Muito bem, começamos, ou melhor, continuamos, só que com parceiro e casa novos! Este foi o mês de ouvirmos das mais diversas bocas sobre nossas roupas que se repetem diariamente, sobre a elegância de nossos sapatos, sobre os quilos que nos faltam, da curiosidade que nos rodeia.

Nossa presença é notada, o que nos conforta. Tentamos notar também as inúmeras novas presenças em nossos cotidianos: não serão poucas. Começamos a entender e afinar nossos caminhos pelo hospital, reconhecendo e arrumando ao nosso jeito.

Para começar, entramos em uma sala repleta de enfermeiras e realizamos um procedimento no cotovelo da Lourdes, que apostava no já obsoleto tratamento com gelo… Ela desconhecia os rituais de concentração de energias, a música retumbante, o piscar das luzes e as danças coletivas de toda a equipe em profusão de gritos e ebulição de risos em prol da sua dor localizada! Desde então, todos os dias, comenta sobre a eficácia da intervenção. Mas, em meio aos reconhecimentos mútuos, ainda tem outra enfermeira que, desviante, nunca respondeu a um bom dia… Sempre haverá?

Prosseguimos e acabamos por encontrar pelo caminho um espaço sem uso e tomá-lo, com a anuência e escritura lavrada pela direção, como nosso: as escadarias do prédio terminam em uma ampla área central de 2x2m, zona humana de trânsito ascendente e descendente. Ainda planejamos o que fazer no recinto: um loft, um puxadinho, nosso consultório ou descanso médico, ou um banheiro, visto que já lá encontramos um rolo de papel higiênico intacto e imaculado.

[img:pic_1_1.jpg,resized,alinhar_esq] [img:pic_2_1.jpg,resized,alinhar_dir]

Na UTI, ainda estamos em contrato de experiência, já que o patrão Mateus, sua assistente Gabi e toda a equipe adulta do local avaliam nossas propostas 2009 de adequação e aceitação. Não conhecíamos bem o universo do “Power Rangers, SPD, força animal”, prática instituída do ambiente e ritual de despedida dos besteirologistas anteriores, mas estamos nos esforçando para caber e expandir. Labuta gloriosa e recompensadora!

Enfim, que trabalho no mundo pode ser mais interessante do que dispor-se verdadeiramente a encontrar o parceiro novo, os caminhos novos, suas dinâmicas e nossos tempos, aprender as pessoas, brincar-se e com todos, recordar que trouxe algo de alguém, sonhar que deixa algo de si…?

Conrado Federici (Dr. Lord)