Gostaria de começar esse relatório dando continuidade ao relatório anterior dos meus queridos parceiros de palhaçaria e de Grajaú.

Dr. Sandoval nos relatou um causo em que Dra Juca, em uma consulta médica, lia a mão do Dr. Dadúvida e via ali que um amigo muito próximo que tinha uma meia vermelha iria traí-lo. E o Sandoval imediatamente escondeu as meias vermelhas e assim fez com a gravata vermelha, o boné vermelho até sair correndo do quarto pra não mostrar a cueca vermelha.

O que ele não contou foi que no outro quarto, que estava com a porta aberta, a história da cueca continuou e ele teve que entrar no banheiro para tirá-la e provar que ela não era vermelha pro Dr. Dadúvida. Enquanto ele estava lá no banheiro, Dadúvida mostrava pro garoto que estava na cama, tudo o que iria fazer com o Sandoval quando ele saísse de cueca vermelha do banheiro. Só que as demonstrações eram feitas na Dra. Juca, que levou tapas nas orelhas, puxões de cabelo, chutes na bunda, ect, até ficar tonta!

Quando o Sandoval saiu do banheiro, para surpresa de todos, não estava de cueca vermelha e sim com a calçola da Juca, que é branquíssima, pois ela nem vai trabalhar de calcinha pra não sujar! Nova correria, e no outro quarto, no qual uma garota, que já acompanhava tudo pelo som da confusão que estava no quarto ao lado, presenciou Dadúvida que pediu pro Sandoval mostrar a cueca que estava usando para ela (certo de que estaria expondo seu parceiro, e possível traidor, ao ridículo, por usar uma calcinha de mulher). Mas Sandoval exigiu dinheiro para mostrar a cueca novamente. Dadúvida retirou uma nota de cem reais, um notão, do bolso do Sandoval e deu pra ele a sua própria nota. Sandoval pediu mais dinheiro e Dadúvida pegou novamente a mesma nota e deu pra Juca dar pra ele. Sandoval pediu mais ainda e Dadúvida pegou a mesma nota e deu pra menina que estava na cadeira do quarto dar pra ele. Sandoval aceitou o dinheiro, mas Dadúvida disse que agora ele estava muito rico e deveria dar pelo menos cem reais para os seus parceiros. Sandoval concordou, deu o dinheiro pro Dadúvida e pediu pra todos fecharem os olhos pra ele mostrar a cueca. Quando todos abriram os olhos, Sandoval não estava mais no quarto e quem estava com as calças no chão e com o cuecão de flores vermelhas à mostra era o Dadúvida, que saiu morrendo de vergonha de ter mostrado a cueca pra menina!

Em três quartos, vivemos uma só cena. O interessante é que mesmo se as três crianças, que estavam nos seus respectivos quartos, não tivessem acompanhado, pelo som, o que estava acontecendo nos outros quartos, não haveria problema, pois eram acontecimentos independentes. O melhor de tudo é que teve gente acompanhando tudo das portas e viram a continuidade do jogo. Isso foi muito prazeroso para nós. Inclusive a garota do primeiro quarto levantou e foi acompanhar os outros quartos da porta.

Agora dando continuidade ao relato do Dr. Dadúvida, nesse hospital também encontramos pessoas que não conhecem palhaço. E nos acompanham pelos corredores com a curiosidade de quem quer se divertir e saber mais sobre esse ser que parece tão fora desse planeta, mas ao mesmo tempo, está totalmente conectado com ele. Isso aumenta a nossa responsabilidade com o nosso trabalho. Isso nos faz querer repensar nossos figurinos, trabalhar as cenas que achamos mais interessantes, discutir a realidade que estamos nos deparando no Grajaú.

Isso também nos faz ver o quanto queremos estar lá. Como artistas, cidadãos, palhaços. Provocamos, mas também somos provocados diariamente nesse hospital. Sempre que terminamos o trabalho, nossa conversa no nosso “camarim” é artística, mas também é política. Estamos nos misturando com o hospital e entre nós. Acho que em dois meses de trabalho já estamos parecidos, pois estamos permeáveis.

Isso para dizer que estamos muito felizes de poder realizar esse trabalho. Que agradecemos ao hospital Grajaú por nos receber lá e que nossas vidas estão sendo modificadas. Queremos fazer nossa parte. E bem feita!

PÉROLAS DO MÊS:

“Acordeon é pra acordar. Pra dormir é acordeoff!”

” Sabe por que as vacas na Argentina ficam olhando pro céu? É que lá tem buenos aires… ”

” – Esse palhaço está sempre atrasado – Diz uma moça no elevador, que esperava pelo Sandoval.
– É… ele é nosso retardatário! – Diz Juca Pinduca
– Não fala assim, Juca! É politicamente incorreto. É deficiente mental que se fala! – Conclui Dadúvida.”

Beijo enorme,

Dra Dona Juca Pinduca

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