Tempo de leitura: 1 minuto(s)

Nesses meses tivemos muitos encontros e desencontros com um paciente e pequeno amigo que arrumamos no Hospital Santa Marcelina. Os encontros acontecem quando nos encontramos, claro, e os desencontros nos dias em que o garoto vai ao hospital para tratamento e não estamos por lá – nós estamos de plantão por lá às terças e quintas-feiras.

R. deve ter uns 9 ou 10 anos e adora tocar nos nossos objetos besteirológicos. Ele é fanático por chocalhos e pelo barulho das buzinas e do pandeiro. Está sempre está com seu avô, que é muito presente e participativo nas nossas visitas… Tá, às vezes ele aproveita para dar uma escapada para tomar um café ou um pouco de sol quando estamos por lá. E o menino não nos deixa sair do quarto.

R. passou por grandes cirurgias para a retirada de um tumor na cabeça e, há alguns meses, perdeu a visão. O mais incrível é que ele não perdeu a sua energia e a alegria de viver. Adora rir e fazer palhaçadas ou repetições dos nossos jogos, que só conhece pelos sons.

Sou fã dele. Fico admirado em ver como a doença pode atingir o corpo de uma criança – no caso, o cérebro- e esta, com muita força de viver, não deixa que a enfermidade atinja sua sua mente. Não deixa que atrapalhe sua alegria.

E é por isso que sempre dizemos que as crianças são os nossos grandes mestres.

Du Circo (Dr. Pinheiro)
Márcio Douglas (Dr. Mané Pereira)
Hospital Santa Marcelina
julho de 2011