“Entramos no quarto de N, 9 anos, mas como tinha uma enfermeira se preparando para pegar a veia da garota, nos desculpamos e dissemos que voltaríamos depois. A menina pediu que ficássemos.

Explicamos que não misturávamos os procedimentos médicos. A enfermeira nos ajudou dizendo que nós voltaríamos para brincar e que aquela parte chata era para ela. Mas a menina argumentou que se ficássemos, ela se distrairia da dor. Aí, claro, ficamos.

Dr. Dog e eu falávamos bobagens, numa conversa sem tino, e a danada da veia não aparecia. A enfermeira deu um tempo de descanso para N e saiu para buscar ajuda.

Nós resolvemos intervir no caso! Também saímos para procurar a veia. Corredor, recepção, sala dos médicos, nada! Quartos do andar, escadas, emergência, nada! Que veia danada! Cansados, com a língua para fora, retornamos ao quarto e lá estava a fujona. Tinha sido encontrada pela enfermeira.

Depois, o Dr. Dog e eu ficamos pensando no caso. Distrair a dor da menina foi um pedido difícil, mas irrecusável. Quando se é cúmplice de graça, se ganha um amigo.”

 

Dra. Sirena
(Soraya Saide)
Hospital do Câncer
Abril de 1.997