É composto por trechos em que o entrevistado demarca o início de um período na história de vida, marcado por um adoecimento. São trechos que, no geral, nomeiam a doença — ou se refere a ela — em que se relata a percepção das primeiras relações no corpo, no cotidiano e na imaginação e os motivos que o levaram a consultar um médico, pronto atendimento, ambulatório, hospital, etc
Trechos que evidenciam as diferenças entre a perspectiva clínica de uma doença, com seus diagnósticos, etologia e prognóstico e a perspectiva pessoal e única daquele cujo corpo se transforma, com suas feridas, dores e sintomas. Aponta tangenciamentos e potência das verdades de um saber normalizador em relação e incitando experiências e posicionamentos individuais.
No geral, são trechos que trazem os primeiros impactos e consciência da realidade da doença ou de um tratamento. É a constatação da descrição médica da doença. São rememorações do momento do pronunciamento do diagnótico e que recortam descrições da situação, das reações, das primeiras imaginações, sentimentos, dúvidas e do como o diagnóstico é pensado e interiorizado.
Apontam as diversas experiências religiosas e relações com o numinoso em que os entrevistados e familiares, voluntariamente ou não, são envolvidos em decorrência de uma educação, envolvimento moral, busca de cura, autoconhecimento, etc.
São descrições referentes às limitações físicas e intensidade das emoções que as doenças ou tratamentos impuseram à vida do paciente. São elaborações e versões de seus significados, superações e adaptações para o cotidiano.
Apontam como as pessoas se sentiam/sentem percebidas na vida social, no trabalho e espaços públicos frente às evidência e efeitos, reações e desenvolvimento de uma doença ou tratamento. São constatações do peso e legibilidade moral dos aspectos físicos da doença, de suas transmições, contaminações, deformações, etc.
Compreende memórias referentes à maneira como uma pessoa passou a se reconhecer a partir da experiência da doença ou tratamento. Reconhecimento das mudanças nas relações, nas ações, nas crenças e valores que a partir de então foram incorporados ou revisados na vida pessoal.
São trechos que abordam descrições ou avaliações das oportunidades e características de tratamento das instituições privadas ou públicas. Remetem igualmente a uma suposta igualdade em relação à possibilidade de qualquer um contrair uma doença ou passar por um tratamento, apresentando mais ou menos sintomas semelhantes.
Trechos que recordam e descrevem as vivências infantis de cada entrevistado, ressaltando fatos marcantes, hábitos, modos de vida, cenários, brincadeiras, amizades e aventuras infantis.
Trechos que relatam as descobertas, escolhas, recursos, ferramentas, leituras, conversas, consultas, que foram buscados para entender a doença, as transformações que aconteciam no corpo e qualificar deliberações e as justificativas encontradas para se falar da doença para outras pessoas.
Contém pequenas referências, citações, enunciações e discursos de cada entrevistado sobre o que consideram como importante para o apoio moral e físico numa fase problemática como a que envolve um processo de hospitalização, tratamento ou recuperação.
Relata situações em que os entrevistados se percebiam como cobaias, para uma medicina que não sabia lidar com um diagnóstico ou que operava por projeções e simulações de futuros.
Relatos sobre as imagens das interferências e vínculos criados com médicos.
Relatos sobre as imagens das interferências e vínculos criados com profissionais de saúde de hospitais.
Trechos em que o entrevistado relata a maneira como encarava a possibilidade da morte, como pensava a morte, como recebiam a notícia de uma morte iminente. Abarca a relação individual e pessoal, com a finitude da vida.
São trechos em que a percepção da passagem do tempo ganha uma dimensão particular e específica em função das circunstâncias da internação em hospitais, de tratamento, cirurgias e de todo processo de adoecimento.
Descrições das situações que provocavam dor e que desdobravam atitudes, valores e estratégias aliviadoras. É um recorte que lida com dores físicas, sentimentos feridos e questionamentos éticos.
Relatos da percepção da alteração do cotidiano da família, tanto em seus ambientes particulares (como em casa), como em ambientes públicos (hospitais, consultórios, laboratórios). Mostram como cada um percebeu, encarou, solicitou proximidades, intimidades, companhia, etc.
São impressões do momento e circunstâncias que envolveram o retorno para casa após alta em hospital. São percepções da casa, do espaço, do movimento do carro, do caminho, das mudanças e adaptações criadas nas casa. Lida com as reapresentações do mundo a partir de longos períodos de afastamento, reclusão e retorno.
Alterações na esfera dos sentimentos, aproximações, abandonos, perdões e entendimentos da condição do outro que a doença provocou em integrantes das famílias. Esses trechos são bastante próximos das modificações impressas nas rotinas familiares.
São trechos que relatam, tanto o período anterior à doença, à internação e posterior a ele. Fala do contexto do trabalho, da profissão, das conquistas profissionais, da carreira, e de como a doença alterou a vida profissional de cada um.
Elaboração de cada um sobre o âmbito ético, intelectual e sentimental atribuído à experiência da doença-saúde.
São percepções, memórias, descrições sobre o hospital e estratégias de ações e relacionamentos estas no período de hospitalização, acompanhadas, às vezes, de pequenas críticas e idealizações.
Trechos referentes ao momento inicial de cada entrevista, em que se relata a origem da família, seu espaço dentro dela, seus membros, suas ocupações, distrações, educação, e marcas históricas.
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