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Hospital é assim, um dia após um outro. E do mesmo jeito, o trabalho dos besteirologistas entram na rotina, um dia sim, um dia não… Um dia funciona, outro não funciona. Pensamos muito sobre o motivo de termos sido tão confusos no dia anterior, havia muitos ruídos em todos os quartos: crianças chorando muito, intervenções médicas, criança de outro quarto pedindo atenção, criança mexendo nos nossos bolsos, e nós como se numa festa barulhenta não nos escutávamos…

[escutar – es.cu.tar]
(lat auscultare) 1. Prestar atenção para ouvir: 2. Dar atenção a. 3. Ouvir, sentir. 4. Perceber. 5. Med Auscultar. 6. Atender aos conselhos de. 7. Andar indagando. 8. Espionar.

Do latim auscultare: auscultar (cat. verbal) domínios: Saúde
Examinar um organismo através da escuta dos ruídos produzidos no seu interior, tipicamente com a ajuda de um estetoscópio

“Auscultar” é subtipo de examinar, analisar.

Relações não-hierárquicas para “auscultar” :
•implica como agente – profissional de saúde
•envolve como instrumento – estetoscópio (mas não necessariamente)

Neste dia não nos auscultávamos!!

Fizemos uma junta trimédica besteirológica e discutimos o tema à exaustão por sete minutos.

Questão principal: Como fazer o pequeno e simples até mesmo no meio da tempestade?

– Se o problema é a escuta…. A gente olha!

Proposta aceita! Nos olhamos antes de entrar em cada quarto e olhamos todos que estavam no quarto, e olhamos todo o quarto.

– Inspirar o quarto para ter inspiração, ou melhor:- Respirar!

Olhar….olharrrrrrrrrr….respirar

Este procedimento nos proporcionou muitas surpresas e foi um dia especialmente delicado e estranhamente amoroso. Estranhamente porque foi recheado por beijos, abraços e muitos sons novos. Acho que escutar desperta sentimentos guardados em lugares bem inusitados.

Num dos quartos, quando entramos a criança chorou, na mesma hora voltamos o pé: – Ih! Acho que aqui tem alarme, quer ver? [de novo a ação] O menino já com os olhos atentos e nós tentando de todas as formas fazer o alarme voltar a funcionar e nada!

E como falei de coisas inusitadas, um belo dia, recebemos a visita da Dra. Valentina Mosquito, que pendurou a Juca no varal e veio no lugar dela. Ainda imbuídos pelo princípio acima citado de que o olho escuta e o ouvido vê, entramos os três no quarto de Gabriel, de cinco anos. Mas como Da Dúvida e Valentina não achavam o Sandoval, que devia estar disfarçado ou escondido em algum canto do quarto, gastaram tempo e raciocínio ali procurando. E não é que a dificuldade divertiu o Gabriel, que depois de uma gargalhada disse:

– O Dr. Sandoval morreu!

Pausa… olhar….olharrrrrr…..respiração….

Em coro:
– O Sandoval morreu!!!!!!!!!!!!
– Como ele pode fazer uma coisa dessas!
– Pra onde será que ele morreu?
– Isso foi trapaça!

Sim, senhores. Até mesmo o próprio Dr. Sandoval não se conformava com a notícia. Chorou, abraçou os colegas, e saíram assim os três inconformados com a perda irreparável… Quem se deu bem foi Gabriel, que inutilmente ainda tentou mostrar que o Sandoval estava bem ali, no meio do chororô! Haja paciência! E maxilar!!!

Assinado: Trio parada dura (Dr. Sandoval, Dr. Da Dúvida e Dra. Juca Pinduca) com pitacos da Dra. Valentina enxerida

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