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Para mim, sempre foi difícil me imaginar dominando uma habilidade malabarística. Meus dois neurônios são um pouco atrapalhados, mas desde que começamos a trabalhar neste hospital, eles entraram num acordo. Temos que aprender a tirar o chapéu, e como Dr. De Dérson sempre diz: “Não basta tirar o chapéu, tem que tirá-lo com elegância”, fomos fazer uma aula com o venerável malabarista Dr. Pinheiro.

Meus dois neurônios mais os dois do Dr. De Dérson ficaram tão enlouquecidos que acho que eu fiquei com os dele e ele com os meus! Isso se nota pela grande necessidade de estarmos juntos nas conquistas diárias no hospital e nas que buscamos fora dele.

Estamos estendendo nossa jornada besteirológica às terças e quintas-feiras, depois do expediente, com treinamentos para aprimorarmos o nosso trabalho, principalmente na tirada do chapéu. Para muitos, isso pode parecer banal, mas quem conhece o ser humano que trabalha ali e os que estão somente de passagem, fica com uma vontade incrível de tirar o chapéu… mas com elegância!

A cada dia esse hospital se transforma. Uma nova criança aparece nos propondo realidades que nem havíamos imaginado antes. Mães que compram uma loucura e nos obrigam a transcendê-la cada vez mais… Até chegarmos à realidade, e é a essa realidade que resolvemos tirar o chapéu: gente com medo da violência que está do lado de fora, gente que sofreu essa violência e consegue rir com dois palhaços que aceitam serem recusados, e por aceitarem isso são aceitos. Pacientes que nos ajudam nas cirurgias mais complicadas e acham saídas geniais para nossas intervenções.

A eles dedico meu chapéu, ou melhor, tiro meu chapéu, pela admiração, e com a devida elegância!

Davi Taiu/ Dr. Daduvida

Um dia desses, como em outros dias, tomamos café no boteco, fomos até o camarim, nos maquiamos, vestimos os figurinos, colocamos o nariz vermelho, mas na hora de colocar o chapéu armou-se uma confusão daquelas: tínhamos 4 chapéus e somente 2 cabeças! O que fazer?

Bem, como o Dr. Daduvida disse, temos 2 neurônios cada um, portanto 4 neurônios e 4 chapéus, 1 chapéu para cada neurônio, colocamos então 2 chapéus em cada cabeça. Mas outra questão apareceu: Qual chapéu fica em qual cabeça e com qual neurônio? Que confusão! Começamos o trabalho, pois o relógio já marcava 09h53min e levamos conosco essa questão dos chapéus, e é claro que o dia acabou e não conseguimos resolver, mas esses chapéus, cabeças e neurônios nos renderam muitos jogos.

Outro acontecimento de tirar o chapéu é a relação que vem se estabelecendo entre nós e a enfermeira do sexto andar a XZ. Ela sempre nos pareceu uma pessoa de difícil acesso, isso até De Dérson e Daduvida começarem a disputar o seu amor com serenatas, poesias e cantadas tradicionais tais como:

_ O seu pai é um pirata?
_ Não.
_ Então por que ele esconde esse tesouro!

Hoje todos nós percebemos que algo está mudando.

Uma outra questão que nos faz tirar o chapéu, isto é, tirar o chapéu de tanto esquentar a cabeça, é que ainda não conseguimos decidir qual o nome que irá substituir o nome “bunda”, já que está proibido a pronuncia desta palavra dentro do hospital! De Dérson defende que o melhor nome para substituir é “Roberto Carlos”, mas Daduvida contesta dizendo que o melhor nome para substituir é “Fafa de Belém”, já que o nome “bunda” é feminino. Outras sugestões apareceram, mas nenhuma nos convenceu, então estamos abertos para receber novas sugestões.

Termino aqui esse relato tirando o chapéu para todos os funcionários do D.P. do Hospital Campo Limpo que desde o primeiro dia de trabalho tem nos tratado muito bem, OBRIGADÃO!!!

Anderson Spada / Dr. De Dérson

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