Morgana Masetti apresenta sua visão sobre a qualidade das relações estabelecidas no ambiente hospitalar, ressaltando questões referentes à técnica, à hierarquização, ao distanciamento das relações e à mercantilização da medicina. Aponta caminhos possíveis para o estabelecimento de relações de qualidade com os pacientes hospitalizados, tomando como referência a cumplicidade estabelecida entre palhaços e crianças dos hospitais onde atuamos. Ao falar da arte praticada pelos palhaços nesses espaços, revela como ela contribui para a quebra de barreiras e preconceitos, como estabelece encontros e parcerias, ao introduzir entre pacientes e profissionais uma ética que considera a alegria como um poderoso instrumento a ser empregado na reconquista de uma vida saudável.
Trecho: "Quando o profissional (de saúde) executa seu trabalho centrando a técnica como único alicerce da prática do seu dia-a-dia, perde a possibilidade da cena inusitada. Porque, dessa perspectiva, o hospital vira doencça e sua identidade fica restrita a prescrever remédios, minimizar a dor ou outros desconfortos físicos. É fazendo isso que ele se reconhece profissionalmente. Entretanto, se ele tem a coragem de se entregar à constatação de que a vida é maior que qualquer explicação plausível, que a saúde vai além da remissão de um sintoma, que, dentro do hospital, ele é mais que sua identidade profissional, então há espaço para o encontro, e a técnica pode ser um elemento dentro da complexidade da vida."
Ficha Técnica
Autoria: Morgana Masetti Editora: Palas Athena - São Paulo Coordenação Editorial: Emilio Moufarrige Projeto Gráfico: Peter Cheng Ilustrações: Paulo Von Poser