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Aquela tarde na UTI

Entramos…

Cor de UTI…Chão de UTI…Cheiro de UTI…Equipe médica de UTI…Crianças com sono de UTI…Pais de UTI…Palhaço na UTI…

Aquela tarde na UTI, não realizamos nenhuma cena cômica magistral e não fizemos nenhuma criança rir.
Tudo começou com a simples pergunta: – Você ainda brinca? (para uma mãe com olhos de UTI, sentada numa cadeira de UTI à esquerda. – Não! ( para dois palhaços na UTI), a pergunta se estendeu para as outras pessoas que estavam na UTI, que responderam: – Sim, eu brinco. -Claro! senão eu morro. -A gente tem que brincar, né!. -É difícil… – Eu nem lembro mais…, responderam com respiração de UTI.

Aí só foi começar a lembrar da infância, para aquelas pessoas viajarem no tempo e nos surpreenderem acordando as inúmeras brincadeiras adormecidas contidas nos seus arquivos, aí começamos a simular as brincadeiras e elas diziam: - Tá errado!, – Essa era muito boa! e discutiam as regras: – No pique-esconde tem que pegar o outro e dar três tapinhas nas costas, – Imagina! É só tocar e tá pego!

E foi pega-pega, bandeirinha, esconde-esconde, mana mula, roda, mãe da rua, duro ou mole, polícia e ladrão… Na brincadeira de beijo, abraço e aperto de mão, elas contavam as artimanhas usadas para beijar os mais bonitos, contavam como excluíam os mais chatos, e por aí foi até ficarmos exaustos de tanto brincar falando, lembrando, se olhando, lacrimejando, brilhando, e aquela mãe (sentada numa cadeira de UTI à esquerda) com os olhinhos dançando.

Cor de UTI…Chão de UTI…Cheiro de UTI…Equipe médica de UTI…Crianças com sono de UTI…Pais de UTI…Palhaço na UTI…

Saímos…

Dr De Dérson e Dadúvida