Ah, Essa questão do tempo para o palhaço! De novo volto a pensar sobre este assunto. Desde o relatório passado estou pensando, quer dizer, penso sempre, mas sobre o tempo é a primeira vez, agora vou dizer uma coisa: quem pensa que palhaço não pensa, pensou errado!

Veja o meu pensamento, quer dizer, leia o meu pensamento: Comecei a pensar onde o tempo está metido, onde tem tempo eu pensei, “quando é pra ser será!”, “quando chegar é isso mesmo!” ,“o tempo de cada coisa!” “quem espera sempre alcança!”, “antes tarde do que nunca!”, “ só o tempo cura!”, “o tempo é o melhor remédio.”, “o tempo é quem dirá.”, “o tempo vem e vai.” ,“não tenho tempo pra perder!”, “ vai que da tempo.”, “o tempo ta fechado.”, “tem tempo que estou aqui.”, “perdi tempo com você.” ,“é tempo dessa fruta.”, “segundo tempo.”, “último tempo.”.

Ah, de tudo isso, a coisa que concluo de imediato é que o tempo está em tudo, ou não seria tudo está no tempo?

EURECAAAAAAAAAA!

É isso! É isso! Olha só, imagina uma coisa que você quer muito, muito mesmo. Ainda não aconteceu? Bem, isso não significa que ela não virá ou que não existirá nunca, é porque ainda não veio, mas ela existe dentro do tempo, quer dizer, ela está no tempo dela, e quando chegar o tempo, ou seja quando ele passar ele irá trazer junto a coisa que você tanto deseja. Olha, vou confessar, eu pensei sobre essas coisas, porque aconteceu uma coisa que esperávamos há muito tempo: Simplesmente num dia, assim, assim, do nada, surgiu em nossa frente. Estávamos trabalhando normalmente, muito Miolo Mole em lugar errado, cirurgia de emergência, pés cruzados sobre os outros, calcinha furada de Dra. Pororoca, sumiço de Dr. Titetê no armário, tudo normal, mas quando Dra. Pororoca e eu entramos no quarto na CTI para atender o garoto do cobertor, Juju, antigo paciente e bem conhecido por suas reações e também por ser personagem em nossos relatórios anteriores. Uma surpresa! Aquele dia aconteceu algo inacreditável da sua reação em relação a nós, besteirologistas. Vou ser claro caros colegas de trabalho, é sabido por todos que algumas crianças tem medo da gente, de médico. Isso é normal. Mas um ano e meio tendo medo, isso era uma patologia que me levava a pensar que eram os meus parceiros de trabalho que poderiam estar causando aquela reação no garoto. Dra. Pororoca ou Dr. Titetê, pois eu, Dr. Custódio tomo banho sempre, e eles, uma vez ao ano. Mas o fato é que ele nos chamou, disse nossos nomes! Nesse momento, paramos diante dele, com os olhos arregalados e boca aberta, recebemos naquele tempo, naquele exato tempo a coisa que esperávamos acontecer: “… E assim vamos seguindo nossa sutil comunicação com esse menino tão miúdo e tão gigante que é o Juju e quem sabe um dia o choro não se transforme de vez em sorriso?”, e o que a gente esperava, chegou! O sorriso e a confiança de Juju!

Agora eu pergunto: Essa confiança sempre existiu? Foi o tempo que a trouxe? De onde ela veio? Se ela não existia, onde foi gerada, no tempo?

Ah! Viu como é difícil pensar sobre. Deixa, deixa gente, que daqui um tempo eu compreendo! Só o tempo para revelar o que está oculto hoje. Nossa! Essa foi profunda! Vou pensar sobre isso!

Dr. Custódio

Besteirologista e filósofo nas horas muito vagas

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