Foi aqui, em São Paulo, que tudo começou…

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A cidade de São Paulo foi berço do trabalho dos Doutores da Alegria.

Nos anos 90, Wellington Nogueira trabalhava nos Estados Unidos com uma trupe de palhaços que realizava intervenções em hospitais de Nova Iorque. Era algo muito inusitado.

Em 1990, retornou a São Paulo para visitar seu pai na UTI do Instituto do Coração. Foi ali que resolveu se apresentar como palhaço para crianças.

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“Fui e foi muito legal. Quando terminei, meu pai tinha saído do coma. Depois, ele saiu do hospital –e eu tinha vindo para acompanhar sua morte. Estava com um sentimento de gratidão. No ano seguinte, voltei para o Brasil e comecei o trabalho”, conta ele. Foi em setembro de 1991 que surgiu Doutores da Alegria.

O primeiro hospital que aceitou ter um besteirologista em sua equipe foi o Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, hoje Hospital da Criança, no bairro do Jabaquara, em São Paulo. E a iniciativa foi crescendo.

Wellington Nogueira

No início, sem sede fixa, a ONG se estabeleceu na casa da Dona Benvinda, mãe de Wellington. “Não havia e-mail. Usávamos papel carbono e máquina de escrever“, conta Vera Abbud, a primeira palhaça a atuar no Doutores.

Outros hospitais da cidade foram recebendo o projeto e a sede foi estabelecida em Pinheiros, grande bairro paulistano. E Doutores da Alegria abriu unidades em outras cidades, como Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte (esta última com atividades encerradas).

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E hoje, 25 anos depois, ocupamos um casarão na Rua Alves Guimarães, no mesmo bairro, e atuamos em hospitais do Campo Limpo à Itaquera. Também já atuamos em diversos espaços culturais, ruas e empresas desta enorme cidade. E com uma certeza: ainda há muito a fazer!

Obrigado, São Paulo, por ser berço do nosso trabalho! Feliz aniversário!

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Vai um check-up besteirológico?

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Como a nossa atuação alcança fronteiras além do hospital, em fevereiro participamos da Feira do Empreendedor SEBRAE, em São Paulo. Oi? Hein? Isso mesmo. Fizemos check-ups besteirológicos na turma toda, chegando a encontrar alguns interessantíssimos casos de parafuso solto, entre outras maravilhas do mundo moderno.

A nossa atuação aconteceu próxima à Clínica Check-up Empresarial, que ajudava os visitantes com um diagnóstico da sua empresa. Foi um sucesso! Veja abaixo algumas fotos.

Assim como o SEBRAE, sua empresa também pode receber os Doutores da Alegria.

A característica de cada intervenção depende de uma conversa prévia, em que podemos oferecer soluções como palestras, oficinas, ações especiais e o nosso famoso RISO 9000. Acreditamos que a intervenção cênica do palhaço pode inspirar pessoas, e pessoas inspiradas, por sua vez, podem promover verdadeiras transformações!

Conheça aqui todas as nossas soluções para empresas: 
www.doutoresdaalegria.org.br/alegria-nas-empresas 

E claro, entre em contato: (11) 3061-5523 ou empresas@doutoresdaalegria.org.br.

Feira do Empreendedor Sebrae 2015

Feira do Empreendedor Sebrae 2015

Feira do Empreendedor Sebrae 2015

Feira do Empreendedor Sebrae 2015

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Homenagem ao circo: quando uma mulher experimentou ser palhaça

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Uma das integrantes do nosso elenco foi uma das pioneiras em experimentar a arte do palhaço no Brasil. Há alguns (poucos) anos, palhaço era uma figura exclusivamente masculina.

A atriz Val de Carvalho, que atua há dez anos como besteirologista na ONG, teve seu primeiro contato com esta arte no começo dos anos 80, quando ingressou na primeira escola de circo do país: a Academia Piolin de Artes Circenses (APAC).

E ela nunca mais abandonou a pesquisa da máscara e se tornou uma das pioneiras da arte do palhaço feito por mulheres no país. Ela mesma conta como tudo aconteceu!

“Debaixo de uma lona de quatro mastros, no terreno do Anhembi (SP), acontecia um encontro único. Os mestres do circo ensinavam diversas modalidades de circo, pela primeira vez na história, para pessoas que não faziam parte da família circense.

A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo incentivou a abertura de uma escola com o objetivo de aumentar a oferta de trabalho para artistas que, na época, enfrentavam grande desemprego com o sumiço dos pequenos circos que faziam a alegria dos bairros. Grande parte dos alunos eram atores, bailarinos, ginastas… E pessoas apaixonadas pelo circo!

Eu era uma atriz muito jovem e rebelde e nem me dava conta de que naqueles tempos palhaço era “coisa só de homem”! E foi lá, no meio desse caldeirão quente, que entrei em contato pela primeira vez com o palhaço, durante as aulas ministradas pelo mestre Roger Avanzi, o palhaço Picolino.

Excursionei como palhaça em espetáculos circenses por muitos anos em vários Estados brasileiros, e mantive uma vasta pesquisa cômica obtida principalmente pelo contato privilegiado com palhaços e mestres antigos do circo brasileiro: Arrelia, Figurinha, Picolino, Picoli, Cacareco, Savala… E ainda outros que na época eram novatos, assim como eu. Todos fariam parte de uma nova geração de palhaços do circo e do teatro do nosso país.

Em 2004 ingressei no Doutores da Alegria. E encontrei um dos maiores desafios da minha carreira: trabalhar diante de um leito de hospital sem perder a grandeza do picadeiro! Era outro universo. Delicadeza acima de tudo.

E foi com muito estudo, trabalho e apoio do treinamento da organização que me especializei também na arte do palhaço de hospital. Toda a bagagem que eu tinha me deu grande apoio para desenvolver um bom trabalho como besteirologista, mas somente após um ano de treinamento é que me senti pronta para assumir com totalidade o trabalho exigido dentro dos hospitais.

Foi assim que nasceu a dra. Xaveco Fritza, uma médica maluquinha criada especialmente para brincar com as crianças hospitalizadas e com todos os adultos que trabalham em torno da área pediátrica dos hospitais que atendemos.”

Viva o circo!

O primeiro dia

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Nada como o primeiro dia de aula! Para uns, pavoroso, para outros, gerador de expectativas.

Hoje os alunos da sexta turma do Programa de Formação de Palhaço para Jovens chegaram à sede dos Doutores da Alegria e foram recebidos pelos ex-alunos, que prepararam uma linda surpresa. O medo foi embora e deu lugar a uma alegria sem tamanho, expressa no olhar de cada jovem.

Vestidos de palhaços, os alunos formados brincaram com os 27 novos pupilos, dançaram e os presentearam. No final da dinâmica, deram conselhos sobre os próximos dois anos de estudo, que envolvem aulas diárias sobre a máscara do palhaço. Carolyn Ferreira, ex-aluna, lembrou que eles precisam aproveitar a oportunidade.

- O programa é um curso muito completo. Cada um tem suas escolhas particulares, mas é preciso focar aqui. Vivam esses dois anos!

Heraldo Firmino, coordenador do projeto, pediu para que eles comecem a aguçar o olhar no dia a dia, principalmente em relação às crianças.

- Acreditem! As crianças acreditam em cada coisa! E a gente precisa acreditar em muita coisa pra poder portar a máscara do palhaço!

Sejam bem-vindos!

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Viva São João!

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No mês de junho os palhaços visitaram vinte hospitais para comemorar as festas de São João. Vestidos a caráter e munidos de boa música caipira, os artistas se reuniram em pequenos grupos e fizeram cortejos pelos corredores dos hospitais.

Dá uma olhada no visual que a Dra Guadalupe e o Dr. Dadúvida prepararam para a festança. Estão bonitos ou não?

As fotos mostram um pouco do que foi o São Joãozinho nos hospitais…

E no Rio de Janeiro, o grupo Bando de Palhaços se apresentou para os pacientes de sete hospitais da rede pública. As apresentações fizeram parte do projeto Plateias Hospitalares.

E tem mais fotos aqui. Viva São João!

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Retrospectiva 2012

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E lá se vai 2012. O ano recebe alta e deixa de figurar em nosso dia a dia. Foi em 2012 que completamos 21 anos e traçamos os caminhos para os próximos anos. É, amigo, a maioridade nos chama a atuar como gente grande! E antes de fechar o calendário, pular sete ondinhas e comer uva fresca, que tal relembrar alguns fatos marcantes e fazer um balanço do ano? Começamos por nosso trabalho-mãe, o programa de palhaços besteirologistas em hospital. Veja nos links coloridos abaixo algumas boas histórias postadas aqui em 2012.


Foram mais de 60 mil crianças visitadas nos onze hospitais atendidos pelo programa dos Doutores da Alegria. Algumas tímidas, outras falantes. Desconfiadas, amorosas, carentes, pensativas. Conhecemos crianças de tudo que é jeito. O menino D., da Oncologia do IMIP (Recife), que se revelou um palhaço nato. O pequeno M., do berçário do Hospital Universitário (São Paulo), a quem chamamos de “príncipe” e revelamos sua futura majestade. Outras crianças conhecemos há tempos, como nossos amigos M. e G., do Hospital do Mandaqui (São Paulo). Seu vocabulário mudou. Seus interesses também.

Auto de Natal no Instituto da Criança (São Paulo)

Além do Auto de Natal, que invadiu os hospitais atendidos em dezembro, duas experiências de hospital foram marcantes neste ano: a visita noturna e a visita solitária. Nesta última, o Dr. Dadúvida foi sozinho ao Hospital do Campo Limpo (São Paulo) para um dia diferente. Veja aqui. E poxa, também vivenciamos momentos de dor no dia a dia do trabalho.O Dr. Zequim Bonito e a Dra. Emily escreveram sobre estratégias particulares para a perda.

No Recife, o Bloco do Miolinho Mole levou o carnaval de rua pra dentro dos hospitais. Se você pensa que o soro é água, meu amigo, o soro não é água, não! Dançamos frevo com mais de 2.600 pessoas entre crianças, profissionais de saúde e acompanhantes.

E como somos médicos besteirologistas, especializados em besteiras, bobagens e bobisses, tratamos de convidar a comunidade de palhaços para um congresso diferente: o 2o. Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital. Além de falar das últimas novidades no tratamento do ronco comprido e da anatomia da língua presa, também oferecemos oficinas e mesas redondas aos mais de 100 participantes de 11 Estados diferentes.

Outra novidade foi o projeto Plateias Hospitalares, que convidou artistas a se apresentarem em cinco hospitais de São Paulo. É, minha gente, o hospital também pode ser teatro, pode abrigar cultura e arte. O projeto já acontece no Rio de Janeiro desde 2009 e 2013 promete ser o ano de fixação em São Paulo. Olha só as fotos!

Do hospital para a sala de aula, a Escola abrigou 99 alunos e trouxe o mestre Norman Taylor para falar de palhaço. Curiosos sobre a arte do palhaço e artistas profissionais passaram por aqui, deixaram rastros e levaram aprendizados diversos. Ano que vem tem mais aula.

Palhaços em ConSerto


Também levamos o dia a dia dos hospitais para os palcos por meio da Roda Besteirológica e dos musicais Palhaços em ConSerto e Senhor Dodói. Sim, caro leitor, os palhaços que atuam nos hospitais são artistas profissionais e parte de sua busca pelo aprimoramento vem dos palcos. Conheça os nossos espetáculos.

Dra. Guadalupe

Diversas empresas nos convidaram a visitar seus funcionários durante o ano. Encontramos muitos casos de voz frouxa e pessoas que engoliram sapos. Depois do diagnóstico e do tratamento, o resultado: atestamos as veias cômicas dos funcionários, que voltaram a funcionar. Ufa! No total, mais de 22 mil funcionários atingidos. Veja aqui as nossas soluções para empresas.

E para acabar a retrospectiva, fique com a linda carta de final de ano que a Dra. Guadalupe escreveu para o Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (São Paulo).

Agradecemos por sua companhia durante o ano e aproveitamos para lembrar: consulte sempre um Besteirologista! Nos vemos em 2013!

 

Carta ao Hospital do Grajaú

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As Dras Juca Pinduca e Greta Garboreta escreveram o último relatório besteirológico do ano sobre o trabalho no Hospital Geral do Grajaú (São Paulo). Elas relembraram o envolvimento de cada setor do hospital em suas visitas e alguns acontecimentos do mês de novembro. Dá uma olhada:

Dra. Juca Pinduca e Dra. Greta Garboreta

“Atenção, atenção, querido Hospital Geral do Grajaú e todo esse grupo maravilhoso de pessoas que aqui estão: esse é o nosso último relatório besteirológico do ano!

Foi um ano muito especial para mim e para a Greta, que tivemos a alegria de estar aqui com vocês. E isso é muito sério! Nada de risadas nessa hora… Queremos agradecer do fundo do nosso coração, o carinho com que fomos recebidas aqui. Temos boas lembranças de todos os lugares que trabalhamos no hospital, a começar pelo refeitório, é claro, onde sempre somos tratadas como vips! No almoxarifado recebemos até material pra nossa produção de objetos cênicos besteirológicos. Nos elevadores, músicas e risadas da melhor qualidade. No quarto andar, desde os corredores até a UTI, tratamento de rainha pras palhaças.

Isso sem falar no nosso “camarim”, onde mesmo com um grande problema de espaço pra abrigar as doações de todo o hospital e muitos outros grupos que trabalham lá, nosso espaço foi preservado com honras depois de uma grande arrumação no local… Fora que, antes de entrarmos nele, durante todo o ano contamos com a boa conversa do pessoal da ouvidoria, que, como bons profissionais que são, começavam o dia nos ouvindo falar bobagem com toda a paciência do mundo.

E pra contar um pouquinho desse final de ano no Grajaú, no mês de novembro tivemos a visita de dois besteirologistas de peso. E olha que eles nem são tão gordos assim…

O primeiro foi o Dr. Dadúvida, que no mínimo é um palmeirense completamente sem noção! Assim como o Anderson da ouvidoria, não acreditava no rebaixamento do seu time e saía contando vantagens pra todo mundo do hospital, com os resultados dos jogos que o Verdão tinha ganhado. Claro que sempre com os resultados trocados, como se o Palmeiras tivesse ganhado todos os jogos! A segunda besteirologista de peso foi a Dra. Pororoca, que com o seu pandeiro mudou literalmente o ritmo do hospital. Em um quarto, ela acompanhou os hinos dos times de futebol das crianças e adultos. Afinal, tudo por aqui termina em samba mesmo!

Mas, voltando à dupla titular do Grajaú, saibam todos que a Greta e a Juca também se divertiram muito nesse final de ano: brincaram de pega-pega com os peixes pintados nas paredes dos corredores do quarto andar e de esconde-esconde no quarto do J., que ao ajudar a Dra. Juca a se esconder da Dra. Greta atrás da sua cama, explicou pra Dra. Juca:

Vou te ajudar. A minha mãe também me põe de castigo quando eu faço bagunça! E aí eu me escondo também…

Também brincamos de cabeleireira no quarto da N., que depois de muito pensar e analisar o cabelo da Dra. Juca (naquele dia, especialmente bagunçado), deu uma dica preciosa:

Juca, usa esse condicionador aqui que o seu cabelo vai ficar bom. Eu não posso te dar tudo, mas se você quiser um pouquinho, eu dou pra você! Olha só… Só ela mesmo pra por uma fé na cabeleira da Juca!

E tem mais… No dia 17 de dezembro, às 10h30, vamos finalizar o ano com um lindo Auto de Natal, que contará com a participação de vários besteirologistas  dos Doutores da Alegria! Nos aguardem…”

Dra. Dona Juca Pinduca (Juliana Gontijo)
Dra. Greta Garboreta (Sueli Andrade)
Hospital Geral do Grajaú
Novembro de 2012

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Carta ao Itaci

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Para fechar o ano de trabalho no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, a Dra. Guadalupe escreveu uma carta para todos que, de uma maneira ou de outra, a ajudaram a construir essa história junto com a Dra. Manela, sua parceira.

“O Itaci é realmente um hospital muito especial. Um ano de trabalho num hospital como esse nos provoca de diversas maneiras, como palhaços e também como seres humanos. Diariamente lidamos com diversas questões relacionadas à vida, morte, saúde, doença, família, relações humanas, valores, etc, etc, etc.

Confesso à vocês que chego nesse fim de ano um tanto cansada. O nosso mestre inspirador que foi quem criou esse trabalho, Michael Christensen, nos disse há pouco tempo: “Vocês sabem por que ficamos tão cansados ao fim de um dia de trabalho como esse? Porque durante todo o dia recebemos uma grande quantidade de informações, das mais variadas, lidamos com todas elas e ainda fazemos com que pareça simples e fácil”.

É, concordo absolutamente com ele.

Dra. Guadalupe

O palhaço é mais ou menos como uma antena parabólica, que capta tudo que acontece à sua volta, tentando perceber todas as situações que estão acontecendo no hospital. E encontra pais, crianças e equipe médica em circunstâncias de dor (física e emocional), de alegria, de tensão, de medo, de alívio, de comemoração, de perda, de raiva, de dúvida, de tranqüilidade, de prostração, de sono, de fome, sob efeitos de medicação, às vezes em alucinação, às vezes em descanso, dormindo, bordando, almoçando, vendo televisão, tomando banho, esperando, brincando, dançando, cantando, chorando, berrando, batendo, puncionando uma veia, indo embora, chegando pela primeira vez, pela última, no começo do tratamento, no fim, no meio… Enfim! Muitas delas num mesmo dia de trabalho e num curto período de tempo.

E o palhaço minha gente, ainda vê tudo isso sob uma lógica diferente, enxergando essas situações por outro ângulo e criando milhões de outras realidades e jogos a partir delas. Exatamente como a criança, que é capaz de se conectar com a realidade e entender o que se passa à sua volta, ao mesmo tempo em que vive e compreende tudo isso segundo a lógica de sua imaginação e fantasia, reino que freqüentemente habita.

Quando digo que o Itaci é um hospital especial é porque por mais que eu esteja fisicamente cansada ao fim deste ano, minha alma está repleta de aprendizados. Coisas que eu pude entender neste ano de trabalho e outros questionamentos que permanecem sem respostas, cuja busca se faz motor para continuar este trabalho.

Estou absolutamente grata à toda equipe do Itaci, que nos recebe diariamente com um sorriso no rosto abrindo as alas para que possamos passar; se disponibilizando para esclarecer nossas dúvidas, para conversar e para entrar no nosso jogo de cabeça, se despojando de julgamentos e travas para se permitir à besteira, e nos proporcionar gargalhadas.

Estou enormemente grata à todas as crianças que encontramos e todos seus pais, parentes, acompanhantes que se disponibilizam para nossa besteira. Que apesar de tudo que estejam vivendo, nos oferecem sua brincadeira, sua imaginação, seu canto, suas molecagens para que a gente viva junto! Estou grata por essas crianças, jovens e adultos que concordam em abandonar a realidade por um momento e imaginar. Que topam viajar conosco pelo nosso insólito universo e que acreditam na gente, e que nos dão a devida importância. É por vocês que existimos!

Essas crianças me ensinaram que cada minuto que passamos dentro do hospital é para ser vivido. Que essas horas são para passar vivendo, e não o contrário. E que viver não é só sorrir, viver é também estar cansado, injuriado, com dor de barriga. Viver envolve fracassar, envolve ficar sem ideia e não ter o que dizer, dizer algo inapropriado. Viver é também errar. Essas crianças me ensinaram o que vou levar de mais precioso: que o palhaço não é um super herói, capaz de mudar o mundo inteiro, ou o mundo de um hospital, o mundo de um quarto de internação. O palhaço é, antes de tudo, e simplesmente, um ser humano.

Um palhaço não mora nas idéias, na razão, no raciocínio.  O palhaço mora no peito, mora na barriga, mora onde a vida flui simplesmente por que flui, e acontece simplesmente por que acontece. Vibra por que vida. Como uma criança em qualquer circunstância.

Dra. Guadalupe e Dra. Manela

E, antes de terminar, é preciso ainda dizer que estou muitíssimo grata à minha parceira, com quem trabalhei todo esse ano, a Manela, a Paola. Se vivi tudo isso, se aprendi algumas coisas, foi ela quem esteve sempre ao meu lado. O parceiro é aquele que sustenta os nossos delírios e embarca neles; e é também o que te põe no chão quando necessário. Seja no triunfo ou no fracasso, é ele quem está ao lado e que te faz companhia. É quem faz os contrapontos às nossas ideias e que ao promover esse debate, que nos faz crescer. A Paola foi para mim como uma caverna onde eu fui o mar. Ela foi a pedra onde eu bati, rebati e me esparramei, que me permitiu esse movimento e que sempre me acolheu.

E o melhor de tudo é que ainda que o dia anterior não tivesse sido de grandes gargalhadas ou grandes ideias, no dia seguinte a equipe, as crianças e minha parceira me recebiam novamente com a mesma disponibilidade. Para seguir em frente. Por que o mais valioso de se descobrir como um palhaço ser humano é compreender a vida como um movimento, onde nós somos parte dele. Onde não há super heróis, onde não há sucesso e nem fracasso permanente. Onde não importa acertar ou errar, importa encontrar mais uma vez para partilhar a vida.

A todos com um enorme abraço,

Guadalupe, Tereza. ”

Paola Musatti e Tereza Gontijo

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A Operação Hospalhaço

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Depois do Grupo Operação de Riso, que mostrou suas caras por aqui, André Correia vem nos contar um pouco sobre a Operação Hospalhaço, da qual é fundador. Ele participou de uma das mesas do 2o. Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital falando sobre a forma de atuação do grupo. Aqui, ele nos conta como tudo começou e quais os planos para o futuro.

André Correia

“Em 1997, após assistir o filme do Patch Adams, tive um lampejo (que acredito que foi o mesmo que acendeu a luz de muita gente!) que me redirecionou profissionalmente e mudou o curso de tudo. Na época eu estava no colegial e estudava para ser técnico em Desenho Mecânico. Após me formar, busquei mais informações a respeito do palhaço dentro do hospital. No primeiro contato com os Doutores da Alegria, recebi as informações de que o trabalho era profissional. Recomendaram o estudo do palhaço e um “caminhão de boa vontade”.

Pois é, o caminhão estava lá, de motor ligado, só esperando pisar no acelerador para dar início à jornada… E o melhor, com o baú carregado de boa vontade! Na época eu só não tinha o mapa que esse caminhão deveria percorrer. Estacionei meu caminhão e aguardei o momento certo de partir em viagem.

Em 2001, ao entrar para a Faculdade de Psicologia, conheci o amigo Tiago Abad que também tinha ideias semelhantes sobre o trabalho de levar alegria. Unimos forças e iniciamos um programa de visitação a instituições de internação (asilos, orfanatos, abrigos para deficientes mentais, etc) levando materiais de higiene, limpeza, roupas, brinquedos e alimentos. Nesse mesmo período contratamos um professor para ter aulas de palhaço dentro da Faculdade, pois assim aliaríamos a doação material com a alegria.

Levou algum tempo até percebermos que um único curso de palhaço não seria o suficiente. Foi então que a jornada de imersão na arte do palhaço teve início. Tivemos o prazer de participar do curso dos Doutores da Alegria em 2005 com Thais Ferrara e Soraya Saide, que foi um norte no caminho do palhaço a ser seguido, integramos a primeira turma de formação do Palhaços em Rede, em 2007, e mais recentemente voltamos a estudar a palhaçaria clássica de circo com Val de Carvalho. Os artistas da Operação Hospalhaço também buscaram diversas formações com grandes professores de palhaço, como Gabriela Argento, Bete Dorgan, Paoli Quito e, mais recentemente, Michael Christensen.

Percebemos que o caminho a ser tomado era o da profissionalização artística do grupo. E assim foi feito. Desde então, somente artistas profissionais atuam na Operação Hospalhaço.

No hospital

Operação Hospalhaço

 

O trabalho teve início em 2005 no Hospital e Maternidade Neomater em São Bernardo do Campo, onde estivemos por três anos. O trabalho se expandiu e fomos convidados a atuar no Hospital Foccus da Vila Mariana e de Santo André, onde estivemos por dois anos. Atualmente estamos no Hospital São Paulo, que é relacionado à UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, onde atuamos semanalmente por um período de aproximadamente cinco horas.

Contamos atualmente com um elenco muito bom, composto por Juliana Ferreira (Dra. Katrina), Flora Matsumori (Dra. Cereja), Cecília Carelli (Dra. Doriana), Tiago Abad (Dr. Acerola das Neves), Silvio Messias (Dr. Espinafre) e André Correia (Dr. Minduim). O trabalho acontece em caráter voluntário, porém, com a profissionalização artística do elenco, buscamos agora uma remuneração adequada à classe profissional do palhaço de hospital.

Além do hospital a Operação Hospalhaço possui espetáculos (“Tem Nariz Vermelho no Meu Quarto” e “Engraçadeiras: Histórias de palhaço”), palestras e workshops e intervenções (apresentações elaboradas e cursos conduzidos por artistas e psicólogos). Essas atividades são partes essenciais do trabalho, pois é através dessas ações fora do hospital e o apoio de sócios mantenedores que a ONG gera renda para manter os trabalhos.

Com o baú cheio

Após oito anos de atuação, a Operação Hospalhaço continua na estrada e com o baú do caminhão ainda cheio de boa vontade! Com algumas mudanças previstas para o futuro, a ONG está passando por um processo de reciclagem com o intuito de fortalecer a sua base, estabelecendo novas parcerias e dando passos importantes para o bom andamento do trabalho. Para os próximos meses, buscamos novos hospitais na região do ABC Paulista e temos algumas novidades no forno que precisam ser maturadas.

Quem quiser entrar em contato pode escrever para hospalhaco@hospalhaco.org.br, visitar o nosso site www.hospalhaco.org.br, nos seguir no Twitter @hospalhaco e também curtir a página www.facebook.com/hospalhaco.”

Obrigado, André!

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Operação de riso

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O 2o. Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital juntou diversos grupos que utilizam a máscara do palhaço para fazer intervenções em hospitais de todo o país.

Além das oficinas para os participantes, houve cabarés e mesas redondas. Uma das mesas discutiu as perspectivas da intervenção do palhaço profissional ou não profissional no ambiente hospitalar e contou com a presença de Kleber Brianez, fundador do Grupo Operação de Riso. Kleber contou para nós como o Grupo nasceu, como se estruturou com base na atividade artística profissional e o que planeja para o futuro. Dá uma olhada:

“Eu sou palhaço desde 1998 e comecei a atuar em hospitais em 2002. Em 2003, eu e Ligia Campos, atores formados no curso de Habilitação Profissional de Ator da Fundação das Artes, começamos a trabalhar como dupla e surgiu a vontade de criar um projeto próprio, que vinha ao encontro de nossos objetivos artísticos.  Surgiu, em 2005, o Grupo Operação de Riso. Decidimos unir nossas pesquisas e experiências sobre o universo do palhaço para um projeto de humanização hospitalar. A cidade de São Caetano do Sul não contava com nada parecido.

Em 2007 o Grupo tomou contato com os Doutores da Alegria por meio do programa Palhaços em Rede e a pesquisa do palhaço se intensificou por meio dos cursos de formação da Escola.

Hoje o trabalho é realizado em dois hospitais da Grande São Paulo. Em São Caetano, o projeto acontece por meio de uma parceria entre a APAP – Associação de Pais, Alunos e Professores – da Fundação das Artes de São Caetano do Sul e da FUMUSA – Fundação Municipal de Saúde, desde setembro de 2006. As visitas ocorrem uma vez por semana, com duração de quatro horas. Em São Paulo, quem recebe o trabalho desde 2009 é o Hospital e Maternidade São Cristóvão, com visitas duas vezes por semana, com duração de quatro horas.

Em paralelo ao trabalho nos hospitais, o Grupo desenvolve palestras e atividades específicas para os mais diversos setores, ligados ou não à área da saúde, além de oficinas de teatro sobre a linguagem do palhaço para crianças, adolescentes e adultos.

Trabalho de formiguinha

O Grupo Operação de Riso é composto por artistas profissionais que fazem desta ação um ofício, por isso o trabalho é remunerado. A natureza dos subsídios recebidos para a viabilização dos projetos do Grupo varia de acordo com o local onde é realizado o trabalho.

A profissionalização, a pesquisa e o treinamento constante trouxe diversas conquistas e reconhecimento ao grupo. A ação do grupo serviu de carro chefe para implantar políticas de cultura e saúde em São Caetano do Sul. Atualmente, o município finalizou seu Plano Municipal de Cultura, que está em votação na Câmara Municipal. O processo foi acompanhado pelo Ministério da Cultura, que incluiu em seu plano as ações de cultura e saúde previstas para os próximos 10 anos!

O que vem pela frente

© Omar Matsumoto

Uma longa viagem começa sempre do primeiro passo. E ainda são muitos os degraus a subir! E isso é muito bom! São muitos os desejos do Grupo: expandir a equipe, ter uma sede própria para treinamento e pesquisa, um repertório de espetáculos teatrais e muitos outros etcs… Eita!

E fazemos questão de agradecer sempre aos nossos grandes mestres, que nos ajudaram e ajudam a pensar e re-pensar o palhaço a cada dia: Bete Dorgam, Cristiane Paoli Quito, Esio Magalhães, Raul Figueiredo, Soraya Saide, Thaís Ferrara, Roberta Calza, Ronaldo Aguiar, Wellington Nogueira, Dagoberto Feliz, Claudio Saltini, Philippe Gaulier, Michael Christensen e Doutores da Alegria. É uma honra muito grande e uma alegria poder dizer que estas pessoas fizeram e fazem parte de nossa história. E também agradecemos aos grandes parceiros de trabalho na cidade de São Caetano: Sergio Azevedo – gestor do projeto que é desenvolvido na cidade, Vanessa Senatori – psicóloga que acompanha o Grupo, Paula Venâncio – assessora de imprensa, Omar Matsumoto – fotógrafo e Maria Venâncio que é simplesmente linda. De coração, muito obrigado.

Para quem quiser ver vídeos, fotos e conhecer um pouco mais sobre o trabalho do Grupo, visite  www.operacaoderiso.com.br e confira também a página no Facebook: Operação de Riso

Obrigado, Kleber!

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