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Conferência na Itália discute o trabalho

Nos dias 17 e 18 de outubro, a Itália sedia uma conferência de palhaços que atuam em alas pediátricas. Doutores da Alegria estará representado no evento pela psicóloga Morgana Masetti, que contribuiu com a organização e desenvolve pesquisas relacionadas a este trabalho.

Mais de 50 palestrantes estarão na Conferência Internacional Sobre o Palhaço em Hospital Pediátrico para falar sobre o que há de mais recente na área em termos de atuação, pesquisa e formação. São esperados médicos, psicólogos, enfermeiros e artistas de diversos países, como Brasil, Israel, Portugal, Estados Unidos, Holanda, França e Índia.  

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Segundo a organização do evento, serão apresentados estudos sobre o uso da linguagem do palhaço para reduzir a ansiedade pré-operatória e os seus efeitos durante procedimentos invasivos em pacientes submetidos à quimioterapia.

Entre os convidados está Michael Christensen, artista pioneiro que inseriu o trabalho do palhaço em hospitais de Nova Iorque nos anos 80 e inspirou diversas iniciativas mundo afora. Morgana falará sobre o trabalho dos Doutores da Alegria e sobre questionamentos e reflexões que permeiam a atividade. Fala também sobre o papel da pesquisa dentro das organizações e sobre a experiência da Escola dos Doutores da Alegria, que hoje é referência na pesquisa e na disseminação da linguagem do palhaço a partir da experiência nos hospitais.

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Doutores recomenda: Trueque, É o ó, As Levianinhas e Bruxas da Escócia

Faz tempo que não vai ao teatro? Ah, deixa disso! Selecionamos mais alguns espetáculos dos nossos artistas que rodam neste mês, desta vez em São Paulo. Escolha um pra chamar de seu… E o último a sair apaga a luz!

Trueque, da Cia Animée

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“Trueque” é uma palavra da língua espanhola que, traduzida para o português, significa “troca”. O espetáculo é estruturado a partir da experiência das palhaças Mary En e Tan Tan em apresentações realizadas em hospitais. A peça reúne alguns dos momentos de graça e beleza que surgiram durante esses anos de trabalho e retrata o encontro do palhaço com a criança, numa construção cênica de mão dupla na qual a criança é o sujeito da ação.

Quando, onde?
12 a 26 de outubro, sempre aos domingos, com sessões às 15h e às 17h
Sesc Pinheiros – Rua Pais Leme, 129 – São Paulo
ingressos aqui: http://www.sescsp.org.br/programacao/44933_TRUEQUE

23 e 24 de outubro, às 16h
Fundação Nacional de Artes (Funarte – Sala Carlos Miranda) – Alameda Nothmann, 1058 – São Paulo
ingressos no local

É o ó, da Cia do Ó

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Três palhaças entram em cena para apresentar um show musical, mas a disputa entre elas provoca tanta confusão que o concerto se desconcerta. Nessa história, a música está no ar, mas é o humor do circo tradicional que faz o show.

Quando, onde?
17 a 25 de outubro, às sextas (19h30) e sábados (16h), 19 de outubro às 16h e 31 de outubro às 19h30
Fundação Nacional de Artes (Funarte – Sala Carlos Miranda) – Alameda Nothmann, 1058 – São Paulo
ingressos no local

As Levianinhas, da Cia Animée

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O pocket show conta com quatro palhaças atrapalhadas. Elas cantam e tocam ao vivo músicas voltadas ao público infantil.

Quando, onde?
18 de outubro às 16h
Sesc Pinheiros – Rua Pais Leme, 195 – São Paulo
ingressos gratuitos

Bruxas da Escócia, da Cia Vagalum Tum Tum

Bruxas da Escócia reconta a história de Macbeth, um valente general do exército escocês, defensor leal do rei. Ao voltar de uma batalha, o general encontra três bruxas que lançam uma profecia: ele se tornará rei! Daí em diante, seu desejo pelo poder é aguçado e a peça se desenrola, entre caretas, bofetadas, escorregões e até truques de mágica.

Quando, onde?
16, 23 e 30 de novembro e 7 e 14 de dezembro, sempre às 16h
Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505 – São Paulo
ingressos aqui: http://www.sescsp.org.br/unidades/26_SANTO+AMARO/#/content=programacao

Compartilhando saberes

O trabalho dos Doutores da Alegria ultrapassou oceanos e sua história chegou aos Estados Unidos.

Ontem o fundador da ONG, Wellington Nogueira, compartilhou a experiência brasileira de levar arte para os hospitais junto a um público diverso na Universidade da Carolina do Sul – Escola de Artes Dramáticas. O evento foi organizado pelo professor David Bridel, dentro do programa Visions and Voices, para também mostrar aos alunos que é possível trabalhar com a arte do palhaço aliada à saúde. A ideia é estruturar um curso para a formação destes profissionais dentro da faculdade.

Pra deixar a história ainda mais inspiradora, ele apresentou o documentário Doutores da Alegria – O Filme na companhia da diretora Mara Mourão. E a casa ficou cheia pra ver o que a gente tem aprontado feito nos hospitais tupiniquins. (você já viu o filme? nãããão?)

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Além deles, Karen McCarthy (Clown Care Unit – Nova Iorque) e Dr Atay Citron (Universidade de Haifa – Israel) também apresentaram seus programas envolvendo arte e formação no ambiente hospitalar.

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Wellington Nogueira destacou ainda a importância de Doutores da Alegria estar representada neste evento:

“Quando uma universidade do porte da Universidade da Carolina do Sul se predispõe a abrir um curso para a formação de besteirologistas, fica claro que é uma profissão do futuro e que Doutores da Alegria tem um trabalho de grande relevância, uma vez que eles pesquisaram diversas iniciativas pelo planeta. É muito legal poder contribuir para a elevação deste trabalho à condição de profissão para a qual você pode estudar, entrar no mercado e ser remunerado por isso.”

Viva a Besteirologia, profissão de futuro! Ou de presente? 

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O palhaço é.

Dizem que para se sentir apto numa profissão demora dez anos. 

Pois eu estou completando 17 anos de Doutores da Alegria e de hospital. 

Duico Vasconcelos e Paola Musatti

E compartilho nessas linhas algumas vivências que tenho. O palhaço é esperado para a próxima visita como uma pessoa do corpo clínico do hospital, mas é diferente, pois trata-se da visita de um palhaço. E o que é esperar a chegada de um doutor palhaço? Quem é ele? Sentimental, tímido, aloprado, louco, namorador, carente, medroso, bravo, mal humorado, canastrão, equilibrista, musicista…? 

Como ele irá atender naquela manhã cinzenta? Como ele irá atender depois de uma noite mal dormida? Como ele irá atender ao olhar um paciente que acabou de se internar e está completamente assustado? Qual será o assunto que ele vai abordar? Do que vão falar? 

Todas essas perguntas passam nas nossas cabeças antes, durante e depois dos nossos atendimentos. 

No Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), a nossa rotina de palhaço começa no 3º andar. Lá é a sala da diretora do hospital. Como podemos ter tanta intimidade? A saudade do fim de semana começa com várias perguntas: 

- E aí, Manela? E aí, Pistolinha? O que têm pra me contar de hoje, do final de semana…? 

E assim o imaginário do palhaço dispara… Constrói frases e pensamentos tão verdadeiros que aqueles seres “palhaços” conversam de igual para igual aonde quer que ele esteja. Discutem políticas, doenças, jornalismo, besteiras, papos de manicure, novela, o que quiserem. 

Descemos as escadas e já estamos prontos pra dar e receber o que virá. Um corredor extenso com pais e crianças aguardando atendimento. Depois, um enorme saguão de espera onde as cadeiras estão disponíveis como num teatro, só que voltadas para uma TV.

Depois uma ala de quimioterapia. Depois uma andar inteiro com quartos privativos. E por fim a UTI. 

De uma riqueza sem fimDe uma liberdade estremecedora. De um vínculo tão ou mais forte que um namoro. De uma intimidade que não conquistamos muitas vezes em anos de casamento. 

E por quê? Qual o segredo disso? 

O palhaço se mostra. E ao se mostrar o outro se mostra também. O palhaço enfrenta. E ao enfrentar o outro talvez enfrente também. O palhaço se expõe e o outro poderá se expor também. 

Muitas vezes me distancio e não acredito que adentramos uma sala médica, aonde estão discutindo um caso sério, e pouco a pouco, conversa daqui e conversa dali, em cinco minutos aquela sala não é mais a mesma. Parecemos amigos que se conhecem há tanto tempo. Por quê? 

Na UTI, por exemplo, aos poucos fomos conquistando os funcionários e sinto uma vontade de colocar aquele lugar de cabeça pra baixo contando as minhas mazelas, as minhas virtudes, cantando, brincando, brigando com o Dr. Pistolinha! 

O palhaço é. E ao ser, o outro pode ser também. Um mundo onde precisamos tanto parecer ser… O palhaço é. 

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E na doença não se pode fingir que não está doente. Se está doente. Creio que aí que começa a grande relação, tão forte e duradoura entre palhaços, corpo clínico e pacientes. 

Estamos todos SENDO. VIVA O SER, O ESTAR.

Dra. Manela (Paola Musatti)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – São Paulo

Era uma vez…

Era uma vez… Na verdade, já foram várias vezes.

Mas dessa vez nosso encontro com a C. foi uma ERA diferente. Ela é uma adolescente e a conhecemos há muito tempo. Quando entramos no seu quarto, vimos que estava deitada e parecia sonolenta. Ao seu lado um livro grande. 

Esses dados ajudarão a compor o cenário da história que vamos contar e que fez a nossa tão conhecida visita ter um outro encanto. Leiam agora a verdadeira história de Cinderela na versão bobonesca:

clauderelaEra uma vez uma linda princesa que vivia em um castelo cercada de vários cuidados. Ela vivia feliz até a chegada de uma bruxa (dra Svenza) que lançou um feitiço e a fez dormir por longos anos.

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Até que um dia, um lindo príncipe (dr. Lui) chegou na floresta e viu Clauderela adormecida no bosque. Como sempre ouviu essa história, ele já sabia que bastava um beijo apaixonado para despertar Clauderela daquele sono agourento. Mas justo na hora do beijo, a bruxa interrompe e diz: 

- Hahaha! Que príncipe é esse?! Não tem cavalo, nem espada!? 

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A menina escutava e assistia a tudo com um leve sorriso e interesse no desenrolar da história. Mas deu para ver no seu rosto também qual seria a solução que o desfecho dessa história lhe reservava. Movido pelo sentimento de amor e desafiado pela bruxa Svenza, o príncipe Lui pegou um “porta soro” que estava ao lado da cama e fez com ele o seu cavalo. 

Viu um guarda-chuva ao lado da cama da sua acompanhante e, apoderando-se dele, fez uma espada e enfrentou os tantos desafios para provar sua realeza. E nem foi preciso tanto, que ao dar o beijo apaixonado, Clauderela sorri e diz:

- E foram felizes para sempre!

A história poderia acabar aqui, mas na semana seguinte, já com a dra Baju do lado, visitamos a garota novamente e a vimos com uma peruca e uma coroa de princesa na cabeça. 

Não deu tempo da Baju saber da história que contamos com a menina mas fiquei “de cara”, encantado de verdade quando a vi daquele jeito. Será que ela estava brincando com a gente, dando continuidade à história? Será que era uma tentativa de encantar sua vaidade e ter de volta o que se foi? Ou será que era mais um desses acasos que surpreendem a gente e fazem a vida no hospital ter o encanto que tem? 

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Não sei responder e talvez nem precise, basta acreditar que os sonhos podem ser reais, que a magia faz nosso dia a dia ter a realeza dos príncipes e princesas que se encantam e se desencantam como na velha e linda história do Era uma vez…

Dr. Lui (Luciano Pontes) e dra Baju (Juliana de Almeida)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife 

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Desembarque por aqui

Dois palhaços tiraram umas férias e resolveram desembarcar no Brasil. Vieram lá do estrangeiro diretamente para o hospital!

Ah, e nós adoramos um intercâmbio! Quem lembra da visita do Le Rire Médecin? E do Cirurgiões da Alegria? E da paspalha da doutora Tomate?

Desta vez, os bobointercambistas importados são o Doctor YAY, que trabalha no pioneiro Clown Care Unit de Nova Iorque (Estados Unidos) e a Anna de Lirium, que faz parte do Red Noses Clowndoctors de Viena (Áustria). Ah, eles são mais conhecidos como os brilhantes artistas John Leo e Tanja Simma.

Anna de Lirium espertamente desembarcou no Recife. Ao invés de se jogar nas lindas praias, foi acompanhar os besteirologistas Baju e Lui pelos corredores do Hospital Oswaldo Cruz. E depois ainda participou do Festival PalhaçAria! A Baju bradou aos quatro cantos:

- Mais uma tonta pra gente administrar!

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Já Yay foi fazer visitas com seis palhaços diferentes (haja paciência!) no Instituto da Criança, em São Paulo. Foi tudo na base da mímica e do palhacês. Em um dos quartos, encontraram um paciente que deu um baile de imitações de todos os bichos possíveis e imaginários. Gastaram todo o seu repertórios de imitações e o pequeno paciente era o melhor – imitava cachorro melhor que muito cachorro por aí… Os palhaços não tiveram nem a chance de contar que o terceiro elemento era um americano!

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O dr. Pinheiro conta mais:

- Quando YAY se apresenta para as pessoas, ele tem um tique. Diz que é o DOCTOR YAAAAAAY e levanta os dois braços juntos! É muito divertido!

Cada passo, uma diversão, cada encontro, uma surpresa. Cada um falando uma língua pelos corredores. E eles deixaram saudade, como contou o Pinheiro:

- Quem sabe um dia cruzamos o oceano e voltamos com histórias do outro mundo…

Seguimos sonhando com novos intercâmbios!

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Riso poderoso!

Estudando sobre os efeitos do riso, descobri que sorrir, dar risada e gargalhar nos coloca em um estado de “atividade”; o riso tem o poder de nos tirar da passividade e de abrir possibilidade de estarmos em ação. Assim, procuramos com o riso não somente garantir o resultado de um bom trabalho, mas garantir um riso que venha trazendo também a vontade de brincar, de interagir e de trocar!

riso poderoso

Algumas crianças querem “dar comida ao peixe da Mary En”. Enquanto o dr. Micolino toca uma música no violão, eu solto as bolhas (a comida) e a criança, com o peixinho na mão, faz com que ele coma as bolhas, alimentando o peixe. Os adultos riem e todos nós ficamos envolvidos no jogo. Essa simples ação coloca a criança como sujeito ativo, dá a ela a escolha de agir sobre a realidade. Alimentar o peixe é uma ação que, por mais simples que seja, provoca esse estado de atividade que o riso proporciona.  

Muitas crianças mal tomam uma injeção e, com os olhos ainda marejados, já piscam o olho pra mim quando, de repente, saco a seringa do bolso! Imediatamente eles apontam pro dr. Micolino e me pedem pra aplicar nele! Já a reação do Micolino é de chorar de rir… Ele pula, gira, perde a voz, grita, faz tudo que tem direito pra protestar a dor de quem leva uma injeção. Bom demais poder subverter a natureza das coisas, e nisso o palhaço é privilegiado. Como pode tanta risada numa enfermaria porque um aplica uma injeção e o outro grita de dor? Sim, sorrir da nossa própria condição humana também faz bem, afinal rir é melhor do que chorar!  

riso poderoso

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E não tem contraindicação!

Outro dia, quando paramos na porta da enfermaria, a confusão estava armada: a mãe brigando com uma técnica, clima hostil e nada promissor. Bem, tem momentos que é melhor tomar uma boa dose de “simancol”, e foi justamente o que fizemos. Passamos para a enfermaria seguinte até que os ânimos apaziguassem.

Quando voltamos, a mesma mãe que há alguns minutos estava completamente “alterada”, nos olhou com uma tremenda cara de cumplicidade e bastaram alguns segundos para o clima mudar completamente. 

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E olha que nem fizemos tantas bobagens pra que isso acontecesse… Podemos concluir que na hora do “aperreio” uma boa bobagem seguida de uma boa risada pode resolver melhor que uma discussão acalorada. Ainda apareceu um vigilante na porta, mas quando nos viu lá dentro e ouviu as risadas, deu um tempo e ficou sem ter o que fazer. Mais tarde encontrei com a técnica, e ela me disse que falou para o vigilante que não precisava mais dele, pois os “palhaços” já tinham acalmado a situação. 

Conclusão: Palhaço é bom, não engorda e não tem contraindicação!

Dra Mary En (Enne Marx)
Hospital da Restauração – Recife

Doutores recomenda: Mi Corazón Sufre

Ah, nada como ir ao teatro! 

Até 28 de setembro a Cia Vai Antonio! de Teatro apresenta o espetáculo Mi Corazón Sufre em São Paulo, sob direção de Nereu Afonso (também conhecido aqui como dr. Zequim Bonito).

É uma oportunidade muito bacana pra ver alguns artistas dos Doutores da Alegria no palco. O melodrama narra a trajetória de duas jovens, Clara e Eva, que, em épocas distintas, avançam entre os amores e ódios que as circundam.

Mi Corazón Sufre

Até 28 de setembro
Sábados às 19h30 e domingo às 18h
Funarte São Paulo – Sala Carlos Miranda
Al. Nothmann, 1058 – próximo ao metrô Santa Cecília

Mi Corazon Sufre
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos

Ingressos

R$ 10 reais – Inteiro
R$ 5 reais – Meia (estudantes, idosos, professores da rede pública e deficientes)

Mais informações em www.facebook.com/Família-Campari.

Um raio luminoso no céu da humanidade

Nós, que vivemos em grandes cidades, estamos acostumados a esperar por tudo na vida. Esperamos parados no trânsito, em filas nos bancos ou até mesmo o resultado de um teste. Mas nenhuma espera se assemelha à espera pela morte. 

No Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, em São Paulo, há muitos pacientes nos cuidados paliativos. Para quem não sabe, os cuidados paliativos são exercidos para dar qualidade no final da vida a pacientes que nada mais têm a fazer a não ser esperar pela morte. Não há mais solução para o caso deles. 

Já diria o velho dito popular:

“A única certeza que temos nessa vida é a de que vamos morrer um dia.”

Esses pacientes sabem que seus dias estão contados.  

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Eu fiquei impressionado com a força desses “meninos” que mesmo diante da morte conseguem tirar alegria dos pequenos encontros que temos. Vi que para eles, e consequentemente para nós, besteirologistas, os encontros tornam-se extremamente importantes, pois não sabemos se esse encontro se repetirá no outro dia. É praticamente impossível para nós falarmos “até segunda!” já que pode ser que ele não esteja mais lá nesse dia. 

Esses encontros com esses “meninos” se refletem em nossa vida particular, pois passamos a potencializar os encontros que a vida nos oferece

um raio luminoso

Lembrei do que disse o renomado samurai Musashi

“… amar a vida não era o mesmo que satisfazer a fome sem nada fazer, ou viver longamente sem nenhum objetivo. Significava, isto sim, esforçar-se para dar sentido a essa inestimável vida no momento em que se via obrigado a dela se despedir, dar-lhe o devido valor, riscar no céu da humanidade, até o último suspiro, o luminoso traço de uma vida plena de significado. 

Ali estava o âmago da questão. Comparados às centenas de milhares de anos da humanidade, os setenta ou oitenta anos de duração da vida de um homem não eram mais que um piscar de olhos. Nessas circunstâncias, mesmo que um homem morresse antes de completar vinte anos, sua vida teria sido longa se fosse brilhante. Esse seria também o retrato do homem que verdadeiramente amava a vida. 

Dizem que o período mais importante e difícil, em todos os empreendimentos, é o inicial. No caso da vida, porém, o mais difícil é o final, o da despedida. Pois é a partir daí que se estabelece o valor ou a duração de uma existência, daí se sabe se ela havia sido fugaz, como espuma na areia, ou um raio luminoso no céu da humanidade.” 

Esses “meninos”, sem sombra de dúvida, nos ensinam como se tornar um raio luminoso no céu da humanidade.

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Duico Vasconcelos (dr. Pistolinha)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – São Paulo

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Doutores recomenda: Festival PalhaçAria (PE)

De 13 a 20 de setembro os teatros do Recife recebem a segunda edição do Festival Internacional de Palhaças do Recife, o PalhaçAria, promovido pela Cia Animée. O evento reúne uma mostra de trabalhos solo e em grupo e promove a formação através de oficinas e fórum.

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Enne Marx, que faz parte da companhia e integra o elenco pernambucano dos Doutores da Alegria, conta mais sobre o evento:

“Festival está em sua segunda edição e a exemplo de outros festivais de mulheres palhaças, realça o humor feminino e suas nuances, atualiza a pesquisa de linguagem e apoia a cultura do riso com base na profissionalização das palhaças.

Importante ferramenta de discussão nacional e internacional através do intercâmbio de palhaças que ficam na cidade durante todo o evento, o Festival PalhaçAria trata do assunto em grande estilo e provoca o espaço feminino na arte -  para fazer rir e pensar.

Serão 13 apresentações: 11 espetáculos, seis brasileiros (Pernambuco, São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Santa Catarina) sendo 2 para o público infantil e cinco internacionais (França, Áustria, Suíça, Argentina, Espanha), além de dois cabarés recheados de números cômicos, com palhaças locais e palhaças vindas de São Paulo, Rio de Janeiro e até do Japão!”

Programe-se

Confira abaixo a programação completa do Festival ou acesse aqui para mais informações.

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O Festival tem o Incentivo do Funcultura e Apoio Cultural da Prefeitura do Recife, Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo Hermilo e Sesc Pernambuco.