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Uma história em quadrinhos

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Sim, uau! A história destes quadrinhos foi criada por Nilson Domingues e Luciana Viacava, artistas que atuam no Instituto da Criança, em São Paulo.

Os quadrinhos foram pintados por Paulo Ferrari, grande amigo dos Doutores da Alegria, que dá aulas de pintura para o Mateus lá na UTI do Hospital do Mandaqui (SP). A técnica utilizada foi aquarela sobre papel com caneta hidrográfica. 

Acompanhe aqui o trabalho dele.

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Música ao pé da chinela

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Toda semana eu (Dra Tan Tan) e o Dr. Lui criamos pequenas canções com letras improvisadas de acordo com as pessoas e os acontecimentos.

Dia desses encontramos a dona Maria, mãe de uma pequena paciente. Toda a vez que ela nos vê, ri muito e se esconde. Lui percebeu esse movimento e começou a levar junto comigo o seguinte improviso: 

Ô, dona Maria, não se avexe não
O que eu quero é conquistar o seu coração

Ô, dona Maria, tu és muito linda
Quando você passa agita as minhas lombrigas

Ô, dona Maria, esse seu sorrisinho é tão bonitinho
Então se levante e vem dançar comigo um pouquinho!

IMIP - Lana Pinho-31

Dona Maria se levantou dando risada. Mas ao invés de dançar, como pedia a música, pegou suas chinelas e nos ameaçou!

Corremos muito rápido com medo da chinelada! E a pequena ficou muito contente em ver a sua mãe sendo homenageada por nós… E também por fazer daquele momento silencioso um momento de alegria e diversão

Afinal de contas, quem é que não gosta de uma música animada no pé da chinela, ops, do ouvido?

Dra Tan Tan – Tamara Floriano
IMIP – Recife

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Doutores recomenda: encontro discute palhaçaria sob um viés feminino

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Discutir o palhaço sob um viés feminino é o grande propósito do II Encontro Internacional de Mulheres Palhaças. Mas também traz ao público espetáculos infantis e adultos, de rua, cabarés, rodas de conversas, oficinas e filmes.

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A segunda edição do evento acontece de 21 a 27 de novembro em diversos espaços na cidade de São Paulo e é realizada pelo Teatro da Mafalda, em parceria com SESC São Paulo.

Soraya Saide e Roberta Calza – atrizes, palhaças e formadoras da Escola do Doutores da Alegria – ministraram uma oficina sobre a intervenção do palhaço em hospital no dia 21. “Muita gente da classe artística e estudantes da área não sabem que Doutores da Alegria tem uma escola. Apresentamos a pedagogia e a metodologia que desenvolvemos nos cursos para os vários públicos. Foi importante falar com gente preocupada com a banalização da linguagem“, comentou Soraya.

Veja a programação abaixo ou clique aqui para ver o flyer do evento.

Programação CENTRO CULTURAL DA PENHA – LARGO DO ROSÁRIO

21 de novembro
10h às 13h – Oficina “Palhaçaria no Hospital”, com Soraya Saide (Doutores da Alegria, SP)
10h às 13h – Oficina “Bufonaria”, com Luciana Viacava (Cia do Ó e Doutores da Alegria, SP)
19h30 – Exibição do filme “Minha avó era palhaço”, de Mariana Gabriel (SP)
21h – Confraternização

22 de novembro
10h às 13h – Oficina “Palhaçaria no Hospital”, com Soraya Saide (Doutores da Alegria, SP)
10h às 13h – Oficina “Bufonaria”, com Luciana Viacava (Cia do Ó, SP)
14h30 – Exibição do filme “A Grande Vedete” e conversa com a Profª.drª. Virginia Namur (Fatec/Unesp, SP)
15h às 18h – Oficina “Donde está mi payasa?”, com Darina Robles Pères (Ciudad de México, México)
20h30 – Espetáculo “Cabaré das Neófitas”, de Cida Almeida (SP)

23 de novembro
10h às 13h – Oficina “Palhaçaria na rua”, com Manuela Castelo Branco (Brasília, DF)
10h às 13h – Oficina “Clown para palhaças”, com Fiorella Kollmann (Lima, Peru)
15h às 18h – Oficina “Donde está mi payasa?”, com Darina Robles Pères (Ciudad de México, México)
17h – Espetáculo “Eu Transito”, da Cia Asfalto de Poesia (SP)

24 de novembro
10h às 13h – Oficina “Palhaçaria na rua”, com Manuela Castelo Branco (Brasília, DF)
10h às 13h – Oficina “Clown para palhaças”, com Fiorella Kollmann (Lima, Peru)

27 de novembro
21h – Comemoração dos 20 anos da turma “Lume Teatro” (Campinas, SP)

Programação SESC CAMPO LIMPO

23, 24 e 25 de novembro
15h às 18h – Oficina “Técnica Circense- acrobacia e laço”, com Tania Fabri e Família Sbano (SP)

26 de novembro
16h – Espetáculo “A-las-pi-pe-tuá” da Seres de Luz (Campinas, SP)

27 de novembro
16h – Espetáculo “A-las-pi-pe-tuá” (Campinas, SP)
18h – Cabaré da Mafalda (SP)

Programação SESC IPIRANGA

24. de novembro
19h às 22h – Palhaças em Rede

26 de novembro
18h – Cabaré de Gala, com direção de Naomi Silman (Lume Teatro, Campinas, SP)

27 de novembro
16h – Espetáculo “ Borralhona”, com Lilian Moraes (Grupo Offsina, Rio de Janeiro, RJ)
18h – Cabaré Trans. Direção: Ricardo Pucetti (Lume Teatro, Campinas, SP)

Programação SESC PINHEIROS

26 e 27 de novembro
16h – Espetáculo “Metro Y Médio”, com Maku Jarrack (Buenos Aires, Argentina)

Programação SESC SANTO ANDRÉ

27 de novembro
16h – Cabaré Tarde de Galinha, com direção de Joana Piza (Campinas, SP)

Programação LARGO DO PAISSANDU – CENTRO DE MEMÓRIA DO CIRCO

25 de novembro
11h – Cortejo de Palhaças do Encontro

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Profissionais de saúde e palhaço: formação é fundamental

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A relação com profissionais de saúde foi tema da mesa “Outras formas de atuação” durante o Encontro Nacional de Palhaços. A discussão foi além e abrangeu a formação básica para que um palhaço atue em hospital.

Mauro Fantini, coordenador do grupo Narizes de Plantão, forma estudantes da área da saúde. Ele trouxe uma pesquisa que fez com estes alunos antes e após as intervenções nos hospitais. A ideia era entender se a experiência de palhaço acrescentava algo a quem atuava com saúde.1 - 2016-11-13-PHOTO-00000014

“O que é palhaço pra você?” era a pergunta. Frases como “Eu achava que aprenderíamos a contar piadas, a sermos engraçados e estarmos sorrindo o tempo todo” e “Achei que aprenderíamos truques e números ensaiados para usarmos no hospital” apareceram muito. Entre as palavras, surgiram: alegria, despreocupação, brincar, personagem, inocência, rir, amor, diversão.

Depois de passar pelo processo de formação, os alunos voltavam a responder ao questionamento. Entre as respostas: “Aprendi a lidar comigo mesmo, com as coisas em que sou bom e com as que tenho dificuldade. Aprendi a lidar com meus erros e a aceitar os erros dos outros” e “Eu lido com pessoas o tempo todo, desde pacientes doentes até colegas competitivos. Agora eu consigo aceitar melhor o que a outra pessoa está me propondo”.

E as palavras se ampliaram e se modificaram totalmente: encontro, sentimento, desprendimento, momento, ser, criança, essência, descoberta, escuta.

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Alexandre Penha, do grupo voluntário Terapia da Alegria, oferece formação a estudantes de áreas da saúde em todo o país. Por ser formado em Artes Cênicas, ele traz este olhar para formar os jovens.

Ele iniciou questionando quantas pessoas haviam se formado de forma tradicional. “Não há universidade focada no palhaço no Brasil. O que usar em formação então?”, disse ele. A solução foi avançar com o que chamou de pedagogia da descoberta, que serviria para democratizar o acesso ao palhaço em todo o país – principalmente para pessoas que nunca tiveram contato com Artes Cênicas, como estudantes da área da saúde.

A mesa seguiu com uma ampla discussão sobre diferentes maneiras de formar um palhaço para atuar no hospital. Formadores da Escola dos Doutores da Alegria se juntaram à mesa para discutir o tema e mostrar o que temos oferecido. Muito foi falado sobre a escassez de cursos abrangentes no país, e sobre o oferecimento de oficinas curtas que não aprofundam a linguagem. Os grupos deram seus depoimentos sobre como qualificam o trabalho que é oferecido aos hospitais. 

O que fazer no hospital? Mesa discute diferentes experiências

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O dia amanheceu frio e chuvoso em São Paulo, mas os grupos que vieram ao Encontro Nacional de Palhaços deixaram a preguiça de lado para refletir e trocar suas experiências.

A mesa “Diferentes práticas – O que fazer no hospital” abriu uma discussão sobre formação e estratégias para atuar junto a diferentes públicos nos hospitais. Pessoas de diversos grupos fizeram parte da plenária e compartilharam seu modo de trabalho.

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Alexandre Penha trouxe a prática do Terapia da Alegria (Curitiba, Paraná), grupo voluntário que atua em todas as alas de cinco hospitais. Atualmente o grupo está se profissionalizando e vem oferecendo formação a estudantes de áreas da saúde em todo o país. O grupo também faz visitas pontuais a hospitais psiquiátricos e hospitais com crianças com problemas de motricidade – e tem experimentado ir além destas fronteiras, já tendo atuado em regiões de consumo de drogas e em um prostíbulo.

Alexandre também levou o Terapia da Alegria ao Haiti, onde há muitas crianças órfãs; ao Vale dos Incas, no Peru, a Burkina Fasso, no deserto da África, e a áreas de refugiados sírios. “Temos experimentado o palhaço e ele realmente pode entrar em outros lugares. O trabalho do hospital pode se refletir em outros lugares”, comentou Alexandre.

A mesa seguiu com Débora Kikuti, coordenadora do curso de contadores de histórias do MadAlegria (projeto de extensão da USP). Ela falou sobre a potência que as histórias têm em nos trazer bem estar e a importância de estar preparado, de investir em um repertório, afinal são muitas visitas a pacientes, e às vezes as pessoas passam um tempo longo no hospital.

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É muito bacana quando entramos em um quarto só com o jaleco e não carregamos nada, nenhum adereço ou figurino. Eles ficam tentando entender se somos palhaços ou contadores de histórias”, contou Débora. Ela finalizou a mesa contando uma história que fez todos a aplaudirem de pé.

A experiência do palhaço com adultos foi compartilhada por Fabiana Leitão, do grupo Doutores Palhaços, de São Paulo. “Percebemos que alguns palhaços tratavam os adultos como crianças, e isso trazia uma rejeição ao trabalho”, disse ela, que é historiadora e fez um resgate da história do palhaço para os grupos. “Na Renascença, o palhaço fazia brincadeiras com conteúdo sexual ou fazia críticas ao governo da época. Era um palhaço que tinha adultos como público”, continuou.

Fabiana abordou a formação que ela traz para os integrantes do Doutores Palhaços: “Temos formação continuada e encontros mensais. As pessoas vão se formando e entendendo o palhaço durante as visitas”.

O próximo a partilhar com os grupos foi Olivier Terreault, do Teatro do Sopro (Rio de Janeiro) e do Jovia (Canadá). Ele abordou a metodologia do “empatilhaço”, empatia através do palhaço, uma técnica que utiliza há mais de 15 anos na área da saúde.

Olivier também falou sobre o arquétipo do palhaço que trabalha em suas formações. “Temos uma sombra do que queremos esconder e uma sombra do que queremos pretender. A máscara e a fantasia do palhaço revelam ou escondem o artista?”, questionou ele.

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A partir da experiência com idosos, ele trouxe dados de pesquisas que indicam que, em 50 anos, haverá mais idosos do que crianças no Brasil. Isso exigiria uma readequação do nosso sistema de saúde, desde os ambientes hospitalares até a formação dos profissionais, incluindo o palhaço. No dia 13, Olivier oferece uma oficina sobre o “empatilhaço” para os grupos participantes do Encontro Nacional.

Mauro Fantini seguiu a discussão. Ele é coordenador do Narizes de Plantão, grupo inserido no Centro Universitário São Camilo e formado por estudantes da área da saúde. Ele seguiu a discussão contando uma história por trás da visita ao hospital – uma história de fracasso, como ele chamou.

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“O hospital nos recebeu muito bem, mas houve problemas com alguns profissionais de saúde. Depois de um tempo, fomos suspensos. Isso poderia não ter acontecido se várias camadas do hospital soubessem o papel do grupo antes”, contou ele.

Mauro ressaltou a importância de alinhar expectativas com o hospital. Pode ser que o hospital queira bondade, caridade, doação, entretenimento, show; e o grupo trabalhe para levar arte, trabalhar a humanização, a relação com os estudantes da área da saúde. “É preciso sempre discutir a relação com o hospital”, finalizou.

Irene Sexer e Silvina Sznajder, do grupo argentino Alegria Intensiva, recentemente estiveram na sede do Doutores da Alegria e puderam entender a realidade do trabalho no país.

Na mesa, elas apresentaram o seu trabalho e comentaram a promulgação da lei que recentemente instituiu a presença obrigatória de palhaços atuando nas pediatrias da Argentina. A lei determina que hospitais públicos da província de Buenos Aires serão obrigados a ter artistas especializados na arte do palhaço para a reabilitação de pacientes. 

A mesa finalizou com uma intervenção surpresa de Marcia Strazzacappa, professora da Unicamp e mestre em Educação e Dança. Ela surgiu como uma faxineira que retrata a figura dos profissionais de saúde de um outro ângulo. Depois, ela sentou à mesa para responder a questões dos grupos.

Gosto muito de pensar no estado de arte, mais do que arte como uma linguagem. E nesse estado, não lugar, a gente alcança a subjetividade, e gosto de trabalhar no hospital com essa perspectiva. Não acho que a arte está a serviço de nada, acho que acontece e provoca reflexões, emoções e outros olhares”, disse ela.

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Como se forma uma rede? Inspirações para o Palhaços em Rede

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O primeiro dia do Encontro Nacional seguiu com uma discussão sobre formação de redes.

Fátima Pontes, coordenadora da Escola Pernambucana de Circo e presidente da Rede Circo do Mundo Brasil, trouxe inspirações para aprimorar e aumentar o engajamento da rede de palhaços nos próximos anos.

Ela partiu do histórico da Rede Circo, que surgiu em 2000 com cinco instituições que tinham o desejo de trabalhar com a pedagogia do circo social. “Como faz pra dizer o que é circo social? Quem diz que trabalha com circo social trabalha mesmo? Muitas questões surgem com a constituição de uma rede”, explicou Fátima Pontes.

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Em 2004 aconteceu o primeiro encontro nacional. A visibilidade da Rede Circo do Mundo Brasil aumentou com a exposição de grupos como o Cirque du Soleil e com os resultados obtidos com a rede. Hoje ela é uma federação constituída, com estrutura administrativa, e 20 instituições participantes, além de sócios e educadores.

Toda rede precisa ter uma causa, é o que une os seus membros”, comentou. Segunda ela, uma rede forte e engajada aumenta muito o impacto do trabalho, pois com sua força pode influenciar políticas públicas e ampliar os resultados das ações dos membros envolvidos. Outros benefícios são a troca de experiências, o relacionamento com parceiros e a mobilização de recursos para a causa.

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Fátima terminou a apresentação propondo questionamentos aos grupos do Palhaços em Rede. “Todos os membros têm consciência dos objetivos da rede? Estão na mesma sintonia? Hoje são mais de 1000 grupos na rede, fora os grupos pelo país. Queremos uma rede tão grande?”

A experiência e os desafios propostos por ela foram muito inspiradores para que esta rede de palhaços seja cada vez mais efetiva e focada em levar um trabalho de qualidade aos hospitais.

Primeira mesa do Encontro Nacional discute o palhaço e traz tendências

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Centenas de pessoas deixaram o feriado de lado para refletir e praticar o palhaço em três dias de encontro propostos por Doutores da Alegria.

O 4º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital teve início ontem, dia 12 de novembro, e segue até o dia 14 em São Paulo. Na programação há mesas de discussão, oficinas e intervenções artísticas para grupos de todo o Brasil que usam a máscara do palhaço para atuar em hospitais.

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Neste encontro vamos discutir o compromisso com o trabalho, sua profissionalização e como formar uma rede engajada”, conta Raul Figueiredo, tutor do programa Palhaços em Rede. Ele introduziu o primeiro dia de debates com a mesa “Contexto e tendências da ação do palhaço na atualidade”.

A psicóloga e pesquisadora Morgana Masetti trouxe reflexões que estão sendo debatidas mundo afora. falou sobre doenças do mundo atual, felicidade e relações afetivas. “A doença e a tristeza, que fazem parte da experiência humana, começam a ser vistas como desnecessárias na humanidade. Elas tentam ser silenciadas. Os sintomas falam alguma coisa da minha ligação com o mundo, e eles precisam ser entendidos, não silenciados.

Morgana também trouxe a ideia do palhaço como meio, não um fim. “O palhaço ativa algo em mim que me faz querer chegar em algum lugar. Como trabalhar essa energia que o palhaço mobiliza em mim?”, questionou ela.

A discussão seguiu com Thais Ferrara, diretora artística do Doutores da Alegria, que falou sobre humanização e sua trajetória até virar política pública. “O palhaço virou ícone da humanização, mas quando decidimos entrar no hospital, nossa proposta era completamente artística, humanização sequer passava pela cabeça. Com o passar dos anos nosso objetivo artístico foi sendo colocado a serviço da humanização”, conta ela.

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“A humanização se pautou no movimento feminista, quando a saúde da mulher veio à tona e começaram a ser criados programas como mãe canguru, hospital da criança, aleitamento materno, alojamento conjunto. Com o tempo entenderam que era preciso democratizar as práticas, dialogar com o paciente e, principalmente, partir da gestão”, finalizou.

A seguir Daiane Carina apresentou um dos temas mais importantes do encontro: o novo marco regulatório, que regulamenta, traz regras e obrigações às organizações do terceiro setor.

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“A lei surgiu por uma convergência de fatores: ausência de uma lei especifica para regular o setor, falta de planejamento, monitoramento, ausência de dados sistematizados e pouca capacitação”, conta ela. O principal objetivo do marco é dar mais transparência para as parcerias realizadas com o governo – algo que teve evidência em 2007, durante a CPI das ONGs.

Segundo Daiane, o terceiro setor já alcança 5% do PIB brasileiro e tem migrado do assistencialismo para um campo profissional. “Para prestar um serviço para pessoas em situação de vulnerabilidade social, será preciso se constituir como organização e ter um diagnóstico da realidade onde você vai atuar, ter planejamento e indicadores das suas ações”, conta ela.

A mesa encerrou com Nando Bolognesi, que esteve no elenco do Doutores da Alegria por cinco anos e trouxe um olhar para a função social do palhaço. “O palhaço tem uma capacidade de se disfarçar e de se apresentar como uma figura diferente do que é, um tipo difícil de identificar porque a primeira camada que aparece é a camada fofa, simpática, confiável, mas o palhaço é subversivo, é político, e isso não é uma opção, é uma condição”, conta ele.

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A manhã encerrou com uma intervenção surpresa do palhaço Klaus, criado por Márcio Douglas, do elenco do Doutores da Alegria. Ele provocou os participantes, trazendo uma versão diferente da máscara do palhaço.

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Na escuta!

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Nós, os palhaços, costumamos usar bastante essa palavra: estado. Esse estado do qual estamos falando não é o geográfico, não é o estado de Pernambuco, nem do Pará, é aquela coisa de sentir-se presente, autêntico e num estado de prontidão.

Os seguranças do hospital, por exemplo, vivem nessa disposição. E os daqui do Hospital Barão de Lucena, no Recife, nos ensinam muito sobre isso. 

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Estar sempre alerta é uma das condições para o palhaço existir. Em nossa mochila devemos carregar sempre estas palavras: olhar, escuta e percepção. Imaginem os seguranças! Pensamos que eles devem ter uma enciclopédia vasta sobre essas disciplinas. Mas tem uma delas que nos enche de curiosidade: A Língua do Q! 

Os seguranças dominam esse idioma e falam com muita rapidez, tamanha fluência. Dr. Micolino, por estar à minha frente em algumas séries, já entende um pouquinho. Eu, Dra Baju, entendo meio pouquinho. E, assim, a gente vai enriquecendo o nosso vocabulário. Conseguimos aprender três siglas da Língua do Q: QAP, QSL e QTO

QAP – na escuta!
QSL – entendido, ok!
QTO – banheiro! 

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Sempre que nos encontramos com nossos amigos seguranças, aproveitamos pra praticar. Eu e Micolino nos empolgamos tanto que escrevemos uma música em homenagem a eles: 

QSL, na escuta!
Positivo e operante
QAP, QTO
Você parece a minha vó!

E caímos todos na risada! 

Dra. Baju (Juliana de Almeida)
Hospital Barão de Lucena – Recife

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Aquela sensação

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“Em 1999, ainda com 10 anos, tive leucemia e fui tratado durante quatro anos no Centro Boldrini, em Campinas. Lembro-me até hoje do meu primeiro dia no hospital, cheio de dúvidas e medo, recém-diagnosticado e com uma longa batalha pela frente.

Vi um adesivo informando que naquele hospital havia visitas dos Doutores da Alegria. Ainda não sabia quem eram e o que aquilo significava.

Ao longo do tratamento tive o prazer de conhecer o Dr. Zabobrim e a Dra Zuzu, meus besteirologistas. É emocionante lembrar todos os momentos que passei com eles, que tinham a incrível capacidade de transformar aquela rotina e fazer tudo aquilo valer a pena, afetando também meus pais e todos que frequentavam o hospital.

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Eles eram o meu dia, desde o momento em que os esperava extremamente ansioso e depois, quando contava tudo ao meu pai e aos meus irmãos pelo telefone. Por um bom tempo, me esquecia da doença e via um lado bom naquilo tudo.

Os Doutores da Alegria realmente mudaram a minha vida. Hoje estou no quarto ano de Medicina e almejo me tornar oncologista! Quero devolver um pouco de tudo o que já recebi. Dentro da faculdade, faço parte do grupo Amigos da Alegria e realizo algo semelhante ao trabalho dos besteirologistas – como o Dr. Alceu, Alceu Dispor.

Estou apaixonado pelo trabalho e a cada visita que faço me sinto mais feliz, renovado e realizado. Vou seguir estudando muito, para ser sempre capaz de ajudar, seja como médico ou besteirologista. Em 2015, quase 15 anos depois, tive a oportunidade única de visitar os Doutores em sua sede.

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Novamente eles fizeram tudo valer a pena e voltei para casa com a energia renovada! Depois desse longo intervalo, fiquei muito feliz por sentir a mesma sensação que tinha logo que os palhaços saíam do meu quarto no hospital: ansioso pelo próximo encontro! E claro, também teve a tradicional narração da experiência aos meus pais, que desta vez os fez chorar muito.

Hoje acredito finalmente ter resolvido aquela dúvida que tive em meu primeiro dia de hospital: os Doutores da Alegria são aqueles que trabalham na profissão mais bonita, útil e incrível de todas!”

Bruno Campagnone

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O que tem na caixa?

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Encontramos uma caixa de papelão no corredor do Hospital Universitário. E eu (Dr De Dérson) e Dr Sandoval passamos a protegê-la com a própria vida. 

Andamos pelo hospital inteiro com ela nas mãos… Quer dizer, às vezes na cabeça de um, na cabeça do outro, às vezes de mão em mão, ou secretamente escondida. Ela foi disputada, apostada e até roubada.

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Você já imaginou o que pode ter dentro de uma caixa?

Hora uma pequena pulga feroz, hora o grande segredo da humanidade. E a curiosidade do ser humano foi tamanha que em um momento as enfermeiras se reuniram com crianças e acompanhantes e tomaram a caixa da nossa mão.

Fotografia dos Doutores da Alegria no Hospital do Campo Limpo/SP.

E você sabe o que tinha dentro? Não vou contar!

Teve um momento que Sandoval entrou na caixa e só saiu a sua peruca. Já eu entrei na caixa e só saiu meu osso! Meia Légua, nosso residente R Zero, entrou e… Desapareceu! Pode acreditar, incrível!

Tudo bem, vou contar… Na verdade não havia nada!

Você achou sem graça? Esse é o grande barato quando não tem nada, nem um princípio de nada, pois é ai que está o tudo, tudo que você quiser que esteja ou que seja. E viva a imaginação!

Dr. De Derson (Anderson Spada)
Hospital Universitário – São Paulo

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