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Depois, depois, depois, depois, depois, depois, depois, depois, depois, depois, … e depois.

Uma grande questão filosófica para o palhaço é o depois. Eu pergunto: Ele existe? Pelo menos é o que ouvimos de todo brasileiro, de norte a sul, de leste a oeste, “tudo acontece, depois!”. Mas se é depois, não é agora? É… pensando bem tem alguma razão, as coisas acontecem depois mesmo, depois da outra, depois de uma vem outra.

Mas e a primeira? Começou quando? Antes? Não começou depois? Xiiii! Eis aqui uma grande questão, digo, confusão. Mas por que? Por que tem que ser assim? Tudo não está no mesmo tempo agora? Epa! Alguém já disse isso antes, ou foi depois? Quer dizer que temos que esperar uma coisa acontecer para depois fazer outra?

Bem, devagar com o pensamento se não eu não agüento, primeiro uma coisa depois outra. Acho melhor entender no concreto, no real, melhor: no hospital! Nós besteirologistas, atendemos uma criança só depois que outros colegas médicos ou enfermeiros atendem ou então acontece de ser antes, mas aí eles é que atendem depois, depois da gente ( i, peraí! por que não pode ser médicas e enfermeiras? Essa é outra questão, depois, depois a gente fala sobre isso).

Para entrar num quarto, só depois de pedir licença. Atendemos uma criança, só depois que ela autorizar. Começamos nosso jogo, só depois de observar como está a situação do quarto. Damos atenção para alguém que nos chama, só depois de terminar o que estamos fazendo, ou então depois de pedir autorização para a nossa paciente.

Só terminamos o nosso procedimento, depois de ter um início, meio e fim; só depois é que vamos para o outro paciente. E só depois de terminar de atender todas as crianças da pediatria é que termina nosso plantão, digo, depois de escrever nosso relatório diário, digo, depois de trocarmos de roupa, digo, depois de descer as escadas, digo, depois de sairmos na portaria. Mas para entrar no hospital todos os dias só depois de termos sido treinados.

Mas porque ainda continuamos a ser treinados? Ué, para não deixar nada para depois na hora do jogo com o paciente, jogar no presente. Mas como assim, não deixar nada para depois? O depois existe, todos dizem depois. Mas para o palhaço não existe o depois, ele existe só no presente, depois já era!

Ai que confusão! Ah! Entendi, eu sou um idiota, lógico, as coisas só acontecem depois do carnaval, se passou o carnaval então, acontece, não tem depois, só o agora! E se estamos agora no agora, logo existimos! Ai que alívio!

Dr. Custódio