sempre suportados pela sociedade e pela relevância da causa.

E em setembro, fizemos um grande evento para arrecadar recursos em São Paulo (não, não é essa foto aí, que foi quando reunimos a equipe no dia 28 de setembro pra brindar o aniversário <3)

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Juntos e misturados

Palhaços de todo o Brasil se reuniram na quarta edição do Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital. Troca de experiências, discussões, oficinas e a união de pessoas que enxergam neste trabalho uma grande (e séria!) possibilidade dentro da saúde.

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Um mais um

Dois hospitais entraram no rol de ações do Doutores da Alegria: o Hospital M’boi Mirim, em São Paulo, e o Hospital da Mulher, no Rio de Janeiro.

No primeiro, atuaremos com um novo modelo, oferecendo intervenções artísticas variadas, formação e aperfeiçoamento de alunos da Escola dos Doutores da Alegria e um incremento no foco da humanização nas equipes de Saúde e de Administração. O segundo passa a fazer parte do projeto Plateias Hospitalares, com a curadoria de uma programação cultural mensal.

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Dá-me direção

A associação Doutores da Alegria passou a contar com uma nova diretoria estatutária, além de novos associados, que participar de assembleias e participam das discussões.

Foram eleitos cinco diretores de diferentes áreas pelo período de dois anos. Um grande passo que envolveu toda a associação.

Estudar e sempre

A Escola dos Doutores da Alegria fez dois processos seletivos importantes: para o Programa de Formação de Palhaço para Jovens e para o curso O Palhaço Interventor. Com foco em públicos distintos, ambos os cursos são gratuitos e têm foco na linguagem do palhaço.

Foi um ano de muito movimento em nossa sala de aula – um galpão pequeno, porém simpaticão. Dá pra ver?

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Pedal de palhaço

São Paulo e Recife receberam no mesmo dia o Bobociclismo! Crianças, adultos e palhaços pedalaram pelas ruas celebrando os 25 anos do Doutores da Alegria e interagindo com a cidade a partir do uso da bicicleta. 

Prepara a magrela que vai ter mais ano que vem, viu?

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Parta, enfim, 2016. E que venha 2017 com mais desafios e mais quebra-cabeças a serem decifrados. A gente equilibra :)

Parceria pouca é bobagem

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Aconteceu uma coisa muito especial e potente entre a dupla de besteirologistas Mingal e Pororoca e a equipe de médicos e enfermeiros do Itaci, em São Paulo.

Recebemos as incríveis missões de dar duas boas notícias aos nossos pacientes: a alta médica (passe livre para voltar para casa) e a pega que deu certo (transplante de medula óssea que foi sucesso e a medula pegou).

Vamos voltar um pouquinho para entender essas histórias.

O mapa da Mina

Mina é uma menina que estava em isolamento e com a imunidade muito baixa, por isso nossa relação acontecia através do vidro que separa o quarto de uma ante-sala, onde a gente ficava.

Mina é muito ativa, falante e propositiva e queria de todas as formas que a gente entrasse no quarto. Mas nada é tão simples para uma dupla de palhaços, e nunca conseguíamos entrar no quarto, fazendo da impossibilidade de entrar, causada pelo isolamento, um pretexto para problematizar a entrada no quarto.

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Sempre das maneiras mais diferentes e malucas, saíamos da ante-sala que dava acesso ao quarto pela porta errada – a que não levava para dentro do quarto, mas sim para o corredor do hospital. Até que Mina teve a brilhante ideia de fazer um mapa com o caminho certinho e beeeem explicadinho de como finalmente entrar no quarto.

O jogo de tentar entrar e nunca conseguir era divertido e gerava muitas imagens e situações, mas por outro lado, a repetição por tantos encontros estava gerando em Mina uma certa angústia, porque ela acreditava piamente que a gente não conseguia entrar por pura paspalhice.

Mas eis que numa manhã tudo mudou. Recebemos a solicitação para não só entrar no quarto de Mina, mas para também dar a tão sonhada notícia que ela estava de alta médica. Ficamos tão surpresos e felizes que não cabíamos em nossos narizes vermelhos! 

Orientados pelo mapa da Mina, Pororoca e Mingal finalmente conseguiram entrar no quarto. E ela ficou maravilhada e surpresa:

- Mãe, olha o sapato deles!, disse olhando fascinada para nossas pernas e pés, afinal ela só conhecia a gente da cintura para cima. Depois da exibição dos sapatos e de bastante festa pela tão esperada entrada no quarto, em um coro muito afiado, entoamos a boa nova.

- MINA, VOCÊ ESTÁ DE ALTA! PODE IR PARA CASA!

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Que alegria ficaram essa menina e essa mãe, que alegria ficaram esses palhaços, que alegria ficaram médicas e enfermeiras espiando a cena pelo vidro na ante-sala!

Ao nos conceder a missão de dar a notícia da alta hospitalar para uma paciente há tanto tempo internada e em isolamento de contato severo, a equipe médica revelou um respeito profundo por nosso trabalho, colocando em outra dimensão o conceito de parceria entre nossos ofícios.

A história da alta dessa paciente ficou famosa e as outras equipes, da UTI e Enfermaria, souberam do caso e vieram falar conosco. Outras equipes quiseram repetir a prática e, poucos dias depois, fomos incumbidos de dar outra boa notícia…

Pegação

Sassa, uma paciente já mais mocinha, tinha realizado um transplante de medula e tinha pegado, ou seja, tinha dado certo… 

Entramos no quarto falando “pega, pega, pega daqui, pega dali, que a gente queria pegar e coisa e tal”. Sassa começou a achar meio estranha essa coisa de falar tanto em “pega”. Depois de um pouco de mistério, que é bom pra dar emoção, revelamos:

- A MEDULA PEGOU!

Sassa deu um grito junto com sua mãe! Elas riram, se emocionaram e a festa começou. Foi muito gratificante dar essa outra boa notícia.

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Mais uma vez, a equipe hospitalar nos concedeu a oportunidade de dar uma notícia/diagnóstico, estreitando nossa relação e intensificando a parceria, fazendo uma fusão bonita entre a arte e a ficção (médicos palhaços) e a medicina.

Dra Pororoca (Layla Ruiz)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – São Paulo

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Último capítulo de novela une palhaços e revela mistério no hospital

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Um hospital, dois palhaços, uma equipe de profissionais de saúde. Enredo de novela mexicana. E um grande mistério.

Cinco anos depois da estreia de Intrigas, a Novela, finalmente saiu o quarto e último capítulo da saga dos besteirologistas Dr. Mané Pereira e Dr. Pinheiro. A trama gira em torno de um envelope que circula de mão e mão pelos corredores de um hospital. 

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A novela foi idealizada e produzida pelos próprios palhaços, que envolveram a equipe do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, em uma grande brincadeira. As gravações foram feitas durante as visitas às alas pediátricas e tiveram uma pausa de cinco anos por conta do rodízio de palhaços em outros hospitais.

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Em 2016, Mané e Pinheiro retomaram os plantões neste hospital e puderam dar um fim à novela. Neste capítulo final chega a hora de descobrir o que tinha no envelope…

Veja os outros capítulos – todos sob a alcunha da Idiot Filmis!

E aí, conta pra gente o que você achou! Quem sabe os palhaços não se inspiram para criar outra novela?

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Doutores recomenda: Baile do Menino Deus, em Recife

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“Há 13 anos o meu Natal é no palco do Baile do Menino Deus, no Marco Zero em Recife, com uma multidão de espectadores que cantam, dançam e se emocionam com a jornada dos Mateus em busca da casa em que nasceu o menino sagrado para a celebração desse acontecimento.”

Quem conta essa experiência é Arilson Lopes, artista que atua nos hospitais como palhaço e coordena o elenco do Doutores da Alegria na cidade. Desde 2004, ele participa do Baile do Menino Deus, apresentação que reúne música, teatro e dança e virou tradição na cidade, atraindo público dos mais diferentes lugares.

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As pessoas fizeram do Baile sua festa de Natal, pois o espetáculo alcança todas as idades e classes sociais com linguagem delicada, alegre, sublime e popular”, conta Ronaldo Correia de Brito, autor que concebeu e dirige o espetáculo.

O Baile do Menino Deus é gratuito e aberto ao público. Acontece nos dias 23, 24 e 25 de dezembro, às 20h, na Praça do Marco Zero, em Recife.

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 “Esse Baile é preparado com muito amor por toda a equipe e ansiosamente aguardado pelo público. Já faz parte do calendário de eventos culturais da cidade. São dezenas de músicos, cantores, bailarinos e atores, além de uma imensa equipe técnica que o público não vê, mas que está atrás do palco contribuindo para que tudo aconteça da melhor maneira possível. Portanto, senhoras e senhores, moças e rapazes, crianças e crionços, “continuemos o Baile, o coração nunca esfria, quem dança os males espanta e o peito desanuvia, continuemos o Baile agora e em cada dia!“, complementa Arilson.

PUBLICO

As pequenas tragédias e a vida do lado de fora

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Assim como a vida do lado de fora, a vida dentro de um hospital é repleta de pequenas tragédias.

Uma médica conta que certa vez dois vizinhos, amigos, brigaram e um deles deu um tiro no outro. Foi levado ao pronto socorro. Pouco depois o outro vizinho também chegou ao hospital, pois tinha ficado nervoso e enfartou. Os dois passaram um bom tempo na emergência, um ao lado do outro.

Na Grécia Antiga, as tragédias eram textos teatrais que nasciam das paixões humanas. Eram capazes de transmitir ao público as sensações vividas pelas personagens.

Tragédia Grega

Uma agulha que não encontra a veia, a despedida de um colega de quarto, uma criança enfrentando doença de gente grande. Somos capazes de sentir na pele.

Para um palhaço, as pequenas tragédias entram como alimento nos motores da criação, do improviso. Ele tem plena abertura para o que chega. Tudo o que acontece à volta do palhaço é considerado por ele, tudo pode ser ressignificado. As dificuldades são reconhecidas, transpostas e transformadas – nada é minimizado. E é com esse estado de espírito que o trabalho flui, trazendo contornos à realidade do hospital.

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Mas também há tragédias grandes. Tragédias que vêm do lado de fora.

Anas al-Basha era um sírio de 24 anos que atuava como palhaço em Aleppo. Ele era voluntário da organização não governamental síria Space of Hope e se apresentava para as crianças em meio ao cerco da cidade. Foi morto num ataque aéreo.

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“Ele se recusou a sair da cidade para continuar o trabalho como voluntário para ajudar os civis, dar presentes e esperança às crianças”, escreveu Mahmoud al-Basha, irmão de Anas. Assim como milhares de palhaços em zonas de conflito, Anas fazia da tragédia seu alimento. E, infelizmente, por ela foi consumido.

Nos últimos dias temos visto cenas e pedidos de socorro de crianças desta guerra. Sem muito poder fazer, a não ser clamar por uma decisão política que suspenda o reforço bélico das tropas, sentimos na pele.

Sentimos muito. E seguimos enfrentando, munidos de arte e humanidade, as pequenas tragédias do dia a dia.

Cordel de despedida

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Dezembro marca a despedida das duplas de palhaços dos hospitais no qual passaram o ano todo. É que em janeiro os palhaços formam novos pares e, conseqüentemente, passam a atuar em outros hospitais parceiros da organização.

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A proximidade com os profissionais de saúde é tanta que às vezes tem até choradeira.

Em outras, a emoção corre de forma singular, como nesta em que a dupla Lui e Tan Tan foi homenageada com um cordel de despedida, criado e entoado lindamente pela equipe da hemodiálise pediátrica do IMIP, em Recife.

Eis um trechinho da obra de arte e, abaixo, o vídeo deste momento i-nes-que-cí-vel <3

“Hoje a nefro chora
Tristeza não tem igual
Porque Dr. Lui e Dra Tan Tan
Vão alegrar em outro hospital 

Não deveria ser assim
Um ano é muito pouco
A gente entende, tudo bem
Mas bem que podia mudar

Falar com Dr. Ado
Fazer um abaixo-assinado
Pra essa duplinha ficar

Foram chegando de mansinho
Conquistando cada um
Gente que até tinha medo de palhaço
Agora não vive sem um”

E não parou por aí… Ainda teve bolo e muito, muito carinho!

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Lui e Tan Tan agora vão alegrar outras vizinhanças torcendo para que o desejo da equipe se torne realidade…

“Que façam novos amigos
Que cresçam cada vez mais
Que alegrem outros pacientes e equipe
De tantos outros hospitais”

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Um novo marco para o terceiro setor

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A partir de 2017, as organizações da sociedade civil precisarão se adaptar a novos parâmetros em sua relação com o poder público. Quem conta mais é Daiane Carina P. Ratão, Diretora de Relações Institucionais do Doutores da Alegria.

IMG_1240Daiane fala sobre a lei durante 4º Encontro Nacional de Palhaços/ Luciana Serra

A lei 13.019/2014, que ficou conhecida como Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, entrou em vigor em 13 de janeiro de 2016 na União, Estados e Distrito Federal. Nos Municípios a lei estará vigente a partir de 1 de janeiro do próximo ano.

O Marco traz diretrizes que vão garantir mais transparência ao setor, a partir de um novo regime jurídico das parcerias entre a administração pública e as organizações por meio de novos instrumentos jurídicos que foram criados: os termos de Fomento e Colaboração, para parcerias que envolvam recursos financeiros, e o Acordo de Cooperação, no caso de parcerias sem repasses financeiros.

+ Entenda a lei: clique e veja a transmissão ao vivo sobre o assunto

A implementação da lei estipula a gestão pública democrática nas diferentes esferas do governo e valoriza as organizações da sociedade civil como parceiras do Estado na garantia da efetivação de direitos. Mais que uma lei, trata-se de uma agenda política ampla, que tem como propósito aperfeiçoar o ambiente jurídico e institucional relacionado às organizações da sociedade civil.

Com o Novo Marco Regulatório, o que muda para as organizações? Qual o seu impacto para os grupos e indivíduos que atuam no ambiente hospitalar ou em outros ambientes de saúde?

A lei traz para as organizações a necessidade de agir com mais planejamento e de comprovar tempo mínimo de existência. Será preciso demonstrar e comprovar capacidade técnica e operacional para a realização das atividades e competência para avaliar e medir os resultados que se pretendem alcançar enquanto organização da sociedade civil. 

+ Veja a Plataforma Por um Novo Marco Regulatório

Na prática, significa que o gestor público tem a obrigatoriedade de realizar chamamento público para a seleção de organizações, bem como exigir dos grupos e indivíduos que pretende firmar parceria a apresentação de planejamento, capacidade técnica para execução das atividades, monitoramento das ações, avaliação e prestação de contas.

O aprimoramento e a profissionalização das organizações que atuam no terceiro setor é uma tendência sem volta no Brasil. Todo este movimento beneficia a sociedade como um todo, em especial o público em situação de risco e vulnerabilidade social.

E a sua organização, está preparada para esta nova realidade?

Artistas do Doutores da Alegria concorrem a prêmios de teatro

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Além de atuar nos hospitais duas vezes por semana, os artistas que integram o elenco do Doutores da Alegria também fazem parte de companhias de teatro – grande parte delas com espetáculos de palhaçaria para o público infantil.

Neste ano, mais uma vez, o Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem (Prêmio Femsa) trouxe entre seus indicados um destes atores.

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David Tayiu (Dr. Daduvida) concorre ao prêmio de MELHOR ATOR pelo espetáculo Antes do Dia Clarear, da Cia2Dois. A montagem também concorre como MELHOR CENOGRAFIA do ano.

Neste vídeo, ele conta como foi o processo de criação da peça e como o Itaci (Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, em São Paulo) foi importante, pois foi onde tudo começou para David e para Sandro Fontes (Dr. Sandoval), seu parceiro em cena – no hospital e no teatro.

Em 2015, o prêmio de MELHOR ATOR foi para Ronaldo Aguiar, outro integrante do Doutores da Alegria (Dr. Charlito), por Simbad, o Navegante. No mesmo ano, David Tayiu e Sandro Fontes levaram o Prêmio APCA de MELHOR ESPETÁCULO de palhaçaria com Antes do Dia Clarear.

A peça conta a história de dois homens que silenciosamente invadem um grande circo antigo na calada da noite, revelando o universo mágico dos palhaços e uma forte relação de amizade. Diz a lenda que depois da meia noite não se pisa no picadeiro do circo… É que o lugar é reservado aos ancestrais circenses para que possam fazer seus espetáculos.

A direção é de Ronaldo Aguiar e de Fernando Escrich, com músicas de Nino Rota, compositor dos filmes de Federico Fellini.

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Doutores recomenda: Henriques, mais um Shakespeare para crianças

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Mais uma história de Shakespeare é contada para crianças de uma forma refinada e bem humorada. Henriques, da Cia Vagalum Tum Tum, mal estreou e já levou o título de Melhor Espetáculo de Texto Adaptado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

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Palhaço, música ao vivo e literatura

A peça é uma livre adaptação da trajetória do Rei Henrique V na obra de William Shakespeare.

Com música ao vivo e uso da linguagem do palhaço, a Cia Vagalum Tum Tum narra a história do príncipe Henrique, um jovem inconsequente que não parece muito interessado em tomar juízo e suceder o pai. Junto aos amigos Falstaff e Pistola, Henrique é desacreditado pelo próprio pai e pelo povo, que não o considera à altura de um nobre e menos ainda de ser o futuro rei da Inglaterra. Mas com a morte do rei Henrique IV, ele se vê na condição de herdeiro do trono.

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A Vagalum Tum Tum traduz Shakespeare para crianças, sempre sob a ótica do palhaço (Bruxas da Escócia, O Príncipe da Dinamarca, Othelito, O Bobo do Rei), e traz em seu elenco artistas que já atuaram no Doutores da Alegria. A direção é de Angelo Brandini, com direção musical de Fernando Escrich. No elenco: Christiane Galvan, Val Pires, Thiago Andreucetti, Ivy Donato, Rodrigo Freitas, Wesley Salatiel e Michelle Gallindo. 

Quero ver! Onde?

No Sesc Belenzinho.
Endereço: Rua Padre Adelino, 1.000 – Belenzinho, São Paulo
Telefone: 11 2076-9700
Quando: Sábados e domingos, às 12h (meio-dia)
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 6 (credencial Sesc)
Temporada: Até 8 de janeiro/2017 (não haverá sessões nos dias 24, 25, 30 e 31/12)
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/programacao/107121_HENRIQUES

Doutores recomenda!

O riso já foi proibido. E agora, o que é?

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Palhaços são freqüentemente apontados como profissionais do riso.

Fazer rir… Bem, seria como bater uma meta. Talvez isso remonte ao bobo da corte, ancestral do palhaço, cujo ofício era entreter o rei e sua corte. Mas o riso tomou muitas formas e significados ao longo da história da humanidade, sempre associado à cultura local.

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Na Idade Média, o riso era controlado, excluído dos ritos oficiais. As autoridades, os religiosos e os senhores feudais defendiam a seriedade como atributo da cultura oficial. Rir era quase proibido, era “coisa de bruxa”!

Rir era subversivo, era um ato de rebeldia, uma característica essencial da cultura popular – e, por isso, vulgarizado. Havia espaços para o riso: festas populares, carnavais de rua, becos… Era um bom remédio contra a opressão e um canal de expressão de liberdade. 

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Durante o Renascimento, o riso toma outras proporções, entra na grande literatura – como em Shakespeare –, trazendo concepções a respeito do homem, da história, dos problemas universais que afligiam a humanidade. Surge como humor, ironia, sarcasmo.

Para Mikhail Bakhtin, o riso é um instrumento de combate ao autoritarismo, à intolerância e à falsa moral da sociedade. Bakhtin também fala da paródia… E aqui voltamos ao palhaço!

A paródia é uma releitura, uma reinterpretação cômica que usa da ironia para subverter a ordem pré-estabelecida, fazendo uma sátira da realidade. Quando o palhaço entrou nos hospitais, lá nos anos 90, fazia uma paródia da figura médica: o Doutor da Alegria.

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Era um sujeito com um jaleco cheio de cacarecos, uma aparência questionável, entendido de Besteirologia, sem autoridade nenhuma e fadado ao erro. Uma releitura do médico.

Para os pequenos pacientes, uma incrível brincadeira que quase sempre terminava com o besteirologista se dando mal. Isso quebrava a resistência à figura médica e tornava a experiência no hospital menos tensa. O riso transformava as relações entre as pessoas em um ambiente duro como o hospital.

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Atualmente há muitos estudos sobre o riso e sua função na sociedade pós-moderna. Qual seria, hoje, o lugar e a função do riso no hospital?

Sim, continuamos nos questionando se a paródia se mantém ou vem dando lugar a outras formas de manifestação social. O que você acha?