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Segunda mesa: trabalho voluntário e trabalho profissional

Nesta sexta-feira, depois de uma manhã intensa de oficinas dedicadas aos participantes do 2o. Encontro Nacional, aconteceu a mesa redonda “Implicações e perspectivas da intervenção do palhaço profissional ou não profissional no ambiente hospitalar”. Os convidados eram de iniciativas diversificadas que tinham o mesmo objetivo: levar o palhaço para o hospital.

Pedro Francisco, da Trupe D’Alegria, trabalhava com materiais elétricos e foi um dos primeiros a ter orientação pelo programa Palhaços em Rede, dos Doutores da Alegria. “O programa me deu uma base essencial. O palhaço precisa ter ética, e o trabalho, qualidade.”

Docente da faculdade de Medicina da Usp, a professora Maria Aparecida Basile coordena o projeto MadAlegria, que une estudantes que têm curiosidade sobre o palhaço e interesse pela humanização hospitalar. A ideia do projeto é formar profissionais críticos, criativos, transformadores e que vão fazer a diferença na sociedade, para além do bem estar físico. “Eu sempre achei que tinha um relacionamento médico-paciente muito bom. Mas quando você põe a roupa do palhaço, tudo muda, o paciente te acessa”, completou a professora.

Para Felipe Mello, do Doutores Cidadãos (iniciativa da organização Canto Cidadão), a figura do cidadão vem antes da figura do palhaço. “Cidadania é a busca pela alegria coletiva. E o nosso objetivo é colocar pessoas em contato, reunir pessoas com talento.” A iniciativa conta com 350 voluntários ativos e possui um treinamento de 110 horas para que o voluntário possa entrar no hospital. “Nosso desafio é lembrar as pessoas de que o voluntariado vem da palavra vontade”.

Telma Lotierzo faz parte do grupo Caminho da Alegria, de atuação voluntária. O grupo atua desde 2004 e também recebeu orientação dos Doutores da Alegria por meio do programa Palhaços em Rede. “É difícil ser firme quando se está na coordenação de um trabalho assim. O trabalho voluntário não existe só com o amor.”.

Outro convidado foi Kleber Brianez, que é ator e faz parte do grupo Operação de Riso. Para ele, a atuação é essencialmente artística. “O objetivo do grupo é levar um trabalho de qualidade artística para o hospital.” Disse também que é muito questionado sobre a remuneração pelo trabalho. “Levar o palhaço para dentro do hospital, para nós, é um ofício, é nossa profissão. Somos palhaços de hospital.” 

Raul Figueiredo fechou a mesa com um depoimento emocionado sobre o programa Palhaços em Rede, do qual é tutor. “Estou aqui há 17 anos. É mais que uma missão, é uma forma de ver a vida.” 

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