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“Outubro merece uma retrospectiva. O mês celebra três grupos de pessoas muito importantes para nosso trabalho: as crianças, no dia 12; os professores, no dia 15 e os médicos, no dia 18. E nesse ano o mês também trouxe surpresas que preciso compartilhar com todo mundo!

No dia 6, o ITACI – Instituto do tratamento do Câncer Infantil – celebrou o Dia da Criança tendo o circo como tema. Total surpresa: os artistas que se apresentaram eram os próprios colaboradores do hospital!

Oba, hoje eu vou ver o circo pegar fogo!, pensei.

E pegou mesmo! A equipe passou por treinamento circense para aprender os números, que foram apresentados com o maior profissionalismo. Fiquei tão coruja, parecia que estava vendo um filho se apresentar na festa da escola! O pessoal mandou muuuito bem: médico em perna de pau, enfermeira no trapézio, motorista fazendo malabares, nutricionista fazendo acrobacias… Uma inversão de papéis radical que gerou outro espetáculo: crianças, pais e palhaços – eu, Dr. Dadúvida e Dr. Sandoval – completamente boquiabertos. Parabéns, colegas, pela transformação que vocês realizaram nesse dia e que ficará pra sempre no coração deste palhaço que vos escreve!

E falando em transformação, um fenômeno ocorre hoje nos cursos universitários de saúde no qual devemos prestar muita atenção: alunos de medicina, enfermagem, psicologia, fisioterapia e nutrição têm investido na contratação de professores de técnicas de palhaço e circo para trabalhar com os pacientes hospitalizados. A motivação é, segundo eles mesmos, aprender algo que a faculdade não ensina: como se relacionar com o paciente de uma maneira mais sensível e saudável.

Ainda no “modo ver o circo pegar fogo”, pensei: O que será que isso pode fazer pela formação desses jovens? Bem, minhas primeiras conclusões são: quando o curso é bem estruturado, vemos profissionais diferenciados aparecerem; especificamente, uma turma da faculdade de Santo André saiu tão mobilizada que criou um seminário de 3 dias – o Medicina, Cultura e Arte - que teve nesse ano a sua segunda edição! Essa moçada criou painéis riquíssimos de debate e reflexão, colocando na mesma mesa médicos, pajés, antropólogos e palhaços para falar de saúde, cura, arte e sociedade!

Esse pessoal, ainda bem, não está anestesiado para os problemas seríssimos que se amontoam à nossa volta e discute antídotos e soluções para pôr em prática no sistema público. Taí um circo que eu quero ver pegando fogo por muito tempo, o das transformações que levam para o ser humano – tanto para quem faz quanto para quem recebe – os benefícios do alento, respeito, cidadania, amor e propósito; afinal, a que viemos?”

Wellington Nogueira, fundador e coordenador geral dos Doutores da Alegria.