De corredor em corredor, de enfermaria em enfermaria, de encontros em encontros, nossa vida de Besteirologista vai seguindo e, quase sempre, desfrutamos da presença de outros tão palhaços quanto nós.

Vocês não devem fazer a menor ideia de quem estamos falando. É alguém que está sempre pronto para saltar como gato. Alguém que dança nossos hits bobofônicos e remexe mais que lombriga-em-barriga-comendo-doce. Ele faz a graça do seu setor e aumenta o número de dobradas de lençol na lavanderia do Hospital.

Foi batizado por nós como “Dubigode”. Mas, oh, seu nome de verdade é Val.

Outro dia, Dubigode nos chamou no cantinho e perguntou, assim como quem não quer nada, se tinha como a gente dar um jeitinho de ele entrar no “nosso ramo”. Tentamos manter a compostura para falar de coisas sérias. Perguntamos:

- Você já fez teatro?

Dubigode ergueu as sombrancelhas. Balançou a cabeça. Não.

- Sabe, tô querendo diversificar meu ramo e aumentar a renda.

Continuamos com as perguntas. Ele não sabia que era preciso tanto estudo e dedicação para ser um Doutor da Alegria. As perguntas continuaram e foram tantas que ele achou melhor ficar no seu emprego mesmo. Ficamos imaginando se ele conseguiria manter toda aquela espontaneidade e energia diante do que enfrentamos todos os dias em nossas visitas aos hospitais.

O querido Val nos fez pensar que o que a gente faz deve ser bom mesmo, pra alguém querer deixar o seu emprego de todo dia e se aventurar a ser um Besteirologista. O nosso desejo é o de que os milhares de Dubigodes que nos inspiram e alimentam nossa jornada diária continuem fazendo da graça o valor da graça por ser de graça! E isso não tem preço que pague!

Dra. TanTan (Tamara Floriano)
Dr. Lui (Luciano Pontes)
Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip)
junho de 2011