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A primeira coisa que vem à cabeça de toda e qualquer pessoa – artista ou não – que deseja ser palhaço é ingressar em uma escola de circo, fazer um curso de teatro ou estudar música. Mas existem pessoas que já nascem com um chip, ou melhor, um dom e às vezes nem sempre esse dom é desenvolvido.

Dr.Dud Grud

Eu, Dr. Dud Grud, quando criança queria ser jogador de futebol. E fui viu, dos bons! Desde pequeno já demonstrava tal habilidade e só não cheguei a ser profissional porque a vida foi me colocando no caminho da arte e de lá não saí mais.

Este mês conheci um palhaço nato, e foi um encontro assim pei buf! Eu e a Dra. Monalisa chegávamos à Oncologia tocando um carimbó (ritmo típico do norte) quando apareceu o D., de aproximadamente três anos.

Ele nos olhou dos pés a cabeça. Paramos de tocar a música nesse momento e ele começou a dar ordens nos palhaços apontando com o dedo para cima e para baixo em uma língua muito particular que só ele e a gente entendia:

Bó, Bó, Bó!

A gente entendeu que era pra continuar tocando o carimbó. Ele começou a dançar com uma mãozinha na cintura e a outra suspensa como que segurasse a mão do ser par imaginário. O passo era o miudinho (requebrando no mesmo lugar) e o engraçado é que ele só rodava pro lado direito. Quando parávamos a melodia, lá vinha ele com o dedo pra cima:

Bó! Bó! Bó!

No quesito forró agarradinho, ele deu um show. A enfermeira que passava no corredor se surpreendeu:

Oxe! Dança melhor que eu!

Nesse rodar sempre pra direita, resolvi intervir:

Você vai ficar tonto! 

Prontamente o D. saiu andando fingindo que estava tonto! Tirou um canudo dobrado do bolso, colocou no ouvido e falou:

Alô, o cao, tá!

Guardou o seu canudo telefônico, olhou pra gente e se despediu.

Fechou com chave de ouro uma cena com início, meio e fim… Como nós palhaços!

Claro que fui logo perguntar à sua mãe quem tinha ensinado isso a ele, se tinha palhaço na família ou se ele tinha visto em algum lugar. Ela repondeu que eles moram em um engenho e que nunca tinham visto palhaço antes.

Fiquei emocionado e disse a ela que não se surpreendesse se o pequeno D. resolvesse ser um de nós quando crescesse!

Dr. Dud Grud (Eduardo Filho)
IMIP – Instituto Materno Infantil Prof. Antônio Figueira (Recife)
Maio de 2012