Desapego: quem consegue, afinal?

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Pensa em uma palavrinha difícil de se colocar em prática: DESAPEGO.

Quando um de nossos pequenos pacientes tem alta e vai embora, deixa as boas lembranças dos encontros. Do que brincamos, dos risos trocados. Mas tem partidas que são definitivas e, às vezes, percebemos que nem sempre estamos tão preparados como pensamos, mesmo que seja uma partida previamente sinalizada. 

Barão de Lucena - Lana Pinho-82

Os sinais, diga-se de passagem, surgem o tempo todo, basta prestar atenção. Há mais ou menos três meses, o pequeno D. começou a dar os primeiros sinais da sua despedida. Sincero e autêntico, como sempre, D. expressava seus interesses e emoções através das suas famosas piscadinhas: uma para “não” e duas para “sim”.

Outras vezes, bastava uma cara bem enjoada para percebermos que a música não estava agradando naquele dia. Noutra ocasião, perguntamos se ele gostaria de se casar comigo, Dra Baju. Duas piscadinhas! Ai, meu coração! Aí, já perguntei se o Dr. Micolino poderia ser o nosso padrinho: duas piscadinhas! Micolino ficou tão empolgado que perguntou se D. o achava bonito: uma piscadinha… É, forçou a barra. 

Barão de Lucena - Lana Pinho-147

Foi com essa mesma franqueza que D. começou a pedir mais reserva, mais recolhimento. Queria ficar quietinho, com um paninho em seu rosto. Nada mais justo e honesto da parte dele. A equipe carinhosa cuidou muito bem disso e foi aí que todos nós começamos a nos preparar – ele estava indo.

O desapego está ao nosso alcance se deixarmos que ele nos alcance. Na escrita isso deve ficar bem bonito, mas contrário ao que acontece na “vida real”. Mas a existência é exatamente assim: bonita. A gente, aqui na Terra, não entende nada. Acho que, nessas horas, é melhor sentir que pensar.

Eu tô muito feliz por tê-lo conhecido desde seus dois anos de idade. Micolino o conheceu ainda menor. Estamos felizes pelos encontros! O nosso mestre nasceu, nos ensinou e se especializou na grandiosidade que é essa vida.

Dr. Micolino e Dra Baju
Hospital Barão de Lucena – Recife

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Na escuta!

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Nós, os palhaços, costumamos usar bastante essa palavra: estado. Esse estado do qual estamos falando não é o geográfico, não é o estado de Pernambuco, nem do Pará, é aquela coisa de sentir-se presente, autêntico e num estado de prontidão.

Os seguranças do hospital, por exemplo, vivem nessa disposição. E os daqui do Hospital Barão de Lucena, no Recife, nos ensinam muito sobre isso. 

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Estar sempre alerta é uma das condições para o palhaço existir. Em nossa mochila devemos carregar sempre estas palavras: olhar, escuta e percepção. Imaginem os seguranças! Pensamos que eles devem ter uma enciclopédia vasta sobre essas disciplinas. Mas tem uma delas que nos enche de curiosidade: A Língua do Q! 

Os seguranças dominam esse idioma e falam com muita rapidez, tamanha fluência. Dr. Micolino, por estar à minha frente em algumas séries, já entende um pouquinho. Eu, Dra Baju, entendo meio pouquinho. E, assim, a gente vai enriquecendo o nosso vocabulário. Conseguimos aprender três siglas da Língua do Q: QAP, QSL e QTO

QAP – na escuta!
QSL – entendido, ok!
QTO – banheiro! 

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Sempre que nos encontramos com nossos amigos seguranças, aproveitamos pra praticar. Eu e Micolino nos empolgamos tanto que escrevemos uma música em homenagem a eles: 

QSL, na escuta!
Positivo e operante
QAP, QTO
Você parece a minha vó!

E caímos todos na risada! 

Dra. Baju (Juliana de Almeida)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Linguagem quase silenciosa

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Sabe aqueles encontros de última hora? E que acontecem no apagar das luzes, que nos fazem pensar: nossa, ainda bem que encontramos com ele hoje!

Pois foi assim o encontro com o L., menino de uns 6 anos. Estava ele sentado na cadeira ao lado de sua mãe. Abaixamo-nos para falar com ele e nos apresentamos. Ele ficou boquiaberto, com ar surpreso e um brilho nos olhos. 

- Bom dia, eu sou o Dr. Micolino.
- E eu sou a Dra. Monalisa. 
- Diga alguma coisa pra eles!, respondeu a mãe.

Ele apenas balbuciou alguma coisa.

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Mas L. não poderia jamais falar naquela hora, porque o seu tempo era outro. Não era o tempo de dizer o nome, porque quando nomeamos nós delimitamos o que vemos para entender com a mente. E aquele não era o tempo de entender. Aquele era o tempo do espanto, da surpresa, do alumbramento, do não saber.

A boca não falava, mas como seus olhos brilhavam. Olhos que nos inquiriam, nos indagavam, sorriam de volta, perguntavam quem éramos nós, convidavam pra ficarmos! E para fazermos exames, pílulas embaixo do sovaco, fazermos barulhos engraçados, examinarmos seus dedinhos e verificarmos se estavam no ritmo e, no fim, darmos um atestado.

Foi justo aí, no finalzinho, que precisamos perguntar a ele onde ficava a testa.

- Aqui!, e apontou com o dedo. Finalmente falou.

Foi um encontro com uma linguagem quase silenciosa, mas intensa. E um olhar que disse tanto a ponto de nos fazer pensar na beleza e na alegria de estar presente, vivo, junto, pulsando numa mesma bobagem. 

Dr. Micolino (Marcelino Dias) e Dra Monalisa (Greyce Braga)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Tenho medo de água

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Fazia tempo que eu e o Micolino não fazíamos plantão no Hospital Barão de Lucena. Eu, Dra Baju, voltei depois de seis anos; ele voltou de muito, muito, muito, muito… Muito mais tempo ainda. Coisas da vida!

Barão de Lucena -  Lana Pinho_-24

De cara, conhecemos uma pessoa de uns sete anos. Pensem numa figurinha! A primeira visita foi numa das horas mais cruciais pra ele: a hora do banho.

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Ele vinha pelo corredor, miúdo, junto à enfermeira. Resmungava bastante. Ela já foi dizendo:
- Ele não gosta de tomar banho.

O garoto completou, se assumindo e com um certo orgulho:
- É, eu sou Cascão! – e continuou: Tenho medo de água! 

Procape -  Lana Pinho_-26

Eu e o Dr. Micolino engatamos numa risada que quase não voltamos.

A tranquilidade com que o pequeno tinha em revelar que não gostava de banho nos fez rir de tão surpresos que ficamos por ver uma pessoa tão pequena não sentir culpa por ser o que éIsso é encantador.

Vocês precisam conhecer melhor o menino! A gente tá começando o ano aqui e, sabemos, vai ser o maior prazer!

Dra Baju e Dr. Micolino (Juliana de Almeida e Marcelino Dias)
Hospital Barão de Lucena – Recife

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Em porta-retratos

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Eu tenho as minhas manias. É, confesso, tenho sim.

Gosto, às vezes, de colocar em um porta-retrato as imagens que celebram a vida, para que em algum momento me lembre de parar para relembrar ou recuperar de viver aquelas cenas.

Por isso, tenho sempre espalhadas pela casa fotos em porta-retratos. A minha foto de criança está sob a cômoda em frente à cama de dormir, para não deixar de sê-la. As festas de famílias em casamentos, pois todos estão bonitos e cheirosos, estão no armário onde sempre tem flores. Também costumo bater fotos no celular, mas tem sido cada vez menos. Porque venho querendo parar de correr o mundo e tentar vivê-lo.    

Talvez esteja assim, nostálgico, porque chegou a hora de esvaziar os jalecos e começar a arrumar o armário e se despedir do hospital. Pois é, todo ano a dupla de besteirologistas troca de hospital visitado. E como deixar para trás todas as lembranças?

Eu vou fazer como os porta-retratos que tenho em casa: vou guardar dentro de mim, para quando parar eu lembrar o quanto foi bom, divertido, desafiador e feliz este nosso ano no Hospital Barão de Lucena. 

Porta-retrato 1

As caras de surpresas ao chegamos ao hospital disfarçados de gente normal para começar o dia de trabalho. 

porta retrato

Porta-retrato 2

Todos os bons dias desejados ao entrarem na sala onde trocamos de roupa no meio do banheiro masculino e feminino do 3º andar. 

porta retrato

Porta-retrato 3

As carinhas miúdas dos pequenos no canguru, agarradas às mães para crescer logo. Em especial a de um pai canguru, coisa rara de se ver, que vem ficar agarrado com o seu primeiro filho. 

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Porta-retrato 4

As brincadeiras nos cabelos esvoaçantes, feito nas propagandas, nas enfermeiras e médicas caprichosas. 

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Porta-retrato 5

A risada do J. ao ouvir a gente cantar para ele tremelicar na UTI. 

porta retrato

Porta-retrato 6

A Sandrinha da UTI neo externa cheirando o sovaco cabeludo do Dr. Dud Grud. 

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Porta-retrato 7

Todas as evoluções médicas que fizemos nos setores. Mesmo quando ocupados e estressados, os médicos e médicas pararam para dançar o hit da semana. Sem deixar de dizer: equipe unida permanece unida.  

porta retrato

Vamos ter que parar por aqui, gente. Não temos muito espaço nas nossas casas para tantos porta-retratos, nem dinheiro para comprar todos os que queremos.

Esses vão suprir a saudade e o carinho por toda equipe do HBL que fez a gente acreditar cada vez mais no que fazemos!

Dr. Lui (Luciano Pontes) e Dr. Dud Grud (Eduardo Filho)
Hospital Barão de Lucena – Recife

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Banda Calypso Nervoso

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Todo mundo sabe que o hospital já não é mais aquele. Hoje em dia, diversas ações fazem parte da recuperação dos pacientes.

Além da visita dos besteirologistas, os pacientes recebem contadores de histórias, cachorro e até gente famosa.

E fofoca vai e fofoca vem, quem apareceu para uma visita tsunâmica foi a Banda Calypso Nervoso, com Svenzaelma e Chimbinhagrud desmentindo tudo que a mídia vem dizendo sobre separação do casal.

svenzaelma e chimbinhagrud

A verdade, contaram, é que a vocalista seguirá carreira solo e que eles estão à procura de uma substituta para o seu lugar. O resto é fofoca! 

A presença deles causou muito rebuliço. As pessoas não se aguentavam e caíam no ritmo! E teve até competição de dança! O grande momento veio ao som do aclamado sucesso nacional “Cavalo Manco”:

“Um passinho pra frente
Um passinho pra trás
Mexendo os ombrinhos
E bate-cabelo!”

Pra quem não conhece, o tal bate-cabelo é aquela velha jogada de cabelos de frente pra trás. Teve candidata que batia cabelo e fazia pose de ballet clássico, de Carmem Miranda, teve até quem ficasse tonta.

No final a decisão foi difícil… Mas podemos afirmar que houve empate técnico entre todas as participantes de plantão! Ufa! 

Dr. Dud Grud (Eduardo Filho)
Hospital Barão de Lucena – Recife

É o saci!

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Há alguns anos, misteriosos fatos ocorreram no hospital.

Em um dia normal, descemos as escadas, como de costume, e fomos ao andar térreo para atender na Emergência. Tudo como sempre: andar térreo, sair da Emergência, corredor, depois primeira à esquerda, primeira à direita, em frente e…

CADÊ O AMBULATÓRIO? CADÊ AS CRIANÇAS?

Ah, deve ter sido só um desencontro de horários, pensamos. O ambulatório deve ter convidado as crianças para tomar um lanche lá embaixo. Subimos pro terceiro andar. Saímos da escadaria, como de costume, viramos pro corredor à direita e…

CADÊ A ENFERMARIA? CADÊ AS CRIANÇAS? 

Foi aí que começamos a ficar com muito medo. Tudo estava sumindo, de repente.

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Não que a gente acredite nessas coisas, mas pensamos logo em mula-sem-cabeça, cuca, lobisomem. Brrrrrrr!

Quando estávamos todos juntos tirando par ou ímpar pra saber quem entrava primeiro no banheiro, surpresa! A enfermeira entrou perguntando se já tínhamos visto as crianças do ambulatório no primeiro andar e se já tínhamos visto as novíssimas enfermarias do lado esquerdo da escada, no terceiro andar.

Foi aí que compreendemos tudinho. Quem é que em sã consciência teve coragem de fazer mudanças tão significativas sem nos consultar? Somos besteirologistas especialistas em transferências médicas, decoração e mudanças de ambiente!

Um nobre cientista de seis anos, profundo conhecedor de Folclore aplicado à Medicina, recentemente me orientou:

É o Saci, doutora. É o Saci que muda tudo de lugar!

saci

E é por isso que nós não duvidamos de mais nada. Aplicamos essa máxima científico-folclorista à Besteirologia e solucionamos o problema: descobrimos onde ele havia escondido o ambulatório, as enfermarias e as crianças, e tivemos um plantão tranquilo. Ufa!

Dra Monalisa (Greyce Braga)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Hospital feito casa da gente

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Cada um enxerga o mundo de um jeito.

Uns fingem que veem, mas não falam. Outros usam óculos para ver melhor. Alguns tropeçam quando andam de tanto que ficam admirados com ele. Assim também é com o hospital.  

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Tem uns que acham o lugar uma loucura, outros vão lá raramente, alguns vão e vêm, outros tantos vão e nem vêm.

A gente vive no hospital duas vezes por semana e lá é uma extensão da nossa casa. Comemoramos dias festivos, feriados. Sabemos de um tudo e quase nada, vemos o tempo correr na urgência e muitas vezes sobreviver na nascença.

A gente vive lá como a maioria dos pacientes: o hospital vira segunda casa

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Esse pensamento veio quando nossa paciente, de aproximadamente 7 anos, teve finalmente alta médica e disse uma coisa que ficou na minha cabeça quando perguntamos:

- Você vai sentir falta dos palhaços?
- Claro que vou, né! Aqui tem cachorro, comida boa e palhaço, melhor que lá em casa.  

Ela tem razão. O hospital, lugar de cuidados, vem tentando sempre ampliar o seu olhar, é uma longa busca, como na vida de toda pessoa, mas ao menos se busca. E se não faz, alguém dá um jeito para se fazer.

E é bom quando o hospital não tem cara de hospital, mas que a gente se sinta como se estivesse numa casa, de férias, cuidando da vida como ela pede.

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E para não deixar de falar, vamos contar o sucesso do momento. Quem conhece o D. da UTI, no 3ª andar, sabe do que falamos. Ele vive babando por questões de saúde.

É um desses que fizeram – não porque quiseram – o hospital feito casa. E pela intimidade que temos de longos anos de visitas semanais, o D. tá quase careca de saber sobre nossas besteiras. Mas alegra os seus olhos, pois ele se comunica com eles, pisca mais que pisca-pisca, quando ouve a canção: 

♫♪ Djalma baba baba, baby,
Djalma baba babá
Djalma baba babá
 ♪♫

Dr. Dud Grud (Eduardo Filho) e Dr. Lui (Luciano Pontes)
Hospital Barão de Lucena – Recife

Pra prestar atenção

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Em nossa rotina diária no hospital, algumas coisas podem deixar de ser vistas. 

Os besteirologistas Dud Grud e Lui fizeram uma lista pra gente prestar mais atenção na próxima vez que formos ao hospital. Tome nota!

#1 Um olhar curioso de quem acabou de chegar

Porque chegar no hospital e dar de cara com um palhaço pode trazer um novo significado para sua estadia.

seis momentos

 

#2 Um riso discreto sem gargalhar

Sim, tem paciente que só ri pela boca do estômago!

seis momentos 

 

#3 Uma médica que pede um encaixe numa consulta a um besteirologista no ambulatório

Esses médicos estão sempre um passo atrás no quesito exames besteirológicos: verificação de miolo mole, de língua de sogra, de água no joelho…

seis momentos

 

#4 A enfermeira chamando o próximo paciente, dançando ao som da música de um ultrassom

Tem coisa melhor que um ultrassom ao vivo no hospital? Eita sonzera!

seis momentos 

 

#5 Uma lágrima suspensa nos olhos depois de uma injeção

Ui! A gente sabe que dói.

seis momentos

 

#6 Uma risada dobrada de bebê

Porque além de olhinhos conquistadores, bochechas rosadas e uma careca reluzente, os bebês ainda gargalham! <3

seis momentos

E se você tiver mais alguma memória pra acrescentar à lista, escreve aí!

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