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Um encontro pode ser no corredor, numa enfermaria, numa sala qualquer, na escada, no elevador, no CTI, através de um vidro, de perto, de longe, sem palavras, com música, oferecendo ou respondendo a um bom dia, apenas com um sorriso ou um aceno, só de olhares, pode ser tímido, ou não, pode ser uma surpresa, pode ser esperado, pode ser rápido, passageiro, mas também pode dar vontade de ficar mais um pouquinho, vontade de chegar mais perto.

A única coisa que é uma regra é que ele dura aquele momento. Só! Porque se o encontro volta a se repetir… já é reencontro!

Um reencontro pode ser nos mesmos lugares e ter todas as características do “encontro”, mas já não é a primeira vez e isso o torna mais pessoal. Já traz mais intimidade, vem com expectativa, história e nome.

A única coisa que é uma regra é que ele dura aquele momento. Só! Porque se ele não se repete… Já é desencontro!

O desencontro pode ser frustrante, pode ser por culpa de poucos segundos, de um caminho diferente, de um exame, de uma mudança de horário para o banho, de um sono insistente. Ele tem a capacidade de num outro momento se tornar “reencontro”, mas tem a mesma capacidade de se tornar “despedida” e se assim o for, saberemos um tempo depois. Só!

A despedida aparentemente é mais simples e mais desejada. Aparentemente! Muitas vezes participamos dela, damos alta, colocamos atestado e pedimos para que por favor! não apareça mais por ali. Alguns realmente seguem a risca nossas recomendações médicas e há outros que sabem que ela é temporariamente temporária. Que logo ela se transformará em “reencontro”. Mas despedida é sempre despedida. Um dia ela chega!

Tem aquelas que a gente só percebe depois de um tempo, pois não é possível tanto “desencontro” e aí não há mais nada a fazer a não ser guardar os “encontros” na memória e torcer para que o paciente um dia apareça para fazer uma visita e “reencontrar” os velhos amigos.

Ainda há aquela outra despedida… Aquela que é inevitável.

Algumas vezes também participamos dela, muitas outras só ficamos sabendo, mas nem por isso elas se tornam mais fáceis de lidar.

Por vezes ela nos pega de surpresa… É que geralmente buscamos lidar com outra realidade, esquecida fora do hospital. O lado saudável!

Chegamos a nos esquecer onde estamos e que a possibilidade real disso acontecer, existe.
Sabemos que não haverão mais “encontros”, “reencontros” nem “desencontros” com os vários Joãos, Camilles, Fábios, Amandas, Gabriéis e tantos outros…

A única coisa que é uma regra é que eles deixaram e levaram lembranças e saudades daqueles momentos. Só!