[img:Dr._Man___Pereira.JPG,full,centralizado]

Olá, caro leitor que lê este relato atentamente ou com displicência. Não que eu queira chamá-lo de displicente, tão pouco chamá-lo de atento. Longe de mim tal julgamento. Pois como dizia a mãe do filósofo Sócrates¹ quando ele ia jogar futebol: “Tua cabeça é teu guia”. Para muitos esta frase pode soar como libertária, mas para mim, que tenho como guia a minha cabeça, pensar se torna uma tarefa difícil.

[5 dias depois…]

Lembrei-me de um assunto para retomar o relatório, obrigado memória². Este é o mês da despedida no Hospital do Campo Limpo. Não chorem, também não pulem de alegria. Tenham apenas reação esperada. Mesmo porque eu vou, mas os palhaços ficam. E os Besteirologistas que ganharam (no palitinho) o direito de trabalhar neste nosocômio³, foram os ilustríssimos Dr. De Dérson e Dr. Dadúvida, que são um dos 239 mais, ou melhor, 238 mais mais, do ramo da Besteirologia, segundo pesquisa do Institute Medical Besteirologic for Children and Mad Doctor´s de Otawa, EUA, e são 3º no ranking Yī Yuàn Xiǎo Chǒu Institute de Pequim, China. Portanto não pouca m#*ê}®æ . Dispensamos o tapete vermelho. Abram alas…

[2 dias depois… e uma xícara de café]

Retomando o relato. Este mês de fevereiro é um tanto incomum nos Doutores da Alegria. É chamado mês do cachorro louco e serve para que vários Besteirologistas troquem experiências, entre eles, consigo próprio e observem outros nosocômicos, tendo como pergunta: “Será que a comida daqui é boa?”. Entre outras questões que permeiam o universo da… o universo.

Então aproveitando este raro momento, tive o privilégio de trabalhar com alguns dos mais mais da Besteirologia. Não me vem o nome deles agora, mas teve um “fino”, elegante, um Lord, que proporcionou um dos momentos mais belos deste mês incomum.

Estávamos no Hospital do Campo Limpo, era terça. Depois de várias visitas, chegamos à UTI infantil. Bebês dormindo, mães cansadas, profissionais atentos. No canto havia um pai e uma menininha no berço. Nós olhamos, ela nos olhou. Tentamos um procedimento e outro e nada. Nada a interessava. Saímos e fomos para outro quarto. Ao lado, meu colega Besteirologista, (não lembro o nome, mas era “fino”, elegante, um Lord) com a doçura que uma UTI pede, tocou uma música improvisada na sua flauta. A menininha no berço ficou na ponta dos pés, amparada pelo pai, ao ouvir a melodia. Voltamos até ela, que dançou de leve, suave como aquele instante.

Na quinta-feira, voltamos. Estávamos na entrada do elevador, de repente surge o pai com uma menininha no colo. Ela, ainda muita fraca, olha pra este meu colega e segura seu braço. E, no seu olhar, algo muito bom.

Como se diz por aí: “Ela deu um feedback.”

Este foi um relato sobre um momento e um colega que não lembro o nome, mas com certeza é “fino”, elegante, um verdadeiro Lord.

Grossário

¹ Sócrates – Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (Belém, 19 de fevereiro de 1954), o Doutor Sócrates, Doutor, Magrão, ou simplesmente Sócrates. Foi um dos principais jogadores de futebol do Brasil e um dos maiores ídolos do Corinthians, ao lado de Roberto Rivellino. Dentro de campo era reconhecido por seu estilo elegante. Uma característa do jogador que marcou sua passagem pelo futebol foi sua habilidade e uso inteligente do calcanhar. Mas era um jogador completo, marcava gols de falta, de cabeça e de fora da área com frequência. Dava assistências perfeitas para seus companheiros marcarem muitos gols.

² Memória – Beatriz Sayad, atriz e diretora graduada pela École Internationale de Théâtre Jacques Lecoq, na França e pela PUC-RJ. Em teatro trabalhou, entre outros, com J. C. Serroni, Luís Otávio Burnier, Daniele Finzi Pasca, Cláudia Schapira, Lu Grimaldi, André Riot-Sarcey e Maria Thais. Foi uma das fundadoras do Pequeno Teatro Sunil, ramificação no Brasil do Teatro Sunil suíço. É colaboradora da Cia. Teatro Balagan.

³ Nosocômio – (grego nosokomeîon) V hospital. – (lat hospitale) sm Estabelecimento para internação e tratamento de doentes; nosocômio – (grego nosokomeîon) V hospital. – (lat hospitale) sm Estabelecimento para internação e tratamento de doentes. nosocômio – (grego nosokomeîon) V hospital. – (lat hospitale) sm Estabelecimento para internação e tratamento de doentes.

Por Dr. Mané Pereira (Márcio Douglas)
Doutores da Alegria São Paulo