BLOG
 

Doutores recomenda: Festival Internacional Sesc de Circo

“O universo do circo tem servido, ao longo do tempo, como porta de entrada para a descoberta da experiência cultural. A memória herdada do circo – linguagem multifacetada e plural –, por vezes, favorece novas oportunidades de vivências e encantamentos, seja pela identificação com seus personagens de capacidades e realizações sobre-humanas, seja por relembrar, com seus erros, gagues e ironias, a fragilidade da condição humana.”

Esse belo texto apresenta a 3ª edição do CIRCOS – Festival Internacional Sesc de Circo, que acontece de 29 de maio a 07 de junho em 14 unidades do Sesc na grande São Paulo. Serão apresentados 15 espetáculos internacionais e 13 nacionais, entre estreias e espetáculos inéditos, além de intervenções artísticas, atividades formativas, exposição, workshop, encontro entre profissionais e debates.

482096-970x600-1

O Sesc busca contribuir com a qualificação da produção nacional em diálogo com a produção internacional, bem como a construção do pensamento sobre a linguagem no país, valorizando os processos de reflexão e aprendizagem próprios ao circo.“, conta Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo.

A programação abrange brasileiros com a Nau de Ícaros, que está na estrada desde 1992 e volta a encenar um espetáculo infantil após dez anos e estrangeiros como o Circolombia, com seus acrobatas executando movimentos enquanto cantam e dançam ao vivo, ao som de uma trilha original que mistura ritmos latinos e caribenhos ao drum’n’bass e jungle londrinos. Para todas as idades!

Saiba mais no site do CIRCOS: www.circos.sescsp.org.br/programacao.

Agora eu!

O garoto estava há semanas no hospital e ficava colado nos besteirologistas.

Assim que ouvia nossas vozes não desgrudava mais. Ficava sabendo de tudo o que a gente fazia. Às vezes, podíamos ver seu olhar vidrado de contentamento ora em mim, Dr. Marmelo, ora no Dr. Eu_zébio. Às vezes, ficava sério observando cada detalhe dos médicos mais atrapalhados que ele já vira em toda sua vida de menino de onze anos do interior.
DRs_HBL_Foto RogerioAlves__48

Era bonito ser visto assim, com tanta admiração. Mas na maioria das vezes, ele bem que atrapalhava. Ficava dedurando que o Dr. Eu era careca e que eu tinha as calças apertadas. Ele ia pra todas as enfermarias com a gente. Nos lugares em que ele não podia entrar, como na UTI, nos aguardava do lado de fora, mesmo com a porta fechada.

Em uma manhã, ele fez seu percurso rotineiro, nos seguindo o dia todo, até a enfermaria onde ele ficava. Quando percebeu que estávamos indo para o seu leito, disparou na frente pra que quando chegássemos lá, tudo estivesse no lugar, inclusive ele.

O menino saltitava na cama:

- Agora eu! Agora eu! 

Entendemos sua ânsia. Viu todas as crianças serem atendidas. Agora chegou a sua vez. Ele batia palma e repetia:

- Agora eu!DRs_Imip_Foto RogerioAlves__112

Fomos para o seu leito e nos preparamos pra cantar uma música. Nos primeiros acordes o garoto grita:

- Não, essa não!
- Então vamos cantar outra!

E cantamos a mesma.

- Não, essa não!
- Desculpa, nem tínhamos percebido que era a mesma… agora, Especialmente para você, uma canção novinha em folha!

E cantarolamos a mesma.

Lá se foi o menino, correndo pelo corredor do hospital com um chinelo na mão, atrás dos besteirologistas!

Dr. Marmelo e Dr. Eu_zébio (Marcelo Oliveira e Fábio Caio)
Hospital da Restauração – Recife

Você também pode gostar:

Mas aqui vocês têm de tudo

Se nós, besteirologistas, fôssemos gênios e pudéssemos conceder três desejos às mães que atendemos, esses seriam:

1º: ALTA
2º: ALTA
e 3º ALTA

Eu, Dra. Greta, já expliquei mil vezes que fui reprovada nesse exame porque meço somente 1,48 cm, mas elas insistem. O Dr Zequim acabou remediando a situação, em pelo menos um dos quartos, utilizando um método bem besteirológico:

Olha, eu vou ajudar vocês! Eu coloco essa escadinha que fica do lado da cama no meio do quarto, a Greta finge que é alta e vocês fingem que vão sair, ok? – ele faz o que disse.Fotografia da dupla dos Doutores da Alegria Sueli Andrade e Henrique Glomer no Hospital do Mandaqui.

Greta (em cima da escadinha): É o seguinte, tá todo mundo liberado, podem ir embora, área pra todo mundo, podem pegar o beco! Via! 

Nesse quarto a metodologia tem funcionado muito bem. Outro método que usamos é o de provar que em casa a vida é muito tediosa, já no hospital é adrenalina o dia todo. A mãe da F. foi a primeira a admitir nossa tese:

Mãe: Vocês têm razão, isso aqui é um vidão, pura emoção, passo a noite matando pernilongo, limpo cocô quatro vezes por noite, choro um monte mesmo não tendo mais lágrimas, brigo com a enfermeira…

Fotografia da dupla dos Doutores da Alegria Sueli Andrade e Henrique Glomer no Hospital do Mandaqui.

Eu vou dizer uma coisa, a gente faz de tudo para conformar essas mulheres. O Zequim usa de toda sua educação quando alguém diz que vai embora:

Mas por que vocês vão embora? Aqui vocês têm tudo, é tudo de graça! Água de graça, luz de graça, comida de graça… 

E uma mãe emenda: Gastrite de graça, nervoso de graça, cansaço de graça, insônia de graça, angústia de graça!

Eu sou mais respeitada nesse quesito, pois quando vejo que alguém está de saída, vou logo dizendo:

- Eu gostaria de fazer as últimas recomendações, desejo que vocês sejam “bem idos” e eu nunca mais quero ver a cara de vocês por aqui!!

E, ufa!, pelo menos por enquanto as recomendações estão sendo imediatamente acatadas.

Dra. Greta Garboreta (Sueli Andrade) e Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso) 
Hospital do Grajaú – São Paulo

Você também pode gostar:

Doutores recomenda: Território do Brincar

Você sabe como brincam as crianças em aldeias indígenas? E a criançada à beira da praia, no Ceará? Em grandes metrópoles, como se dá a brincadeira?

O documentário Território do Brincar traz algumas respostas sobre o universo lúdico infantil de todo o Brasil. A estreia acontece no Dia Mundial do Brincar, 28 de maio, em São Paulo e no Rio de Janeiro e no dia 4 de junho em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, João Pessoa e Santos.

Entre abril de 2012 e dezembro de 2013, os documentaristas Renata Meirelles e David Reeks, acompanhados de seus filhos, visitaram comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral, revelando o país através dos olhos de nossas crianças. Nos encontros surgiram intensas trocas e diálogos, por meio de gestos, expressões e saberes que foram cuidadosamente registrados em filmes, fotos, textos e áudios.

O longa-metragem faz parte do Projeto Território do Brincar, uma parceria com o Instituto Alana. Além do filme, a iniciativa conta com exposição itinerante, duas séries infantis para a TV e um livro em produção.

territorio do brincar

Fazendo um paralelo, Doutores da Alegria tem o brincar como seu território de ação. As brincadeiras propostas pelos palhaços estabelecem um mundo de ficção essencial para a efetividade do trabalho. E tudo começa com os adultos e crianças acreditando que estão recebendo a visita de um profissional do hospital: o besteirologista.

Adriana Friedmann, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento, acredita que brincar é essencial na vida de qualquer criança desde que nasce. “No ato de brincar, a criança está absolutamente mergulhada em um espaço sagrado, conectada profundamente com o presente de forma orgânica, corpo, sensações, emoções e todos seus sentidos participam destes processos. Brincar é a possibilidade de viver a fantasia, a imaginação, imitar o mundo adulto, o mundo animal e a natureza. Brincando as crianças são desafiadas a se superarem, a descobrirem. Brincar é a forma de as crianças fazerem poesia e nos contarem quem são, o que sentem, o que vivem, seus medos, suas preferências, seus potenciais e suas limitações.”, conta ela em entrevista à Agência Brasil.

Saiba mais sobre o projeto acessando www.territoriodobrincar.com.br.

Você também pode gostar:

Com um encontro

Acordamos todos os dias para fazer a mesma coisa nos hospitais: encontrar pessoas.

A mesma coisa, mas todo dia de um jeito diferente. Encontramos pessoas, ainda sem maquiagem de palhaço, nas escadas e nas recepções. Depois, devidamente paramentados, nos corredores, leitos pediátricos e enfermarias. Ainda mais: nas poltronas ao lado dos leitos, nas bancadas da Enfermagem, por trás dos carrinhos de limpeza.

com o encontro_rogerio alves

No dicionário, ‘encontro’ pode ser ‘juntar-se no mesmo ponto’. Mas também ‘disputar, lutar, opor-se’. Como é que a mesma palavra pode ter significados distintos?

O objetivo do palhaço, no trabalho dos Doutores da Alegria, é estabelecer encontros potentes com as crianças; encontros que perpetuem a alegria e que possam trazer benefícios para a saúde.

Ao abrirmos a porta de um quarto inventamos relações, alcançamos o imaginário, fabulamos. Podemos ser o médico besteirologista pronto para um check-up de miolo mole, mas também podemos ser o que a criança quiser. E podemos, inclusive, levar um ‘não’ e ter de fechar a porta. Ao passar pelo corredor, podemos brincar com a enfermeira e sua bandeja de agulhas fritas, dar sinal para pegar uma carona na cadeira de rodas e também podemos nos despedir de um grande amigo que teve alta.

com o encontro_luciana serra

com o encontro_nina jacobi

Encontros planejados, ritmados ou encontros casuais, fugazes.

Veja: um encontro pode significar juntar-se no mesmo ponto (a visita regular do palhaço), mas também pode ser uma oposição (um ‘não’, uma despedida). E esses encontros são sempre diferentes, porque para estabelecer relações não é possível reproduzir, por mais que o palhaço tenha gracejos prontos em seu repertório.

É preciso produzir, criar, estar aberto para o que vem do outro – e nesse sentido, o fazer artístico pode ajudar. É dessa criação conjunta e ativa que surge a alegria, a potência de vida. E tudo começa como todo dia… Com um encontro.

Você também pode gostar:

Das bobagens

Quem acha que um besteirologista vive apenas de bobagens está completamente certo.

No entanto, gostaríamos de esclarecer que as bobagens assumem coloridos diversos. Para cada quarto que visitamos, para cada momento, tem uma bobagem diferente, com intensidades e texturas diferentes. Apresentamos três das bobagens mais usuais que transcorrem no dia a dia da Besteirologia!

Da bobagem da delicadeza

Para falar da delicadeza temos que falar de nossa querida S., uma garotinha que de cara já nos encantou. No entanto, no início, ela ficava meio desconfiada. Fomos aos poucos deixando que os encontros fossem aprimorando esse contato e ganhamos a sua confiança.

E foi aí que lembramos um dos mandamentos da Besteirologia: os limites precisam ser respeitados. Descobrimos que a S. não gosta de movimentos bruscos ou de sons altos, tudo com ela tem que ser delicado, como quando cantamos para um bebê, mas sem querer acordá-lo. E depois da sua primeira reação, percebemos que o menos pode ser muito. Para a S., música baixa e movimentos tranquilos. É assim que ela gosta. E assim deve ser. Em caso de dúvida, vide bula e siga as prescrições com a dosagem correta para um belo encontro.

Da bobagem da surpresa

Surpresas boas sempre são bem vindas, e aquelas que nos pegam de surpresa são sempre surpreendentes. E foi assim mesmo, uma surpresa surpreendente, quando estávamos na UTI cantando para a pequena G., como sempre fazemos. E sempre acreditando que de alguma forma aquela música possa chegar até ela, e, sabe-se lá de que forma, possa fazer alguma diferença naquele mundo tão particular em que ela se encontra, cercada de máquinas, entre remédios e procedimentos médicos.

Das Bobagens_ Rogerio Alves

Mas como tudo pode acontecer, inclusive nada, nesse dia a G. fez um pequeno movimento e esboçou alguns gestos que pareceram se encaixar perfeitamente no compasso da música que tocávamos. Foi verdadeiramente contagiante não apenas para nós, mas também para os profissionais de plantão que, junto conosco, resolveram participar do baile que ali se anunciava. Um pequeno exemplo de que quando nada parece fazer efeito, insista na posologia, que uma hora ou outra o retorno aparece.

Da bobagem da saudade

Talvez possa parecer estranha essa associação entre bobagem e saudade. Mas, de fato, em nossas visitas acabamos desenvolvendo uma relação com os pacientes, já que alguns vão e nunca voltam, e outros passam tanto tempo conosco que os vemos crescer e se tornar quase adultos. E assim vamos transitando entre idas e vindas, com alguns rostos que se tornam tão familiares quanto nosso próprio reflexo ante o espelho.

Até que chega o dia em que a tão esperada alta médica chega, e aí bate um misto entre a alegria da superação, da volta pra casa, e a saudade boba daquele se foi. E muitos inclusive vão pra bem longe, fato muito comum no Procape, que recebe pacientes de vários estados. Nesse mês tivemos que nos despedir do J., que depois de três meses, e de um jeito tímido de nos receber, finalmente teve sua alta, e assim deixou dois besteirologistas bobos de saudade. Nesse caso, a indicação é simples: bobagem pouca é besteira.

Das bobagens - Rogerio Alves

Basta olharmos em volta de nós mesmos para percebermos que tem muitas delicadezas, surpresas e muitas outras saudades por vir. Por isso continuaremos bobos, inclusive de saudades de cada um que passou por nossos atendimentos besteirológicos.

Dra. Tan Tan e Dr. Micolino (Tâmara Floriano e Marcelino Dias)
Hospital Oswaldo Cruz/Procape – Recife

Você também pode gostar:

Um retrato

desenho

O artista que fez essa obra de arte é um menino de oito anos que está no Instituto de Queimados do Hospital das Clínicas. Ele teve quase o corpo todo queimado num acidente de carro. Perdeu a mãe, o padrasto e um irmão. E o irmão mais velho, que foi quem o tirou do carro, está na UTI.

Somente as mãos, um pé e a cabeça do pequeno W., ainda que com feridas de queimaduras, não estão enfaixados. Foi com um esforço incrível que ele fez esse quadro da Dra Juca Pinduca e do Dr. Pinheiro. Tínhamos feito apenas duas visitas a ele e ficamos absolutamente encantados com a alegria daquela criança e com a capacidade que ele tinha de mudar o foco e se divertir mesmo sem poder fazer quase movimento nenhum. Não nos parecia possível que um ser humano naquela situação conseguisse reagir de uma maneira tão favorável à vida!  

E ele superou nosso deslumbramento quando, ao voltamos até o quarto dele outro dia, o pegamos sentado na cama, com os braços esticados por causa das faixas, pintando com os dedos os palhaços que tinha conhecido no hospital. E não tinha se esquecido de detalhes como o vestido de bolinhas vermelhas da Juca e o chapéu do Pinheiro.

Hoje, ao chegarmos ao quarto, W.estava diferente. Alguma coisa tinha acontecido.

Mas achamos que ele estava ótimo, pois mesmo assim, com algo diferente no olhar, não deixou de se relacionar carinhosamente conosco. No final do trabalho fomos conversar com as enfermeiras, elogiar o garoto, que já estava bem melhor e com uma perna sem ataduras. Aí nos falaram que ontem ele ficou sabendo que perdeu a mãe, o padrasto e um irmão. Infelizmente, não há palhaço no mundo que vá mudar essa realidade, tirar desse menino as dores que se acumularam em sua vida depois do acidente.

Mas a nossa realidade ele mudou! Depois de conhecê-lo, a imagem desse menino nos pintando não nos sai da cabeça e nos faz refletir sobre o que é realmente ter um problema e, principalmente, como enfrentá-lo…

Dra Juca Pinduca (Juliana Gontijo) 
Instituto da Criança – São Paulo

Você também pode gostar:

Histórias de mãe VIII

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Janaina Maestri e Sofia

Sofia
A Sofia nasceu antes do tempo. Eu e o pai dela almoçávamos quando começaram umas dores estranhas, mas voltei ao trabalho. Em menos de uma hora as pernas travavam, dores, fui para o hospital, e fiquei um dia inteiro sob supervisão, exames.

A Sofia queria vir ao mundo! E nasceu de oito meses! Eu a vi chorando e, de repente, cadê minha bebê? Nasceu com pulmão forte, nasceu bem! Mas nossa filha foi para UTI devido a uma infecção generalizada. Foram dias de luta, e na madrugada de seu nascimento, o pai dela teve cólica renal. Resultado: papai internado em um hospital, mamãe em outro e Sofia sendo cuidada na UTI. 

Logo depois da minha alta, eu tive que me tornar a Super Mãe! Em meio àquele caos, encontrei pessoas com histórias lindas de superação, mães que estavam há meses praticamente morando dentro do hospital. Eu não me preparei para o que aconteceu… Mas quem se prepara, né? Saí do hospital, após minha alta, chorando, porque eu queria sair ela em meus braços. As visitas chegavam e eu só pensava nela, e me vi sozinha por algumas vezes, enfrentando meus próprios medos, entrando na UTI com as dores de uma cirurgia, com a dor de uma agora mãe que sofre por um filho, que trocaria de lugar!

Enfim, foram nove dias indo ao hospital, e a cada dia algo novo. No quinto dia de vida, a Sofia já se esforçava para levantar a cabeça, tinha força de viver… No nono dia, eu estava no consultório médico e recebi uma ligação. “Sofia está livre da UTI!”. Foi uma correria! E foi meu primeiro dia com ela… Nunca tinha trocado uma fralda e a enfermeira me ensinou; a partir dali comecei os cuidados sozinha! E foi no décimo segundo dia que saímos do hospital. Foi emocionante!

Aproveito esse espaço para dizer a todas as futuras mamães que a gente deve se preparar para um pouco de cada coisa, sempre pensar positivo, mas saber que o sofrimento pode surgir, mas que ele passa, que o maior segredo de todos é a paciência acompanhada do amor. Não foi fácil, e ser mãe não é fácil, a gente sofre junto, a gente se alegra junto, mas que vale muito a pena se dedicar, pois um filho sente e sabe o quanto a gente se dedica a ele(a). Eu vejo minha filha sendo grata por todo meu esforço até hoje, com apenas três anos de idade. Ela me diz todos os dias, eu disse todos, que ela me ama!

Não tem alegria maior na minha vida que nossa filha. Grata, Deus e marido, pela filha maravilhosa que temos!

Anna Celina e Inho

Me chamo Ana Celina. Tenho 43 anos e meu filho fará 26 em setembro. Aos 17 anos me descobri grávida. 17 anos, nem tinha deixado a adolescência direito e já me tornara mãe… E ainda mais mãe de um bebê prematuro.

Meu filho chegou dois meses antes da data prevista, pesava 2.2 kg e media 44 cm. Tinha os pulmões ainda em formação e nasceu roxinho como uma jabuticaba, com dificuldades imensas para respirar. Eu tive pré-eclâmpsia e só pude conhecer meu filho 24 horas depois que ele havia nascido. Foram as piores 24 horas de minha vida, não sabia o que pensar e nem tampouco como me “portar” diante de meu filho.

Mas ao chegar ao berçário e ver aquele serzinho miúdo e que estava ali e precisava de mim, de imediato me transformei na mãe que sempre sonhei ser… Meu filho ficou internado na incubadora respirando artificialmente oito dias e eu não arredei o pé de lá, passava os dias conversando, contando histórias e cantando pro meu pequeno. As enfermeiras e a pediatra me incentivavam a dizer a ele o quanto ele era importante pra mim, e às vezes eu chegava e ele estava choramingando e, ao ouvir minha voz, parava. Ao voltar pra casa, que teve que ser preparada pra chegada dele, passamos mais dois meses sem sair e aos poucos meu pequeno foi ganhando corpo. Com um ano ninguém dizia que ele nascera tão mirradinho…

Talvez nem seja uma história de tanta superação, mas é uma história de muito amor.

Anna Celina e Inho

Hoje meu filho é jornalista, assessor de comunicação e designer gráfico. É um ótimo filho, de muito bom caráter e responsável, um filho do qual me orgulho e amo com todas as forças do meu coração. Não pude ter outros filhos, mas ele me realizou como mãe. Sou atriz, contadora de histórias e intérprete da palhaça Axila há 15 anos.

Luana Dondé Strada e seu pequeno grande homem

Meu nome é Luana, tenho 31 anos e sou mãe do Luiz Otavio, de três anos. Sou enfermeira, atuei em Saúde pública, hospital, SAMU e atualmente em docência. Sempre ajudei o próximo, não somente pela arte do cuidar, e sim por sempre pensar como eu gostaria que os outros cuidassem de mim, da minha família.

Luana

Em 2011 engravidei e, por ser enfermeira, imaginei uma gestação tranquila, tudo planejado, tudo organizado. Tive diabete gestacional e pré-eclâmpsia, mas meu filho amado nasceu com 34 semanas. Lembro como se fosse hoje a noite do dia 15 de novembro de 2011 – uma noite fria, tranquila, porém estranha, eu me sentia estranha, não sei explicar mas escrevendo aqui, posso sentir tudo o que senti aquela noite. Acordei no domingo, 16, mais estranha ainda… Algo de diferente iria acontecer. Liguei para minha ginecologista e fui até o hospital, a 15 km da cidade onde eu morava. Estava de 34 semanas e com 4 centímetro de dilatação. Ela me falou: “Ele não pode nascer.

Permaneci no hospital em observação constante, e às 16 horas a bolsa rompeu. Entrei em desespero total! Os profissionais da enfermagem correndo, chamando minha médica, chamando o pediatra e acionando o centro cirúrgico, e em questão de minutos estava eu no centro cirúrgico. E meu filho nasceu, nasceu bem, super bem, mas minutos depois começou a sofrer para respirar, e eu o vi todo roxinho. Ouvi o pediatra solicitando a UTI Neonatal.

Entrei em desespero pela segunda vez, e o pediatra explicou que seriam somente algumas horas para observação, mas essas horas transformaram-se em 14 longos dias de sofrimento, choro, angústia, medo, insegurança… E o pior de tudo é você ser enfermeira e saber tudo o que estava acontecendo, reconhecer os altos e baixos, e saber onde tudo aquilo poderia parar, ver meu filho entubado, respirando 100% com ajuda de respirador. Eu não queria acreditar que estava passando por isso.

O mais importante de tudo, durante todo esse tempo que não passava nunca, foi incentivar meu filho a respirar, a viver, a lutar pela vida, e a cada visita na UTI, por pior que eu estivesse, eu nunca derramei uma lágrima perto dele, afinal sei que passamos o que sentimos para eles, e por isso mantive-me forte para ele ser forte também.

No 12º dia meu filho saiu do tubo, e dali para frente foi um sucesso, superamos todas as dificuldades, e aprendemos junto que as dificuldades aparecem para nos deixar mais fortalecidos e unidos um com o outro. Hoje ele é o meu pequeno grande homem (é como o chamo) e continua sendo corajoso, igualzinho como ensinei a ele desde o seu primeiro dia de vida.

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Você também pode gostar:

Histórias de mães VII

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Suéllen Hort Gripa e Arthur – Santa Catarina

Foram no total 129 dias de hospital, sendo 100 dias de UTI no Hospital Santa Catarina de Blumenau.

Primeiro o quadro de toda prematuridade. Arthur nasceu em 7 de outubro de 2012, de 31 semanas, pesando 1.775 kg, com 42 cm e parada cardiorrespiratória. Foi ali que começou sua luta pela vida, sua vontade de vencer e viver nesse mundo louco… Logo foi entubado, teve pneumonia, bactéria no sangue, infecções generalizada… Entuba, extuba, cipap, hallo, aff… Cirurgia no estômago devido a uma perfuração com a sonda…

Foram tantas bolsas de sangue, tantas bombas de seringa, tantos exames de sangue, tantos sustos, tantas sessões de fisioterapias respiratórias, precisou fazer a traqueostomia… Mas Arthur lutou, ou melhor, lutamos nós pais, família, amigos e anjos que Deus nos deu de presente (técnicas, enfermeiras, médicos)… O merecedor, sem dúvida, é nosso pequeno anjo, nosso guerreiro Arthur, que nos ensinou a viver um dia após o outro, nos ensinou a ter paciência, nos ensinou a acreditar em Deus e, em especial, nele. Deu uma verdadeira lição de vida.

Suéllen Hort Gripa  (2)

Depois desses 100 dias veio a alta da UTI. Vamos para o quarto? E agora? Foram noites acordados, inseguros, mas sempre, sempre acreditando nele… E novamente uns sustos, apneias, retirada da traqueo, aspirou leite, coloca sonda, tira sonda, ganha e perde peso, fisio respiratória, motora… E assim foram mais 29 dias.

Muita fé, muita luta para chegar nessa data tão especial: nossa alta hospitalar. Sim, no dia 11 de fevereiro de 2013 fomos para casa! Era para ter vindo com sonda gástrica, traqueostomia, mas ele superou e surpreendeu muitas pessoas! Em exames rotineiros após a alta pra casa, descobrimos que além de toda a limitação física e motora, Arthur teve perda auditiva, severa e bilateral… Mais uma batalha a ser enfrentada.

Muito tempo já passou, e nem acredito que esse ano ele completa três anos de luta contínua e sem data pra terminar. Aprendi a viver um dia de cada vez, aprendi a dar valor a cada conquista, por mínima que for, aprendi tanta coisa… Sim, nós temos um filho ESPECIAL, em TODOS os sentidos, e fazemos de TUDO pra tentar dar uma vida mais próxima à normalidade para ele.

Não temos folga. De segunda a sexta, ele faz fisioterapia respiratória e motora, todas as terças e quintas uma hora de estimulação visual e fisioterapia em casa, todas as quartas e sextas vamos para APAE receber mais estimulações, tem fonoterapia, hidroterapia, terapia ocupacional e a parte pedagógica. E nos outros períodos normalmente faz acompanhamento médico, com oftalmo, neuro, gastro, otorrino, geneticista…

Acho que esse é um resumo da nossa vida, do nosso tesouro, do nosso guerreiro! Posso dizer que ele me transformou em todos os sentidos, e não sei o que seria de mim sem ele… Ah, se ele soubesse o quanto me ensina!

Karina Garcia e Gustavo Francisco – São Paulo

Quando Gustavo tinha quatro meses, descobrimos que nasceu com craniossinostose e tinha que passar por cirurgia, pois podia haver o esmagamento do cérebro, ocasionando vários problemas, até mesmo a morte.

Com 10 meses, ele passou por cirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foi uma cirurgia muito delicada e com grande risco de vida. Graças a Deus e às mãos abençoadas dos médicos, foi um sucesso e um milagre! Nosso filho é um guerreiro e somos abençoados por esse milagre!

Karina Garcia

A cada Dia das Mães ver o Gustavo saudável, muito esperto e sapeca é o presente mais precioso que poderia ter no mundo! Te amo muito filho muito! Obrigada por essa homenagem tão linda e pelo trabalho maravilhoso e abençoado que vocês fazem. Trazer alegria mesmo na hora do desespero… Deus os abençoe sempre.

Monica Rodrigues e Giovana

Em 2007 a minha filha Giovana ganhou uma nova oportunidade de vida. Fez um transplante de coração. Estamos muito felizes, e vocês, Doutores da Alegria, estiveram conosco. Obrigada.

Monica Rodrigues (2)

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Você também pode gostar:

Histórias de mães VI

Dezenas de mães compartilharam conosco histórias vividas com seus filhos e filhas nos hospitais Brasil afora. Histórias reais, tocantes, sensíveis, inspiradoras. A vida como ela é. Agradecemos pela coragem!  

+ veja aqui as primeiras histórias

Cris Moura e Giovana – Rio Grande do Sul

Em 2009, dei entrada na emergência do Hospital Santo Antônio com Giovana aos dois anos de idade. Estava com infecção generalizada. Teve úlcera gástrica, perfuração no estômago por sonda gástrica e obstrução intestinal. Foi para o bloco cirúrgico e ao receber anestesia, teve uma parada cardiorrespiratória. Foi reanimada quatro vezes e conseguiu fazer a cirurgia. Foi para a UTI com falência múltipla de órgãos e os médicos avisaram que minha filha teria horas ou minutos de vida.

Liberaram-me para me “despedir” de minha filha, e, ao seu lado no leito da UTI, rezo e entrego a Deus a vida do meu bem mais precioso. Pedi que se nos permitisse viver juntas, que ele a salvasse, mas que se fosse para que ela vivesse e ficasse com mais sequelas, vegetativa e com dores, então que por mais que me doesse, eu não poderia viver vendo minha filha sofrer.

Cris Moura

No dia seguinte, como um milagre, minha filha se recupera. Apenas seus rins continuavam sem funcionar, e se em 24 horas não voltassem ao normal, teria que passar a fazer hemodiálise. Mais uma vez ela deu a volta por cima, saiu da UTI após sete dias e foi para o leito como se nada daquilo tivesse acontecido…. Se eu acredito em Deus e em milagres? Basta olhar para minha filha e saberá a resposta!

Aos oito aninhos essa pequena grande mulher já passou por tantas lutas nas quais saiu vitoriosa!
#AmoSerMãeEspecial! #MinhaFilhaMeuAnjo!

Fernanda Rodrigues e Matheus

Certo dia, uma médica, após ver alguns exames meus, disse que eu não poderia ter filhos. Meu mundo desabou.

Procurei mais três profissionais e disseram a mesma coisa. Com um fio apenas de esperança procurei o último,  e apostei todas as fichas neste. E foi quem me fez realizar o sonho de ser mãe. Mas não foi nada fácil.

Fiz a cirurgia que foi um sucesso. Era um mioma enorme que me impediria de ter filhos se eu não o retirasse a tempo. Pronto, resolvido. Nada disso! Seis meses depois outro susto. Fui levada com muita urgência ao hospital, sentindo dores no abdômen. Diagnóstico: pedra na vesícula. Mais uma cirurgia e mais miomas que me impediriam de engravidar. Mais uma vez o meu mundo foi ao chão, e já em casa, aos prantos e muito debilitada, clamei ao Senhor! Porque Ele sim poderia reverter todo esse quadro.

Alguns dias depois, comecei a sentir o primeiro sintoma: enjoo. Corri pra fazer um exame de gravidez e estava lá: positivo! Estava com três semanas de gravidez! Sim, durante a cirurgia da vesícula, eu já estava grávida! Que felicidade, não conseguia me conter!Fernanda Rodrigues (1)

30 semanas de gravidez tranquila, aspirando cuidados, se passaram. Minha placenta envelhecida fez com que eu tivesse descolamento, e Matheus, já em sofrimento na minha barriga, teve que ser retirado às pressas para conseguir sobreviver. Começou então a sua grande luta pela vida. Nasceu Matheus, com 1,75 kg, 43 cm, a criança mais guerreira e mais linda e que era meu filho! Ainda na UTI, no dia em que ele mamou pela primeira vez, novamente fui arrancada de perto do meu filho por conta de uma trombose e fiquei internada por dez dias, quando só via meu filho em fotos. Que angústia!

fernanda rodriguesDepois de dez dias sendo medicada, tive uma grande notícia: meu filho estava vindo ficar comigo no quarto. Fiquei tão feliz que parecia que eu tinha parido naquele momento, e desde então nunca mais nos separamos. Meu filho é um campeão que lutou junto comigo para que o nosso Deus mais uma vez fosse glorificado! Hoje ele tem oito anos, 1.35m, 32 kg e uma saúde de ferro! Agradeço a Deus por tudo e por médicos maravilhosos e super preparados que sempre me acompanharam em todos os momentos difíceis pelo qual passamos!

Kelly Britto e Vitória

Kelly Britto (1) Kelly Britto (2)Posso dizer que morri por alguns dias, mas graças a Deus, à minha fé e à fé de outros tantos solidários, pude ver o nascer do sol de mais uma manhã e, mais do que isso, o renascer da minha própria estrela.

Minha história começa em 2010. Ano de Copa do Mundo, ano de esperanças, alegrias, expectativas e sonhos. Mas eu tinha mais que uma copa do Mundo pra festejar… Eu estava grávida. O grande dia chegou e, após alguns dias, pude pegar minha filha em meus braços pela primeira vez… Devido a algumas complicações em seu coraçãozinho, a Vitória ficou oito dias na UTI e só depois disso pude levá-la pra casa. E dei seu primeiro banho. Com seu crescimento aprendemos a despertar a criança dentro de nós… 

No dia 6 de agosto de 2014, Vitória sofreu um traumatismo craniano com afundamento, hemorragia e perda de massa encefálica. Em seguida, teve hemorragia pulmonar seguida de duas paradas cardíacas e duas vértebras do pescoço quebradas. Para os médicos a vitória estava perdida… Mas para o meu Deus a batalha estava apenas começando e a vitória era garantida.

Tivemos alta em 22 de agosto de 2014. A vitória foi nos dada… E ela já voltou pra sua rotina e fazer o que mais gosta, que é dançar! Muito obrigada!

Feliz Dia das Mães! <3

+ Você sabia?

Doutores da Alegria atua em hospitais públicos há 23 anos e precisa de doações para manter seu trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus familiares e profissionais de saúde. Faça parte desta causa, doe aqui: www.doutoresdaalegria.org.br/colabore.

Você também pode gostar: