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Em 2004, mais de 10 anos após a fundação da ONG Doutores da Alegria, publicamos uma pesquisa sobre palhaços em hospital no Brasil e no mundo. A pesquisa, coordenada por Morgana Masetti e Edson Lopes, trouxe algumas comparações entre as organizações mundo afora. Resgatamos dois trechos bacanas para discussão:

Influência de grupos bem sucedidos

Patch Adams

“As organizações disseminadas pelo Brasil possuem características e formas de trabalhar bastante diferentes daquelas mapeadas no exterior, desde a variedade de objetivos, missões, até as técnicas. Percebemos que a grande influência para os grupos foram as experiências de grupos como Clown Care Unit (Nova Iorque), Le Rire Médecin e a divulgação do trabalho de Patch Adams, que ganhou grande repercussão a partir da publicação de seus livros e do filme “Patch Adams: O amor é contagioso”, dirigido por Tom Shadiac.

Michael Christensen, do Clown Care Unit

Nota-se que Patch Adams é citado como referência principalmente entre grupos latinoamericanos e de formação recente, assim como para boa parte das organizações no Brasil, enquanto na Europa e Canadá as referências são atribuídas ao Clown Care Unit e Le Rire Médecin.”

Objetivo das organizações

“No Brasil, a maior parte das organizações fala em minimizar as conseqüências da enfermidade e das condições que a cercam num hospital, através da atuação de palhaços. E, claro, não se deixa de mencionar que o objetivo é levar alegria, porque a alegria é o meio, é a ferramenta, o instrumento.

Humaniza SUS

Outro fato marcante para os grupos brasileiros é a humanização hospitalar pela propagação que este movimento ganhou a partir da promulgação do Programa Nacional de Humanização Hospitalar pelo Ministério da Saúde (Humaniza SUS), e a partir de uma popularização do tema. Só em alguns casos é relevante o entretenimento no hospital e o trabalho das artes cênicas isoladamente. Em nenhum caso, entre as organizações estrangeiras, é citada essa preocupação pelo tema da humanização.”

Mas por boa parte das organizações é citada a preocupação pela alteração da qualidade de vida de internados em hospitais. Ainda há outras organizações que, à maneira dos grupos brasileiros, selecionam entre seus objetivos a promoção da saúde, os benefícios do humor, o alívio dos efeitos da doença e das situações que ela envolve em um hospital (estresse, rotina, ansiedade, etc.), transmitindo alegria, melhora do conforto, melhora da saúde emocional e situação psicológica. Só em alguns casos é citado o interesse em transformar ou modificar o modo como é encarado o paciente no hospital ou a preocupação integral com a formação do palhaço.”

E aí? Que conclusões tirar desta pesquisa? Será que o ambiente que temos hoje é o mesmo de 2004? Em breve traremos outros trechos da pesquisa ;)