Caro Leitor,

Neste mês, queríamos poder ser suficientemente capazes de falar das pequenas coisas.
Queremos dizer que os nossos plantões besteirológicos, o nosso dia a dia de palhaças, são feitos de um amontoado de pequenas coisas. Pequenos gestos, pequenas canções, pequenas pausas, pequenos olhares… com todos os pequenos e grandes que encontramos.

Mas não queremos nos apartar da vida. Todas as existências são feitas de um amontoado de pequenas coisas. O que queremos dizer é que o nosso ofício é, no fundo, dar toda atenção a cada pequena coisa que acontece.

Queremos dizer que no amontoado de pequenas coisas que aconteceram neste mês, o que mais nos chamou a atenção foi o quanto ainda nos emociona quando as pequenas coisas são notadas.

Os olhos brilhando da Dra. Janete notando uma pequena reação da Ana Clara enquanto tocávamos para ela. A enfermeira Dina dando pequenas colheradas de sopa para a Ametista, alimentando-a de atenção. A Dra. Daniela se permitindo uma pequena pausa para, sentada ao lado de uma desesperada mãe, explicar-lhe o que é uma UTI. Os pequenos gestos da mãe da Mariana surpreendida pela reação da filha ao ver palhaço pela primeira vez e segui-los de quarto em quarto o dia todo.

Como não nos sentimos suficientemente capazes de falar das pequenas coisas, neste mês, te deixamos este pequeno relatório para você ter mais tempo para prestar atenção nas pequenas coisas.

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Doutoras ZuZu e Emily (Claudia Zucheratto e Vera Abbud que leram Manoel de Barros dizer assim: “…que a importância não se mede com fita métrica com balança nem barômetro etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”)