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Tínhamos acabado nosso atendimento na hemodiálise, quando passa por nós e sem nos dar a menor pelota: Lary! Pulando feito uma bola serelepe por todo o corredor. Nos entre olhamos, pensamos e logo concluímos! “S.P”!

– Peraí, São Paulo?
– Não!! Síndrome de Pulga!

Depois do almoço, reencontramos Lary em seu quarto, um pouco mais tranqüila da crise do “pula-pula”. Examinamos a menina da cabeça aos pés e imagine o tamanho da nossa surpresa ao encontrar a causa de tudo, bem atrás da orelha da garota! Lá estava ela… A danada da pulga!

Após a captura, percebemos que ela não era uma pulga comum. Na verdade tratava-se de uma PULGALLIS PULEX IRRITANS falante e amestrada, velha conhecida de Dra. Guadalupe. Essa, por sua vez, foi logo fazendo as honras, apresentando a amiga para os demais:

– Senhoras e senhores: É com muito prazer que apresento para vocês, vinda diretamente do Circo de Moscou para os corredores desse nosocômio… Ela: Olga, a polga!
– Não é polga… É pulga! Corrigiu Dra. Brisa, rapidamente.
– Perdão! Corrigiu Guadalupe. E continuou: Ela: Ulga, a pulga!
– Não Guadalupe!
– Ah, desculpa! ELA! Pulga, a Olga!
– Guadalupe!
– Que é Dra. Brisa?
– É Olga, a pulga!
– Isso!!!

Passada a confusão, partimos para a demonstração dos saltos à distância, e não é que a danada pulava mesmo dentro do saco?! Lary olhava tudo atônita e vibrava com seus olhos grandes e brilhantes a cada manobra de nossa querida pulga.

Olga resolveu então mostrar seu truque especial: Equilíbrio na Corda Bamba! Mais uma surpresa! Ao som de uma música circense, Olga passeava em cima e embaixo da corda, pulava, dava saltos mortais, imortais duplos, triplos, parafusos e espaguetes… Uma loucura!

Isso tudo a deixou muito cansada e ela pediu que a colocássemos de novo atrás da orelha da Lary, para que tirasse um cochilo. Assim fizemos e para deixar tudo mais aconchegante, embalamos a soneca com o famoso hit “Boi da Cara Preta”.

Já estávamos quase na porta, saindo bem de mansinho, quando Lary gritou:

– Ela está chorando!

Voltamos e percebemos que ela estava com frio. Lary, carinhosamente cedeu uma pontinha do seu cobertor, cobrimos Olga e saímos do quarto ainda ao som de “Boi da Cara Preta”.
Quando íamos saindo novamente, Lary grita outra vez:

– Ela quer ficar com a minha avó!

Voltamos e carregamos a pulga da orelha da menina para a orelha da avó, com todo o cuidado para não despertá-la.

Já estávamos em outro quarto, em outro atendimento, quando Lary apareceu na porta do quarto.

– Ela agora quer ficar com vocês!

Dra. Brisa recebeu nossa amiga e colocou atrás de sua orelha, debaixo do seu chapéu. Tudo com muito cuidado, para que ela não acordasse. “Seus roncos me incomodaram até o fim do dia de trabalho, mas antes agüentá-los, que ter uma crise de pulos serelepes incessantemente graves!” desabafou a doutora. Puxa Brisa, até que não seria de todo mal… Dava para perder uns quilinhos!