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Depois de muitas despedidas, choros, escândalos, chantagens emocionais e muita festa, chegamos ao fim de um belo ciclo, como todos sabem todo ano temos a oportunidade de trabalhar com um novo parceiro em um novo hospital.

– Para dar um descanso para o hospital antigo (ninguém é obrigado a enfrentar mais um ano um quarteto tão maluco);
– Para conhecer novos Besteirologistas (e sentirem muito por terem perdido um quarteto tão maluco);
– Para novos palhaços conhecerem gente tão fina e no final do ano sentirem muito por terem que abandoná-las.

Tudo isso é um grande exercício. Esse exercício do desapego me mata, mas isso é liberdade e a arte é um símbolo desse grande exercício. Esse ano para mim foi absolutamente marcante em muitos sentidos, mas vou tocar aqui no que se refere à arte: ser palhaço é ato vertiginoso, me abre portas para entrar numa dimensão sensorial que na vida cotidiana me policio, como um bom cidadão que não quer ser notado nos seus afazeres mais corriqueiros e tenta se encaixar de uma forma maluca nos rótulos da normalidade. Viajamos num mundo de sonhos e realidades “quixotescas”.

Muita gente vê esse trabalho como profissionais de muito bom coração, que resolveram levar alegria a um ambiente tão desprovido da mesma, isso poderia até ser verdade se, em primeiro lugar, não viesse a preocupação de cada vez mais a arte ser o veículo escolhido para exprimir o idioma da alma. A alma não é boa nem má, não necessita de rótulos tão bobos. Ser é mais simples. Essa dedicação fez com que, este ano, nós quatro, artistas que por uma atitude magistral do “destino” nos colocou juntos no Instituto da Criança. Eu, Dr. Dadúvida, Dr. Pistolinha, Dr. De Dérson e Dra. Zuzu mergulhamos com muita gana nessa linguagem, o “Palhaço no universo do hospital”.

O ICr nos ajudou muito nisso, seus percursos, seus funcionários, que foram parceiros de primeira, enfermeiros, médicos e dando a retaguarda necessária uma equipe de profissionais que não aparece nos quartos dos hospitais mas estão todos ali com certeza. Os Doutores da Alegria como um todo, uma equipe que foi essencial para que pudéssemos criar com tranqüilidade muitas cenas, muitos questionamentos, muitas vontades, inquietudes e espetáculos e que sempre apostou em artistas de qualidade para um trabalho tão sensível, tudo isso provocando em nós quatro a vontade de nos comunicarmos artisticamente, cada vez melhor com nosso maior interlocutor, a criança, que é um público de exigência requintada, porque criança é, e não tem dúvida disso.

Vocês viram este mês muitos artistas na mesma situação, experienciando novas possibilidades, novos parceiros, novos hospitais, e os que conquistaram o nosso lugar foram quatro artistas da melhor qualidade, artistas que tem uma visão da arte como poucos que vocês já conheceram, são criadores em potencial de obras-primas: Dra. Lola (Luciana Viacava), Dra. Manela (Paola Mussati), Dra. Shirley (Sheila Arêas) e um velho conhecido de vocês, o Dr. Pistolinha (Duico).
Eles vêm por aí, preparem-se.

Dr. Dadúvida (Davi Taiu)
Doutores da Alegria São Paulo