Doutores da Alegria 

Relatório de Atividades

Janeiro a Maio / 2003

 

 

Introdução

  O gorjetão

Doutores da Alegria: prática cultural ou atividade assistencialista?

Sistematização do trabalho do palhaço no hospital: quem foi mesmo que começou tudo isso? 

Foi um artista. Um profissional de teatro que dominava a linguagem do palhaço e resolveu estender sua ação como ator para além dos palcos. Foi então para os hospitais. Uma platéia atípica: crianças internadas, seus familiares e todos os profissionais que lá trabalham. Adversidade total. 

Muitos artistas se identificaram com essa proposta e se uniram a ele. Apostaram no projeto. Não tinha patrocinador mas muita vontade de dar certo. O tempo foi passando, outros artistas se integraram, o trabalho foi ficando em evidência e conseguimos parceiros que toparam seguir a mesma estrada. Ao longo dessa caminhada, fomos alvo de muitos olhares diferentes, alguns nos colocando fora de nossa proposta original, associando-nos mais às atividades de humanização do que às atividades culturais. Como resultado, escutamos, por exemplo: "Que lindo trabalho, o que vocês fazem da vida além disso? Vocês são voluntários? Esse negócio faz parte do departamento de humanização do hospital?" 

É necessário, então, relembrar nosso princípio original: vamos aos hospitais da mesma maneira que a um teatro. Realizar nosso espetáculo. Ficamos em cena por, no mínimo, quatro horas. E no hospital tudo vira palco. Imagens. O simples passar engatinhando pela porta do responsável financeiro, por exemplo, já dá muito pano pra manga. Ou surpreender quem está dentro ou fora do elevador, entre o abrir e o fechar de suas portas. Cavalgar num balcão de enfermaria como se fosse um cavalo ou tratar um pronto-socorro como rodoviária, avisando pelo microfone que o próximo ônibus sairá às... E por aí vai... Em cada canto uma possibilidade, inclusive para quem nos olha de longe. Até o avião passando por cima do hospital causando um barulho ensurdecedor é absorvido pela gag da dupla de palhaços. 

Para todos, uma diversão, uma quebra no cotidiano árido. Para nós, artistas, a necessidade de muito fôlego, de capacidade de jogo, o tempo todo, com quem permite e com quem quer arriscar mas não tem coragem - o palhaço passa a ter um olho na nuca. A certeza de olhar a criança de um jeito diferente do que a maioria faz: sem comiseração. Uma interação artística que possibilite a transformação. 

E é justamente nesse turbilhão de ações que nos defrontamos com uma situação que nos desloca do nosso lugar profissional: uma mão secreta, muito bem intencionada, nos colocando no bolso do avental uma gorjeta. Sim, uma gorjeta, muitas vezes um gorjetão. Delicadamente, agradecemos e explicamos que qualquer doação deve ser feita através de trâmites formais, sob orientação de nossa administração. Informamos ainda que não recebemos dinheiro dessa forma, uma vez que o nosso trabalho já é remunerado. E é aí que, pasmos, depois de doze anos de existência do programa, voltamos a ouvir os mesmos comentários surpresos: “Mas... vocês não são voluntários? Vocês recebem por isso? Que pena! Pensei que fosse diferente... Parecia tão bonito...” E com certa decepção murcham o sorriso como se o trabalho do palhaço só valesse se fosse voluntário. Afinal: por que não podemos ser remunerados com o que sabemos fazer de melhor? Por que será que o trabalho de um profissional que tem como ofício o teatro - que escolheu ser palhaço, com mentalidade suficientemente aberta com relação à aplicação da arte, que vive se aprimorando profissionalmente e que escolhe interagir com um público de no máximo três pessoas dentro de um quarto (uma criança e seus dois acompanhantes) - perde o encanto quando se declara profissional e remunerado? 

Se estamos levando o melhor de nossa arte, se afiamos nossas habilidades para que o trabalho esteja sempre vivo, se temos um compromisso formal com as crianças e não vamos só quando temos um tempinho... isso não é bom? 

Quem dera se as escolas despertassem em seus alunos sua vocação essencial, particular (e não estamos falando de testes vocacionais), ao invés de prepará-los apenas para obedecer a um mercado saturado de profissões convencionais que não dão conta das necessidades do homem de hoje. É verdade que atualmente muitas escolas vêm estimulando os adolescentes a um trabalho social, mas ainda assim isso parece dissociado de uma possível escolha profissional “pra valer”, parece ser apenas uma vivência para conscientizar o adolescente do que é a "realidade" da vida - mas não possibilidades profissionais. Experimentam contar histórias para um público carente, estagiam com deficientes visuais, mas na hora da escolha profissional não conseguem romper com os trilhos estabelecidos. E a Engenharia (ou o Direito, a Medicina...) acaba ganhando mais um adepto - o que não é ruim quando de fato há um desejo genuíno. E todos os estímulos ao trabalho social não terão passado de mais uma atividade assistencialista... 

Em contrapartida, encontramos inúmeras pessoas numa roda-viva insana, sentindo-se improdutivos, alguns muito infelizes com suas escolhas profissionais e precisando “fazer algo que dê sentido a suas vidas”. Ou seja: o jovem passa pela oportunidade de identificar sua vocação para ações verdadeiramente vitais para a humanidade enquanto está na escola. Não o faz, é pressionado a optar (santo vestibular, Batman!) por uma profissão convencional e lá na frente terá que se confrontar com sua insatisfação e com a necessidade de dar um sentido maior para sua vida, além da de ganhar dinheiro. Enquanto esse ciclo se repete, as áreas cruciais que carecem de especial atenção, de profissionais inteiros em suas escolhas e que “jamais fariam outra coisa senão aquela”, estão à deriva, à mercê da boa-vontade do voluntariado que vai apenas quando pode e que também tem que ganhar a vida. E a educação formal... Como dizia a nossa avó: é de pequeno que se torce o pepino. 

Pois é, nós, atores e palhaços, estamos felizes com a nossa escolha profissional, alimentados na nossa existência por exercermos uma atividade que nos faz crescer, que responde aos nossos desejos, nos aprimora como cidadãos e artistas. Quer mais? Ganhamos o "pão nosso de cada dia" dessa forma e, autônomos que somos, também conseguimos viabilizar nossos projetos teatrais particulares, também de alcance social. Não é o máximo? Ao invés da roda-viva insana, uma ciranda linda, que reverbera ações. Viva! Nossas profundas reverências ao ator-palhaço que começou tudo isso!!!

 

Michael Christensen (criador do programa Clown Care Unit nos EUA) e Wellington Nogueira (Doutores da Alegria)

  

Hospitais

Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP / SP

Atualmente sendo visitado pelos doutores Comendador Nelson (Nando Bolognesi) e Bife (Juliana Balsalobre), que adoraram o clima com que foram recebidos e declararam: “O Instituto atende público de hospital público mas tem organização de hospital privado.” 

Aproveitando o clima, a dupla vem desenvolvendo procedimentos realmente revolucionários. Um deles trata de uma área corporal bastante peculiar chamada, com o perdão da palavra, sovaco. Além disso, a estratégia Short and Stupid, inventada pelo sempre muito crítico Dr. Comendador, também tem funcionado bem, obrigado. Finalizadas as pesquisas, os Doutores pretendem apresentar estas técnicas detalhadamente em nosso próximo Congresso de Besteirologia, a ser oportunamente divulgado, não percam! A questão mais complicada, após esses meses de trabalho, é que os dois ainda não decoraram o mapa do Instituto e se não fosse a boa vontade do pessoal de lá estariam até hoje mais perdidos que cachorro em procissão... Apesar, disso, alguns encontros mágicos: 

"A pequena Natália. Os Besteirólogos estavam há anos a procura da menina encantada cujo dedinho apita quando tocado. Tal qual a procura dos pés para o sapatinho de cristal, já haviam percorrido léguas e feito testes com inúmeras meninas. Estavam quase desistindo quando se depararam com a Natália. O Dr. Comendador, que como bom corintiano nunca perde as esperanças, ao avistar a menina anunciou que faria o teste do dedo encantado. Quase o Comendador caiu para trás quando o dedo da menina estourou a bolha com um sonoro apito. Haviam encontrado a menina do dedo encantado! O Dr. Comendador tirou uma flor de seu chapéu e entregou à menina. Sua mãe ficou emocionada e muito feliz, não parava de repetir: - Ela segurou o vasinho, vocês viram? Ela segurou o vasinho..." 

Instituto de Infectologia Emílio Ribas / SP 

Os Drs. João Grandão (Marcio Ballas) e Manela (Paola Musatti) são a nova dupla de besteirologistas deste hospital. Como impressão inicial, nos contam: 

"Por ser um hospital grande que atende um número muuuito grande de pessoas sem recurso, sem tempo para ninguém, percebemos que até nós, que somos coloridos, espalhafatosos e barulhentos, passamos muitas vezes desapercebidos. Resolvemos então dedicar uma maior parte do nosso tempo para fazer com a equipe do hospital o mesmo trabalho que fazemos com as crianças, isto é, trabalhar para o aprofundamento da relação." 

Hospital Municipal Jesus / RJ 

Parabéns a todos! Cinco anos de Doutores no Jesus! Não é qualquer coisa, não, digníssimos leitores. De importância capital na comemoração, o mural "Ai Jesus!" anda cada vez mais disputado, revelando o que há por trás do branco dos uniformes. Sucesso total! 

Início de ano em alta rotatividade: por lá passaram Dra. Nena (Flávia Reis), Dr. Invólocro (César Tavares), Dra. Valentina Mosquito (Beatriz Sayad) e Dra. Leonoura Prudência (Danielle Barros). Depois desses cinco anos, finalmente Dra. Nena revela o que de mais importante aprendeu com a medicina no que diz respeito à abordagem dos pacientes infantis: a pergunta Fez cocô? 

Mas o calvário dos besteirólogos também acontece no Jesus, como atestam as Dras. Valentina e Leonoura: 

“Pois o fato é que nem só de galanteios se faz a rotina de um médico. Tem horas que dá vontade de tirar o nari… ops, o jaleco, e pendurar o estetoscópico. Foi o que quase aconteceu outro dia, numa visita ao isolamento. A mãe de uma criança se recusava terminantemente a nos olhar, o que dificultou o nosso contato com seu filho. Ele parecia querer se divertir conosco mas foi influenciado pela  irritação da mãe com a nossa presença e observava em silêncio. Ficamos frustrados, pois a nossa vontade não era invadir uma possível necessidade de solidão, e sim poder compartilhar aquele momento. Respeitamos a necessidade da mãe, mas voltamos na semana seguinte para ver seu filho. Qual não foi a nossa surpresa quando ela nos chamou no vidro do quarto para pedir desculpas e, super envergonhada, explicar que naquele dia estava 'virada'. Hoje somos praticamente comadres.

Moral da história: é importante saber e mostrar que por trás da máscara (seja ela a do palhaço, do enfermeiro, do médico, do paciente ou do acompanhante) sempre há o homem preocupado em comunicar, ou seja, falar, escutar e ser escutado. Essa comunicação é mais importante que os rótulos que sem querer vestimos: o palhaço deve fazer graça, a criança deve rir, a mãe deve ajudar, o médico examinar, o enfermeiro cuidar etc. E quem pensa que rapadura é doce, vale lembrar que é doce sim mas não é mole não… 

Também há semanas estamos tentando nos aproximar de Esinho, 6 anos, da Enfermaria. Ele sempre nos observa trabalhando com outras crianças, mas uma simples menção à sua pessoa faz com que desate em um mar de lágrimas e, a nós, resta tapar o nariz e sair nadando. O bom da besteirologia é que é um ramo da ciência que prefere as perguntas às respostas, e onde os fracassos podem ser engrandecedores. Continuaremos a visitar Esinho, sabendo que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa besteirologia. Quando não há nada a fazer é melhor não fazer nada. 

Estes relatos anti-heróicos foram especialmente pensados para nossos colegas guerreiros profissionais de saúde que convivem com as pequenas intempéries do cotidiano hospitalar. Sabemos que pimenta nos olhos dos outros é suquinho, e que barriga pouca é bobagem, e de mais a mais, quem tá na chuva fica resfriado mesmo, pois quem pode pode, quem não pode não pode.”

 IPPMG - Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da UFRJ / RJ 

Os Doutores Leonoura Prudência e Ravi Xiboca, também conhecidos por Danielle Barros e Luis Igreja, vêm desenvolvendo técnicas que interferem em várias áreas do hospital. Uma delas é a ambientação dos residentes do hospital através de testes. Dra. Leonoura nos conta: 

“Preparamos uma recepção à altura da Besteirologia aos residentes que não sabiam sobre o que seriam testados. Ficaram surpresos ao se depararem conosco aplicando a prova. Ficamos chocados com a falta de informação desses futuros médicos, pois ninguém soube nos responder o que seria a Besteirologia. Pasmem!! Apenas risos nervosos.

Algum residente poderia ter ido pelo óbvio, pela morfologia da palavra e ter acertado ao responder que Besteirologia é a ciência que estuda besteiras, assim como a patologia estuda os patos. Já que o intelecto não era o forte da turma, passamos para um teste físico. Dividimos a turma em duas equipes, formando duas filas, e demos aos que encabeçavam as filas dois palhacinhos de plástico, que cabiam na palma da mão, para que fossem sendo passados ao residente de trás o mais rápido possível até retornarem ao primeiro da fila. No final desta tarefa alertamos a todos que era a primeira e última vez que passariam o palhaço pra trás. Era uma espécie de teste catártico. A equipe premiada ainda teve que confirmar sua posição de vencedora fazendo o clássico teste da franga: um participante segurava a franga – de borracha, naturalmente – e, ao sinal verde do instrutor besteirólogo, devia soltá-la. Um dos residentes ficou tão empolgado com a situação que arremessou a franga para um colega que estava no fundo da sala. Laudo: este é do tipo que não solta a franga... arremessa geral!” 

E emendaram uma observação importante:  

“Ao final dessa manhã dedicada à ciência, aproveitamos para falar sobre o nosso dia-a-dia nas enfermarias, mostrando que o clima de brincadeira não deve ser passaporte para distrair as crianças e realizar procedimentos sem que elas percebam. Afinal de contas a construção da confiança é trabalhosa, sutil e tênue.” 

Além desse procedimento minuciosamente transcrito, os Doutores também desenvolveram uma rotina sobre Carnaval e lavagem de mãos. O que há em comum entre esses temas não se sabe, mas o fato é que o segundo costuma ser um tema muito controvertido mesmo entre os profissionais de saúde, pois na correria todo mundo esquece de lavar as mãos. Uma outra hipótese é que embarcam na fantasia de que o médico ocupa um lugar tal que é absolutamente imune e imuniza também. Ledo engano. Vai daí que os Doutores Besteirólogos criaram a rotina preparatória  para a visita: 

“Ô abre águas, que eu quero lavar

Ô abre águas, que eu quero lavar

A minha mão eu vou ensaboar

E as consultas nós vamos começar....lá lá lá iá” 

E eles não pararam aí. Além de cientistas da saúde arriscam seus palpites como cientistas políticos. Dra. Leonoura Prudência manda seu recado e adverte: 

“....enquanto a alegria toma conta das enfermarias do IPPê a guerra tomou conta do mundo, os americanos, com exceções, é claro, tentam realmente acabar com a alegria do mundo. Parece que Bush está com um grande projeto de vida, tentando se tornar o 'Palhaço do Ano', mas para tal façanha, meu caro excelentíssimo senhor presidente, nos parece que está faltando alguma seriedade. E com todo esse clima tenso de guerra teve quem confundiu Dr. Ravi Xiboca -  nas horas vagas Luis Igreja  -  com um homem-bomba só por causa da sua aparência moderno-oriental-terapêutico-alternativa. Por isso, atenção: nem tudo que usa turbante indiano, barba e sandálias é explosivo.” 

Em março os Doutores da Alegria comemoraram 5 anos de atividades no Rio de Janeiro!!! Também no IPPMG! Viva nóis, viva tudo, viva o Chico barrigudoooo...! 

Centro de Tratamento e Pesquisa Hospital do Câncer / SP 

E após longo período de duplas masculinas visitando as crianças do Hospital do Câncer, uma super reviravolta: uma dupla feminina assumiu a função. Dizem as más línguas que foi um respiro geral!! As Doutoras Dona Juca Pinduca e Zuzu, também conhecidas por Juliana Gontijo e Claudia Zucheratto assumiram o hospital no início do ano e parece que só o largam mediante uma surra bem dada. 

Vamos ao que interessa. Logo de cara, já chegaram se incluindo na programação das festas, no caso o carnaval. A turma da Quimioterapia, liderada pela professora da escolinha, montou uma escola de samba inteirinha. Era um painel em miniatura instalado numa placa de isopor e rodeada por arquibancadas. Cada criança e suas famílias faziam as pequenas fantasias vestindo os bonecos. Formaram a comissão de frente – os integrantes bonecos se equilibravam em bolas de gude –, o carro abre-alas – ornamentado com lápis de cor -, a ala das bailarinas, o mestre-sala, a porta-bandeira, a ala Unidos da QT e muitas outras, com direito a carros de som e repórteres. Conta-nos a Dra. Dona Juca: 

“Claro que botamos a boca no trombone, pois nos demos conta que não estávamos inseridas naquela escola. Reivindicamos um bonequinho como nosso representante também. Rasguei até um pedaço da minha saia para que pudessem colocar no meu bonequinho-sambista! Qual não foi a nossa surpresa quando vimos a escola pronta e lá estávamos nós em miniatura, lindíssimas, desfilando na ala dos Unidos da QT. Teve até uma carnavalesca chamada Valeska, a quem visitamos, que nos confeccionou máscaras cheias de brilho para o baile de carnaval. Em retribuição a  tudo isso resolvemos colocar em prática nossos conhecimentos musicais para puxar um bloco carnavalesco. Lá no ambulatório pela primeira vez mostramos o nosso talento e cantamos: Coelhinho, coelhinho, que trazes pra mim...? Alertadas que estávamos no carnaval, quando todos ficam felizes, corrigimos: Noite feliz, noite feliz...” 

Mas nossas Doutoras não são apenas equivocadas. Tomadas por um forte espírito de investigação descobriram algo importante no ambulatório. A moça da máquina do café. A brilhante Juca Pinduca revela: 

“Apresentamos pela primeira vez ao pessoal que estava na sala de espera aguardando pela consulta, ela, a moça que fica dentro da máquina servindo aquele cafezinho que a gente aperta o botão e sai como se fosse mágica. Desta vez ela estava do lado de fora limpando a máquina quando a descobrimos. Então, sob música de suspense, revelamos Maria para as pessoas do ambulatório. Aí, como num programa de rádio, perguntamos a ela como se sentia trabalhando dentro de uma máquina de café e ela disse que um pouco apertada, mas bem. O público gostou da resposta. Perguntamos também como se sentia quando alguém chutava a máquina por não funcionar e ela disse que às vezes dormia no serviço mesmo. Foi um show de bola que Maria deu naquele público que até aquela hora só tinha tomado era chá de cadeira. Depois, como num passe de mágica, Maria voltou para dentro da máquina e tudo voltou ao normal.” 

De fato, a medicina só ganha com esses dois gigantes (Juca e Zuzu) da investigação ambulatorial!!! Tanto, que passaram de cientistas a palestrantes, transbordando um pouco do montão de conhecimento acumulado nesses anos todos: participaram em maio da I Semana da Enfermagem / SIPAT do hospital do Câncer. 

Conjunto Hospitalar do Mandaqui / SP 

Desde o início do ano vem sendo visitado por Besteirólogos de peso. Dr. Manjericão (Eugênio La Salvia), na categoria de peso-pesado, Dra. Valentina Mosquito (Beatriz Sayad) na categoria dada pelo próprio nome, e Dra. Quinan (Marina Quinan), completamente sem peso.  

Na verdade Dra. Valentina vinha substituindo Dr. Zabobrim (Ésio Magalhães), que resolveu passar um mês fazendo malabares com fogo nos faróis de Buenos Aires. Como vêem, está havendo um intercâmbio nessa categoria. Não sabemos se rendeu, pois Dr. Zabobrim voltou com uma carequinha cercada de um cabelo chanel e com uma barbichinha... inenarrável! 

A passagem de bastão entre besteirólogos pode ser bastante especial. Valentina Mosquito ia se despedindo e resolveu armar para quando Zabobrim chegasse! Ela e Dra. Quinan espalharam fotos de Zabobrim pelo hospital, instigando os seguranças a procurarem o tal elemento, floreando com estórias escabrosas. Eles naturalmente entravam no jogo e se  diziam babando pra encontrar o tal sujeitinho. 

Chega Zabobrim, que não é nenhum bobo, disfarçado de médico de verdade, com nome e tudo: Dr. Nicolau Guedes. Andava próximo às duas besteirólogas mas criava um clima tal que aguçou a curiosidade de todos em volta. Até que foi desmascarado como Zabobrim e parece que essa estratégia foi suficiente para esfriar a baba dos seguranças. E assim ele pôde continuar desenvolvendo suas estratosféricas pesquisas medicinais: 

"Fizemos, depois de muitos testes em laboboratório, a primeira versão do projeto Pedalando na Espera, que tem por objetivo tornar menos ociosa a espera por exames e triagens no PS e Raio-X. O projeto consiste em: disponibilizamos uma bicicleta para as pessoas que esperam. É a possibilidade de que uma pessoa de cada vez, e sem briga, dê uma volta pelo hospital, tornando assim sua espera mais ativa e com isso faça vagar um lugar nos assentos tão disputados nestes recintos. A necessidade do projeto era tamanha que resolvemos iniciá-lo mesmo sem o equipamento completo. Compramos uma bicicleta à prazo e tentamos negociar a entrega à vista, mas o fornecedor, consultando o Serasa e a idoneidade dos compradores, resolveu entregar a bicicleta também à prazo. Portanto recebemos apenas o banco, uma roda e os pedais, ou seja, um Monociclo. Documentamos e licenciamos o veículo e, por determinação do Detran, tivemos que providenciar uma buzina. Chegamos na espera do Raio-X para inaugurar o projeto. Zabobrim fez uma demonstração de como andar e Quinan de como buzinar e em seguida convidamos as pessoas para o passeio ciclístico, ou melhor, monociclístico. Na sua primeira edição, o Pedalando na Espera não foi muito bem aceito devido à grande dificuldade de equilibrar, literalmente, o nosso público-alvo à finalidade do projeto. 

Em maio, fizeram uma homenagem ao dia das mães: 

"Fomos vestidos de mãe da Quinan (Dona Arlinda) e mãe do Zabobrim (Candinha). Quinan colocou bobe no cabelo, lenço e trocou o vestido. Para Zabobrim a transformação foi maior: colocou um sutiã com enchimento, vestido e peruca. As duas velhinhas fizeram sucesso no Mandaqui! Diziam que foram entender de perto esse negócio de besteirologia e ver se os filhos estavam comendo direito, aliás ofereciam comida para todo mundo; na verdade, ofereciam uma bolacha que Candinha tinha guardado de lembrança da sua primeira comunhão. Lembranças não faltaram: relembraram os velhos tempos de mocinhas, o casamento com o finado Zabobrão, o nascimento de seus filhos, e é claro que saíam no tapa cada vez que uma falava mal do filho da outra... Tudo isso fazendo tricô. Hoje em dia as duas moram juntas em Aricanduva e, sendo uma cega e outra surda, ajudam-se na hora de assistir novela." 

Hospital da Criança / SP 

A dupla oficial que atende esse hospital é Dra. Du'Porto (Gabriella Argento) e Dr. Severino (Heraldo Firmino). Este é o hospital que primeiro recebeu os Doutores da Alegria e a relação com muitos funcionários continua bastante calorosa. E numa das visitas... conta o Dr. Severino: 

“Nelsinho, de mais ou menos um ano, deitado, mãe do lado. Eu e Dra. Du'Porto entramos no quarto. A mãe, nossa velha conhecida, sempre alegre com nossas visitas, parecia borocochô e disse: 'Ele não está respondendo a nenhum estímulo!'

Rapidamente colocamos em prática todo o nosso arsenal de última geração besteirológica para dar ânimo à mãe, depois falamos sobre tudo, teatro, futebol, política e como é ruim a novela das oito. Ela não parecia empolgada com nada, foi até muito educada, mas... bateu aquela sensação de jogo perdido, afinal não se pode vencer sempre. Fomos saindo com uma música de fundo quando Nelsinho balançou uma perna e, como Fênix, ressurgiu, balançando agora as duas pernas. Sem demora a mãe pediu mais uma música e lascamos logo La Bamba com direito a castanholas e um balé da Du'Porto (se é que se pode chamar aquilo de balé!). Nelsinho não fez desfeita, começou a balançar tudo, braços, pernas, cabeça e olhava para a mãe. A mãe... bem... mãe é mãe... não dá para contar... a satisfação fica por conta da imaginação..." 

Novos Hospitais

Hospital Santa Marcelina / SP

Em fevereiro começamos a nos encontrar com os médicos e profissionais do Hospital Santa Marcelina. Este hospital, que é a terceira maior entidade filantrópica do Brasil, completa 41 anos de atividades em Agosto. Atualmente está com duas novas unidades que foram incorporadas em regiões próximas a Itaquera: Itaim Paulista e Itaquaquecetuba. Conta com um corpo clínico de 31 médicos e com várias ações voluntárias. Estamos chegando, ainda em compasso de integração e em fase de experimentação. Após esse período faremos uma avaliação do trabalho com os profissionais de saúde de lá. Isso é uma prática dos Doutores. Portanto, aguardem: em breve teremos mais pra contar sobre o Santa Marcelina. 

Hospital da Restauração / PE 

O primeiro hospital no Recife atendido pelos Doutores da Alegria é o Hospital da Restauração, referência em todo o Nordeste. Inaugurado há 33 anos, o HR atualmente realiza cerca de 700 atendimentos diários nas emergências Geral, Pediátrica e Traumatológica, além de exames, internações e atendimentos ambulatoriais. As cirurgias chegam a 1.200 por mês, entre programadas e de urgência. Com cerca de 2.700 funcionários e 450 médicos, o hospital é referência em Neurocirurgia, Neurologia e Queimados, e também oferece serviços em Clínica Médica, Clínica Pediátrica, Traumato-Ortopedia, Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular, Buco-Maxilo-Facial e Toxicologia. Dispõe ainda dos serviços de diagnóstico de tomografia computadorizada, ultrassonografia, endoscopia digestiva e eletroencefalografia. De seus 527 leitos, trabalhamos diretamente com 36 no pronto-socorro, 30 na ala de queimados, 98 na pediatria – sendo 86 leitos normais e 12 neonatais - e 13 na UTI. 

Números

 Visitas a crianças hospitalizadas (fevereiro a maio/2003) – 12.577

 Palestras e Eventos (janeiro a maio/2003)

·        Iharabras (3/SP); Abbott (2/RN/SC); Janssen (3/SP/MS); Amana-key (6); Buckman (SP); BCP (7/SP); Mercedes-Benz (SP); Magazine Luiza (6/MG/SP); Roche (RJ); CAVO Camargo Corrêa (SP);  Merial (SP); SOS Promoções (SP); Mahle (2/SP); Saint-Gobain (4/SP); Banco Real (SP); Doutores da Alegria (interna); CTBC (MG); Santa Casa (SP); Colégio Equipe (SP); PUC Sorocaba/Janssen (SP); Casa Segura/Janssen (SP) 

Programas de Formação do Centro de Estudos Doutores da Alegria
·       Fortaleza (CE) - abril.
Oficinas: O Hospital pelos Olhos do Palhaço e de Artes Plásticas e Sucata
Profissionais de saúde atendidos: 34
Hospitais representados: Hospital Gisela Trigueiro (Natal/RN), Hospital Infantil Varela Santiago (Natal/RN), Hospital César Cals (Fortaleza/CE), Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba/PR), Hospital Municipal Nossa Senhora da Conceição (Fortaleza/CE), Hospital P.S. Infantil Luís de França Sá (Fortaleza/CE), Hospital do Câncer (Fortaleza/CE), Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (Natal/RN) e Hospital Infantil Albert Sabin (Fortaleza/CE).
·     Recife (PE) - maio
Oficinas: O Hospital pelos Olhos do Palhaço e Conto, Reconto

Profissionais atendidos: 28

Entidades representadas: Projeto Pommar, Save the Children

Casas de apoio representadas: Viva Rachid, Sempre Viva, Creche e Centro de Convivência Madre Regina, Casa Sol Nascente, Associação de Voluntários do Hospital São José, CAASAH, Hope Esperança.

Hospitais representados: IMIP, Hospital da Restauração, Hospital Santa Joana, Hospital São José, Hospital Barão de Lucena, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital das Clínicas.   

Mídia (janeiro a maio/2003)

13 veiculações em Mídia Eletrônica:

·        TV: Band; Globo (2); Universitária.

·        Internet: Top Baby; Mais Saúde Brasil.

·        Rádio: Capital/SP (2); CBN Recife (2); Jornal/PE (2); Jovem Capital/PE.

63 inserções em Mídia Impressa:

·        Jornais: Gazeta Mercantil/SP (2); Valor Econômico/SP; O Estado de S. Paulo (6); Diário de Pernambuco (3); Jornal do Commercio/PE (2); Folha de Pernambuco; Diário Oficial; Gazeta do Estado/PE; Jornal da Tarde/SP (2); A Notícia/SC; Mogi News/SP; DCI/SP (2); Valinhos News/SP; Higienópolis News/SP; Moema News/SP; Alphaville/SP; Jornal do Campo Belo & Zona Sul/SP; Brooklin News/SP; Diário de S. Paulo (4); Folha de S. Paulo (2); A Tarde/BA; A Cidade/Ribeirão Preto; Diário da Região/Osasco; A Gazeta/ES; O Globo/RJ; Tribuna da Imprensa/RJ; Agora São Paulo.

·        Revistas: Casa e Mercado; Época (2); Mobile; Fiat; Rilisa Negócios; Quem Acontece; Mais Feliz; Metrópole; Guia de Fornecedores Hospitalares de SP;  Caras; Empreendedores; RH em Síntese; Isto É Gente; Carta Capital; Info Exame; Bons Fluidos; Ana Maria; Chiques; Trip; Forbes Brasil.
 

Destaques

Doutores da Alegria chegam ao Recife!

Depois de dois anos de preparação, em maio nosso programa foi lançado no Recife! Com patrocínio do Pommar/Usaid-Partners e apoio do Interage e Oxfam, todo o trabalho carrega as cores locais. Três funcionários administrativos e seis palhaços recifenses são os responsáveis por esta decolagem, capitaneados pelo incansável Dr. Escrich (Fernando Escrich). O primeiro hospital atendido na capital pernambucana é o Hospital da Restauração, e ainda este ano iniciaremos os trabalhos em mais um. Da programação de lançamento fizeram parte o Programa de Formação para Casas de Apoio financiadas pelo Pommar, um Seminário de Mobilização de Recursos em parceria com o INTERAGE, uma tarde de autógrafos do Livro dos Segundos Socorros em parceria com o Tylenol, além de atividades específicas de lançamento do programa para a imprensa. A todos os responsáveis pela concretização de mais este sonho, novamente agradecemos. 

Pesquisa Palhaços em Hospitais

Realizada por nosso Centro de Estudos de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, a pesquisa Palhaços em Hospitais mapeou as múltiplas atividades artísticas que utilizam a figura do palhaço em ambientes hospitalares no Brasil. O relatório final acaba de ser concluído, devendo em breve ser publicado e disponibilizado em nosso site.

Pesquisa interna sobre nosso trabalho

Em janeiro elaboramos um questionário com o objetivo de entendermos como o nosso trabalho vai se transformando aos olhos de quem convive conosco. Para tanto foi necessário identificar pessoas dos hospitais que convivem com os Doutores da Alegria desde a sua implantação. Desses, selecionamos uma pequena amostra de no máximo 6 profissionais por hospital. Mandamos 34 questionários e recebemos de volta 13. Agradecemos imensamente a disponibilidade desses profissionais que tiveram a paciência de ler e nos dar um retorno tão precioso. Um único hospital nos devolveu 100% de resposta: o Complexo do Mandaqui. De maneira geral, eles relatam que os Doutores da Alegria provocam a mesma reação que no início: “Nada permanece igual depois que eles passam”. A principal sensação de diferença é que no início os palhaços buscavam mais proximidade com as equipes do que hoje. Reconhecem também que os palhaços têm estilos diferentes de atuação, alguns interagem mais fortemente com as equipes dos hospitais do que outros. Preferem que haja uma dupla fixa por um período mais prolongado do que mudanças constantes entre os palhaços. Ao solicitarmos que associassem Doutores da Alegria a uma imagem (algumas opções foram apresentadas no questionário, com espaço para a criação livre de outras), as mais fortes foram “hora do recreio” e “surpresa”.

Humanização Hospitalar em Ação

Organizado por Doutores da Alegria, Projeto Carmim e Associação Viva e Deixe Viver, foi realizado em abril em São Paulo o 3.º Congresso Humanização Hospitalar em Ação. O tema orientador deste ano foi a transformação dos relacionamentos dentro dos ambientes hospitalares, provando que o aspecto humanístico e humanitário da Saúde precisa ser preservado se quisermos assistir a uma convivência equilibrada entre Saúde e Medicina. Resultados dos encontros podem ser vistos em www.humanizacao.com.br .

Prêmio Bem Eficiente

É com muita honra que comunicamos a inclusão de nosso programa entre os contemplados do VII Prêmio Bem Eficiente - 2003. Projeto social das empresas Accor, Banco Dibens, DM9DDB, Firmenich, Grupo Solvay, Intermédica Saúde e Kanitz & Associados, o Bem Eficiente tem como objetivo homenagear e divulgar a eficiência e seriedade de entidades brasileiras a fim de atrair maior atenção e empenho do setor privado à causa social. Emocionados, somos só agradecimentos. Para saber mais sobre o prêmio e todos os premiados, acesse www.melhores.com.br .

 

Passe um dia com os Doutores

Uma promoção em parceria com o Clube de Super Vantagens, programa de recompensas dos cartões de crédito do Banco Real, permitirá aos seus clientes concorrerem a passar um dia em São Paulo, com acompanhante, conhecendo nossa sede e o trabalho desenvolvido nos hospitais. Para participar, basta fazer ou já ter feito uma doação de bônus para os Doutores da Alegria através do programa e responder, em no máximo 5 linhas, à pergunta: Hospital é lugar de palhaço? Por quê? Entre em www.bancoreal.com.br/clubedesupervantagens ou envie sua resposta até 30 de junho, junto com os dados pessoais do titular do cartão, para o fax (11)3174-5369 ou para a Caixa Postal 42.334 - Cep 04218-970, São Paulo/SP.

  

 

Fotos: Leonardo Ramadinha

 

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