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A Besteirologia sempre teve um diálogo amigável com os profissionais de saúde. Algumas vezes somos desafiados a testar a eficácia do nosso método diante de nossos colegas de trabalho.

Isso aconteceu quando entramos na UTI do Instituto da Criança (São Paulo). No primeiro momento só um choro ecoava, tomava conta de todos os cantos e só dava uma pequena pausa para a respiração. Quando o Dr. J., cercado por seus alunos, fãs, seguidores e colegas nos viu, foi logo falando:

Agora eu quero ver se vocês são médicos de verdade! Será que conseguem fazer esse choro parar? 

Vamos fazer uma aposta!, respondeu o Dr. Charlito. 

A aposta ficou em um simples café. O importante não era o café, e sim defender a nossa honra que estava sendo colocada à prova diante de todos! Ora, um palhaço que se preze tem que ter dignidade!

Dr. Sandoval e Dr. Charlito

Aproximamo-nos com calma para descobrir quem estava causando aquele rebuliço. Quando olhamos, era só a E., uma menina de aproximadamente seis anos que nos olhou com certo estranhamento – coisa comum em um primeiro encontro-, e logo voltou a chorar sem nos dar muita bola. Ela não ligou para a nossa apresentação. Cantamos, ela não ligou. Recorremos a um instrumento médico que nunca falha: o nosso bolhômetro! Fizemos bolhas de sabão ao som de uma música e o choro teve uma leve pausa… Mas logo voltou!

Foi aí que o Dr. Charlito, quase desistindo, pegou o seu bloco de receitas médicas com o objetivo de passar seu telefone para E. caso acontecesse alguma emergência besteirológica.

Quando você quiser falar com a gente, é só ligar para este telefone que está desenhado aqui. Pode digitar qualquer número que a gente atende.

Nessa hora a menina parou de chorar para pegar o papel e o segurou em silêncio. Eu e o Dr. Sandoval continuamos mostrando a ela as várias possibilidades que aquele papel tinha. Fizemos um barco, um chapéu e um avião para que ela voasse para qualquer lugar que desejasse ir.

Saímos e fomos encontrar o Dr. J. para cobrar aquele cafezinho que até hoje ele não pagou! Ora, mas isso é o que menos importa… O melhor foi ter encontrado com a E. que nos desafiou a transformar seu choro em silêncio e nos mostrou que as soluções mais simples, às vezes, estão em lugares mais simples e comuns. Não adianta, saltar, cantar, pular, gritar. Tudo pode estar simplesmente numa folha de papel.

Passamos por lá na outra semana para falar com ela, mas descobrimos que ela pegou aquele avião e foi fazer a sua viagem, foi voar em outro plano…

Dr. Sandoval (Sandro Fontes)
Dr. Charlito (Ronaldo Aguiar)
Instituto da Criança – São Paulo
Outubro de 2012