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Lá dentro, lá fora

Toda relação vive de altos e baixos.

Todos os casamentos, namoros ou amizades que eu conheço são como o dia e a noite: ora brilhantes, ora obscuros. As relações entre os seres humanos são como a vida, em constante transformação. Nada está dado, tudo está para ser conquistado

Com esse pensamento filosófico existencial em mente, eu, Dra Lola Brígida, resolvi dar um tempo em minha relação com o Dr Charlito, meu parceiro de plantões besteirológicos no hospital. Apenas um tempo, uma leve separação, um passo em retirada para poder seguir adiante. Nada de rupturas, brigas ou desencontros. 

la dentro la fora

A verdade verdadeira é que Charlito tem fortes problemas de gases… Flatulências… Pum mesmo. Já desenvolveu inclusive uma tese de doutorado sobre o assunto, com direito a demonstração ao vivo. Em cada quarto que chega demonstra suas habilidades e as diferentes formas de deixar sair aquele incômodo ar preso em sua barriga. Tem o lambreta (que sai com o motor ligado), tem o casas bahia (em suaves prestações), tem o naja (silencioso, mas fatal) e tem aquele que sempre vem acompanhado (sem legendas). 

la dentro la fora

Eu, uma jovem senhora de faro apurado, sufocada nesta relação aromática, resolvi ir respirar em outra freguesia: fui passar um tempo fora. Então nesse mês foi assim: ele dentro, eu fora

Lá dentro ele andou com outras mulheres: Dra Guadalupe, Dra Nina Rosa e Dra Sakura. Isso foi o que fiquei sabendo, fora o que eu não sei. A V., nossa paciente da hemodiálise, estava até organizando o casamento dele com a Sakura! Vejam só! Acho que a Sakura tem rinite, desvio de septo ou falta de sensibilidade nasal! 

la dentro la fora

E eu, lá fora, só levei fora! Fui atrás de outros rapazes, mas só fiquei pra trás. Busquei novas aventuras e só encontrei desventuras. Atravessei o oceano e entrei pelo cano, embarquei num navio e naufraguei, escalei montanhas rochosas e levei uma rocha na monta. 

Assim cabisbaixa, voltei para Charlito. Antes um cheiro conhecido do que ficar sem marido. 

Lola Brígida (Luciana Viacava)
Instituto da Criança – São Paulo

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Obrigado, Sacks

Foi no domingo que Oliver Sacks nos deixou.

O neurologista e escritor britânico morreu aos 82 anos em Greenwich Village, próximo a seus familiares e amigos. Há alguns meses, ele havia revelado em um artigo para o The New York Times sobre o câncer em sua fase terminal. “Devo decidir como viver os meses que me restam. Tenho de vivê-los da maneira mais rica, intensa e produtiva que conseguir”, disse ele.

Oliver-Sacks-009

oliver sackssfonte: oliversacks.com

O médico ficou mundialmente conhecido por seu trabalho científico e também por sua desenvoltura como poeta, descrevendo em seus livros experiências pessoais e clínicas que extravasaram para o cinema. O médico recebia mais de 10 mil cartas por ano.

O homem que confundiu sua mulher com um chapéu” (1985) e “Tempo de despertar” (1990) contribuíram com sua fama. O primeiro aborda histórias de pacientes com deficiências cerebrais que preservaram a imaginação e deram vida a uma identidade moral própria. Em “Tempo de despertar”, Sacks conta sua experiência com pacientes que sofriam de encefalite letárgica e da administração de um remédio de uso controverso capaz de tirar brevemente os doentes de seus estados catatônicos.

O médico também escreveu “Enxaqueca” (1970), “A ilha dos daltônicos” (1997), “Vendo vozes” (1998) e “Alucinações musicais” (2007), além de sua autobiografia “Sempre em movimento – Uma vida”, publicada em abril deste ano. Ainda estão previstos artigos dele para esta semana em jornais internacionais.

A obra de Sacks foi inspiração para a peça “O homem que fala, dos Doutores da Alegria, e trouxe aos artistas um terreno fértil para suas inquietações. As esquetes da peça foram baseadas nas histórias reais do livro “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu” dentro da linguagem do palhaço, mas sem a presença do nariz vermelho.

Além de todas as suas contribuições, ele deixa como legado a Oliver Sacks Foundation, organização devotada a contribuir com o desenvolvimento do cérebro humano e da mente por meio da narrativa não-ficcional e de histórias de pacientes.

Vá em paz, Sacks! E obrigado.

Um pouco menos incolor

A arte ajuda a expressar, a dizer o que não se consegue dizer. E quando ela encontra ambientes ásperos, parece adquirir potência para traduzir afetos e sensações únicas que são vividos nesses lugares.

A artista síria Diala Brisly encontrou um novo lar para suas pinturas em campos de refugiados na Líbia e na Turquia. Seu país de origem, o Líbano, enfrenta uma guerra civil há cinco anos e quase quatro milhões de pessoas deixaram o país em busca de uma vida mais digna.

crédito: Hypenessfonte: Hypeness

A ONU classificou os sobreviventes da guerra civil síria como a maior população de refugiados de uma guerra civil nesta geração. Veja as fotos desta série. Há mais de um ano, Diala trabalha junto a crianças, pintando barracas com cores vibrantes que transpiram vida.

crédito: Diala Brisly

crédito: Diala Brisly

crédito: Diala Brisly

crédito: Diala Brislyfonte: página da artista no Facebook

crédito: Diala Brislyfonte: BrasilPost

Nos campos, os pequenos não têm acesso à educação e trabalham por longos períodos para ajudar no sustento de suas famílias. Vivem em barracas e sofrem com a alimentação insuficiente, entre outros problemas graves. Para Diala as pinturas têm o poder de “criar novas memórias para os jovens refugiados e transcender as realidades miseráveis dos campos. De outra forma, o campo é incolor“.

Assim como no hospital, a arte tem a capacidade de transformar as relações e trazer o foco para o lado saudável que nos habita. O encontro do palhaço com a criança hospitalizada e o encontro de Diala com as crianças sírias são provocadores, inspiradores e com incrível capacidade de gerar um combustível potente para a vida: a alegria.

crédito: Diala Brislyfonte: página da artista no Facebook

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Normal, sou assim mesmo!

Tem dia que o céu está com muita nuvem e pouca estrela. Noutro, o céu está cinza e com a lua brilhando. Ele é assim. Impermanente.

Não posso definir o céu apenas com uma cor. Estaria reduzindo sua capacidade de fluir. E se em algum momento definirmos que em todos os lugares e momentos da vida o céu é o mesmo, estamos limitando nossa visão de céu. Ele é uma vastidão de coisas. 

No trabalho da Besteirologia, criança é um pouquinho de tudo: tem criança que se transforma em bicho, porta soro, tem criança muito pequenina que amedronta os palhaços com sua força, tem criança careca, com cabelo, cabelo pela metade, com perna, sem perna, rica, pobre, negra, loira, que anda, que nunca andou. São todas crianças, imprevisíveis.

normal sou assim4

Certo dia, perguntamos a uma criança cega se ela era casada. Lógico que esperávamos um “não” ou um “sim” de brincadeirinha. Ela disse que era aposentada. APOSENTADA? Ficamos surpresos com sua resposta.

Outro dia, chegamos à sua enfermaria e ela estava deitada no leito. Logo a sua mãe disse:
- Ela está sem enxergar, andar e falar.

Como se o subtexto fosse: vem outro dia quando ela estiver melhor. Ah, mas não existe um formato de criança que escuta música? Cantamos uma música no pé do ouvido da pequena e ela deu um sorrisão. Dissemos que era o Dr. Marmelo e o Dr. Eu que estavam cantando. Ela sorria, sorria… 

normal sou assim

Outra vez nos foi confidenciado que a E., na UTI, não estava querendo se alimentar. Ao chegarmos ela estava mais uma vez se recusando a comer. Ao seu lado, um copo de leite achocolatado com um canudo… Copo cheio de possibilidades para os besteirologistas:

- Hmmmm que gostoso! Vou tomar!
- Quem toma sou eu!
- Sou eu!
- Não, eu!

normal sou assim3

E de repente a menina se manifestou:
- Para! Esse leite é meu!

- Você vai tomar esse leite? Agora?
- Sim, me dê!

Seguramos o copo enquanto ela sugava no canudo.

- Tá gostoso?
- Deixa ela tomar!

- É dela!
- Assim não vai sobrar nada pra gente!

Antes do leite sumir totalmente do copo, a E. regurgitou um pouco de leite sobre a própria roupa. E antes que pudéssemos reagir àquela situação, ela disse de pronto:
- Normal, eu sou assim mesmo! 

Dr. Eu_zébio (Fábio Caio) e Dr. Marmelo (Marcelo Oliveira)
Hospital da Restauração – Recife

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Atestando as veias cômicas

Os besteirologistas foram chamados nesta semana para verificar as veias cômicas dos funcionários de uma empresa.

A Dra Baju e o Dr. Micolino percorreram as salas atestando o clima organizacional: check-up de miolo mole, medição de sangue bom, exame de parafuso solto, entre outros. E ufa, todo mundo ganhou o certificado RISO 9000!

Explicando melhor: o Grupo Cornélio Brennand apoia a construção do Hospital Luiz Felipe Brennand, o primeiro hospital do fígado e transplantes em Recife, cujo nome homenageia um dos irmãos da família Brennand, morto em decorrência de um câncer de fígado. O Grupo está pedindo doações para ajudar na construção do hospital e convidou os Doutores da Alegria para incentivar a campanha. Muito bacana!

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E pra finalizar, a Baju e o Micolino com o fotógrafo Arilson Lopes (conhecido pelos corredores hospitalares como Dr. Ado!)

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Doutores da Alegria faz intervenções em empresas há 20 anos. Conheça mais: www.doutoresdaalegria.org.br/alegria-nas-empresas.

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O fantástico leilão do Mateus

Foi em uma sexta-feira de julho que a nossa ideia de fazer um leilão de quadros no hospital tomou forma e se transformou em um evento inesquecível.

Mateus, jovem paciente da UTI Pediátrica do Hospital do Mandaqui, foi quem nos inspirou com sua potência de vida e seu esforço em ultrapassar as barreiras físicas que sua saúde lhe impôs. E a arte tem sido sua grande companheira nas horas muitas vezes intermináveis de internação.

Começamos essa história há algum tempo. Com a ajuda de profissionais do hospital, de seus familiares e dos besteirologistas de plantão, Mateus pintou o rosto de cada um dos palhaços paulistanos do Doutores da Alegria. Foram mais de vinte quadros! Nascia um artista!

leilao do mateus - doutores da alegria

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leilao do mateus - doutores da alegria

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No dia 17, em uma das salas do hospital, eram os fãs dele que estavam ali para prestigiá-lo. Mateus chegou com um sorriso que não lhe cabia no rosto, escoltado pelos nobres besteirologistas Dus’Cuais e Chicô, plantonistas do Mandaqui. Ele veio acompanhado de sua inseparável amiga Gabi, que também mora no hospital e divide com ele todos os seus momentos. Profissionais de saúde, familiares dos pacientes e colaboradores da ONG traziam um misto de ansiedade e de alegria.

Foi um belo encontro! Parecia claro que a arte ajuda a quebrar limites!

leilao do mateus - doutores da alegria

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Todos os quadros foram expostos e arrematados no leilão – é claro que cada palhaço quis ficar com o seu próprio retrato! – além de uma obra de arte especial feita por ele, que retrata um navio.

leilao do mateus - doutores da alegria

leilao do mateus - doutores da alegria

Aqui não cabem mais palavras. Veja os melhores momentos do Fantástico Leilão do Mateus:

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Pra que disfarçar?

O nariz faz o palhaço ou palhaço faz o nariz? O jaleco faz o médico ou o médico faz o jaleco?

O fato é que chegando ao hospital tudo já parece diferente para nós. Mesmo sem o nariz, já respiramos outros ares. Sem maquiagem, disfarçado de “pessoa física” ou com o nariz de besteirologista é inevitável um outro olhar na portaria, nos corredores, no elevador…

- Oi, Micolino!, grita o garoto.

Não sei ao certo como as celebridades fazem para se disfarçar, mas definitivamente os grandes óculos escuros não têm contribuído muito, precisamos aprimorar a técnica do disfarce. E é inevitável também, enquanto subo o elevador, ir anunciando os andares:

- 1º andar: cama, mesa e banho, 2º andar: roupas íntimas, 3º andar: eletrodomésticos! 

Já que o disfarce nada disfarça, então que vivamos a experiência de disfarçar um pouco a realidade à nossa volta com um olhar diferente para as coisas. A máscara não está no nariz, mas no modo de olhar. 

E foi olhando diferente que o ritmo bateu mais forte nesse mês de trabalho. Nos setores que visitamos, fizemos uma avaliação do batimento de todos os pacientes, impacientes, equipe de profissionais e acompanhantes.

um disfarce

Em um dos setores tivemos os campeões do tic-tac do coração”: o N. e a enfermeira, que entraram no compasso!

Com isso, chegamos ao veredicto final: o N. já podia bater seu tic-tac noutras bandas, aliás, em altas bandas… Soubemos que ele já estava de alta! Viva!

um disfarce

Dr. Micolino (Marcelino Dias)
Hospital Oswaldo Cruz/Procape – Recife

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Doutores recomenda: Festival Palhaçada Geral em SP

O palhaço é tema de um festival que convida para visitar o centro de São Paulo. A Praça Roosevelt é palco da quarta edição do Palhaçada Geral, que traz cerca de 150 artistas nacionais e internacionais apresentando espetáculos, cabarés de variedades, pocket shows e debates.

Promovido pelo Grupo Parlapatões, o festival oferece diversas linguagens que cercam o palhaço, dos circos mais tradicionais aos modelos atuais, e acontece de 14 a 23 de agosto, com abertura às 21h, no Espaço Parlapatões (Pça. Roosevelt, 158). Algumas atrações são grátis e outras, no interior do teatro, custam R$ 20.

Na programação, ex-alunos do Programa de Formação de Palhaço para Jovens, do Doutores da Alegria, artistas que integram o elenco que atua no hospital e Wellington Nogueira, fundador da ONG, em um papo sobre empreendedorismo no dia 18 de agosto, às 17h, na SP Escola de Teatro.

Mais informações no site www.parlapatoes.com.br. E clique aqui para obter a programação e imprimir.

Veja a programação completa e agende-se!
Dia 14/08 – Sexta-feira

21h – Abertura – Cabaré de Gala com participação da Banca Cabaré 3 Vintens (Teatro)
Ao som da Banda Paralela, o cabaré será uma grande festa em homenagem ao mestre da palhaçaria Teófanes Silveira, o palhaço Biribinha. Os anfitriões Parlapatões estarão muito bem acompanhados de convidados de peso, como o grupo La Mínima e a Trupe 1 Kilo e Meio, que foram vencedores do IV Festival de Cenas Cômicas do Espaço Parlapatões em 2015, além de outros convidados.
Direção: Hugo Possolo
Classificação indicativa: Livre

palhacada geral

Meia-noite – Noite dos Renegados (Palco do bar)
Comandado por César Lopes (Cara de Pau) a noite se desenrola com muito humor ácido, experimental e inusitado. Números de faquir, engolidor de facas e até uma palhaça mendiga serão apresentados. O público participa ativamente também no papel de jurado, gogando os piores dos piores.
Classificação indicativa: 16 anos

Dia 15/08 – Sábado

16h – Espetáculo: Reprise – Cia. La Mínima/São Paulo (Teatro)
A conhecida companhia apresenta a reunião de números tradicionais da palhaçaria. Ao chegarem ao local de sua apresentação, dois palhaços descobrem que foram contratados para o mesmo local, no mesmo horário, pela mesma pessoa. Depois de infrutíferas tentativas de provar um ao outro sua prioridade no picadeiro, decidem realizar este trabalho juntos.
Direção, Concepção e Cenografia: Domingos Montagner e Fernando Sampaio
Supervisão Geral: Leris Colombaioni
Consultoria e Pesquisa: Mário Bolognesi
Figurino: Inês Sacay
Iluminação: Wagner Freire
Música Original: Marcelo Pellegrini
Diretora de Produção e Administração: Luciana Lima
Realização: La Mínima
Classificação indicativa: Livre

18h – Sessão Reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente. Com a presença dos grupos Namakaca, Clownbaret, Mimi Calado e muitos outros.
Classificação indicativa: Livre

20h – Parece ser que me fui – Marina Barbera/Argentina (Teatro)
Quando se abre uma fenda, ninguém sabe se o mundo se infiltra na parede ou em sua cabeça. Se houvesse uma janela aberta o espião seria Martha, a palhaça. Se houver um precipício, tentar voar… Viajar sem roteiro … Talvez você estaria com medo, mas ele gostaria. Nada disso existe e ainda acontece tudo.
Direção: Raquel Sokolowicz
Elenco: Marina Barbera
Desenho de iluminação: Ricardo Sica
Música original: Agustín Flores Muñoz
Fotografia: Jorge Crowe
Desenho gráfico: Andrés Kyle
Assistência de direção e produção: Mariano Mandetta
Classificação indicativa: 14 anos

22h – São Paulo’s Féxiõn Claum (Teatro)
Diversão garantida com o desfile destas figuras estranhas e inusitadas. Com a palhaça Rubra (Lu Lopes) como Mestre de Cerimônias e uma banda composta por palhaços, recebe a brincadeira sobre a moda palhacística. Durante o desfile o parlapatão Raul Barretto vive Sra. Jourdain, uma burguesa mal-educada da obra de Molière, que faz a crítica dos trajes dos palhaços e seus estilistas. Uma festa que vem temperada de improvisos, surpresas e muita alegria.
Classificação indicativa: Livre

24h – Amor te espero – Barracão Teatro/Campinas – SP (Teatro)
Mirbobaz e Zabobrim, dois viajantes charlatões, após a venda fracassada de um elixir prodigioso com efeitos energéticos, seguem viagem, mas param no meio da estrada porque o caminhão quebra perto de um farol. Decidem dormir ali mesmo até que possam consertá-lo, quando são abordados por uma mulher misteriosa que os convida para uma festa no alto do farol. Depois de muitas idas e vindas, confusões e mistérios, ambos descobrem que esta mulher é muito mais do que poderiam imaginar! Tudo é o que não parece, tudo que parece não é, e no fundo, no fundo… Tudo aquilo está acontecendo mesmo?
Concepção, Dramaturgia e Direção Geral: Esio Magalhães
Assistência de Direção: Tiche Vianna
Elenco: Cintia Birochi, Kuarahy Fellipe e Esio Magalhães
Trilha Sonora Original: Marcelo Onofri
Assessoria em Mágica: Ricardo Harada
Assessoria Coreográfica: Mariza Virgolino
Assessoria em Acrobacia: Rodrigo Mallet
Figurino: Antônio Apolinário
Execução de Figurino: Maria Nicias
Concepção Cenográfica: Esio Magalhães
Execução Cenográfica: Victor Akkas
Iluminação: Alessandro Azuos
Operação de Luz: Fernando Fubá
Operação de Som: Suzana Santos
Arte Gráfica: Ana Muriel
Produção Executiva: Cau Vianna
Assistência de Produção: Suzana Santos
Produção e Realização: Barracão Teatro
Classificação indicativa: 14 anos

palhacada geral

Dia 16/08 – Domingo

16h – Clássicos do Circo – Parlapatões/São Paulo (Teatro)
Alguns dos mais divertidos números cômicos e circenses dos vários espetáculos da trajetória do grupo paulistano Parlapatões. Quatro palhaços passam das mais clássicas reprises aos números mais inovadores do circo contemporâneo em 60 minutos.
Números como Contorcionista Árabe, Rei do Gatilho, Futebol de Palhaço, Lutadores de Boxe Dançando Balé e Águas Dançantes.
Texto, direção, cenário e figurino: Hugo Possolo
Elenco: Hugo Possolo, Raul Barretto, Fabek Capreri e Hélio Pottes
Programação visual e desenhos: Werner Schulz
Assistência de Produção: Janayna Oliveira
Produção Executiva: Erika Horn
Coordenação Geral: Hugo Possolo e Raul Barretto
Realização: Parlapatões
Classificação indicativa: Livre

18h – Concerto em ri maior – Cia dos Palhaços/Curitiba – PR (Teatro)
Comédia musical em que o maestro e palhaço Wilson Chevchenco apresenta um concerto baseado em sua origem russa e conta com a ajuda de Sarrafo, seu fiel amigo, para executar as obras de sua família e ser compreendido pela plateia, já que não fala o idioma português. O concerto conta ainda com um coral, que é integrado pelo público. Também são utilizados vários instrumentos como piano, violão, acordeom, gaita, castanholas e harmônica.
Texto e Direção: Cia dos Palhaços
Elenco: Eliezer Vander Brock e Felipe Ternes de Oliveira
Sonoplastia: Eliezer Vander Brock
Iluminação: Anry Aider
Figurino: Fabianna Pescara e Renata Skrobot
Realização e Produção: Cia dos Palhaços
Classificação indicativa: Livre

19h – Sessão Reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

20h – Clowns D’Affaires – Compagnie Batchata/Bélgica (Teatro)
Conferência burlesca que traz um olhar inusitado do mundo dos negócios. Dois personagens clownescos estão se esforçando para ponto de riscos psicossociais poético-burlescas em locais de trabalho no século XXI: evolução dos métodos de gestão, concorrência internacional, neutralização, condições de trabalho, espaço aberto, stress, assédio… Para a Cia. Batchata, o palhaço destaca a vulnerabilidade e falibilidade humana. No entanto, mesmo mergulhado em situações terríveis, ele nos surpreende com sua luta de tirar o fôlego.
Direção: Patrick Spadrille
Elenco: Carina Bonan e Alexandre Aflalo
Classificação indicativa: 14 anos

Dia 17/08 – Segunda-feira

21h30 – Jogando no Quintal: Especial Palhaçada Geral – Cia do Quintal/SP (Teatro)
Edição especial do espetáculo de improvisação de palhaços com Cia. do Quintal, realizada em formato criado especialmente para o Palhaçada Geral, com participação de diversos convidados como La Mínima, Lume, Parlapatões e Barracão, entre outros.
Classificação indicativa: 14 anos

Dia 18/08 – Terça-feira

19h30 – O eterno retorno – Márcio Ballas e Rhena de Faria/São Paulo (Teatro)
Espetáculo que fala do ritual do aniversário e de tudo o que está relacionado a esse universo: bolos, velas, presentes, festas e desejos. João Grandão e Mademoiselle Blanche são amigos que, se pudessem, fariam aniversário todos os dias. Por isso, eles preparam surpresas a todo o momento para compartilhá-las com o público.
Roteiro: Rhena de Faria
Direção: Marcio Ballas e Rhena de Faria
Elenco: Rhena de Faria e Marcio Ballas
Classificação indicativa: Livre

20h – Sessão Reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

21h30 – Experimentando Palhaçaria/SP (Teatro)
Dirigidos por Suzana Aragão, os mestres de cerimônia, acompanhados por uma banda musical, apresentarão um cabaré de palhaços com números de mágica, malabares, mímica e muitas outras habilidades. O cabaré é composto por ex-alunos do Curso de Humor da SP Escola de Teatro e da Formação para Jovens dos Doutores da Alegria. São jovens artistas que já estão bem envolvidos no teatro e circo.
Classificação indicativa: Livre

Dia 19/08 – Quarta-feira

19h30 – Se fosse fácil não teria graça – Fernando Bolognesi/São Paulo (Teatro)
O espetáculo narra, sempre com muito bom humor, a trajetória do autor/intérprete/palhaço, que conta como aprendeu a conviver com as limitações impostas por uma doença degenerativa, progressiva, incurável e com potencial incapacitante. O ator mescla um relato engraçado, humano e comovente sobre como podemos transformar dificuldades, limites e crises em alegrias, desafios e realizações com diversas reflexões sobre a vida, a morte, nosso lugar no universo e nossa relação com a alteridade.
Direção, texto e atuação: Nando Bolognesi
Classificação indicativa: 12 anos

palhacada geral

20h – Sessão Reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

21h30 – Por el lado más bestia – Pablo Mikozzi/Argentina (Teatro)
Show de humor com os melhores monólogos e esquetes que o ator coletou ao longo de dez anos de trabalho. Tem base na técnica do bufão, com recursos pertencentes ao café concerto, show de variedades e improvisação para abordar questões de discriminação, violência sexual, insegurança, exclusão e a crueldade das classes dominantes. 
Atuação e dramaturgia: Pablo Mikozzi
Som: Igor Garfias
Figurino: Vespa Vestuario
Edição de video: Gustavo Mazolletti
Iluminação: Carla Giovanini
Direção: Tino Tinto
Produção executiva: Cristián Centurión
Classificação indicativa: 16 anos

Dia 20/08 – Quinta-feira

19h30 – Gramofone 2015 – Palhaça Rubra/São Paulo (Teatro)
Estreia do novo solo da palhaça Rubra. Reúne música e improviso por meio da memória musical em homenagem à cantora Dalva de Oliveira.
Elenco: Lu Lopes
Classificação indicativa: Livre

palhacada geral

20h – Sessão Reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

21h – Cabaré das Palhaças (Teatro)
Meninos não entram! As mulheres palhaças exploram a graça do universo feminino, com várias palhaças e claunesses em um show para colocar os homens e mulheres diante de uma nova prespectiva de humor.
Classificação indicativa: 14 anos

Dia 21/08 – Sexta-feira

19h30 – Sessão reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

21h – Desclowntrolados – Pata de Perro/México (Teatro)
A dupla de palhaços mexicanos traz um espetáculo vibrante, baseado nas tradições circenses, com o resgate dos excêntricos musicais, mostrando habilidades sonoras e gags que tem feito sucesso em toda América Latina e nos Estados Unidos.
Classificação indicativa: Livre

Meia noite – Cabaré Palhaços de Campinas – Coletivo Geral do Riso/Campinas (Teatro)
Celebração das pesquisas e experimentos do grupo, num encontro que faz a a conexão Barão Geraldo e Praça Roosevelt. Composto pela Família Burg, Dupla Cia., Circo Caramba, Barracão Teatro e Cia. SUNO.
Classificação indicativa: 14 anos

Dia 22/08 – Sábado

16h – Irmãos Saúde – Circo-Teatro Artetude/Brasília – DF (Teatro)
Espetáculo de dois amigos, irmãos e palhaços, que usando elementos de esquetes tradicionais, temperadas com manobras acrobáticas e números de malabares, exercitam a incrível e maravilhosa arte da convivência. Um jogo em que os sentimentos oscilam da raiva ao amor em segundos em cenas cotidianas que levam ao espetáculo e ao espectador a dúvida se aquilo é ou não verdade.
Realização: Circo-Teatro Artetude
Direção: Ankomárcio Saúde Rodrigues
Coordenação Geral: Ankomárcio Saúde Rodrigues
Produção: Ruiberdan Saúde Caetano
Direção Musical: Pablo Ravi Maroccolo
Elenco: Ankomárcio Saúde, Ruiberdan Saúde, Pablo Ravi Maroccolo
Parceiros: Grupo Cultural Pé de Cerrado
Classificação indicativa: Livre

18h – Sessão reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

21h – Classic Duo – Jango Edwards/EUA/Espanha (Teatro)
Jango Edwards traz uma seleção de cenas rápidas e animadas do repertório, que ao longo dos anos tornou-se o favorito do artista e do público. Canções, dança, magia, acrobacias, música, comédia, conspirações, poesia e piadas. 
Classificação indicativa: 16 anos

Meia noite – Cabaré de Bolso – Cia. SUNO/Campinas – SP (Teatro)
Contorcionismos e malabarismos com roupagem contemporânea e canções executadas ao vivo ou operadas em cena pelos personagens.
Direção e concepção: Helena Figueira
Com Duba Becker, Helena Figueira, Emerson Noise e Elias Ficavontade
Classificação indicativa: Livre

Dia 23/08 – Domingo

16h – Fulano & Sicrano – Cia. Etc. E Tal/Rio de Janeiro – RJ (Teatro)
Coloca no palco o humor inusitado que é retirado das situações mais banais, com inspiração na linguagem dos quadrinhos e da animação. Cenas escolhidas do cotidiano e impregnadas de uma linguagem particular, mesclando situações cômicas, gromelô, mímica e a imperdível pantomima literária (narração simultânea a ação em mímica).
Criação e Produção: Centro Teatral e Etc e Tal
Atuação: Márcio Moura e Alvaro Assad
Direção e Preparação Mímica: Alvaro Assad
Assistência de Direção: Melissa Teles-Lôbo
Figurinos e Adereços: Fernanda Sabino
Desenho de Luz: Aurélio Oliosi
Fotografias: Ricardo Gabriel
Design: Ato Gráfico
Preparação de Pilates e RPG: Dulcilene Rosa Moura
Classificação indicativa: 14 anos

18h – Sessão Reprise (Palco do bar)
Pocket show com reprises tradicionais e experimentais, explorando diferentes formas de palhaçaria. A cada dia um show diferente.
Classificação indicativa: Livre

19h – Cabaré da Celebração (Teatro)
Artistas que são grandes referências na arte da palhaçaria vêm coroar o festival: Etc e Tal (RJ), João Artigos (RJ), Circo-Teatro Artetude (Brasília), Parlapatões e muito mais.
Classificação indicativa: 14 anos

19h – Show Heloísa Lucas e Banda Groovie – Encerramento (Palco do bar)
Show musical da cantora Helô Lucas, acompanhada pela Banda Groovie, com rock, samba-rock, blues e soul.
Classificação indicativa: Livre

Debates com entrada franca

Local: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt

18/08, terça-feira, às 17h – O empreendedor faz papel de palhaço?
Convidados: Rogero Torquato, Hugo Possolo e Wellington Nogueira

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19/08, quarta-feira, às 17h – Como fazer rir na era do politicamente correto?
Convidados: Mário Bolognese, Raul Barretto e Cristiane Paoli-Quito

20/08, quinta-feira, às 17h – Grande Roda da Palhaçaria
Convidados: Dani Biancardi, Suzana Aragão e Bete Dorgam

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Passo inspirador

Inspirados pelo trabalho que realizavam junto ao ator Michael Christensen nos hospitais de Nova York, alguns artistas trouxeram para seus países de origem uma incumbência: levar a intervenção do palhaço para hospitais mundo afora.

doutores-no-cdi-1108-4-728(foto: The Big Apple Circus Clown Care Unit, Nova York)

Wellington Nogueira iniciou sua jornada em São Paulo, em 1991, causando espanto e estranhamento quando colocava-se na posição de besteirologista para atender crianças. Nascia Doutores da Alegria. Quem poderia imaginar que o hospital, local sério e sisudo, pudesse abrigar os serviços de um palhaço que reivindicava a posição do médico?

No mesmo ano, Caroline Simonds afrancesou a sua experiência e criou o Le Rire Médecin em Paris.

SIMONDS

Caroline Simonds (docteur girafe) et Rene? Philippe (Rene? l'Ele?gant) a? l'Institut Gustave Roussy (94 Villejuif) Association Le rire me?decin (Paris) le 7 juin 2007

Duas organizações que, inspiradas pela função social do palhaço no hospital, cresceram levando a bandeira da arte como coprotagonista no sistema de saúde. Com sua pesquisa, validaram a atuação, oferecendo cursos para artistas e para o público em geral que deseja entrar em contato com a lógica do palhaço.

Nesta semana Le Rire Médecin nos contou que conseguiu obter, por meio de um processo de certificação, o reconhecimento público de seu programa de treinamento profissional na França. Isso significa que o curso de formação do seu Training Institut agora fornece diploma de ator-palhaço em instituições de saúde.

A conquista da organização francesa é de todos nós! Ao criar uma certificação, estamos caminhando para a profissionalização e o reconhecimento da profissão de besteirologista ou, como dizemos também aqui no Doutores da Alegria, o palhaço-interventor. Parabéns, Le Rire Medecins!”, parabenizou Wellington Nogueira.

Um grande triunfo após quase 25 anos de trajetória. Quem sabe é o primeiro passo para pensar essa conquista em terras tupiniquins?

Tudo por um sanduba

Dra Guadalupe e eu entramos juntos no quarto da F., no Hospital do Mandaqui. Ela comia um sanduíche aparentemente muito gostoso.tudo por um sanduba

- Chicô, eu vou ali na janela tentar chamar a atenção dela. Daí quando ela me olhar, você pega o sanduba, beleza?, arquitetou Guadalupe.

Demos início ao plano. Guadalupe começou a falar que estava vendo o Super Homem, depois a Mulher Maravilha, dançou lambada e até fez uma dança no porta-soro… Mas F. mantinha os olhos em mim, como se incrivelmente soubesse que íamos pegar seu sanduíche. Tive outra ideia e chamei a doutora de canto.

- Já sei! Vou cantar uma música que precisa de palmas! Ela vai deixar o sanduba na mesa pra bater palma e você pega! 

Comecei a tocar: Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! 

tudo por um sanduba

Nessa hora a garota nos olhou e disse meio espantada:
- HOJE É MEU ANIVERSÁRIO! 

Ficamos surpresos com essa providência divina! Ah, mas não nos esquecemos do sanduba.
- Ah, como é seu aniversário, tem que bater palma!
- Claro! 

Pensamos que seria a vitória da nossa barriga, mas eis que a menina colocou o sanduíche na boca pra bater palmas! Ahhhh! Resultado: eu e Guadalupe começamos a soluçar e a cantar o parabéns, que ali mais parecia uma marcha fúnebre…

Dr. Chicô (Nilson Domingues)
Hospital do Mandaqui – São Paulo

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