Editorial
(no ritmo do Jinglelbell)

“É natal, é natal, editorial! Estamos indo para as férias, lá no bambuzal!
Acabou o ano, trabalhamos para chuchu, como vamos fazer para limpar o nosso…
É natal, é natal, é SENSACIONAL!”

O ano termina e os Doutores da Alegria precisam descansar! Afinal, todo médico tem direito de colocar as pernas pro ar e as barbas de molho!! Com aperto no coração estaremos de repouso por um mês, mas voltaremos com toda a animação em janeiro de 2009! Sem choro nem churumela, daqui a pouco a gente volta cheios de novidades!

Retrospectiva 2008:

Aniversário
A ONG Doutores da Alegria completou 17 anos! Já é quase maior de idade!

Revezamento de besteirologistas!
Sai Dr. Sabonete, entra Dra. Guadalupe!

Ilustres visitantes!
Dr. Escrich, Soraya (Dra. Sirena), Dr. Totó e Dra. Xuleta!

“Que Palhaçada é Essa?!”Pelo 3° ano consecutivo os Doutores da Alegria mostram para todos que não estão internados e nem trabalham num hospital, o que faz no seu dia-a-dia. Para isso foi criado o festival “Que Palhaçada é Essa?!” uma prestação de contas pública com palestras, teatro e lançamento de livros. Esse ano foi a primeira vez que aconteceu aqui em Belo Horizonte, lançando oficialmente a sede da Unidade Pão de Queijo. Foi uma verdadeira palhaçada! Veja abaixo os destaques do evento:

Menor Festival de Palhaços Mineiros do Mundo
Realizamos também pela primeira vez o MFPMM, as menores cenas, no menor espaço, com a menor platéia, a menor premiação, e a maior diversão! Quem viu, viu, quem não viu…

Troca- Troca
Os Doutores da Alegria e profissionais da saúde da Santa Casa e do Hospital das Clínicas, se reuniram para trocar experiências, figurinhas e papéis de carta! A turma da Santa Casa botou para quebrar! Quem diria… Uma manhã na sede dos Doutores e saíram bestas, quer dizer, besteirologistas!

Rabo de olho
Dra. Pororoca

Depois de tantos encontros e algumas despedidas escolho em minha já um pouco gasta memória uma história muito especial: o menino Juju.
Ele é miudinho igual o seu pai e chora toda vez que vê um besteirologista se aproximando, chora não! Chorava. Agora ele olha de rabo de olho, como quem não quer nada e a gente finge que nem dá bola, que nem percebe que ele está ali.
Juju é paciente antigo e seu pai é parceiro dos bons, mas como as lágrimas do menino e o gogó afiado atrapalham um pouco nossa aproximação tivemos que mudar de tática. Pois bem, nada que dois paspalhos não possam fazer. Com a ajuda do pássaro Melancia, nosso fiel escoteiro, ops, escudeiro e de um bom fundo musical, criamos imagens sonoras bem pomposas no leito vizinho para conquistar Juju mesmo que de longe, mesmo que ele pense que a gente nem repara que ele está ali. E Juju? Olha tudo de mansinho, seguro de que ele não está no foco do encontro. Mal sabe ele que é o próprio rei da cocada preta.
E todo dia, quando encontramos com o coruja pai de Juju pelos corredores, (não o pai de Juju não é um pássaro, é um pai cuidadoso mesmo), entregamos para ele um recado nosso para seu filho em forma de uma bolinha colorida que serve para colar onde der na telha também conhecido por adesivo, e perguntamos o que Juju tem comentado sobre nossas visitas. E sabe da última? O pai de Juju, o tal Sr. Coruja disse que ele andou perguntando quando os palhaços (Médicos Juju, médicos!) iam voltar e que colou nosso adesivo/recado no pulso.
E assim vamos seguindo nossa sutil comunicação com esse menino tão miúdo e tão gigante que é o Juju e quem sabe um dia o choro não se transforme de vez em sorriso?

Resultado da Eleição para a nova planta do CTI!

Dizem por aí que foi marmelada, que teve campanha favorecendo, que teve compra de votos, que teve boca diurna e noturna, mas a verdade é depois de uma acirradíssima disputa a grande planta eleita pelo povo foi: tchãm, tchãm, tchãm, tchãm: ela a DALILA! E em segundo lugar: Ling Ling!!

Fiquem atentos a próxima eleição da Santa Casa: SILÊNCIO no CTI!!!

A sutileza do olhar
Dra. Guadalupe

Uma das coisas que nós, besteirologistas, aprendemos nessas caminhadas pelos corredores, é a sutileza dos encontros. Como médicos que somos, sabemos que muitos pequenos se assustam ao se depararem com o grande nariz vermelho de um besteirologista. E a última coisa que queremos é impor-lhes uma presença desagradável, afinal, não é sempre que Dra. Pororoca escova os dentes, ou Dr. Custódio se lembra de fazer a higiene íntima… dos pés!
Coisas que podem assustar, ou melhor, causar verdadeiro pavor nos pacientes! E nosso lema número Um é respeitar a vontade da criança. E que bom seria se nos nossos relacionamentos fosse sempre assim, como na medicina besteirológica: uma aproximação sutil pela troca de olhares, e a permanência ou a saída do quarto respeitando o SIM ou a NÃO da criança acima de tudo. A Lelê também não se sentia muito confortável com a presença dos médicos. Sempre que despontávamos na porta do quarto, ela partia para debaixo do lençol, e segurava firme a mão de sua mãe. Ás vezes era até difícil perceber que ali, debaixo do lençol branquinho, tinha uma criança disfarçada. Entrávamos, atendíamos os outros pacientes que estavam por ali, hora com tratamentos musicais, hora tratamentos “bolhais”, etc. Deixávamos Lelê intocada em sua fortaleza branca. Até que um dia, quando entramos, ela não se escondeu no lençol, não se assustou, não teve medo. Pelo contrário, nos olhava com os olhos firmes, doces e diretos. Finalmente nos conhecemos, e hoje temos até que fugir da sapeca que nos persegue pelos corredores. Tudo na vida tem seu tempo, de dormir, de comer, de sol e de chuva. O que queremos é respeitá-lo. Quando ela quis, ela disse SIM! E nós partimos pro abraço!!

Quem é quem é?

Moram no armário, mas não são gavetas
Têm nariz vermelho, mas não estão resfriados
São doutores, mas não são médicos
São um trio, mas só aparecem em dupla
Têm identidade secreta, mas não são super-heróis!

Eles não sabem o que falam!
Dr. Custódio

Todos os dias do ano, nós besteirologistas, lutamos para afirmar e confirmar nossa profissão. E ainda há quem acredita que nós não somos médicos. Mesmo tendo uma escala rigorosa de trabalho de duas vezes por semana, lavando as mãos todas as vezes que encontramos um tanque, atendendo todas as crianças de leito a leito. Ah! Bendito seja o leito que nos mostra que somos “Doutores” de verdade! E bendita seja a criança que acredita que somos os seus médicos só de olhar para nós! Assim foi quando nós chegamos para atender Inocêncio. Ele estava sentado em sua cama quando Dra. Pororoca e Dr. Custódio pediram licença para fazer-lhe um exame. Ele balançou a cabeça afirmando com os seus olhos fixos naquelas figuras absurdas à sua frente. Dra. Pororoca tocou com o seu dedo de médica na barriga de Inocêncio. Fiiiiii, apitou. Logo Dra. Pororoca e Dr. Custódio trocaram olhares de médicos, pela vasta experiência já sabiam o diagnóstico: uma coisa presa dentro da barriga! Procedimento: cirurgia! Inocêncio olhava confiante ao mesmo tempo preocupado com a sua situação, e com uma das mãos segurava a camisa para deixar a barriga exposta para o trabalho dos doutores. A cirurgia foi tranqüila e acompanhada por uma platéia de mães. O silêncio e a confiança de Inocêncio em nosso trabalho ajudaram muito. Mais ainda, as suas reações que variavam a cada passo da cirurgia eram para nós o indicador do caminho. Ele mudou a fisionomia, arregalou os olhos ao ver que retiramos de sua barriga um miolo mole, uma bola vermelha que temos normalmente na cabeça, mas que com muitos pulos nessa vida acabam descendo para outras partes do corpo. O que fazer? Dra. Pororoca e Dr. Custódio colocaram no lugar mais fácil: no nariz! Inocêncio mudou de novo a sua fisionomia, um leve sorriso que mostrou os dentes. Para confirmar se a cirurgia havia funcionado os Besteirologistas colocaram o dedo na barriga, surpresa: não apitou! Inocêncio estranhou, olhou para a barriga, olhou para nós, olhou novamente para a barriga e então colocou o seu dedo lá. Confirmado: não apitou! Ele olhou outra vez para nós com espanto e olhou com um sorriso de aprovação para todas as mães. As mães estavam observando em silêncio e devolveram o olhar reafirmando a verdade de Inocêncio: “Eles são médicos de verdade!”. Pois é minha gente vou dizer o que aprendi no nosso curso de medicina de um final de semana na faculdade de Hardwardes: “O engraçado é que é sério!”.