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Ainda é madrugada, mas já vai clarear, basta o sol dourar os cabelos da hora para o dia cantar a canção dos pardais. E começou!
– Bom dia
– Bom dia! – respondeu o Dr. Caramujo, carregando sua mandala de conhecimentos.
– Bom dia!
– Bom dia! – respondeu o Dr. Grilo que só havia dado um pulinho no hospital aquela manhã.
– Olá!
– Olá! – respondeu o sr. Louva Deus, que faz um trabalho voluntário no hospital às quartas-feiras.
– Como vai?!
– Bem! – respondeu a Joaninha, da recepção.

No Hospital Jardim, muitas coisas acontecem. Aliás. como em todos os hospitais: entra e sai, correria, mudanças, reformas, encontros e desencontros. Hoje vou falar sobre um encontro.

Estava no Hospital Jardim com o meu parceiro Dr. Montanha (que nesse conto será chamado de Dr. Morrinho para melhor servir à metáfora de Hospital Jardim) quando tivemos a oportunidade de conhecer um novo paciente. Um tatu-bola (tatuzinho) que veio rolando, trombou na gente e imediatamente deslanchou a falar e rir.

Viramos bons amigos. Sempre que nos encontrávamos, ele pulava em cima da gente. Um dia, o tatuzinho queria uma música sobre o avô, porque não existia o “dia do avô”! “E eu tô com uma saudade do meu avô! Eu quero uma música do meu avô!”, ele disse.

Como bons anões de jardim que somos (pensei muito e acho que em um jardim o que melhor representa o palhaço é o anão de jardim, já que todo mundo passa por ali e o anão está sempre por lá, conversando, conhecendo, se despedindo, tocando algum instrumento, alegrando quem passa, mais ou menos como no hospital), improvisamos então uma música:
– “Meu vôôôô! Nasceu carecaaaaaa
Sem um fiooo de cabeloooo (2x)
Mas olhando bem! No dedão do pé! Tinha um cabelo sim!”(2x)

Essa foi a música que criamos, que tatuzinho aprendeu e saiu cantando com seus amigos pelo jardim!

Nos encontramos outras vezes, tatuzinho sempre lembrava da música do “vô” e nos divertíamos cantando e dançando. Até que um dia ele veio se despedir, pois voltava com sua mãe para casa, que ficava em outro Estado. Como sempre fazemos no Hospital Jardim, demos as nossas despedidas:
– Até logo em um outro lugar! E não volte sempre!

Alguns são teimosos e voltam, outros são mais obedientes, como o tatuzinho, e não voltam mais. Em compensação, deixam muitas coisas, mais até do que somente lembranças!

A música passou a ser cantada para e por outros pacientes, em outros hospitais, inclusive no Hospital Jardim Nossa Senhora de Lourdes, por outros anões besteirologistas, e vai continuar na boca do povo, em outros lugares, como o pólen de uma flor, que a gente sopra e sai voando para onde o vento levar.

Muito obrigado tatuzinho, e até logo, em um outro lugar!

Dr. De Derson
Anderson Spada