12 ideias de figurino para desfilar nos blocos

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Erra quem pensa que roupa de palhaço é fantasia. É figurino, minha gente. Mas no carnaval os palhaços também preparam – aí sim! – fantasias para desfilar pelos blocos da cidade.

Vamos aos modelitos para você se inspirar no carnaval deste ano:


doutores HBL - Lana Pinho-3

doutores HBL - Lana Pinho-2

doutores IMIP - Lana Pinho-3

doutores IMIP - Lana Pinho-2

doutores IMIP - Lana Pinho-14

doutores IMIP - Lana Pinho-9

doutores HBL - Lana Pinho-4

miolinho mole 2015_fantasias (1)

miolinho mole 2015_fantasias (5)

miolinho mole 2015_fantasias (3)
miolinho mole 2015_fantasias (6)
miolinho mole 2015_fantasias (10)

Os amigos de fé

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Em 25 anos atuando no dia a dia dos hospitais, colecionamos histórias que evidenciam que a arte do palhaço promove memórias que atravessam o período de internação.

Em cada encontro, aprendemos que o lugar da arte pode ser grandão ou pequenino.IMG_0822

Pode estar em uma música tocada no momento certo, em uma gargalhada no começo do plantão, em uma troca de olhares entre mãe e filho. E até no simples observar de uma nova relação, trazida à tona pela permanência no hospital, como nesta história contada por Sueli Andrade, mais conhecida como Dra Greta Garboreta.

“O R. e o J. passaram um bom tempo juntos no quarto 306. Seus pais contaram que, nesse período, compartilharam tantas ideias, conversas, partidas de videogame e histórias que viraram amigos de fé.

No dia em que o R. recebeu alta, mal conseguimos intervir, porque tanto R. como J. choravam compulsivamente.

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E ainda que morassem no mesmo bairro e seus pais houvessem prometido que os levariam para visitar um ao outro, nenhum deles se conformava com a separação.

O hospital acabou sendo palco de uma convivência ímpar.”

Quem pode dizer que hospital não é lugar de arte?

Há oito anos, só sei que nada sei

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Quase oito anos de Besteirologia separam este relatório dos dias atuais.

É que a Dra Lola Brígida, que fez curso de Medicina por telefone e é especialista em alopatia, alôpávó e alôpámãe, escreveu o texto em 2009, quando trabalhava no Hospital Santa Marcelina, na zona leste paulistana.

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E como recordar é viver, entre outros clichês, nada melhor que reviver sua descoberta no campo da ciência íntima, psicológica e neurológica. Com vocês: Só sei que nada sei”

Só sei que nada sei

Já dizia o filósofo: Só sei que nada sei. Mas o que é o saber?
Saber ou não saber, eis a questão.
E a questão sempre antecede a boa resposta.
Uma boa resposta depende muito do tamanho do buraco que se tem no pensamento.
O pensamento parece uma coisa à toa, mas a gente voa quando começa a pensar.
Voar, voar, subir, subir. Tudo que sobe, desce. Na descida, escorreguei. Escorregando bati a cabeça.

A cabeça é a parte superior do corpo dos animais bípedes onde se situam normalmente o encéfalo e os órgãos dos sentidos da visão, audição, olfação e gustação.
A gustação muitas vezes causa água na boca. A boca não pensa; mastiga e beija.
Beijar é o ato de tocar com os lábios alguém ou alguma coisa fazendo uma leve sucção.
Sucção é o ato ou efeito de sugar. Sugar é o verbo preferido dos políticos corruptos.
Não se deixe corromper, já dizia minha avó.

Minha avó fazia um delicioso bolo de chocolate. O chocolate é o alimento preferido das mulheres na TPM.
A TPM já causou muitos divórcios. O divórcio é bom para quem quer trocar de marido.
Um marido é um namorado aposentado. A aposentadoria é o descanso de quem pode.
Quem pode, pode; quem não pode se sacode.

Sacudindo o corpo a moleza vai embora. Eu fui embora, meu amor chorou.
O choro é o alívio da dor. A dor possui quatro aspectos essenciais: localização, periodicidade, tipo e intensidade.
Intensidade é substantivo feminino singular. Singular é sinônimo de único. Único é o sapato do Doutor Mané.
O Doutor Mané foi pego pela carrocinha. A carrocinha leva cachorros abandonados ou semelhantes seres para a gaiola.
A Gaiola das Loucas é um filme que eu não vi.

Eu não vi o sapo na beira do rio de camisa verde morrendo de frio.
Frio é o clima que tem feito lá pras bandas de Itaquera.
Itaquera é um vocábulo tupi guarani. Ou tupi guaraná. O Guaraná Jesus é cor de rosa.
Rosa é a flor do amor. O amor é tudo o que sei e o que eu não sei.
Saber ou não saber. E chego à dura conclusão, meus coléguas:
Só sei que nada sei.  

Com essas humildes palavras pretendo ter provado a vocês a complexidade do complexo neuro psicológico de natureza íntima de um ser que possui não muito mais que dois neurônios em sua caixola. 

Dra Lola Brígida (Luciana Viavaca)
Hospital Santa Marcelina – São Paulo

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O luto e o que vem antes

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No final do ano passado, alguns artistas do Doutores da Alegria foram convidados para um grupo de luto de um hospital onde atuamos.

Grupos de luto são espaços de acolhimento para pessoas que perderam entes queridos. São reuniões, muitas vezes conduzidas por voluntários com uma equipe multidisciplinar do hospital, em que se fala sobre morte, sobre luto, sobre saudade, sobre tristeza.

E também sobre vida. Sobre lembranças. Sobre recomeços.

Naquela ocasião, os parentes relataram lembranças que têm de seus filhos com os palhaços, o que nos emocionou muito. “Lembramos de todas as crianças com os relatos e víamos naqueles rostos não pessoas que perderam, que passaram por uma tragédia, mas as pessoas mais fortes que já conhecemos, pessoas que provaram a vida até as últimas consequências e sobreviveram! E que se ajudam mutuamente, com muito carinho!”, conta David Tayiu, um dos artistas-palhaços.

Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

Falar sobre a morte pode ser difícil para muita gente. Em um artigo desta semana no jornal inglês The Guardian, o terapeuta Johannes Klabbers traz um sensível relato sobre consolar uma pessoa que está próxima da morte. Reproduzimos um trecho:

“Embora eu conheça médicos excepcionais e enfermeiras que podem e falam com os pacientes sobre a sua morte iminente, é algo que muitos não se sentem qualificados para fazer. Aprendi que consolar uma pessoa gravemente doente é algo que quase qualquer um pode fazer, qualquer que seja sua fé – ou falta dela. Você não precisa de uma qualificação especial, ou de um crachá, ou permissão de uma figura de autoridade, sobrenatural ou não, apenas sua humanidade e determinação.

Muitas vezes a nossa ansiedade sobre dizer ou fazer a “coisa errada” nos leva a decidir não visitar alguém. Oferecer estar lá para alguém, mesmo que eles recusem – e eles podem – nunca está errado. Estar lá significa dar a sua atenção à pessoa, não à sua doença, e concentrar-se em ouvir, não em se preocupar com o que dizer.

Você precisará aceitar que a pessoa pode não querer discutir sua tristeza e medos – pelo menos no início. Eles podem querer falar sobre futebol ou o mais recente episódio de uma série. Ou eles podem apenas precisar de alguém para sentar com eles em silêncio. Você pode se sentir desconfortável ou angustiado, mas seu trabalho é aceitar o seu desconforto e pensar além dele. Você pode mostrar tristeza, mas não sobrecarregá-los com sua dor.”

Aqui no Brasil, um grupo de mulheres que viveram o luto se uniu em 2014 para criar, com a ajuda de financiamento coletivo, a plataforma Vamos falar sobre o luto?. O projeto é um convite para quebrar o tabu, com relatos diversos – um canal de inspiração e de informação para quem vive o luto e também para quem deseja ajudar.

Iniciativas como essas abrem caminho para uma reflexão mais consciente sobre a morte.

E trazem um espaço acolhedor, seja ele real ou virtual, para que pessoas se conectem em busca de um recomeço para suas vidas.

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