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“Tal qual o circo, o movimento de vida do palhaço é incessante e se revela uma eterna busca: onde vou meter meu nariz agora? Em que outro lugar posso entrar? De que forma?

É óbvio que ele não se pergunta racionalmente essas questões, pois esse é um movimento involuntário inerente ao seu ser, assim como as batidas do seu coração. É sua sina, seu destino, sua missão, a razão pela qual sua espécie evolui. Exatamente por isso ele não se pergunta se deve ou não ir; ele vai. E assim, o conhecimento tácito dos bobos vai ecoando, buscando quem esteja aberto a escutá-lo.

Michael Christensen

© Roberto Setton

Em 1986, Michael Christensen – que além de ator e palhaço é co-fundador do Big Apple Circus, considerando um dos cinco melhores do mundo – foi convidado a fazer uma apresentação para as crianças da Cardiologia Pediátrica do Columbia Presbyterian Babies" Hospital. Ele aceitou o convite, mas depois pensou: “Caramba, eu nunca me apresentei para uma plateia como essa, o que é que eu vou fazer?”.

Foi aí que ele conheceu o hospital e teve a ideia de se apresentar como médico. Todo mundo ficou meio reticente, afinal não se sabia como os médicos reagiriam ao ver um palhaço se passando por médico, mas o chefe da Pediatria entrou na brincadeira e apresentou Michael a seus parceiros como “grandes professores eméritos da arte chamada Medicina”. Quando entrou em cena, todos acharam aquele médico um pouco estranho. Dois minutos de apresentação depois, todo mundo tinha a certeza de que o homem era completamente estranho, porque ele apresentou para aquelas crianças suas inovações na Medicina:

Uma tranfusão de milkshake, um transplante de nariz vermelho, um colega desnutricionista – que ensinou as crianças a classificar grupos alimentares entre pipoca, pizza, chocolate e cerveja.

O sucesso da apresentação foi tão grande que eles foram convidados a visitar outras crianças e por onde passaram ocorreu uma transformação, uma mudança de comportamento significativa entre os pacientes, os pais, as enfermeiras e… os médicos. E o hospital continuou convidando Michael para voltar, para voltar, para voltar – e, dessa forma, começou o que hoje conhecemos como o The Big Apple Circus Clown Care Unit.”

Trecho extraído do livro “Doutores da Alegria – O lado invisível da vida”, de Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria.