O espetáculo Vamos Brincar de Médico foi a primeira produção infantil dos Doutores da Alegria. Realizada pelo elenco de São Paulo pela primeira vez em 2006, busca responder à curiosidade de diversas crianças internadas, visitadas pelos artistas da organização Doutores da Alegria ao longo, sobre como é a vida dos besteirologistas fora do hospital. Essa curiosidade sempre foi alimentada pelos palhaços, que, durante suas visitas, contavam histórias mirabolantes sobre sua vida “privada” (onde moravam ou como faziam para fugir dos congestionamentos de trânsito, por exemplo). O mote é recriar um dia na vida dos palhaços, desde que acordam até o momento em que chegam ao hospital como “doutores em besteirologia”.
A montagem parte da relação entre os palhaços, de como cada um deles enxerga o mundo e dos conflitos gerados por essas diferenças. A direção trabalhou no sentido de fundir recriações de gags clássicas de palhaços com o repertório desenvolvido pelos besteirologistas em seu trabalho no hospital.
A cenografia é, ao mesmo tempo, simples e arrojada, no sentido de que um único elemento é ponto de partida para a criação de todos os ambientes, complementados pelos adereços. O universo do palhaço é reconstruído a partir de itens concretos de uma casa comum e do ambiente hospitalar, como um guarda-roupa transformado em dormitório ou uma mesa, num carro. Objetos do universo hospitalar, como seringas e luvas cirúrgicas, assumem nova função: tornam-se instrumentos musicais que, ao lado de instrumentos convencionais, criam toda a ambientação do espetáculo (sons incidentais, vinhetas e música). A trilha sonora original foi composta a partir de motivos sonoros cômicos, também clássicos.
Os figurinos respeitam igualmente as características individuais de cada palhaço, fixando-se nas cores básicas da tradição do circo (preto, branco e vermelho) e fazendo menção a elementos do cinema mudo. Devido a essas referências, o espetáculo também fala diretamente aos pais, resgatando memórias de infância, porque é nela que o palhaço está “guardado”.
Estimulando ainda a interatividade com a platéia, o espetáculo culmina com a realização de uma “cirurgia”.
Ficha Técnica
Roteiro: Soraya Saide Direção: Pedro Pires Elenco: Márcio Douglas; Val de Carvalho; Val Pires; Raul Figueiredo; Thaís Ferrara Cenografia e Adereços: Atilio Beline Vaz e Flavio Tolezani Cenotécnico: Marcio Mario Figurinos: Soraya Saide Iluminação: Pedro Pires e Zernesto Pessoa Direção Musical: Dagoberto Feliz Fotos: Cecília Laszkiewicz Programação Visual: Orlando Pedroso Produção e Administração: Sheyla Silva Coordenação do Projeto: Pedro Pires e Soraya Saide