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Antes de entrar na UTI pediátrica, perguntamos a duas técnicas de Enfermagem se havia algo que precisávamos saber antes de começar as visitas. É uma prática habitual em nossa rotina de trabalho. 

- Sim, isolamento na enfermaria 4.
- Não podem entrar.
- Mas podem ficar na porta.
- Usem máscara, avental e luva se quiserem entrar.
- Por que tudo isso?, perguntei.
- É uma superbactéria, Dr. Euzébio!

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Fiquei assustado e quase comecei a chorar, dizendo que não iria lá por nada nesse mundo. Dr. Micolino, meu parceiro, me convenceu a fazer o contrário, me empurrando até a porta da tal enfermaria onde reinava a superbactéria que impedia a entrada dos médicos.

A porta estava fechada e não se ouvia um ruído sequer. Havia um monte de papel toalha na pia, logo na entrada da enfermaria. Peguei algumas folhas, usando-as como escudo, e bati na porta. Instantes depois um homem muito simpático abriu a porta. Era o pai da F., que ria das nossas caras inquisidoras. 

Procape -  Lana Pinho_-11

Ficamos na porta do quarto e olhamos por todos os cantos, de cima a baixo, procurando a tal vilã. A superbactéria estava muito bem escondida, quem sabe até já havia fugido. Depois de nos apresentarmos, cantamos uma canção para a menina, que nos olhava com seriedade. 

Até cheguei a achar que não estava gostando. Só que ao final da canção, ela balbuciou algo tão baixinho que o pai teve que traduzir.

- Entra!
- Eles não podem, respondeu o pai.
– Então canta outra!

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Dessa vez foi Micolino quem pegou a viola e puxou a canção do sabiá, enquanto eu puxei um pedaço de papel colorido e comecei a construir, ali mesmo, um pássaro que bate asas.

- Pai, não deixa eles irem embora!, o pai traduziu para nós.

Terminada a canção, tinha em minhas mãos uma sabiá de papel, que pegou carona nas mãos do pai da F. e saiu batendo asas para dar-lhe um beijinho na testa. A última frase nem precisou de tradução. De onde estava, ela sorriu e nos mandou um beijo dizendo: Volta, viu?.

Dr. Eu_zébio, mais conhecido como Fábio Caio,
direto do IMIP, em Recife.