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(relatório sobre o caloroso mês de junho no IMIP, Recife)

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Junho é conhecido pelas festividades juninas, a gente comemora Santo Antonio, São João e São Pedro. É comum que nessas festas tenha sempre muita comida de milho, forró do bom pra ninguém ficar parado e fogueira acesa pra esquentar o friozinho que já vai chegando pelas bandas de cá. Pra não deixar ninguém de fora, resolvemos fazer do IMIP um grande arraial e festejar todos os dias desse mês. E foi um mês bem movimentado mesmo. Vários besteirologistas passaram por aqui para agitar ainda mais os nossos dias. Além de nós, Dr. Ado e Dra. Svenza, Dr. Dud Grud, Dr. Marciano e Dr. Escrich foram vistos pelos corredores e enfermarias do IMIP aprontando muita confusão.

Como nem só de forró vive o homem, em visita às nossas pacientes Caele e Elis, ouvimos de uma enfermeira uma frase que nos inspirou profundamente: “Eu fui passear com a mão no bolso!”. E sabem como é inspiração, né? Na hora, o trio de bobos formado por Svenza, Escrich e Ado resolveu compor uma música que dizia assim repetidas vezes: “Eu fui passear com a mão no bolso. Tira a mão do bolso. Bota a mão no bolso!”. Feita a música, tínhamos de coreografá-la. Então pedimos ajuda das nossas pacientes para que julgassem a dança que criamos ali na hora para o nosso grande show.

Dançamos e cantamos a nossa linda música exatamente assim, passeando pelo quarto, tirando e botando a mão no bolso. Caele e Elis acharam o máximo e mesmo deitadas em suas camas, com os movimentos limitados pelos fios do soro, elas entraram nesse clima e já fizeram seu primeiro ensaio conosco. Quando voltamos no dia de trabalho logo após esse encontro, soubemos que as meninas já haviam espalhado pra todo mundo a novidade do nosso novo sucesso, que já havia sido traduzido para o espanhol, o chinês e o alemão. E apesar da letra difícil que criamos, todos já sabiam cantá-la. Fazer o quê, né? Inspiração é inspiração.

Inspirada também estava a Rafa, garotinha de 2 anos, que aguardava com a mãe a sua vez na Radiologia. De passagem por lá, o Dr. Marciano e o Dr. Ado, resolveram entrar cantando para emplacar mais um sucesso nas ondas da Radio(logia). E não é que deram de cara com a Rafa que levantou do colo da mãe e começou a seguir os dois paspalhos pela sala imitando todos os movimentos que faziam? Se rodávamos, ela rodava. Se rebolávamos, ela rebolava. Mas se páravamos, ela continuava mesmo assim, atraindo para si todos os olhares. Vestindo uma calcinha bunda rica, recheada de fralda descartável, com um sorriso banguela e um olhar atento, a Rafa nos presenteou com a sua alegria e generosidade.

Junho também é dos namorados. Para quem ainda acredita que vai desencalhar na vida, esse foi o momento de fazer todas as promessas a Santo Antonio, o mais famoso casamenteiro do céu e da terra. Mas parece que simpatia nenhuma funcionou com os besteirologistas de plantão do IMIP. Apesar de toda campanha para conseguir uma alma gêmea antes do dia 12, para quem sabe ganhar algum presente inesquecível, o Dr. Ado e a Dra. Svenza não se deram bem e continuam encalhados. Certos de que começaram a campanha para o dia dos namorados muito em cima da hora e só por isso não tiveram êxito, os dois esperançosos solitários resolveram iniciar já a campanha para o dia dos namorados 2010. Quem sabe assim Santo Antonio os coloca no início da fila. Ai, tomara!

Para quem acompanha novela vai ser fácil entender do que vamos falar agora. Se você não acompanha, não tem problema, já diz o ditado: “Para bom entendedor, meia palavra basta”. Pois bem, chegamos na sala da hemodiálise e descobrimos através do Luc, nosso paciente, que ele tinha um braço dálite (segundo a cultura indiana, o dálite é um ser impuro, não possui casta e se tocar em outra pessoa pode passar para ela sua impureza) e ninguém podia tocar nesse braço. Fizemos de tudo pra saber se aquele braço era mesmo especial. Até disputa de queda de braços propomos pra poder chegar perto e nada. Ele não arredava o pé, quero dizer, o braço. Foi quando uma colega médica chegou e revelou que era tudo conversa dele. Ele não tinha braço dálite nenhum e inventou tudo isso pra não tomar injeção. Por isso, a enfermeira estava liberada para aplicar as agulhas. Feita essa revelação, suspeitamos que por não termos também nenhum braço ou bunda dálite corríamos o risco de tomar injeção a qualquer momento e antes disso acontecer, demos no pé. Afinal de contas, nós não somos pamonhas.

Dr. Ado (Arilson Lopes)
Dra. Svenza (Luciana Pontual)