Porque hospital também é lugar de arte

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A aproximação entre o universo hospitalar e o campo artístico caminha a passos largos. Parte da ideia de que o corpo humano busca saúde absorvendo diversos estímulos sensoriais.

O palhaço, com sua linguagem própria, é nossa primeira referência. Há 25 anos sabemos que sua atuação reflete na saúde das crianças e na qualidade das relações dentro do hospital.

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Mas também já falamos aqui sobre o Chelsea and Westminster Hospital (o hospital museu, com diversas obras de arte) e sobre a organização Vital Arts, que reúne artistas para pintarem hospitais.

Listamos abaixo algumas outras experiências que aconteceram recentemente e ilustram essa aproximação:

Novos ares

O Instituto da Criança, em São Paulo, recebeu mais de cem reproduções de obras do artista plástico Gustavo Rosa. A ala de diálise do hospital ficou repleta de quadros, em tamanhos grandes, que enchem o olhar de crianças, acompanhantes e profissionais de saúde.

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Todos os dias as crianças comentam algo novo que descobriram nas paredes do hospital! Agora temos um andar colorido e divertido, de onde não param de sair piadas e brincadeiras. E nem preciso dizer que adoramos isso!”, conta Juliana Gontijo, atriz do Doutores da Alegria.

Dou-lhe três…

O Hospital do Mandaqui, em São Paulo, recebeu um leilão de quadros de Mateus Alves, paciente da UTI. Ele pintou, com a boca, os palhaços do Doutores da Alegria. Ele vem aprimorando sua técnica com aulas de pintura oferecidas voluntariamente pelo professor Paulo Ferrari.

Nem só bebês nascem nos hospitais

No Rio de Janeiro, espetáculos nascem nos hospitais. E só depois vão para os palcos – com os artistas e companhias que atuam no projeto Plateias Hospitalares.

Um belo exemplo é “GameShow”, criado pelo grupo Conexão do Bem especialmente para o Hospital Santa Maria, onde pessoas que tratam de tuberculose ficam afastadas em alas de um prédio alto. O espetáculo tem a estrutura de um programa de auditório, no qual a plateia é convidada a participar ativamente, e o desenrolar das cenas e seus desfechos dependem da participação dos pacientes.

Veja outros espetáculos que nasceram nos hospitais.

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Ala cultural

As alas do antigo hospital Vila Anglo Brasileira (1955-90), em São Paulo, deram vida a um espaço cultural. Comprado e reformado recentemente, o local virou sala de ensaio, de criação e palco para apresentações diversas.

“A reforma, porém, não escondeu o histórico do prédio. Os cômodos, alguns com parte dos tijolos aparentes, guardam a cara do antigo hospital, com luzes da sala de cirurgia e alguns objetos antigos (como jarras de medicamentos) expostos”, traz a reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

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Sem títulofonte: Folha de S.Paulo 

Que outras aproximações entre arte e saúde seriam possíveis? Seguimos descobrindo.

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Alojamento conjunto – mães e bebês juntos até a alta

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Mãe e bebê devem permanecer juntos desde o nascimento até a alta. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde, que reforça a importância do alojamento conjunto nos hospitais.

O alojamento conjunto é o local para onde mãe e bebê são direcionados após o parto. No local devem estar profissionais de enfermagem, pediatria e obstetrícia. A medida vale para bebês e mães que não precisam de atendimentos mais específicos ou atenção especial.

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Na portaria publicada em outubro do ano passado, o Ministério define as diretrizes para atenção integral e humanizada à mulher e ao recém-nascido. Nas regras anteriores, de 1993, faltavam especificações. Entre os benefícios do alojamento conjunto estão o estreitamento do vínculo afetivo, o estímulo à amamentação, o autocuidado e a diminuição do risco de infecções. Clique aqui para ver toda a publicação.

Os palhaços também passam por lá

Nos hospitais atendidos por Doutores da Alegria, os palhaços interagem com as mães e seus bebês, atuando para fortalecer o vínculo entre eles, mesmo nas UTIs. É neste período, segundo profissionais e pesquisadores, que os laços afetivos se formam – uma ligação carinhosa traduzida sob a forma de segurar, olhar, beijar e acariciar o bebê.

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Como era antes do alojamento conjunto?

Há pouco mais de 200 anos, os hospitais tinham uma importância insignificante para a sociedade. A maioria das enfermidades era tratada em casa e estar em um hospital era sinônimo de insanidade, epidemia ou acidente.

Alguns poucos hospitais ofereciam leitos para gestantes, mas não dispunham de lugar especial para os recém-nascidos. As mulheres davam à luz em casa, com ajuda de parteiras, geralmente rodeadas de parentes e amigos. Assim que nasciam, os bebês recebiam o calor do corpo da mãe, assim como o leite materno.

Nos anos 1900, aqueles hospitais que recebiam gestantes passaram a ser dotados de enfermarias próprias para recém-nascidos – os berçários – que seguiam normas rígidas de isolamento em função das altas taxas de mortalidade infantil, principalmente por epidemias de diarreia, doenças respiratórias e infecções.

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A ideia de manter mãe e bebê juntos nos hospitais e estimular o aleitamento materno nasceu na década de 50, quando a psiquiatra infantil Edith Jackson criou o “projeto alojamento conjunto” no Grace New Haven Hospital, Estados Unidos. Ela conseguiu demonstrar, entre outras coisas, que os recém-nascidos que estavam com suas mães choravam menos e que a presença de outras mães no mesmo ambiente estimulava a troca de informação.

Aqui no Brasil, até o início dos anos 70, ninguém pensava em manter mães e bebês juntos no mesmo ambiente. No início dos anos 80, surgiram recomendações da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde e do UNICEF sobre o tema e houve uma extensa campanha de incentivo ao aleitamento materno.

Em 82, aconteceu o I Encontro sobre Alojamento Conjunto, reunindo especialistas, obstetras, pediatras e administradores de maternidades de todo o Brasil. O Ministério da Saúde finalmente estabeleceu a obrigatoriedade do sistema de alojamento conjunto em todo o país e, desde então, a maioria dos hospitais brasileiros vem se adaptando à lei.

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Saiba mais sobre a história do alojamento conjunto clicando aqui.

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As pequenas tragédias e a vida do lado de fora

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Assim como a vida do lado de fora, a vida dentro de um hospital é repleta de pequenas tragédias.

Uma médica conta que certa vez dois vizinhos, amigos, brigaram e um deles deu um tiro no outro. Foi levado ao pronto socorro. Pouco depois o outro vizinho também chegou ao hospital, pois tinha ficado nervoso e enfartou. Os dois passaram um bom tempo na emergência, um ao lado do outro.

Na Grécia Antiga, as tragédias eram textos teatrais que nasciam das paixões humanas. Eram capazes de transmitir ao público as sensações vividas pelas personagens.

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Uma agulha que não encontra a veia, a despedida de um colega de quarto, uma criança enfrentando doença de gente grande. Somos capazes de sentir na pele.

Para um palhaço, as pequenas tragédias entram como alimento nos motores da criação, do improviso. Ele tem plena abertura para o que chega. Tudo o que acontece à volta do palhaço é considerado por ele, tudo pode ser ressignificado. As dificuldades são reconhecidas, transpostas e transformadas – nada é minimizado. E é com esse estado de espírito que o trabalho flui, trazendo contornos à realidade do hospital.

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Mas também há tragédias grandes. Tragédias que vêm do lado de fora.

Anas al-Basha era um sírio de 24 anos que atuava como palhaço em Aleppo. Ele era voluntário da organização não governamental síria Space of Hope e se apresentava para as crianças em meio ao cerco da cidade. Foi morto num ataque aéreo.

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“Ele se recusou a sair da cidade para continuar o trabalho como voluntário para ajudar os civis, dar presentes e esperança às crianças”, escreveu Mahmoud al-Basha, irmão de Anas. Assim como milhares de palhaços em zonas de conflito, Anas fazia da tragédia seu alimento. E, infelizmente, por ela foi consumido.

Nos últimos dias temos visto cenas e pedidos de socorro de crianças desta guerra. Sem muito poder fazer, a não ser clamar por uma decisão política que suspenda o reforço bélico das tropas, sentimos na pele.

Sentimos muito. E seguimos enfrentando, munidos de arte e humanidade, as pequenas tragédias do dia a dia.

Um novo marco para o terceiro setor

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A partir de 2017, as organizações da sociedade civil precisarão se adaptar a novos parâmetros em sua relação com o poder público. Quem conta mais é Daiane Carina P. Ratão, Diretora de Relações Institucionais do Doutores da Alegria.

IMG_1240Daiane fala sobre a lei durante 4º Encontro Nacional de Palhaços/ Luciana Serra

A lei 13.019/2014, que ficou conhecida como Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, entrou em vigor em 13 de janeiro de 2016 na União, Estados e Distrito Federal. Nos Municípios a lei estará vigente a partir de 1 de janeiro do próximo ano.

O Marco traz diretrizes que vão garantir mais transparência ao setor, a partir de um novo regime jurídico das parcerias entre a administração pública e as organizações por meio de novos instrumentos jurídicos que foram criados: os termos de Fomento e Colaboração, para parcerias que envolvam recursos financeiros, e o Acordo de Cooperação, no caso de parcerias sem repasses financeiros.

+ Entenda a lei: clique e veja a transmissão ao vivo sobre o assunto

A implementação da lei estipula a gestão pública democrática nas diferentes esferas do governo e valoriza as organizações da sociedade civil como parceiras do Estado na garantia da efetivação de direitos. Mais que uma lei, trata-se de uma agenda política ampla, que tem como propósito aperfeiçoar o ambiente jurídico e institucional relacionado às organizações da sociedade civil.

Com o Novo Marco Regulatório, o que muda para as organizações? Qual o seu impacto para os grupos e indivíduos que atuam no ambiente hospitalar ou em outros ambientes de saúde?

A lei traz para as organizações a necessidade de agir com mais planejamento e de comprovar tempo mínimo de existência. Será preciso demonstrar e comprovar capacidade técnica e operacional para a realização das atividades e competência para avaliar e medir os resultados que se pretendem alcançar enquanto organização da sociedade civil. 

+ Veja a Plataforma Por um Novo Marco Regulatório

Na prática, significa que o gestor público tem a obrigatoriedade de realizar chamamento público para a seleção de organizações, bem como exigir dos grupos e indivíduos que pretende firmar parceria a apresentação de planejamento, capacidade técnica para execução das atividades, monitoramento das ações, avaliação e prestação de contas.

O aprimoramento e a profissionalização das organizações que atuam no terceiro setor é uma tendência sem volta no Brasil. Todo este movimento beneficia a sociedade como um todo, em especial o público em situação de risco e vulnerabilidade social.

E a sua organização, está preparada para esta nova realidade?

Pokemon Go nos hospitais – ou como o virtual constrói novas relações

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Muitos tratamentos exigem que a criança hospitalizada faça caminhadas pelos corredores para se recuperar. Levantar da cama, esforçar-se para mexer o corpo, encontrar outras pessoas e respirar novos ares pode contribuir para deixar o hospital mais rápido.

O jogo para celular Pokemon Go, que recentemente chegou ao Brasil, vem incentivando crianças de hospitais mundo afora a deixarem seus leitos em busca de uma boa aventura. Profissionais de saúde e familiares dos pequenos também entram na brincadeira, caçando os bichinhos e tornando o hospital um lugar um pouco menos frio.

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Com base na realidade virtual, o jogador precisa andar e mover seu celular para caçar os bichinhos. “As crianças estão explorando um lugar que, há cinco minutos, talvez elas tivessem medo. Agora elas querem ver cada canto do hospital e aprender sobre ele”, conta J.J Bouchard, profissional da administração do C.S. Mott Children’s Hospital, nos Estados Unidos.

Além do benefício da caminhada, o jogo tem promovido encontros. Segundo o jornal Huffington Post, o pequeno Ralphie, de seis anos, tem transtorno do espectro autista e sente dificuldade em situações sociais. Mas jogar Pokemon Go ajudou-o a conhecer crianças de sua idade pelos corredores.

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Aqui no Brasil, as crianças hospitalizadas vêm fazendo uso do celular há muitos anos para se distrair dos longos momentos de internação. Os palhaços, que traduzem o mundo a partir de uma linguagem própria, entram no jogo, criando uma relação que transita entre o virtual e o real com cada criança. Pokemon Go certamente trará uma nova experiência para as intervenções artísticas.

Até quando o jogo será interessante a ponto de manter os pequenos caminhando não sabemos. E que outras inovações baseadas na realidade virtual surgirão… Também não. O fato é que o mundo virtual não tem fronteiras e pode desassossegar relações humanas, alterando a rotina de locais bastante intocáveis como os hospitais.

O que nos resta é continuar apostando na força dos encontros que dão um empurrãozinho para a recuperação da saúde.

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Precisamos falar sobre isso

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Há algum tempo escrevemos sobre a ideia de que é preciso parar de dizer a pacientes com câncer o que eles deveriam estar fazendo para se curar.

A inspiração veio do artigo do jornalista Steven Thrasher para o jornal britânico The Guardian. A partir de experiências pessoais, Steven acredita que ao recomendar o que uma pessoa doente deve fazer, “você está dizendo: eu não deixaria isso acontecer comigo do jeito que você está deixando acontecer com você – uma maneira sorrateira e prejudicial de lidar com seu próprio medo da morte”.

+ Leia aqui a matéria Quando não há nada a fazer

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Recentemente o Instituto Oncoguia vem fazendo uma campanha sobre o que os pacientes gostariam de ouvir de familiares e amigos. E, claro, o que também prefeririam não ouvir.

Colhemos algumas respostas:

Quando a água chega no pescoço é que a gente aprende a nadar. Cabelo é o de menos; cabelo cresce, fulana morreu de câncer… Nada disso precisamos ouvir. Se fosse tão insignificante teríamos muitas carecas voluntárias por aí. Uma das alegrias do fim tratamento é quando o cabelo começa a crescer.
por @f_bolzan

Eu estou em tratamento, mas me sinto bem. Vou a festas de família e amigos mas sinto os olhares de pena das pessoas e isso me incomoda muito. Parece que só porque estou com câncer eu não tenho o direito de sorrir, me divertir.
por @rose_boaroli 

Acho que uma das coisas que mais me irritam é quando dizem é só cabelo, ele cresce. Dá vontade de dizer “raspa o seu, então”. É óbvio que cresce, mas nem todo mundo sente da mesma forma, as pessoas deveriam aprender a respeitar o sentimento do outro.
por @parmanhe 

Fico muito triste quando ouço a palavra “câncer” para substituir um grande problema. Por exemplo: falando sobre corrupção, a pessoa diz “isso é um câncer, não tem cura…” RESPEITO, por favor.
por @ariadnarrd 

Depois do tratamento e você sobreviveu, as pessoas acham que você pode ser sobrecarregada com os problemas do mundo, afinal suportou um câncer. Por favor, não coloquem mais cargas nas nossas costas. Superar o trauma às vezes é tão difícil quanto o tratamento em si.
por @ clesiaspl 

E ouvir “Nossa, tá com câncer? Isso é castigo” Não somos premiados e nem castigados com doença alguma, somos seres humanos e todos estamos sujeitos a adoecer.
por @alinedantas940 

(fonte: perfil do Instituto Oncoguia no Instagram / https://www.instagram.com/oncoguia)

Os depoimentos de quem já tratou ou trata o câncer trazem a importância da escuta – não só dos amigos e familiares, mas também de profissionais de saúde e pessoas que desejam se voluntariar em hospitais. É preciso estar atento ao outro e, principalmente, livrar a mente de pré-conceitos sobre a doença.

Com a campanha, o Instituto colhe os depoimentos e cria cartões semanais com as frases, disponibilizando informações qualificadas e incentivando um novo olhar sobre a doença. Muuuuuito bacana!

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Retrospectiva: 2015 foi assim

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O ano nos reservou histórias e momentos marcantes. Delicados e emocionantes. Raros. Alguns tensos, assustadores. Outros engraçados, transformadores. 

Aqui no Blog os palhaços contaram mais de 100 histórias que os marcaram nos hospitais. Também teve textos reflexivos sobre alegria, saúde, arte… Palavras que compõem o mundo que nos rodeia, e que tem rodado tão rápido. Neste espaço buscamos uma pausa para a leitura, para entregar e dividir com você momentos que nos marcaram. A escrita nos ajuda a manter o passo.

Os melhores momentos de 2015

Saudade de uma internação

Começamos o ano contando sobre a saudade que ficamos de alguns pequenos pacientes que não encontramos mais nos hospitais.

+ > leia a história

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Obrigado, Sacks!

Em março falamos da revelação do neurologista e escritor Oliver Sacks sobre sua doença. Grande inspiração, para nós, Sacks descobrira um câncer em sua fase terminal. Ele faleceu em agosto, aos 82 anos.

+ > leia a história

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Um olhar além

A força dos encontros e como eles podem afetar o nosso corpo é a base conceitual do nosso trabalho. Falamos sobre como a alegria ativa o corpo humano e traz benefícios para a saúde. Talvez seja a própria saúde.

+ > leia a história

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A música me salvou

A arte em forma de música salvou a vida de uma criança. Lançamos a bandeira do acesso à arte como um direito básico e universal, inclusive para as populações mais vulneráveis, como dissidentes de guerras e pacientes em hospitais públicos.

+ > leia a história

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Imagine um hospital que…

Falamos sobre um experimento que uniu mais de 600 pessoas de nacionalidades diferentes em busca de um sistema de saúde que atenda às necessidades contemporâneas, com novas forças sociais, econômicas, tecnológicas e epidemiológicas.

+ > leia a história 

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Se algum dia me vir chorando

Nem sempre os besteirologistas são queridos à primeira vista. Naquele dia, precisamos ir além da máscara do palhaço pra fazer a pequena paciente acreditar que por trás daquele nariz havia um ser humano que também era chorão.

+ > leia a história

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Diário de um pequeno rebelde

Em abril contamos sobre um jovem que insistia na agressividade com os palhaços. Talvez ele apenas precisasse de carinho.

+ > leia a história

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Histórias de mães

Maio foi o mês das mães. Pedimos a elas que contassem histórias especiais com seus filhos em hospitais. Foram 25 histórias que só podiam ser escritas por mães <3

+ > veja a série de histórias

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Quando a vida real invade a ficção

A Dra. Pororoca ficou gravidíssima esse ano. Ela conta como trabalhou em trio, dois adultos e um bebê na barriga.

+ > leia a história

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Os dois lados da mesma esquina

Contamos sobre um daqueles momentos que nos pegam de calças curtas. A senhora pedia um abraço pois o neto havia partido.

+ > leia a história

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O fantástico leilão do Mateus

O Mateus é um jovem paciente da UTI Pediátrica do Hospital do Mandaqui que nos conhece há muito tempo. Ele resolveu presentear cada palhaço com algo muito especial.

+ > leia a história 

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A doença vale a pena

Será possível encontrar algo de precioso na doença? Algo que a faça valer a pena?

+ > leia a história

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Uma história sobre o inevitável

O que a iminência da morte pode nos provocar, nos ensinar? Aquela visita nos tocou profundamente.

+ > leia a história

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Essa nossa dúvida

Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos? Dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. 

+ > leia a história

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Quer mais histórias?

Percorra o Blog dos Doutores da Alegria para ver outras histórias sobre o nosso trabalho. E depois nos conte: qual foi sua história preferida em 2015? Em 2016 tem mais!

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Amigo Sangue Bom!

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Uma bolsa de sangue pode salvar até sete vidas.

Hoje, 25 de novembro, é o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue. Você já doou alguma vez? Tem vontade?

Os alunos da Faculdade de Medicina da USP, por meio da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, lançaram o Desafio Amigo Sangue Bom com a intenção de intensificar a prática da doação de sangue em parceria com a Fundação Pró-Sangue.

veja aqui os pontos de coleta de sangue (hemocentros)
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O desafio Amigo Sangue Bom

O desafio é simples: doe seu sangue e desafie 3 amigos a doarem também. Grave um vídeo e publique nas redes sociais. Não precisa ser nada elaborado! Faça com os seguintes hashtags: #amigosanguebom e #AAAOCsanguebom. Assim, todos podem acompanhar a evolução das doações da campanha.

Quando for doar, não se esqueça de identificar-se como Amigo Sangue Bom. A equipe da Pró-Sangue está orientada a recebê-los. Se você já é doador e doou há menos de três meses (no caso das mulheres) ou há menos de dois meses (no caso dos homens), não tem problema! Ou, se você for magrinho ou magrinha ou não preencher os outros critérios para doação de sangue, não tem problema também. Desafie 3 amigos a doarem no seu lugar! 

Sangue? De onde vem? Pra onde vai?

fonte: site da Fundação Pró-Sangue

O sangue é um tecido vivo que circula pelo corpo, levando oxigênio e nutrientes a todos os órgãos. É produzido na medula óssea localizada nos ossos chatos: vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno. Ele é composto por células sanguíneas: glóbulos vermelhos ou hemácias, glóbulos brancos ou leucócitos, plaquetas ou trombócitos.

Após a coleta, a bolsa de sangue é encaminhada ao fracionamento, onde será separada em até quatro hemocomponentes.

As hemácias (glóbulos vermelhos) são utilizadas em casos de anemia (acidentes, cirurgias, transplantes, doenças crônicas etc). O concentrado de plaquetas é utilizado em pacientes com tratamento anticâncer e transplante de órgãos para evitar e tratar hemorragias. O crioprecipitado e o plasma são destinados a pacientes com alteração de coagulação e trombose e podem ser transformados em hemoderivados. O concentrado de leucócitos (glóbulos brancos) é utilizado no tratamento de infecções na deficiência de glóbulos brancos. 

Após esses procedimentos, as bolsas são armazenadas em local especial e em temperatura adequada para conservação por até 42 dias.

O prazo é curto, por isso as doações precisam ser constantes e se tornarem uma prática. Doe sangue e ajude a salvar vidas!

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Essa nossa dúvida

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Quando decidimos explorar o hospital como palhaços, miramos na figura do médico.

Foi o médico, lá em 1991, que inspirou o personagem “besteirologista”. Nosso figurino recebeu mais uma peça – o suntuoso jaleco, manto da profissão – e itens que parodiavam estetoscópios, termômetros e receituários. Cada artista incorporou o seu besteirologista: Dr. Zinho, Dra. Emily, Dra. Sirena, Dr. Lui e tantos outros.

Palhaços e médicos se colocam a serviço do outro e nutrem-se dos mesmos elementos para suas atuações: olhar, ouvir, compreender necessidades, interagir. O contraste talvez esteja na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro.

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Enquanto um erro do médico pode ser fatal, o besteirologista treina para o tropeço, para bater com a cara na porta. É no erro que se constrói graça e cumplicidade. Como pacientes ou meros espectadores, amparamos a sua fragilidade e rimos de suas trapalhadas.

No hospital a perfeição é exigida em cada detalhe. O palhaço ajuda a lidar com a vulnerabilidade da condição humana, com nossos conflitos e dificuldades, atuando para expandir os limites do comportamento.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

O palhaço nos leva a aceitar a dúvida e a hesitação; enquanto esperamos respostas rápidas e salvadoras da figura médica. Dá pra imaginar o peso da profissão, de cada palavra ou esperança dada!

Hoje o nosso trabalho nos hospitais ainda segue a paródia do médico, mesmo que superficialmente. As visitas leito a leito e o jaleco espelham a profissão. Mas dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos?

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Talvez cada hospital tenha as suas questões. O Instituto da Criança, referência em São Paulo, é diferente do Hospital do Campo Limpo, que é diferente do grande Hospital Barão de Lucena, no Recife, ou do Hospital Santa Maria, que trata pessoas com tuberculose no Rio de Janeiro.

A busca por essa resposta também é motor de diálogos e pesquisas hoje no Doutores da Alegria. Artistas e corpo administrativo pensam juntos. E a reflexão com a sociedade, com quem habita esses lugares públicos, é um passo importante nesta jornada.

Assim como o palhaço, deixemos que a dúvida faça sempre parte do trajeto.

Existir para…

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O dia a dia de uma organização está pautado por constantes e sucessivas indagações.

Por um lado estamos sempre nos perguntando se o propósito lá do início, em 1991, de levar a alegria do palhaço profissional para os hospitais públicos ainda é a estratégia mais contundente que podemos oferecer para transformar uma situação tão delicada que é a internação hospitalar.

E por outro lado, estamos sempre atentos se estamos conseguindo traduzir os fundamentos da organização – sua missão e estratégias – para a sociedade de maneira clara e possibilitando sua participação.  

Este aval da sociedade para uma organização como Doutores da Alegria é fundamental tanto quanto o impacto em nossos pequenos pacientes. Ela representa também o porquê de nossa existência. Essa dinâmica é o motor de uma associação viva, com finalidade pública, que atua inteiramente financiada por recursos da sociedade: verificar constantemente o impacto social das nossas ações e possibilitar que nossas estratégias sejam entendidas e adotadas pelas pessoas. O que era somente nosso por um instante passa a ter muitos donos. 

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Depois de 24 anos temos muito a celebrar pelos resultados alcançados e muito a exigir de nossa atuação adiante para contribuir por mudanças consistentes de que tanto nosso Brasil precisa. Os feitos estão relacionados ao que temos hoje no país de boas ações e políticas para mudar os hospitais, tendo em vista melhorar a experiência da internação pela ótica do paciente e de como o palhaço contribui para isso. E se no início o palhaço gerava estranhamento e indagação de sua pertinência, tempos depois seu exemplo trouxe diversas atividades para dentro hospital com o objetivo de “humanizar” o ambiente.

Parece muito, mas parece ser muito pouco. 

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Ainda muito falta a fazer pela saúde pública no país. Brasil afora, mesmo nos grandes centros, vemos hospitais estagnados, estruturas de serviço totalmente dissociadas dos valores mínimos de cidadania e direitos básicos. Profissionais desvalorizados, mal remunerados e insuficientes. Espaços físicos de atendimento que não poderiam estar em uso em várias funções públicas, muito menos para cuidar de humanos. 

Mesmo com tanto a comemorar, estamos sentindo um gosto amargo de que nosso país avança a passos muito lentos e isso nos persegue nas reflexões e na busca por soluções que gostaríamos de gerar para todos os hospitais brasileiros. 

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Doutores da Alegria atua no campo subjetivo, quer existir para melhorar as relações entre as pessoas. A ficção e a paródia possibilitam um novo significado ao real. O palhaço, ridículo, nada heroico, procura pela sua existência que não se impõe, que não se faz necessária ou importante, traz esta dimensão do humano que parece que está se esvaindo.

A organização transita pela saúde, pela cultura, pela assistência social. Como o ser, que não pode ser fracionado, também não estamos em um único campo de atuação; da mesma forma que não nos associamos à cura dos sintomas, mas deixamos que o organismo manifeste como está funcionando. 

A arte afeta as relações, nos ensina a pensar e a sentir o que não foi dito ou traduzido. Depois de 24 anos, sabemos que nosso existir não é mais o mesmo. Estamos inquietos, sempre buscando. 

 “A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…”

“Comida” (Titãs – Arnaldo Antunes/Sérgio Brito/Marcelo Fromer –  1987)

Luis Vieira da Rocha