Cheguei em recife no dia 25, para a segunda parte da jornada de intercâmbio com o grupo Le Rire
Medecin!

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Um frio na barriga, pois chegar assim, no meio do processo, é sempre delicado; mas a generosidade e a alegria coletiva eram a tônica desse grande encontro e entrei na roda como quem chega em casa para uma festa com velhos amigos! Já entrei no meio do ensaio para a apresentação do Bloco do Miolinho Mole.

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Abençoado por Nossa Senhora do Timing, entrei na festa, ou melhor, no ensaio, com muito entusiasmo.
Dia seguinte, todos estamos no hospital Oswaldo Cruz para o desfile, nos trocando numa grande sala e aí vejo ter início um espetáculo ao qual o público não tem acesso: a preparação, a maquiagem, e o ritual do aquecimento para entrar em cena. À medida que os artistas vão se maquiando e vestindo seus figurinos elaborados com riqueza de detalhes, vejo os palhaços começando a chegar, através dos pequenos tiques, movimentos e sons. À medida que vão ficando prontos e começam a trocar olhares, interações começam a ocorrer e os instrumentos musicais começam a ser afinados.

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A música entra em cena criando a liga entre os todos os palhaços, que cantam para sintonizar-se uns com os outros e com o grande público que iremos encontrar. Saímos da sala, já uma procissão boba e festiva, que brinca com todo mundo a caminho do pátio central onde o desfile ocorrerá.
Cenas inesquecíveis:
Um senhor abatido, tomando medicação intravenosa, que observa a princípio, e aos poucos se envolve até ser tirado para dançar e aceita o convite da palhaça para o baile!
Médicos, residentes, enfermeiras, profissionais de saúde e pacientes, adultos e crianças entram na dança contagiados e contagiantes, brincando carnaval em fim de março.

Num determinado momento, cantamos a música sobre a cabeleira do Dr. Eu Zébio, pretexto para arrancar sua peruca e jogá-la para as outras pessoas, como num jogo de bobinho; é quando a Dra. Madeleine, do Le Rire Mèdecin, tira sua peruca rosa-choque chanel 220 volts e coloca na careca do nosso Dr. Eu Zébio, que fica engraçadíssimo no novo tom capilar. Olho de novo e vejo a peruca do Dr. Eu Zébio na cabeça da Dra Madeleine. Essa passagem me mostrou que estávamos, decididamente, vivendo um intercâmbio, no seu melhor e mais amplo sentido. Somos uma grande e amorosa família, querendo aprender cada vez mais como refinar o ofício da besteirologia!

AI!
AI ,AI, AI !
AI, AI, AI, AI, AI, AI, AI!
O MEU MIOLO É MOLE!

(grito de guerra do bloco do Miolinho Mole)

Wellington Nogueira