Tan Tan, que saudade!

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“Tan Tan, que saaaudades.

Eu de cabelo. Não sei se vai lembrar de mim, mas eu te reconheceria em qualquer lugar, mesmo sem maquiagem. Só passei pra dizer que quando vou ao hospital só me lembro de você e do Dr. Micolino.

Vocês mudaram toda a minha semana, minhas terças e quintas não eram mais as mesmas. Ficava olhando o relógio esperando vocês pra poder darem risadas junto comigo. Vocês foram essências na minha cura. Saudades das risadas, das brincadeiras, dos sorrisos sem filtro.

Parabéns pela profissional que és e não me assusta conhecer você sem o personagem. Só precisava agradecer por tudo. Hoje tô na minha casa curada e feliz de estar escrevendo pra você.

Beeeijos e deixo aqui minha admiração e meu amor pela pessoa que és. E pode dizer ao Micolino que já esqueci o cantor Saulo e tô com saudades dele kkkkkkk. Beeeeijos eterna Tan Tan de ralo na cabeça!

Assinado: Larissa”

Larissa, obrigado pelo carinho. Amoleceu nossos corações <3 

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Se não somos doutoras, somos o quê?

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No final do corredor do hospital, avistamos um menino brincando sozinho. Claro que fomos até ele.

- O que vocês estão fazendo aqui?, ele perguntou.
- Ué, viemos te atender, nós somos doutoras!, responderam prontamente as besteirologistas Mary En e Svenza.
- Mas e esse nariz aí?
- Ué, já nascemos assim. Você também não tem nariz?
- Mas não é um nariz de verdade. E vocês não são médicas!

- Então, se não somos médicas, somos o quê?

Elas esperavam a resposta clássica – “palhaças!” – quando ele surpreendeu:
- Bonecas! 

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As duas se olharam com a maior vontade de rir. Sabendo da sua condição de “não médica”, e agora “não palhaça”, mas “boneca”, Mary En pegou seu apito.
- Bonecas apitam?, perguntou ao menino. 

Ele balançou com a cabeça que sim. Mary En começou a apitar em todo lugar.
- Bonecas dançam?
- Sim!

E as duas se puseram a dançar. O garotinho ficou olhando as duas irem embora pelo corredor; presos, os três, pelo olhar e pela imaginação: as palhaças dançando e apitando, e ele observando de longe.

Quando elas já estavam sumindo de sua vista, ouviram ele dizer à enfermeira:
- Elas são bonecas!

Dra Mary En e Dra Svenza (Enne Marx e Luciana Pontual)
Hospital Universitário Oswaldo Cruz/Procape – Recife

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Do seu coraçãozinho

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Há algum tempo, Ezequiel fez uma cirurgia no seu coraçãozinho. Foi no Procape, em Pernambuco.

Este desenho, feito por ele, me emocionou muito. Lembrei-me da artista Frida Kahlo, da qual sou fã, e do quanto ele deve ter sublimado seus medos, esperanças e emoções em seu desenho, assim como ela o fazia.

Desenho Ezequiel

Achei os detalhes primorosos: o dedinho com o oxímetro, o cateter, os fios do soro… Os dois corações vermelhos ligados pelo fio parecem representar o seu desejo de que o coração fraco ficasse bom, mas sem esquecer de que ele ama o fraco coração mesmo assim.

Ah, são tantas interpretações que podemos tirar! Por isso acho o nosso trabalho tão extraordinário, pois ele não parte tanto de nós, mas das crianças, que oferecem suas histórias para que nelas possamos entrar, interagir e tirar interpretações.

Ezequiel teve alta e já faz algum tempo que foi pra casa, onde imagino que esteja muito bem e vivendo uma vida feliz.

Enne Marx (Dra Mary En)

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Pra que disfarçar?

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O nariz faz o palhaço ou palhaço faz o nariz? O jaleco faz o médico ou o médico faz o jaleco?

O fato é que chegando ao hospital tudo já parece diferente para nós. Mesmo sem o nariz, já respiramos outros ares. Sem maquiagem, disfarçado de “pessoa física” ou com o nariz de besteirologista é inevitável um outro olhar na portaria, nos corredores, no elevador…

- Oi, Micolino!, grita o garoto.

Não sei ao certo como as celebridades fazem para se disfarçar, mas definitivamente os grandes óculos escuros não têm contribuído muito, precisamos aprimorar a técnica do disfarce. E é inevitável também, enquanto subo o elevador, ir anunciando os andares:

- 1º andar: cama, mesa e banho, 2º andar: roupas íntimas, 3º andar: eletrodomésticos! 

Já que o disfarce nada disfarça, então que vivamos a experiência de disfarçar um pouco a realidade à nossa volta com um olhar diferente para as coisas. A máscara não está no nariz, mas no modo de olhar. 

E foi olhando diferente que o ritmo bateu mais forte nesse mês de trabalho. Nos setores que visitamos, fizemos uma avaliação do batimento de todos os pacientes, impacientes, equipe de profissionais e acompanhantes.

um disfarce

Em um dos setores tivemos os campeões do tic-tac do coração”: o N. e a enfermeira, que entraram no compasso!

Com isso, chegamos ao veredicto final: o N. já podia bater seu tic-tac noutras bandas, aliás, em altas bandas… Soubemos que ele já estava de alta! Viva!

um disfarce

Dr. Micolino (Marcelino Dias)
Hospital Oswaldo Cruz/Procape – Recife

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Das bobagens

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Quem acha que um besteirologista vive apenas de bobagens está completamente certo.

No entanto, gostaríamos de esclarecer que as bobagens assumem coloridos diversos. Para cada quarto que visitamos, para cada momento, tem uma bobagem diferente, com intensidades e texturas diferentes. Apresentamos três das bobagens mais usuais que transcorrem no dia a dia da Besteirologia!

Da bobagem da delicadeza

Para falar da delicadeza temos que falar de nossa querida S., uma garotinha que de cara já nos encantou. No entanto, no início, ela ficava meio desconfiada. Fomos aos poucos deixando que os encontros fossem aprimorando esse contato e ganhamos a sua confiança.

E foi aí que lembramos um dos mandamentos da Besteirologia: os limites precisam ser respeitados. Descobrimos que a S. não gosta de movimentos bruscos ou de sons altos, tudo com ela tem que ser delicado, como quando cantamos para um bebê, mas sem querer acordá-lo. E depois da sua primeira reação, percebemos que o menos pode ser muito. Para a S., música baixa e movimentos tranquilos. É assim que ela gosta. E assim deve ser. Em caso de dúvida, vide bula e siga as prescrições com a dosagem correta para um belo encontro.

Da bobagem da surpresa

Surpresas boas sempre são bem vindas, e aquelas que nos pegam de surpresa são sempre surpreendentes. E foi assim mesmo, uma surpresa surpreendente, quando estávamos na UTI cantando para a pequena G., como sempre fazemos. E sempre acreditando que de alguma forma aquela música possa chegar até ela, e, sabe-se lá de que forma, possa fazer alguma diferença naquele mundo tão particular em que ela se encontra, cercada de máquinas, entre remédios e procedimentos médicos.

Das Bobagens_ Rogerio Alves

Mas como tudo pode acontecer, inclusive nada, nesse dia a G. fez um pequeno movimento e esboçou alguns gestos que pareceram se encaixar perfeitamente no compasso da música que tocávamos. Foi verdadeiramente contagiante não apenas para nós, mas também para os profissionais de plantão que, junto conosco, resolveram participar do baile que ali se anunciava. Um pequeno exemplo de que quando nada parece fazer efeito, insista na posologia, que uma hora ou outra o retorno aparece.

Da bobagem da saudade

Talvez possa parecer estranha essa associação entre bobagem e saudade. Mas, de fato, em nossas visitas acabamos desenvolvendo uma relação com os pacientes, já que alguns vão e nunca voltam, e outros passam tanto tempo conosco que os vemos crescer e se tornar quase adultos. E assim vamos transitando entre idas e vindas, com alguns rostos que se tornam tão familiares quanto nosso próprio reflexo ante o espelho.

Até que chega o dia em que a tão esperada alta médica chega, e aí bate um misto entre a alegria da superação, da volta pra casa, e a saudade boba daquele se foi. E muitos inclusive vão pra bem longe, fato muito comum no Procape, que recebe pacientes de vários estados. Nesse mês tivemos que nos despedir do J., que depois de três meses, e de um jeito tímido de nos receber, finalmente teve sua alta, e assim deixou dois besteirologistas bobos de saudade. Nesse caso, a indicação é simples: bobagem pouca é besteira.

Das bobagens - Rogerio Alves

Basta olharmos em volta de nós mesmos para percebermos que tem muitas delicadezas, surpresas e muitas outras saudades por vir. Por isso continuaremos bobos, inclusive de saudades de cada um que passou por nossos atendimentos besteirológicos.

Dra. Tan Tan e Dr. Micolino (Tâmara Floriano e Marcelino Dias)
Hospital Oswaldo Cruz/Procape – Recife

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O vírus rebola e a bronquite braba

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A palavra recordar tem a seguinte origem: re quer dizer “de novo” e cordar vem da palavra “coração” em latim (cor, cordis), então, recordar significa “passar de novo pelo coração”. Dos mais variados diagnósticos que fizemos (pum preso, riso frouxo, caspa no joelho, etc), dois se destacaram em 2014: o vírus rebola e a bronquite braba

O vírus rebola

O primeiro trata-se de um vírus que nós, besteirologistas, acreditamos ser originário da África. Mas, seria de se esperar! Imagine só aquele povo dançando toda aquela dança envolvente e contagiante! Lindo, né? Pois é, é contágio na certa!

virus rebola e a bronquite braba

virus rebola e a bronquite braba

E foi o que a gente viu aqui no hospital! O mais surpreendente era que os contagiados pelo vírus rebola não eram só os nossos pequenos pacientes – a penca de funcionários, entre enfermeiras, técnicos de enfermagem e médicos era grande.

O procedimento para diagnosticar era um pouco delicado, mas bastante eficaz. A gente tocava uma música que dizia:

“Joga pra direita, joga pra esquerda
Joga pra direita, joga pra esquerda!
Rebola! Rebola! Rebola! Rebola!”

Tinham uns que já manifestavam o vírus rapidamente, porém, como a destreza era grande e a sem-vergonhice maior ainda, eles já tinham desenvolvido anticorpos para o vírus, pois estavam com jogo de cintura. 

virus rebola e a bronquite braba

A bronquite braba

Agora, a bronquite braba é coisa séria! Tão séria que de tão séria a pessoa fica numa brabeza tão grande, que quando vê um besteirologista em sua frente dá logo aquela bronca. É grito pra um lado, é grito pro outro, susto também. Durante todo o ano, analisamos muitos casos.

Teve até um dia em que a gente foi vítima de uma senhora que transitava pelos corredores. Bastou que ela visse a gente e ela já foi soltando tudo – só não soltou os cachorros porque ela não estava com eles.

virus rebola e a bronquite braba

É, a gente tem uma coleção de casos. E quando eles terminam em risada, vale bem a pena recordar.

Dra Baju (Juliana de Almeida)
Hospital Oswaldo Cruz/Procape – Recife

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Era uma vez…

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Era uma vez… Na verdade, já foram várias vezes.

Mas dessa vez nosso encontro com a C. foi uma ERA diferente. Ela é uma adolescente e a conhecemos há muito tempo. Quando entramos no seu quarto, vimos que estava deitada e parecia sonolenta. Ao seu lado um livro grande. 

Esses dados ajudarão a compor o cenário da história que vamos contar e que fez a nossa tão conhecida visita ter um outro encanto. Leiam agora a verdadeira história de Cinderela na versão bobonesca:

clauderelaEra uma vez uma linda princesa que vivia em um castelo cercada de vários cuidados. Ela vivia feliz até a chegada de uma bruxa (dra Svenza) que lançou um feitiço e a fez dormir por longos anos.

clauderela

Até que um dia, um lindo príncipe (dr. Lui) chegou na floresta e viu Clauderela adormecida no bosque. Como sempre ouviu essa história, ele já sabia que bastava um beijo apaixonado para despertar Clauderela daquele sono agourento. Mas justo na hora do beijo, a bruxa interrompe e diz: 

- Hahaha! Que príncipe é esse?! Não tem cavalo, nem espada!? 

clauderela

A menina escutava e assistia a tudo com um leve sorriso e interesse no desenrolar da história. Mas deu para ver no seu rosto também qual seria a solução que o desfecho dessa história lhe reservava. Movido pelo sentimento de amor e desafiado pela bruxa Svenza, o príncipe Lui pegou um “porta soro” que estava ao lado da cama e fez com ele o seu cavalo. 

Viu um guarda-chuva ao lado da cama da sua acompanhante e, apoderando-se dele, fez uma espada e enfrentou os tantos desafios para provar sua realeza. E nem foi preciso tanto, que ao dar o beijo apaixonado, Clauderela sorri e diz:

- E foram felizes para sempre!

A história poderia acabar aqui, mas na semana seguinte, já com a dra Baju do lado, visitamos a garota novamente e a vimos com uma peruca e uma coroa de princesa na cabeça. 

Não deu tempo da Baju saber da história que contamos com a menina mas fiquei “de cara”, encantado de verdade quando a vi daquele jeito. Será que ela estava brincando com a gente, dando continuidade à história? Será que era uma tentativa de encantar sua vaidade e ter de volta o que se foi? Ou será que era mais um desses acasos que surpreendem a gente e fazem a vida no hospital ter o encanto que tem? 

clauderela

Não sei responder e talvez nem precise, basta acreditar que os sonhos podem ser reais, que a magia faz nosso dia a dia ter a realeza dos príncipes e princesas que se encantam e se desencantam como na velha e linda história do Era uma vez…

Dr. Lui (Luciano Pontes) e dra Baju (Juliana de Almeida)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife 

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Desembarque por aqui

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Dois palhaços tiraram umas férias e resolveram desembarcar no Brasil. Vieram lá do estrangeiro diretamente para o hospital!

Ah, e nós adoramos um intercâmbio! Quem lembra da visita do Le Rire Médecin? E do Cirurgiões da Alegria? E da paspalha da doutora Tomate?

Desta vez, os bobointercambistas importados são o Doctor YAY, que trabalha no pioneiro Clown Care Unit de Nova Iorque (Estados Unidos) e a Anna de Lirium, que faz parte do Red Noses Clowndoctors de Viena (Áustria). Ah, eles são mais conhecidos como os brilhantes artistas John Leo e Tanja Simma.

Anna de Lirium espertamente desembarcou no Recife. Ao invés de se jogar nas lindas praias, foi acompanhar os besteirologistas Baju e Lui pelos corredores do Hospital Oswaldo Cruz. E depois ainda participou do Festival PalhaçAria! A Baju bradou aos quatro cantos:

- Mais uma tonta pra gente administrar!

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Já Yay foi fazer visitas com seis palhaços diferentes (haja paciência!) no Instituto da Criança, em São Paulo. Foi tudo na base da mímica e do palhacês. Em um dos quartos, encontraram um paciente que deu um baile de imitações de todos os bichos possíveis e imaginários. Gastaram todo o seu repertórios de imitações e o pequeno paciente era o melhor – imitava cachorro melhor que muito cachorro por aí… Os palhaços não tiveram nem a chance de contar que o terceiro elemento era um americano!

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O dr. Pinheiro conta mais:

- Quando YAY se apresenta para as pessoas, ele tem um tique. Diz que é o DOCTOR YAAAAAAY e levanta os dois braços juntos! É muito divertido!

Cada passo, uma diversão, cada encontro, uma surpresa. Cada um falando uma língua pelos corredores. E eles deixaram saudade, como contou o Pinheiro:

- Quem sabe um dia cruzamos o oceano e voltamos com histórias do outro mundo…

Seguimos sonhando com novos intercâmbios!

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É saudade que fica

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A vida de fora se mistura com a vida de dentro e a vida de dentro se mistura com a vida de fora.

Essa frase pode soar cheia de outros sentidos e atrapalhar o entendimento, mas o que queremos dizer é que, nessa época do mês de junho, o fogo acende a lenha dos corações e os tetos do hospital se enfeitam de bandeirinhas multicoloridas, se misturando com as danças, comidas e canções. E, assim, vamos trazendo para dentro do hospital o que está fora dele ou o que pensamos estar fora porque, no fundo, tudo está dentro, inteiro e completo como o gosto do milho e das palhaçadas.

Como é de costume e da tradição junina, mês passado percorremos os hospitais parceiros fazendo nosso cortejo do São Joãozinho para embalar a vida de dentro do hospital. As surpresas são sempre bem vindas, como os casamentos desistidos. As quadrilhas improvisadas, as roupas cheias de babados com xadrez e flores colorem os pacientes. O arraial se monta fora das enfermarias e a vida não tem o amargoso do remédio, tem gosto do milho assado e do cozido, do pé de moleque.

é saudade que fica

E enquanto a palha não assa, vamos fazendo graça com o que temos de melhor, sempre! E, dessa vez, até Santo Antônio apareceu! Dr Eu_Zébio veio a caráter, para sorte das solteiras e das encalhadas de plantão! Os pedidos foram feitos e desfeitos até os festejos acabarem, mas desejo é desejo e a vida vira queijo com remelexo. Tá tudo no balão, nas mãos de São João!

é saudade que fica

No Hospital Barão de Lucena, no Recife, o menino R. invadiu o forró, pulou, dançou e bateu palma no ritmo da música. Corria pra um lado, corria pro outro, parava, olhava e soltava beijo. A noiva, a besteirologista Mary En, ficou animada pensando que o garoto poderia ser o noivo da festa. Mas o garoto disse “não” com a cabeça. Então a caça ao noivo continuou.

é saudade que fica

Para o lamento da noiva, todos os médicos estavam casados, namorando ou com tico-tico no fubá. E agora? Um boato correu solto que as “mães do canguru” estavam pra chegar ao arrasta pé (mãe canguru: tipo de assistência neonatal que implica em contato pele a pele entre a mãe e o precoce recém nascido). E o escolhido foi o G., com apenas 1 ano. Eita, mas a Mary En já tá crescida para se casar com o bebê! Resultado: tivemos a brilhante ideia de congelar a dra. Mary En e esperar o G. crescer.

A zabumba foi sumindo, o triângulo foi baixando, a poeira foi assentando. As crianças olhavam todas atentas da porta do salão. É engano meu ou nós, besteirologistas, estamos indo embora? É isso mesmo, chegou a hora da despedida. Mas despedida é algo que está no nosso caderno de lição da Besteirologia. Vamos sentir saudade, mas como disse uma paciente nossa em um momento de pura poesia: Saudade é amor que fica!.

Eita, sô! E num é que ficou!

Dra. Tan Tan (Tamara Lima)
Dra Baju (Juliana de Almeida)

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Bate e rebate

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Às vezes a gente escuta coisas no hospital que batem e rebatem em nós, palhaços, de um jeito diferente. E como não senti-las?

O fato aconteceu quando uma adolescente angustiada com seu tratamento recebeu nossa visita no Hospital PROCAPE, no Recife. Ela era de poucas palavras e reações. De uma hora pra outra, sem mais nem menos, ela me chamou de “porco”.

Parado na porta, eu, por trás da máscara, pensei no que senti ao ouvir isso. Sim, é verdade que me tocou, mas eu sabia que não era de verdade que ela falava. Rapidamente, procurei uma solução para reverter a situação e, fazendo um drama, falando choroso, eu disse:

- Olha, já me chamaram de tudo aqui: de “porta-soro” a “poste de amarrar jegue”, mas “porco? ÓINC! ÓINC!

Soltando essa onomatopeia de porco, “revelei” que, talvez, eu, dr. Lui, fosse um. Saí correndo e a dra. Baju ficou cuidando da situação dramática. Nisso, peguei meu receituário besteirológico e desenhei um porcoChamei Baju e pedi que entregasse à menina. Esperei que ela recebesse a receita médica e, de onde eu estava, só ouvi a gargalhada. Rebati!

Também no PROCAPE, um paciente já íntimo nosso estava todo chateado. Perguntamos a ele se tinha sido por nossa causa, se tínhamos feito algo errado, ao que ele respondeu que não. Perguntamos se tinha sido a enfermeira, ele também disse que não.

Perguntamos se tinha sido algum médico e ele respondeu que sim! Que o médico tinha tocado na barriga dele e que tinha doído. Perguntamos se ele queria que nos vingássemos e ele respondeu que sim.

Então, fomos atrás do médico!


Ao nos depararmos com ele – o dr. Eler-, combinamos que o trancaríamos no banheiro e ele aceitou! Entramos na enfermaria do nosso paciente acompanhados do doutor:

- Então, Dr. Eler… Como vai o senhor?… Vamos entrar aqui, bater aquele papo…

E foi aí que o “trancamos” no banheiro e começamos a bater no porta, enquanto o dr. Eler gritava:

- Ai! Socorro! Desculpa, dra. Baju! Desculpa, dr. Lui!

Em seguida, abrimos a porta do banheiro e, quando saímos, o nosso paciente estava com um sorriso que parecia uma talhada de melancia! É, ele rebateu!

por dr. Lui (Luciano Pontes) e dra. Baju (Juliana Almeida)