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Conversa de olhar

Muitas vezes conseguimos conexões com pacientes que até a família duvida. 

Em uma das visitas à UTI do Instituto da Criança, as besteirologistas Emily e Xaveco Fritza se aproximam do leito de uma garota de 13 anos de idade. Logo a mãe se coloca, explicando que não adianta fazer nada porque ela não se comunica. 

Dra Emily insiste e diz que pode tocar um pouquinho de música. É o que fazem. 

conversa de olhar

Após observar a menina durante a serenata, Xaveco diz que ela se comunica sim:
- Você me acha bonita?, pergunta à menina.

A garota pisca os olhos. 

Xaveco para a mãe:
- Tá vendo? Com olhos ela disse que eu sou linda, maravilhosa e gostosaNão é verdade?, continua, olhando para a menina. 

A garota pisca os olhos novamente, mostrando que gostou da bobagem. A mãe se surpreende e sorri. 

- O que foi?, diz Xaveco para a menina – Ahh! Ela também disse que eu sou muuuito mais bonita que a Emily.  

Menina pisca.

Mas diante da indignação da Emily, Xaveco muda o rumo da prosa dos olhares, colocando-a como sendo uma pessoa apenas “simpática, quando fica de perfil”, deixando a besteirologista satisfeita com o quase elogio. Assim a conversa segue por mais alguns minutos, com a garota respondendo com seu olhar piscante. E a prosa termina com mais música pelo quarto.

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Claramente a mãe ficou feliz ao ver sua filha se comunicando, mesmo sendo um assunto completamente estapafúrdio. E pelo menos, naquele momento, o coração daquela pobre mãe se aliviou um pouquinho…

Dra Xaveco Fritza (Val de Carvalho)
Instituto da Criança – São Paulo

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Doutores recomenda: Pelo Cano, Circo dos Sonhos e Se fosse fácil, não teria graça

Doutores da Alegria recomenda mais peças que estão em cartaz na cidade de São Paulo. Programe-se e não perca!

Pelo Cano

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A palhaça Manela se prepara para entrar em cena. Ela acredita ter a receita certa para realizar um grande show de sucesso, o Show Dela. Para surpresa de todos, um incidente desvia o rumo do espetáculo, e Manela terá que entreter o público com recursos que não estavam no script. Mas o erro vai se tornando acerto. Ao tornar-se independente, não é mais o Show Dela que realiza, e sim o Show de Manela. Paola Musatti e Vera Abbud, as criadoras da Cia. Pelo Cano, praticam as artes circenses e o teatro desde o início dos anos 90. Profissionalmente, dividiram o palco nas apresentações da Cia. Cênica Nau de Ícaros, dos Parlapatões e – ainda hoje – são palhaças improvisadoras no Jogando no Quintal e parceiras nos Doutores da Alegria.

Onde, quando?
1 a 9 de novembro, sábados às 19h30 e domingos às 18h
15 e 16 de novembro, sábado e domingo às 16h

Funarte – Sala Carlos Miranda - Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo
R$ 10 e R$ 5 (meia entrada) – bilheteria abre uma hora antes do espetáculo
Informações: (11) 3662-5177
60 minutos
Classificação: livre

Circo dos Sonhos no Mundo da Fantasia

Mesmo em meio a tanta modernidade, o milenar mundo do circo sobrevive e continua fascinando famílias ao redor do planeta. Pensando em resgatar os aspectos lúdicos da garotada, o Circo dos Sonhos conta a história de um casal de irmãos que não desgrudava um só minuto do vídeo game, até o aparelho entrar em curto circuito e sua tela dar lugar a um portal, que os levará à fronteira da realidade e da ilusão: o reino de Fantasia. O espetáculo conta com atrações inéditas e números aéreos de tirar o fôlego, embaladas por músicas e coreografias contemporâneas.

Onde, quando?
Sextas às 20h e sábados, domingos e feriados às 16h, 18h e 20h

Rua Capitão Pacheco Chaves, 313 (estacionamento do Mooca Plaza Shopping)
R$ 30 a R$ 70 (com meia entrada)
Ingressos na bilheteria do circo, diariamente, das 10h às 20h (exceto às segundas-feiras) e no site ingresso.com 
Informações: (11) 2076 0087 ou (11) 2076 0001
60 minutos
Classificação: livre

Se fosse fácil, não teria graça

O ator, diretor e escritor Nando Bolognesi conta sua trajetória. Aos 21 anos de idade, o artista aprendeu a enfrentar limitações impostas por uma doença degenerativa e progressiva, a Esclerose Múltipla. Neste monólogo, ele provoca risos e emoção ao mostrar como dificuldades podem ser transformadas em alegrias, desafios e realizações, e convida a refletir sobre a vida, a morte e a existência humana.

Nando Bolognesi, ou Palhaço Comendador Nelson, é também economista e historiador. Integrou a trupe dos Doutores da Alegria e atuou, por dez anos, no espetáculo Jogando no Quintal. É o criador do projeto Fantásticos Frenéticos – palhaços em hospitais psiquiátricos, e atuou no cinema com Lais Bodansky e Hector Babenco. 

Onde, quando?
19 e 26 de setembro, sextas, às 19h30

Funarte – Sala Carlos Miranda - Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo
R$ 10 e R$ 5 (meia entrada) – bilheteria abre uma hora antes do espetáculo
Informações: (11) 3662-5177
75 minutos
Classificação: livre

A quantas anda a saúde?

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Emoções à parte, as eleições trouxeram temas como a saúde para a agenda de discussão do país. Abrimos espaço para que as pessoas falassem sobre o assunto no Facebook dos Doutores da Alegria, perguntando:

- Como está sendo tratada a saúde na sua cidade? Que bons exemplos podem ser adotados? O que poderia melhorar?

Quase 20 mil pessoas de todo o país se envolveram e interagiram conosco. Lemos todos os comentários nas publicações e trouxemos para cá uma pequena análise. Acompanhe:

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Saúde doente?

A maioria das pessoas reclamou do sistema de saúde público de sua cidade. As principais reclamações envolveram a demora no agendamento de consultas e exames e o mal atendimento em unidades hospitalares.

Vanilson do Nascimento, de Itumbiara (Goiás), espera por um exame: “Estou com uma pedra no rim esquerdo. Fui marcar o exame e me falaram que só tem vaga ano que vem, a fila de espera está longa.” Para o Alexandre Calazans, de Belém (Pará) “falta respeito às pessoas, por parte de atendentes e de médicos, mas claro que há exceções. É irônico dizer que precisamos humanizar o próprio homem. Também é necessário melhorar o salário dos profissionais e os recursos dos hospitais, postos médicos. Investir em saúde, educação, saneamento é fundamental para melhorar o país.”

Não está tão ruim assim

Mas também houve elogios e pessoas considerando satisfatórias as condições de saúde em sua cidade, como a Sumara Santos, de Santo André (São Paulo): “Posso dizer, por experiência própria, que o SUS por aqui não está tão ruim assim. Há demora para algumas especialidades e exames, mas as urgências são atendidas com certa prioridade. Os profissionais da área da saúde são, na sua maioria, competentes e atenciosos.”

Entre outros pontos fracos e que devem ser priorizados por governantes estão a falta de médicos especialistas e a falta de medicamentos. A Cleonir Soares, de Brasília, contou que sua sogra, de 90 anos, obteve alta antecipada por falta de soro fisiológico no hospital. Muitos reclamaram de longas esperas para o primeiro atendimento. Outros acreditam que prontos socorros e unidades de pronto atendimento devem absorver mais a demanda e serem procurados antes de hospitais – estes deveriam ser acionados em casos mais graves.

Para a Terezinha Lima Silva, de Goiás, o acolhimento em hospitais particulares é bom. “Eles [os hospitais] têm uma boa equipe, e quem vai ser tratado lá pelos SUS tem bom atendimento.” A Tatiane Ramos, de São Paulo, também elogiou: “Estou sendo atendida pelo SUS no IBCC [Instituto Brasileiro de Controle do Câncer] e não tenho do que reclamar – serviço e profissionais de primeira. Todos que estão ali realmente necessitam do serviço, é bom, é rápido e eficiente.”

Outra questão apontada foi a falta de aparelhos para exames sofisticados; o que explica, em parte, a demora no agendamento de exames.

E na sua cidade, a quantas anda a saúde? 

O nosso desejo é o de que a saúde seja priorizada na agenda dos próximos governantes. Sabemos que muitos investimentos vem sendo feitos – investimentos esses que muitas vezes não enxergamos com clareza – mas o caminho é longo e a estrada é árdua. 

O nosso papel nos hospitais é o de promover a qualidade das relações humanas e qualificar a experiência de internação por meio da visita contínua de palhaços profissionais especialmente treinados. Como bem disse o João Paulo Menezes, de Belém, “por um mundo em que a arte seja instrumento de produção de saúde!”. Tâmo junto!

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Conferência na Itália discute o trabalho

Nos dias 17 e 18 de outubro, a Itália sedia uma conferência de palhaços que atuam em alas pediátricas. Doutores da Alegria estará representado no evento pela psicóloga Morgana Masetti, que contribuiu com a organização e desenvolve pesquisas relacionadas a este trabalho.

Mais de 50 palestrantes estarão na Conferência Internacional Sobre o Palhaço em Hospital Pediátrico para falar sobre o que há de mais recente na área em termos de atuação, pesquisa e formação. São esperados médicos, psicólogos, enfermeiros e artistas de diversos países, como Brasil, Israel, Portugal, Estados Unidos, Holanda, França e Índia.  

Meyer Conference

Segundo a organização do evento, serão apresentados estudos sobre o uso da linguagem do palhaço para reduzir a ansiedade pré-operatória e os seus efeitos durante procedimentos invasivos em pacientes submetidos à quimioterapia.

Entre os convidados está Michael Christensen, artista pioneiro que inseriu o trabalho do palhaço em hospitais de Nova Iorque nos anos 80 e inspirou diversas iniciativas mundo afora. Morgana falará sobre o trabalho dos Doutores da Alegria e sobre questionamentos e reflexões que permeiam a atividade. Fala também sobre o papel da pesquisa dentro das organizações e sobre a experiência da Escola dos Doutores da Alegria, que hoje é referência na pesquisa e na disseminação da linguagem do palhaço a partir da experiência nos hospitais.

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Doutores recomenda: Trueque, É o ó, As Levianinhas e Bruxas da Escócia

Faz tempo que não vai ao teatro? Ah, deixa disso! Selecionamos mais alguns espetáculos dos nossos artistas que rodam neste mês, desta vez em São Paulo. Escolha um pra chamar de seu… E o último a sair apaga a luz!

Trueque, da Cia Animée

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“Trueque” é uma palavra da língua espanhola que, traduzida para o português, significa “troca”. O espetáculo é estruturado a partir da experiência das palhaças Mary En e Tan Tan em apresentações realizadas em hospitais. A peça reúne alguns dos momentos de graça e beleza que surgiram durante esses anos de trabalho e retrata o encontro do palhaço com a criança, numa construção cênica de mão dupla na qual a criança é o sujeito da ação.

Quando, onde?
12 a 26 de outubro, sempre aos domingos, com sessões às 15h e às 17h
Sesc Pinheiros – Rua Pais Leme, 129 – São Paulo
ingressos aqui: http://www.sescsp.org.br/programacao/44933_TRUEQUE

23 e 24 de outubro, às 16h
Fundação Nacional de Artes (Funarte – Sala Carlos Miranda) – Alameda Nothmann, 1058 – São Paulo
ingressos no local

É o ó, da Cia do Ó

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Três palhaças entram em cena para apresentar um show musical, mas a disputa entre elas provoca tanta confusão que o concerto se desconcerta. Nessa história, a música está no ar, mas é o humor do circo tradicional que faz o show.

Quando, onde?
17 a 25 de outubro, às sextas (19h30) e sábados (16h), 19 de outubro às 16h e 31 de outubro às 19h30
Fundação Nacional de Artes (Funarte – Sala Carlos Miranda) – Alameda Nothmann, 1058 – São Paulo
ingressos no local

As Levianinhas, da Cia Animée

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O pocket show conta com quatro palhaças atrapalhadas. Elas cantam e tocam ao vivo músicas voltadas ao público infantil.

Quando, onde?
18 de outubro às 16h
Sesc Pinheiros – Rua Pais Leme, 195 – São Paulo
ingressos gratuitos

Bruxas da Escócia, da Cia Vagalum Tum Tum

Bruxas da Escócia reconta a história de Macbeth, um valente general do exército escocês, defensor leal do rei. Ao voltar de uma batalha, o general encontra três bruxas que lançam uma profecia: ele se tornará rei! Daí em diante, seu desejo pelo poder é aguçado e a peça se desenrola, entre caretas, bofetadas, escorregões e até truques de mágica.

Quando, onde?
16, 23 e 30 de novembro e 7 e 14 de dezembro, sempre às 16h
Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505 – São Paulo
ingressos aqui: http://www.sescsp.org.br/unidades/26_SANTO+AMARO/#/content=programacao

Compartilhando saberes

O trabalho dos Doutores da Alegria ultrapassou oceanos e sua história chegou aos Estados Unidos.

Ontem o fundador da ONG, Wellington Nogueira, compartilhou a experiência brasileira de levar arte para os hospitais junto a um público diverso na Universidade da Carolina do Sul – Escola de Artes Dramáticas. O evento foi organizado pelo professor David Bridel, dentro do programa Visions and Voices, para também mostrar aos alunos que é possível trabalhar com a arte do palhaço aliada à saúde. A ideia é estruturar um curso para a formação destes profissionais dentro da faculdade.

Pra deixar a história ainda mais inspiradora, ele apresentou o documentário Doutores da Alegria – O Filme na companhia da diretora Mara Mourão. E a casa ficou cheia pra ver o que a gente tem aprontado feito nos hospitais tupiniquins. (você já viu o filme? nãããão?)

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Além deles, Karen McCarthy (Clown Care Unit – Nova Iorque) e Dr Atay Citron (Universidade de Haifa – Israel) também apresentaram seus programas envolvendo arte e formação no ambiente hospitalar.

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Wellington Nogueira destacou ainda a importância de Doutores da Alegria estar representada neste evento:

“Quando uma universidade do porte da Universidade da Carolina do Sul se predispõe a abrir um curso para a formação de besteirologistas, fica claro que é uma profissão do futuro e que Doutores da Alegria tem um trabalho de grande relevância, uma vez que eles pesquisaram diversas iniciativas pelo planeta. É muito legal poder contribuir para a elevação deste trabalho à condição de profissão para a qual você pode estudar, entrar no mercado e ser remunerado por isso.”

Viva a Besteirologia, profissão de futuro! Ou de presente? 

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O palhaço é.

Dizem que para se sentir apto numa profissão demora dez anos. 

Pois eu estou completando 17 anos de Doutores da Alegria e de hospital. 

Duico Vasconcelos e Paola Musatti

E compartilho nessas linhas algumas vivências que tenho. O palhaço é esperado para a próxima visita como uma pessoa do corpo clínico do hospital, mas é diferente, pois trata-se da visita de um palhaço. E o que é esperar a chegada de um doutor palhaço? Quem é ele? Sentimental, tímido, aloprado, louco, namorador, carente, medroso, bravo, mal humorado, canastrão, equilibrista, musicista…? 

Como ele irá atender naquela manhã cinzenta? Como ele irá atender depois de uma noite mal dormida? Como ele irá atender ao olhar um paciente que acabou de se internar e está completamente assustado? Qual será o assunto que ele vai abordar? Do que vão falar? 

Todas essas perguntas passam nas nossas cabeças antes, durante e depois dos nossos atendimentos. 

No Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), a nossa rotina de palhaço começa no 3º andar. Lá é a sala da diretora do hospital. Como podemos ter tanta intimidade? A saudade do fim de semana começa com várias perguntas: 

- E aí, Manela? E aí, Pistolinha? O que têm pra me contar de hoje, do final de semana…? 

E assim o imaginário do palhaço dispara… Constrói frases e pensamentos tão verdadeiros que aqueles seres “palhaços” conversam de igual para igual aonde quer que ele esteja. Discutem políticas, doenças, jornalismo, besteiras, papos de manicure, novela, o que quiserem. 

Descemos as escadas e já estamos prontos pra dar e receber o que virá. Um corredor extenso com pais e crianças aguardando atendimento. Depois, um enorme saguão de espera onde as cadeiras estão disponíveis como num teatro, só que voltadas para uma TV.

Depois uma ala de quimioterapia. Depois uma andar inteiro com quartos privativos. E por fim a UTI. 

De uma riqueza sem fimDe uma liberdade estremecedora. De um vínculo tão ou mais forte que um namoro. De uma intimidade que não conquistamos muitas vezes em anos de casamento. 

E por quê? Qual o segredo disso? 

O palhaço se mostra. E ao se mostrar o outro se mostra também. O palhaço enfrenta. E ao enfrentar o outro talvez enfrente também. O palhaço se expõe e o outro poderá se expor também. 

Muitas vezes me distancio e não acredito que adentramos uma sala médica, aonde estão discutindo um caso sério, e pouco a pouco, conversa daqui e conversa dali, em cinco minutos aquela sala não é mais a mesma. Parecemos amigos que se conhecem há tanto tempo. Por quê? 

Na UTI, por exemplo, aos poucos fomos conquistando os funcionários e sinto uma vontade de colocar aquele lugar de cabeça pra baixo contando as minhas mazelas, as minhas virtudes, cantando, brincando, brigando com o Dr. Pistolinha! 

O palhaço é. E ao ser, o outro pode ser também. Um mundo onde precisamos tanto parecer ser… O palhaço é. 

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E na doença não se pode fingir que não está doente. Se está doente. Creio que aí que começa a grande relação, tão forte e duradoura entre palhaços, corpo clínico e pacientes. 

Estamos todos SENDO. VIVA O SER, O ESTAR.

Dra. Manela (Paola Musatti)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – São Paulo

Era uma vez…

Era uma vez… Na verdade, já foram várias vezes.

Mas dessa vez nosso encontro com a C. foi uma ERA diferente. Ela é uma adolescente e a conhecemos há muito tempo. Quando entramos no seu quarto, vimos que estava deitada e parecia sonolenta. Ao seu lado um livro grande. 

Esses dados ajudarão a compor o cenário da história que vamos contar e que fez a nossa tão conhecida visita ter um outro encanto. Leiam agora a verdadeira história de Cinderela na versão bobonesca:

clauderelaEra uma vez uma linda princesa que vivia em um castelo cercada de vários cuidados. Ela vivia feliz até a chegada de uma bruxa (dra Svenza) que lançou um feitiço e a fez dormir por longos anos.

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Até que um dia, um lindo príncipe (dr. Lui) chegou na floresta e viu Clauderela adormecida no bosque. Como sempre ouviu essa história, ele já sabia que bastava um beijo apaixonado para despertar Clauderela daquele sono agourento. Mas justo na hora do beijo, a bruxa interrompe e diz: 

- Hahaha! Que príncipe é esse?! Não tem cavalo, nem espada!? 

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A menina escutava e assistia a tudo com um leve sorriso e interesse no desenrolar da história. Mas deu para ver no seu rosto também qual seria a solução que o desfecho dessa história lhe reservava. Movido pelo sentimento de amor e desafiado pela bruxa Svenza, o príncipe Lui pegou um “porta soro” que estava ao lado da cama e fez com ele o seu cavalo. 

Viu um guarda-chuva ao lado da cama da sua acompanhante e, apoderando-se dele, fez uma espada e enfrentou os tantos desafios para provar sua realeza. E nem foi preciso tanto, que ao dar o beijo apaixonado, Clauderela sorri e diz:

- E foram felizes para sempre!

A história poderia acabar aqui, mas na semana seguinte, já com a dra Baju do lado, visitamos a garota novamente e a vimos com uma peruca e uma coroa de princesa na cabeça. 

Não deu tempo da Baju saber da história que contamos com a menina mas fiquei “de cara”, encantado de verdade quando a vi daquele jeito. Será que ela estava brincando com a gente, dando continuidade à história? Será que era uma tentativa de encantar sua vaidade e ter de volta o que se foi? Ou será que era mais um desses acasos que surpreendem a gente e fazem a vida no hospital ter o encanto que tem? 

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Não sei responder e talvez nem precise, basta acreditar que os sonhos podem ser reais, que a magia faz nosso dia a dia ter a realeza dos príncipes e princesas que se encantam e se desencantam como na velha e linda história do Era uma vez…

Dr. Lui (Luciano Pontes) e dra Baju (Juliana de Almeida)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife 

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Desembarque por aqui

Dois palhaços tiraram umas férias e resolveram desembarcar no Brasil. Vieram lá do estrangeiro diretamente para o hospital!

Ah, e nós adoramos um intercâmbio! Quem lembra da visita do Le Rire Médecin? E do Cirurgiões da Alegria? E da paspalha da doutora Tomate?

Desta vez, os bobointercambistas importados são o Doctor YAY, que trabalha no pioneiro Clown Care Unit de Nova Iorque (Estados Unidos) e a Anna de Lirium, que faz parte do Red Noses Clowndoctors de Viena (Áustria). Ah, eles são mais conhecidos como os brilhantes artistas John Leo e Tanja Simma.

Anna de Lirium espertamente desembarcou no Recife. Ao invés de se jogar nas lindas praias, foi acompanhar os besteirologistas Baju e Lui pelos corredores do Hospital Oswaldo Cruz. E depois ainda participou do Festival PalhaçAria! A Baju bradou aos quatro cantos:

- Mais uma tonta pra gente administrar!

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Já Yay foi fazer visitas com seis palhaços diferentes (haja paciência!) no Instituto da Criança, em São Paulo. Foi tudo na base da mímica e do palhacês. Em um dos quartos, encontraram um paciente que deu um baile de imitações de todos os bichos possíveis e imaginários. Gastaram todo o seu repertórios de imitações e o pequeno paciente era o melhor – imitava cachorro melhor que muito cachorro por aí… Os palhaços não tiveram nem a chance de contar que o terceiro elemento era um americano!

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O dr. Pinheiro conta mais:

- Quando YAY se apresenta para as pessoas, ele tem um tique. Diz que é o DOCTOR YAAAAAAY e levanta os dois braços juntos! É muito divertido!

Cada passo, uma diversão, cada encontro, uma surpresa. Cada um falando uma língua pelos corredores. E eles deixaram saudade, como contou o Pinheiro:

- Quem sabe um dia cruzamos o oceano e voltamos com histórias do outro mundo…

Seguimos sonhando com novos intercâmbios!

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Riso poderoso!

Estudando sobre os efeitos do riso, descobri que sorrir, dar risada e gargalhar nos coloca em um estado de “atividade”; o riso tem o poder de nos tirar da passividade e de abrir possibilidade de estarmos em ação. Assim, procuramos com o riso não somente garantir o resultado de um bom trabalho, mas garantir um riso que venha trazendo também a vontade de brincar, de interagir e de trocar!

riso poderoso

Algumas crianças querem “dar comida ao peixe da Mary En”. Enquanto o dr. Micolino toca uma música no violão, eu solto as bolhas (a comida) e a criança, com o peixinho na mão, faz com que ele coma as bolhas, alimentando o peixe. Os adultos riem e todos nós ficamos envolvidos no jogo. Essa simples ação coloca a criança como sujeito ativo, dá a ela a escolha de agir sobre a realidade. Alimentar o peixe é uma ação que, por mais simples que seja, provoca esse estado de atividade que o riso proporciona.  

Muitas crianças mal tomam uma injeção e, com os olhos ainda marejados, já piscam o olho pra mim quando, de repente, saco a seringa do bolso! Imediatamente eles apontam pro dr. Micolino e me pedem pra aplicar nele! Já a reação do Micolino é de chorar de rir… Ele pula, gira, perde a voz, grita, faz tudo que tem direito pra protestar a dor de quem leva uma injeção. Bom demais poder subverter a natureza das coisas, e nisso o palhaço é privilegiado. Como pode tanta risada numa enfermaria porque um aplica uma injeção e o outro grita de dor? Sim, sorrir da nossa própria condição humana também faz bem, afinal rir é melhor do que chorar!  

riso poderoso

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E não tem contraindicação!

Outro dia, quando paramos na porta da enfermaria, a confusão estava armada: a mãe brigando com uma técnica, clima hostil e nada promissor. Bem, tem momentos que é melhor tomar uma boa dose de “simancol”, e foi justamente o que fizemos. Passamos para a enfermaria seguinte até que os ânimos apaziguassem.

Quando voltamos, a mesma mãe que há alguns minutos estava completamente “alterada”, nos olhou com uma tremenda cara de cumplicidade e bastaram alguns segundos para o clima mudar completamente. 

riso poderoso

E olha que nem fizemos tantas bobagens pra que isso acontecesse… Podemos concluir que na hora do “aperreio” uma boa bobagem seguida de uma boa risada pode resolver melhor que uma discussão acalorada. Ainda apareceu um vigilante na porta, mas quando nos viu lá dentro e ouviu as risadas, deu um tempo e ficou sem ter o que fazer. Mais tarde encontrei com a técnica, e ela me disse que falou para o vigilante que não precisava mais dele, pois os “palhaços” já tinham acalmado a situação. 

Conclusão: Palhaço é bom, não engorda e não tem contraindicação!

Dra Mary En (Enne Marx)
Hospital da Restauração – Recife