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por Wellington Nogueira

À medida que uma organização social cresce, ela tem a oportunidade de criar novos modelos para o seu desenvolvimento, baseado em sua essência e valores. Modelos vigentes podem ser adaptados? Claro, mas com cuidado e bom senso. Ou então pode-se tentar criar algo novo, e quando falamos nisso, envolvemos também o risco; pode dar certo ou não. Se for possível calcular o risco, acredito que ele deve ser corrido.

Foi assim com nossa expansão. Os apelos de crescimento para outras cidades e estados eram lisonjeiros,  mas aprendemos que nosso processo é artesanal e demanda tempo e recursos. Enquanto tentávamos encontrar um caminho, outros programas semelhantes iam aparecendo – por motivação própria ou cansaço de esperar um posicionamento nosso – e, em seguida, muitos batiam à nossa porta para pedir orientações.

Olhando a situação pelo ponto de vista de um palhaço, como equacionar esses fatos e gerar alegria para todos os envolvidos?

Primeiro, fomos pesquisar para saber quantos  grupos semelhantes apareceram, e encontramos, em 2002, mais de cem iniciativas semelhantes. Reunimos tantos quantos pudemos em nosso galpinho num fim de semana e perguntamos: o que querem de nós? Ao ver os semelhantes, vimos diferenças, erros e acertos, mas vimos e  ouvimos muita gente comprometida, querendo fazer mais e melhor.

Não eram concorrentes de mercado, mas colegas construtores de um mercado. Foi assim que decidimos crescer para baixo, em profundidade, para extrair do pré-sal besteirológico mais conhecimento acerca da alegria e seus efeitos colaterais no hospital.

Prescrição tomada: aprofundamos, disseminamos o conhecimento, passamos a ser escola e hoje, junto com todos esses novos amigos, formamos uma rede de palhaços com base na ética e na qualidade do trabalho nos hospitais. Conhecemos mais diversidade, aprendemos mais possibilidades e hoje, somos quase quinhentos.

Chamo esse fenômeno de escala espontânea, pois, mesmo que tivéssemos recursos ilimitados e perenes nos últimos vinte anos, nunca teríamos aberto 500 unidades. E elas aconteceram, mesmo assim. Então, mais do que separar e concorrer para ver quem é melhor, investimos em por o conhecimento na roda para todo mundo se divertir: nós, os colegas e, principalmente, o público atendido. Indiretamente, mais de 100 hospitais foram tocados. O palhaço pergunta: Isso é negócio?

* fotos do primeiro encontro nacional de palhaços que atuam em hospitais, promovido pelos Doutores da Alegria como parte do programa Palhaços em Rede.