Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Doutores da Alegria, por meio do programa Palhaços em Rede, realizou entre os dias 15 e 18 de novembro, na cidade de São Paulo, o 2o. Encontro de Palhaços que Atuam em Hospital. Raul Figueiredo, tutor do programa, descreve a importância do evento para a ONG e para a comunidade que realiza um trabalho semelhante.

Raul Figueiredo

“Ficamos muito tocados por tudo o que aconteceu nestes quatro dias de evento. Tivemos um total de 108 participantes inscritos vindos de 11 estados brasileiros, 41 cidades e 50 grupos, distribuídos em quatro oficinas de orientação:

Boas Misturas – oferecida para profissionais de saúde;
Música para Hospital – oferecida para os palhaços (profissionais ou não);
Institucional – oferecida para os gestores de grupos;
Besteirologia  – oferecida para palhaços profissionais.

Além das oficinas de orientação, pudemos conversar e debater assuntos referentes ao ofício do palhaço e assistir a apresentações teatrais de vários grupos. Uma das oficinas foi especial: a de Besteirologia, ministrada pelo palhaço norte-americano Michael Christensen, fundador do Clown Care Unit (programa de visitas de palhaços em hospital nos Estados Unidos) e fonte de inspiração para os Doutores da Alegria iniciarem as atividades no Brasil há 21 anos atrás.

O encontro teve como proposta levantar temas para serem encaminhados pelos palhaços brasileiros na Conferência Internacional que acontecerá no Brasil no próximo ano. Tivemos como ponto de partida as provocações das mesas, trazendo questões como: “Por que palhaço em hospital?”, “Qual a formação mínima para atuação do palhaço?” e “Profissional x voluntário” que foram amplamente discutidas e muitas outras que surgiram no decorrer do evento.

As discussões foram extremamente esclarecedoras pois pudemos perceber o quão importante é uma boa orientação na atuação do palhaço no ambiente hospitalar; um local que requer cuidados nas relações interpessoais, na higiene, nos acordos estabelecidos entre as instituições, baseados na ética e no respeito com o paciente internado, seus acompanhantes e os profissionais de saúde.

Constatamos que um palhaço visitador bem preparado, com habilidades, escuta, olhar e foco no paciente é revelador, sua atuação pode ser transformadora, porém, quando mal instruído torna-se constrangedor

A Rede conta hoje com  mais de 600 iniciativas pelo país e está ficando cada vez mais forte, íntegra e consciente dos desafios que temos pela frente. Vimos que ao escolher vestir a máscara do palhaço, um jaleco e entrar num hospital, não basta ser amoroso nesta ação; o local onde atuamos requer cuidados e as informações precisam circular para que ninguém saia “machucado”. Acreditamos que as reflexões ecoarão e trarão lucidez para a atuação de todos!

Que saibamos fazer as escolhas certas nas horas erradas… Novos caminhos se abriram, apontando para a construção de um documento (coletivo) que represente os anseios dos palhaços brasileiros que atuam em hospital. Que sejamos cada vez mais palhaços, conscientes de tudo o que este arquétipo carrega naquela bolinha vermelha estrategicamente colocada na ponta do nariz, independente de sermos voluntários ou profissionais.”