Luis Vieira da Rocha, diretor executivo dos Doutores da Alegria, escreveu sobre o futuro que nos aguarda a partir da nossa maioridade (21 anos). Veja abaixo o depoimento dele que também fez parte do Balanço 2011.

Luis Vieira da Rocha

“Doutores da Alegria assumiu o compromisso de promover a ética da alegria por meio da arte, possibilitando seu acesso à sociedade como um direito social.

Escolhemos levar a experiência da alegria para os ambientes que carecem de uma mudança na qualidade nas relações. Essa missão só teve sentido com o apoio da sociedade, compartilhando esse desafio e se realizando, também como agente, nessa concretização. O engajamento é amplo, inclusive de artistas comprometidos como desenvolvimento da arte e seu impacto social.

Em 21 anos de existência, amadurecemos nossa prática e ampliamos nossas ações para além dos hospitais: compartilhamos o conhecimento por meio de programas de formação, criações artísticas, diálogos com a sociedade; orientamos grupos semelhantes para um movimento artístico mais engajado, com base em nossos valores;  ampliamos o acesso de pacientes à arte de qualidade local; e, a partir da experiência inicial nos hospitais, traduzimos em arte acessível à comunidade, ou seja, ninguém precisa ficar hospitalizado para conhecer os Doutores da Alegria e conhecer a leitura que fazem dos contextos hospitalares.

Mesmo com tantos avanços na vida de uma organização é sempre necessário rever seus compromissos. O tempo e as conquistas nos cobram. Aqui tratamos de uma “outra arte” que é gerir um importante patrimônio social e aplicar cada vez melhor os recursos a nós confiados, escolhendo os caminhos que trarão os melhores resultados nessa tarefa de construção de uma cultura de alegria.

O caminho de maturidade dos 21 anos nos exige isso. Em 2011, durante três dias, reunimos toda a nossa equipe – artistas, técnicos e representantes das áreas da Saúde, Cultura e Educação para um grande encontro que chamamos de Conferência de Busca de Futuro. Nela olhamos dentro e fora. Conferimos, uns com outros, vários pontos de vista. Analisamos tendências, necessidades sociais. Revimos o ponto de partida da instituição. Identificamos mais uma vez nossos desejos e vocação para o debate de novas possibilidades para os próximos anos.

Esse foi um belo e primeiro pontapé que demos no nosso traseiro…

Quando tudo parecia estar organizado – maturidade artística, uma estrutura organizacional com áreas complementares – surge mais uma inquietação:
a de contribuir para um futuro onde a alegria seja um valor na nossa sociedade.

Esse desassossego em que nos encontramos, para a construção de uma nova visão, é da natureza do artista e de uma organização que concluiu uma grande etapa. Agora o desafio parece ser maior do que o começo, mais do que a garantir a presença de uma dupla de palhaços profissionais num hospital,
coisa totalmente estranha à realidade de duas décadas atrás.

Ao olharmos para o início, a possibilidade de ver palhaços profissionais atuando no hospital era como uma visão, um futuro a ser conquistado. Hoje é a nossa realidade. Com a maioridade, temos o desafio de nos reinventar, descobrir o futuro que nos aguarda. E nos aguardem!