12 ideias de figurino para desfilar nos blocos

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Erra quem pensa que roupa de palhaço é fantasia. É figurino, minha gente. Mas no carnaval os palhaços também preparam – aí sim! – fantasias para desfilar pelos blocos da cidade.

Vamos aos modelitos para você se inspirar no carnaval deste ano:


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Entre a ciência e o coração

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Em um artigo da Revista Brasileiros, o médico patologista Paulo Saldiva traçou um histórico de como a figura do médico foi retratada pelo olhar das artes visuais e do cinema.

Rockwell ou Kildare representavam médicos humanos, desprovidos de ambição, com total comprometimento aos seus pacientes. Segui com o Dr. Frankenstein, de James Whale, que em 1931 retratou o temor do poder da medicina (coincidindo com as primeiras cirurgias torácicas e cardíacas), onde o médico era punido pela sua própria criatura, ao tentar ousar interferir com a vida e a morte.

Nos anos 1970 e 1980, os médicos descem mais um degrau. Ou fazem parte de corporações inescrupulosas que, ao lançar substâncias tóxicas no esgoto, fazem surgir um jacaré gigante a aterrorizar Nova Iorque (imprudência) ou médicos cínicos, como os que Roger Altman descreveu em Mash, incapazes de se compadecer dos pacientes mesmo em meio a uma guerra pavorosa. Terminei finalmente com o Dr. House, exemplo de médico tecnicamente brilhante, mas incapaz de enxergar o doente que sofre e sim valoriza apenas a doença.” (trecho do artigo)

Pois bem: o médico também foi a nossa inspiração quando iniciamos a atuação nos hospitais, em 1991. Os palhaços faziam uma paródia, vestindo-se com um jaleco cheio de cacarecos e distribuindo exames fictícios pelas alas infantis, sempre sob um pseudônimo engraçado – Dr. Zinho, Dr. Ado, Dra Juca Pinduca… Até uma especialidade foi criada: a Besteirologia.

+ saiba mais sobre a paródia do palhaço

“Entre os profissionais hospitalares, o médico é visto como personagem revestido de muito poder, crítica e racionalidade. Seu poder – consolidado ao longo da história e de difícil revisão – emana justamente das decisões cruciais que toma. O palhaço, por sua vez, é visto como alguém que desafia as evidências dos fatos, a ordem médica instituída e instiga a repensar atitudes”, conta a psicóloga Morgana Masetti no livro “Boas Misturas, A Ética da Alegria no Contexto Hospitalar”.

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É fato que a atuação dos palhaços ganhou outros contornos no hospital, indo além da paródia e se moldando à realidade do novo século.

Nas escolas de Medicina, onde Doutores da Alegria também atua formando estudantes para uma nova atitude, é comum o questionamento apresentado pelo próprio Saldiva: os médicos, ao ganharem em ciência, perdem em coração? E também é evidente a busca por uma combinação entre ambos, ou seja, a formação de médicos altamente capacitados e sensíveis à condição humana.

Hoje, 25 anos depois da primeira intervenção de um besteirologista, nos perguntamos se a paródia ainda é válida e que outras ordens instaladas o palhaço pode subverter nos hospitais.

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2016: a gente equilibrou

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O ano que vai passando foi muito significativo para esta associação que vos fala.

Depois de um longo período de mudanças organizacionais e ajustes de estratégia (é, tem tudo isso aqui!), fechamos o ano com alguns marcos muito especiais. Foi difícil? Foi. Mas Doutores da Alegria nunca foi dada a tarefas fáceis, sempre preferindo o equilíbrio de uma corda bamba e o sossego de um trapézio.

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O trajeto que vem pela frente, em 2017, carregará os reflexos do que conquistamos neste ano. Veja alguns momentos que consideramos especiais em 2016:

Enfim, 25

Foi um ano de festa! Ah, foi! Doutores da Alegria comemorou 25 anos em setembro, alcançando a maturidade como organização. Celebramos as conquistas dessas décadas, sempre suportados pela sociedade e pela relevância da causa.

E em setembro, fizemos um grande evento para arrecadar recursos em São Paulo (não, não é essa foto aí, que foi quando reunimos a equipe no dia 28 de setembro pra brindar o aniversário <3)

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Juntos e misturados

Palhaços de todo o Brasil se reuniram na quarta edição do Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital. Troca de experiências, discussões, oficinas e a união de pessoas que enxergam neste trabalho uma grande (e séria!) possibilidade dentro da saúde.

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Um mais um

Dois hospitais entraram no rol de ações do Doutores da Alegria: o Hospital M’boi Mirim, em São Paulo, e o Hospital da Mulher, no Rio de Janeiro.

No primeiro, atuaremos com um novo modelo, oferecendo intervenções artísticas variadas, formação e aperfeiçoamento de alunos da Escola dos Doutores da Alegria e um incremento no foco da humanização nas equipes de Saúde e de Administração. O segundo passa a fazer parte do projeto Plateias Hospitalares, com a curadoria de uma programação cultural mensal.

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Dá-me direção

A associação Doutores da Alegria passou a contar com uma nova diretoria estatutária, além de novos associados, que participar de assembleias e participam das discussões.

Foram eleitos cinco diretores de diferentes áreas pelo período de dois anos. Um grande passo que envolveu toda a associação.

Estudar e sempre

A Escola dos Doutores da Alegria fez dois processos seletivos importantes: para o Programa de Formação de Palhaço para Jovens e para o curso O Palhaço Interventor. Com foco em públicos distintos, ambos os cursos são gratuitos e têm foco na linguagem do palhaço.

Foi um ano de muito movimento em nossa sala de aula – um galpão pequeno, porém simpaticão. Dá pra ver?

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Pedal de palhaço

São Paulo e Recife receberam no mesmo dia o Bobociclismo! Crianças, adultos e palhaços pedalaram pelas ruas celebrando os 25 anos do Doutores da Alegria e interagindo com a cidade a partir do uso da bicicleta. 

Prepara a magrela que vai ter mais ano que vem, viu?

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Parta, enfim, 2016. E que venha 2017 com mais desafios e mais quebra-cabeças a serem decifrados. A gente equilibra :)

As pequenas tragédias e a vida do lado de fora

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Assim como a vida do lado de fora, a vida dentro de um hospital é repleta de pequenas tragédias.

Uma médica conta que certa vez dois vizinhos, amigos, brigaram e um deles deu um tiro no outro. Foi levado ao pronto socorro. Pouco depois o outro vizinho também chegou ao hospital, pois tinha ficado nervoso e enfartou. Os dois passaram um bom tempo na emergência, um ao lado do outro.

Na Grécia Antiga, as tragédias eram textos teatrais que nasciam das paixões humanas. Eram capazes de transmitir ao público as sensações vividas pelas personagens.

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Uma agulha que não encontra a veia, a despedida de um colega de quarto, uma criança enfrentando doença de gente grande. Somos capazes de sentir na pele.

Para um palhaço, as pequenas tragédias entram como alimento nos motores da criação, do improviso. Ele tem plena abertura para o que chega. Tudo o que acontece à volta do palhaço é considerado por ele, tudo pode ser ressignificado. As dificuldades são reconhecidas, transpostas e transformadas – nada é minimizado. E é com esse estado de espírito que o trabalho flui, trazendo contornos à realidade do hospital.

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Mas também há tragédias grandes. Tragédias que vêm do lado de fora.

Anas al-Basha era um sírio de 24 anos que atuava como palhaço em Aleppo. Ele era voluntário da organização não governamental síria Space of Hope e se apresentava para as crianças em meio ao cerco da cidade. Foi morto num ataque aéreo.

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“Ele se recusou a sair da cidade para continuar o trabalho como voluntário para ajudar os civis, dar presentes e esperança às crianças”, escreveu Mahmoud al-Basha, irmão de Anas. Assim como milhares de palhaços em zonas de conflito, Anas fazia da tragédia seu alimento. E, infelizmente, por ela foi consumido.

Nos últimos dias temos visto cenas e pedidos de socorro de crianças desta guerra. Sem muito poder fazer, a não ser clamar por uma decisão política que suspenda o reforço bélico das tropas, sentimos na pele.

Sentimos muito. E seguimos enfrentando, munidos de arte e humanidade, as pequenas tragédias do dia a dia.

Um novo marco para o terceiro setor

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A partir de 2017, as organizações da sociedade civil precisarão se adaptar a novos parâmetros em sua relação com o poder público. Quem conta mais é Daiane Carina P. Ratão, Diretora de Relações Institucionais do Doutores da Alegria.

IMG_1240Daiane fala sobre a lei durante 4º Encontro Nacional de Palhaços/ Luciana Serra

A lei 13.019/2014, que ficou conhecida como Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, entrou em vigor em 13 de janeiro de 2016 na União, Estados e Distrito Federal. Nos Municípios a lei estará vigente a partir de 1 de janeiro do próximo ano.

O Marco traz diretrizes que vão garantir mais transparência ao setor, a partir de um novo regime jurídico das parcerias entre a administração pública e as organizações por meio de novos instrumentos jurídicos que foram criados: os termos de Fomento e Colaboração, para parcerias que envolvam recursos financeiros, e o Acordo de Cooperação, no caso de parcerias sem repasses financeiros.

+ Entenda a lei: clique e veja a transmissão ao vivo sobre o assunto

A implementação da lei estipula a gestão pública democrática nas diferentes esferas do governo e valoriza as organizações da sociedade civil como parceiras do Estado na garantia da efetivação de direitos. Mais que uma lei, trata-se de uma agenda política ampla, que tem como propósito aperfeiçoar o ambiente jurídico e institucional relacionado às organizações da sociedade civil.

Com o Novo Marco Regulatório, o que muda para as organizações? Qual o seu impacto para os grupos e indivíduos que atuam no ambiente hospitalar ou em outros ambientes de saúde?

A lei traz para as organizações a necessidade de agir com mais planejamento e de comprovar tempo mínimo de existência. Será preciso demonstrar e comprovar capacidade técnica e operacional para a realização das atividades e competência para avaliar e medir os resultados que se pretendem alcançar enquanto organização da sociedade civil. 

+ Veja a Plataforma Por um Novo Marco Regulatório

Na prática, significa que o gestor público tem a obrigatoriedade de realizar chamamento público para a seleção de organizações, bem como exigir dos grupos e indivíduos que pretende firmar parceria a apresentação de planejamento, capacidade técnica para execução das atividades, monitoramento das ações, avaliação e prestação de contas.

O aprimoramento e a profissionalização das organizações que atuam no terceiro setor é uma tendência sem volta no Brasil. Todo este movimento beneficia a sociedade como um todo, em especial o público em situação de risco e vulnerabilidade social.

E a sua organização, está preparada para esta nova realidade?

O riso já foi proibido. E agora, o que é?

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Palhaços são freqüentemente apontados como profissionais do riso.

Fazer rir… Bem, seria como bater uma meta. Talvez isso remonte ao bobo da corte, ancestral do palhaço, cujo ofício era entreter o rei e sua corte. Mas o riso tomou muitas formas e significados ao longo da história da humanidade, sempre associado à cultura local.

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Na Idade Média, o riso era controlado, excluído dos ritos oficiais. As autoridades, os religiosos e os senhores feudais defendiam a seriedade como atributo da cultura oficial. Rir era quase proibido, era “coisa de bruxa”!

Rir era subversivo, era um ato de rebeldia, uma característica essencial da cultura popular – e, por isso, vulgarizado. Havia espaços para o riso: festas populares, carnavais de rua, becos… Era um bom remédio contra a opressão e um canal de expressão de liberdade. 

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Durante o Renascimento, o riso toma outras proporções, entra na grande literatura – como em Shakespeare –, trazendo concepções a respeito do homem, da história, dos problemas universais que afligiam a humanidade. Surge como humor, ironia, sarcasmo.

Para Mikhail Bakhtin, o riso é um instrumento de combate ao autoritarismo, à intolerância e à falsa moral da sociedade. Bakhtin também fala da paródia… E aqui voltamos ao palhaço!

A paródia é uma releitura, uma reinterpretação cômica que usa da ironia para subverter a ordem pré-estabelecida, fazendo uma sátira da realidade. Quando o palhaço entrou nos hospitais, lá nos anos 90, fazia uma paródia da figura médica: o Doutor da Alegria.

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Era um sujeito com um jaleco cheio de cacarecos, uma aparência questionável, entendido de Besteirologia, sem autoridade nenhuma e fadado ao erro. Uma releitura do médico.

Para os pequenos pacientes, uma incrível brincadeira que quase sempre terminava com o besteirologista se dando mal. Isso quebrava a resistência à figura médica e tornava a experiência no hospital menos tensa. O riso transformava as relações entre as pessoas em um ambiente duro como o hospital.

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Atualmente há muitos estudos sobre o riso e sua função na sociedade pós-moderna. Qual seria, hoje, o lugar e a função do riso no hospital?

Sim, continuamos nos questionando se a paródia se mantém ou vem dando lugar a outras formas de manifestação social. O que você acha?

Profissionais de saúde e palhaço: formação é fundamental

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A relação com profissionais de saúde foi tema da mesa “Outras formas de atuação” durante o Encontro Nacional de Palhaços. A discussão foi além e abrangeu a formação básica para que um palhaço atue em hospital.

Mauro Fantini, coordenador do grupo Narizes de Plantão, forma estudantes da área da saúde. Ele trouxe uma pesquisa que fez com estes alunos antes e após as intervenções nos hospitais. A ideia era entender se a experiência de palhaço acrescentava algo a quem atuava com saúde.1 - 2016-11-13-PHOTO-00000014

“O que é palhaço pra você?” era a pergunta. Frases como “Eu achava que aprenderíamos a contar piadas, a sermos engraçados e estarmos sorrindo o tempo todo” e “Achei que aprenderíamos truques e números ensaiados para usarmos no hospital” apareceram muito. Entre as palavras, surgiram: alegria, despreocupação, brincar, personagem, inocência, rir, amor, diversão.

Depois de passar pelo processo de formação, os alunos voltavam a responder ao questionamento. Entre as respostas: “Aprendi a lidar comigo mesmo, com as coisas em que sou bom e com as que tenho dificuldade. Aprendi a lidar com meus erros e a aceitar os erros dos outros” e “Eu lido com pessoas o tempo todo, desde pacientes doentes até colegas competitivos. Agora eu consigo aceitar melhor o que a outra pessoa está me propondo”.

E as palavras se ampliaram e se modificaram totalmente: encontro, sentimento, desprendimento, momento, ser, criança, essência, descoberta, escuta.

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Alexandre Penha, do grupo voluntário Terapia da Alegria, oferece formação a estudantes de áreas da saúde em todo o país. Por ser formado em Artes Cênicas, ele traz este olhar para formar os jovens.

Ele iniciou questionando quantas pessoas haviam se formado de forma tradicional. “Não há universidade focada no palhaço no Brasil. O que usar em formação então?”, disse ele. A solução foi avançar com o que chamou de pedagogia da descoberta, que serviria para democratizar o acesso ao palhaço em todo o país – principalmente para pessoas que nunca tiveram contato com Artes Cênicas, como estudantes da área da saúde.

A mesa seguiu com uma ampla discussão sobre diferentes maneiras de formar um palhaço para atuar no hospital. Formadores da Escola dos Doutores da Alegria se juntaram à mesa para discutir o tema e mostrar o que temos oferecido. Muito foi falado sobre a escassez de cursos abrangentes no país, e sobre o oferecimento de oficinas curtas que não aprofundam a linguagem. Os grupos deram seus depoimentos sobre como qualificam o trabalho que é oferecido aos hospitais. 

O que fazer no hospital? Mesa discute diferentes experiências

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O dia amanheceu frio e chuvoso em São Paulo, mas os grupos que vieram ao Encontro Nacional de Palhaços deixaram a preguiça de lado para refletir e trocar suas experiências.

A mesa “Diferentes práticas – O que fazer no hospital” abriu uma discussão sobre formação e estratégias para atuar junto a diferentes públicos nos hospitais. Pessoas de diversos grupos fizeram parte da plenária e compartilharam seu modo de trabalho.

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Alexandre Penha trouxe a prática do Terapia da Alegria (Curitiba, Paraná), grupo voluntário que atua em todas as alas de cinco hospitais. Atualmente o grupo está se profissionalizando e vem oferecendo formação a estudantes de áreas da saúde em todo o país. O grupo também faz visitas pontuais a hospitais psiquiátricos e hospitais com crianças com problemas de motricidade – e tem experimentado ir além destas fronteiras, já tendo atuado em regiões de consumo de drogas e em um prostíbulo.

Alexandre também levou o Terapia da Alegria ao Haiti, onde há muitas crianças órfãs; ao Vale dos Incas, no Peru, a Burkina Fasso, no deserto da África, e a áreas de refugiados sírios. “Temos experimentado o palhaço e ele realmente pode entrar em outros lugares. O trabalho do hospital pode se refletir em outros lugares”, comentou Alexandre.

A mesa seguiu com Débora Kikuti, coordenadora do curso de contadores de histórias do MadAlegria (projeto de extensão da USP). Ela falou sobre a potência que as histórias têm em nos trazer bem estar e a importância de estar preparado, de investir em um repertório, afinal são muitas visitas a pacientes, e às vezes as pessoas passam um tempo longo no hospital.

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É muito bacana quando entramos em um quarto só com o jaleco e não carregamos nada, nenhum adereço ou figurino. Eles ficam tentando entender se somos palhaços ou contadores de histórias”, contou Débora. Ela finalizou a mesa contando uma história que fez todos a aplaudirem de pé.

A experiência do palhaço com adultos foi compartilhada por Fabiana Leitão, do grupo Doutores Palhaços, de São Paulo. “Percebemos que alguns palhaços tratavam os adultos como crianças, e isso trazia uma rejeição ao trabalho”, disse ela, que é historiadora e fez um resgate da história do palhaço para os grupos. “Na Renascença, o palhaço fazia brincadeiras com conteúdo sexual ou fazia críticas ao governo da época. Era um palhaço que tinha adultos como público”, continuou.

Fabiana abordou a formação que ela traz para os integrantes do Doutores Palhaços: “Temos formação continuada e encontros mensais. As pessoas vão se formando e entendendo o palhaço durante as visitas”.

O próximo a partilhar com os grupos foi Olivier Terreault, do Teatro do Sopro (Rio de Janeiro) e do Jovia (Canadá). Ele abordou a metodologia do “empatilhaço”, empatia através do palhaço, uma técnica que utiliza há mais de 15 anos na área da saúde.

Olivier também falou sobre o arquétipo do palhaço que trabalha em suas formações. “Temos uma sombra do que queremos esconder e uma sombra do que queremos pretender. A máscara e a fantasia do palhaço revelam ou escondem o artista?”, questionou ele.

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A partir da experiência com idosos, ele trouxe dados de pesquisas que indicam que, em 50 anos, haverá mais idosos do que crianças no Brasil. Isso exigiria uma readequação do nosso sistema de saúde, desde os ambientes hospitalares até a formação dos profissionais, incluindo o palhaço. No dia 13, Olivier oferece uma oficina sobre o “empatilhaço” para os grupos participantes do Encontro Nacional.

Mauro Fantini seguiu a discussão. Ele é coordenador do Narizes de Plantão, grupo inserido no Centro Universitário São Camilo e formado por estudantes da área da saúde. Ele seguiu a discussão contando uma história por trás da visita ao hospital – uma história de fracasso, como ele chamou.

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“O hospital nos recebeu muito bem, mas houve problemas com alguns profissionais de saúde. Depois de um tempo, fomos suspensos. Isso poderia não ter acontecido se várias camadas do hospital soubessem o papel do grupo antes”, contou ele.

Mauro ressaltou a importância de alinhar expectativas com o hospital. Pode ser que o hospital queira bondade, caridade, doação, entretenimento, show; e o grupo trabalhe para levar arte, trabalhar a humanização, a relação com os estudantes da área da saúde. “É preciso sempre discutir a relação com o hospital”, finalizou.

Irene Sexer e Silvina Sznajder, do grupo argentino Alegria Intensiva, recentemente estiveram na sede do Doutores da Alegria e puderam entender a realidade do trabalho no país.

Na mesa, elas apresentaram o seu trabalho e comentaram a promulgação da lei que recentemente instituiu a presença obrigatória de palhaços atuando nas pediatrias da Argentina. A lei determina que hospitais públicos da província de Buenos Aires serão obrigados a ter artistas especializados na arte do palhaço para a reabilitação de pacientes. 

A mesa finalizou com uma intervenção surpresa de Marcia Strazzacappa, professora da Unicamp e mestre em Educação e Dança. Ela surgiu como uma faxineira que retrata a figura dos profissionais de saúde de um outro ângulo. Depois, ela sentou à mesa para responder a questões dos grupos.

Gosto muito de pensar no estado de arte, mais do que arte como uma linguagem. E nesse estado, não lugar, a gente alcança a subjetividade, e gosto de trabalhar no hospital com essa perspectiva. Não acho que a arte está a serviço de nada, acho que acontece e provoca reflexões, emoções e outros olhares”, disse ela.

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Como se forma uma rede? Inspirações para o Palhaços em Rede

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O primeiro dia do Encontro Nacional seguiu com uma discussão sobre formação de redes.

Fátima Pontes, coordenadora da Escola Pernambucana de Circo e presidente da Rede Circo do Mundo Brasil, trouxe inspirações para aprimorar e aumentar o engajamento da rede de palhaços nos próximos anos.

Ela partiu do histórico da Rede Circo, que surgiu em 2000 com cinco instituições que tinham o desejo de trabalhar com a pedagogia do circo social. “Como faz pra dizer o que é circo social? Quem diz que trabalha com circo social trabalha mesmo? Muitas questões surgem com a constituição de uma rede”, explicou Fátima Pontes.

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Em 2004 aconteceu o primeiro encontro nacional. A visibilidade da Rede Circo do Mundo Brasil aumentou com a exposição de grupos como o Cirque du Soleil e com os resultados obtidos com a rede. Hoje ela é uma federação constituída, com estrutura administrativa, e 20 instituições participantes, além de sócios e educadores.

Toda rede precisa ter uma causa, é o que une os seus membros”, comentou. Segunda ela, uma rede forte e engajada aumenta muito o impacto do trabalho, pois com sua força pode influenciar políticas públicas e ampliar os resultados das ações dos membros envolvidos. Outros benefícios são a troca de experiências, o relacionamento com parceiros e a mobilização de recursos para a causa.

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Fátima terminou a apresentação propondo questionamentos aos grupos do Palhaços em Rede. “Todos os membros têm consciência dos objetivos da rede? Estão na mesma sintonia? Hoje são mais de 1000 grupos na rede, fora os grupos pelo país. Queremos uma rede tão grande?”

A experiência e os desafios propostos por ela foram muito inspiradores para que esta rede de palhaços seja cada vez mais efetiva e focada em levar um trabalho de qualidade aos hospitais.

Primeira mesa do Encontro Nacional discute o palhaço e traz tendências

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Centenas de pessoas deixaram o feriado de lado para refletir e praticar o palhaço em três dias de encontro propostos por Doutores da Alegria.

O 4º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital teve início ontem, dia 12 de novembro, e segue até o dia 14 em São Paulo. Na programação há mesas de discussão, oficinas e intervenções artísticas para grupos de todo o Brasil que usam a máscara do palhaço para atuar em hospitais.

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Neste encontro vamos discutir o compromisso com o trabalho, sua profissionalização e como formar uma rede engajada”, conta Raul Figueiredo, tutor do programa Palhaços em Rede. Ele introduziu o primeiro dia de debates com a mesa “Contexto e tendências da ação do palhaço na atualidade”.

A psicóloga e pesquisadora Morgana Masetti trouxe reflexões que estão sendo debatidas mundo afora. falou sobre doenças do mundo atual, felicidade e relações afetivas. “A doença e a tristeza, que fazem parte da experiência humana, começam a ser vistas como desnecessárias na humanidade. Elas tentam ser silenciadas. Os sintomas falam alguma coisa da minha ligação com o mundo, e eles precisam ser entendidos, não silenciados.

Morgana também trouxe a ideia do palhaço como meio, não um fim. “O palhaço ativa algo em mim que me faz querer chegar em algum lugar. Como trabalhar essa energia que o palhaço mobiliza em mim?”, questionou ela.

A discussão seguiu com Thais Ferrara, diretora artística do Doutores da Alegria, que falou sobre humanização e sua trajetória até virar política pública. “O palhaço virou ícone da humanização, mas quando decidimos entrar no hospital, nossa proposta era completamente artística, humanização sequer passava pela cabeça. Com o passar dos anos nosso objetivo artístico foi sendo colocado a serviço da humanização”, conta ela.

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“A humanização se pautou no movimento feminista, quando a saúde da mulher veio à tona e começaram a ser criados programas como mãe canguru, hospital da criança, aleitamento materno, alojamento conjunto. Com o tempo entenderam que era preciso democratizar as práticas, dialogar com o paciente e, principalmente, partir da gestão”, finalizou.

A seguir Daiane Carina apresentou um dos temas mais importantes do encontro: o novo marco regulatório, que regulamenta, traz regras e obrigações às organizações do terceiro setor.

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“A lei surgiu por uma convergência de fatores: ausência de uma lei especifica para regular o setor, falta de planejamento, monitoramento, ausência de dados sistematizados e pouca capacitação”, conta ela. O principal objetivo do marco é dar mais transparência para as parcerias realizadas com o governo – algo que teve evidência em 2007, durante a CPI das ONGs.

Segundo Daiane, o terceiro setor já alcança 5% do PIB brasileiro e tem migrado do assistencialismo para um campo profissional. “Para prestar um serviço para pessoas em situação de vulnerabilidade social, será preciso se constituir como organização e ter um diagnóstico da realidade onde você vai atuar, ter planejamento e indicadores das suas ações”, conta ela.

A mesa encerrou com Nando Bolognesi, que esteve no elenco do Doutores da Alegria por cinco anos e trouxe um olhar para a função social do palhaço. “O palhaço tem uma capacidade de se disfarçar e de se apresentar como uma figura diferente do que é, um tipo difícil de identificar porque a primeira camada que aparece é a camada fofa, simpática, confiável, mas o palhaço é subversivo, é político, e isso não é uma opção, é uma condição”, conta ele.

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A manhã encerrou com uma intervenção surpresa do palhaço Klaus, criado por Márcio Douglas, do elenco do Doutores da Alegria. Ele provocou os participantes, trazendo uma versão diferente da máscara do palhaço.

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