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Hoje em dia tem sido cada vez mais difícil ver reis por onde andamos.

A realeza perdeu a monarquia desde que passamos para o presidencialismo, mas a nobreza é de berço: tem gente que nem precisa de coroa ou título para ser rei. Basta ser. 

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É o caso do pequeno D. Ele reinava no seu quarto ao lado do seu pai e da sua mãe. Seu trono não era uma cadeira imponente, mas uma cama elegantemente forrada. No centro, ele era soberano. Sem falar uma só palavra, tocamos para sua realeza se alegrar, como assim faziam os antigos bobos da corte.

Barão de Lucena -  Lana Pinho_

Ele olhou para um lado, depois para o outro como se dissesse o que não se diz. E quase pensamos em sair de fininho com medo do berro, mas ele nos surpreendeu e balançou seu corpo sentado para frente e para trás, acompanhando o ritmo do momento, e um olhar aliviado nos tranquilizou. Suas altezas, a mãe e o pai, ficaram encantados com a reação do rei, pois eles não sabiam que tinham no seu castelo os bobos da corte

Para arrematar com um grand finale, D. retira sua coroa (um boné de frio) como se agradecesse e ainda bate palmas! Saímos dali orgulhosos do que somos, afinal nem todo bobo tem o rei que merece.

Mas aquele dia fez uma sequência de ritmados encontros bailantes, até que o rei trocou de quarto real e passou a ocupar um reservado no alto da torre – uma enfermaria da UTI. Lá, ele já não reagia como antes e só olhava como quem diz um adeus aos poucos.

Soubemos em um dia inesperado que o rei D. foi para outro reinado, além das fronteiras da imaginação. Não teve bilhete, nem aceno, nem um boato fofocado. Soubemos porque procuramos saber das coisas amadas e, diante da notícia, ficou a lembrança do primeiro grande encontro.

Ele disse tudo ali. E agradecemos a ele por não ter nos avisado, pois para todo bobo nem tudo se revela. Esse encontro foi real. E agora sabemos que existem reis de verdade.

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Somos da sua realeza e por eles vale muito a pena ser o bobo. Eis a corte. 

Dr. Lui (Luciano Pontes)
IMIP – Recife