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Cordel de despedida

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Dezembro marca a despedida das duplas de palhaços dos hospitais no qual passaram o ano todo. É que em janeiro os palhaços formam novos pares e, conseqüentemente, passam a atuar em outros hospitais parceiros da organização.

IMIP - Lana Pinho-112

A proximidade com os profissionais de saúde é tanta que às vezes tem até choradeira.

Em outras, a emoção corre de forma singular, como nesta em que a dupla Lui e Tan Tan foi homenageada com um cordel de despedida, criado e entoado lindamente pela equipe da hemodiálise pediátrica do IMIP, em Recife.

Eis um trechinho da obra de arte e, abaixo, o vídeo deste momento i-nes-que-cí-vel <3

“Hoje a nefro chora
Tristeza não tem igual
Porque Dr. Lui e Dra Tan Tan
Vão alegrar em outro hospital 

Não deveria ser assim
Um ano é muito pouco
A gente entende, tudo bem
Mas bem que podia mudar

Falar com Dr. Ado
Fazer um abaixo-assinado
Pra essa duplinha ficar

Foram chegando de mansinho
Conquistando cada um
Gente que até tinha medo de palhaço
Agora não vive sem um”

E não parou por aí… Ainda teve bolo e muito, muito carinho!

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Lui e Tan Tan agora vão alegrar outras vizinhanças torcendo para que o desejo da equipe se torne realidade…

“Que façam novos amigos
Que cresçam cada vez mais
Que alegrem outros pacientes e equipe
De tantos outros hospitais”

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Tan Tan, que saudade!

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“Tan Tan, que saaaudades.

Eu de cabelo. Não sei se vai lembrar de mim, mas eu te reconheceria em qualquer lugar, mesmo sem maquiagem. Só passei pra dizer que quando vou ao hospital só me lembro de você e do Dr. Micolino.

Vocês mudaram toda a minha semana, minhas terças e quintas não eram mais as mesmas. Ficava olhando o relógio esperando vocês pra poder darem risadas junto comigo. Vocês foram essências na minha cura. Saudades das risadas, das brincadeiras, dos sorrisos sem filtro.

Parabéns pela profissional que és e não me assusta conhecer você sem o personagem. Só precisava agradecer por tudo. Hoje tô na minha casa curada e feliz de estar escrevendo pra você.

Beeeijos e deixo aqui minha admiração e meu amor pela pessoa que és. E pode dizer ao Micolino que já esqueci o cantor Saulo e tô com saudades dele kkkkkkk. Beeeeijos eterna Tan Tan de ralo na cabeça!

Assinado: Larissa”

Larissa, obrigado pelo carinho. Amoleceu nossos corações <3 

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Emergência noturna

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Fizemos uma intervenção noturna no Instituto da Criança neste mês. O hospital tem outro clima.

Parece, em geral, mais tranquilo, com as pessoas preparando o espírito para se recolher. Pegamos o horário de visita e conhecemos outros familiares e amigos dos pacientes. E assim, ampliamos nosso ciclo de amizades, afinal, amigo de amigo, amigo é! 

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Estávamos na área de inalação fazendo uma cirurgia complicadíssima de extração de miolo mole. Eis que percebemos que, mesmo depois de nossa intervenção, o problema do miolo mole persistia e era grave! Saímos correndo em direção ao corredor, chamando um médico. E o Dr. Chicô delicadamente gritou pelos corredores:

- Eeeeeeeemergênciaaaaaaaa!!!! 

Todos os médicos saíram correndo desesperados, com o coração na boca, para ver o que tinha acontecido. Quando deram de cara conosco não sabiam se riam ou se batiam em nós. Não era comum lidarem com problemas besteirológicos à noite. Um médico ficou realmente assustado e Chicô pediu desculpas.

Ficamos sem graça com o acontecido… Isso é que dá ser bom ator, não é, Chicô? 

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E uma mãe, que morria de medo de palhaço, nos surpreendeu. Passamos meses trabalhando com seu filho, que adorava música, sempre tentando nos aproximar dela com muito tato. O garoto teve alta e eles voltaram para casa.

Ao sair, ela deixou por escrito suas impressões, críticas, elogios e reclamações sobre a estadia no hospital e… Também guardou um espacinho pra falar dos besteirologistas:

“Aos palhaços, gratidão, pois por mais que eu tenha medo da imagem dos palhaços, eles, com todo cuidado e atenção, conseguiram trazer alegria para meu filho, sem me assustar.” 

Nós é que agradecemos! Quero agradecer também a todos os profissionais de saúde e funcionários do hospital, parceiros nessa nossa aventura. E ao Dr. Chicô, meu querido parceiro! É nozes! 

Dra Lola Brígida (Luciana Viacava)
Instituto da Criança – São Paulo

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Um retrato

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O artista que fez essa obra de arte é um menino de oito anos que está no Instituto de Queimados do Hospital das Clínicas. Ele teve quase o corpo todo queimado num acidente de carro. Perdeu a mãe, o padrasto e um irmão. E o irmão mais velho, que foi quem o tirou do carro, está na UTI.

Somente as mãos, um pé e a cabeça do pequeno W., ainda que com feridas de queimaduras, não estão enfaixados. Foi com um esforço incrível que ele fez esse quadro da Dra Juca Pinduca e do Dr. Pinheiro. Tínhamos feito apenas duas visitas a ele e ficamos absolutamente encantados com a alegria daquela criança e com a capacidade que ele tinha de mudar o foco e se divertir mesmo sem poder fazer quase movimento nenhum. Não nos parecia possível que um ser humano naquela situação conseguisse reagir de uma maneira tão favorável à vida!  

E ele superou nosso deslumbramento quando, ao voltamos até o quarto dele outro dia, o pegamos sentado na cama, com os braços esticados por causa das faixas, pintando com os dedos os palhaços que tinha conhecido no hospital. E não tinha se esquecido de detalhes como o vestido de bolinhas vermelhas da Juca e o chapéu do Pinheiro.

Hoje, ao chegarmos ao quarto, W.estava diferente. Alguma coisa tinha acontecido.

Mas achamos que ele estava ótimo, pois mesmo assim, com algo diferente no olhar, não deixou de se relacionar carinhosamente conosco. No final do trabalho fomos conversar com as enfermeiras, elogiar o garoto, que já estava bem melhor e com uma perna sem ataduras. Aí nos falaram que ontem ele ficou sabendo que perdeu a mãe, o padrasto e um irmão. Infelizmente, não há palhaço no mundo que vá mudar essa realidade, tirar desse menino as dores que se acumularam em sua vida depois do acidente.

Mas a nossa realidade ele mudou! Depois de conhecê-lo, a imagem desse menino nos pintando não nos sai da cabeça e nos faz refletir sobre o que é realmente ter um problema e, principalmente, como enfrentá-lo…

Dra Juca Pinduca (Juliana Gontijo) 
Instituto da Criança – São Paulo

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Em paz!

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Há alguns dias recebemos a notícia de que um grande amiguinho se foi. Virou uma linda borboleta.

Conhecemos o Carlinhos no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, por um breve período que iluminou nossas vidas. Ele veio do Macapá, capital do Amapá, onde não havia tratamento médico para sua enfermidade. Carlinhos deixa uma mensagem: que as condições de saúde melhorem em todo o Brasil, e principalmente fora do centro-sul, afim de que possam oferecer tratamento para as mais diversas doenças. Que não seja preciso se deslocar para longe de sua cidade para obter um atendimento qualificado. Que a saúde possa transbordar para todo o país.

O nosso amiguinho adorava os palhaços Mingal e Chicô. Aprontou muito com eles! Que a alegria dessa foto possa acompanhá-lo pela eternidade e acalentar sua família. Vá em paz, Carlinhos! <3

Carlinhos

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Viva o doutor Ulysses!

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No mês de abril ficamos sabendo que o doutor Ulysses Doria Filho, pediatra do Hospital Santa Marcelina, se aposentaria. Ou melhor, sairia em grande estilo do hospital no qual ele trabalhou por mais de quarenta anos!

Com esta informação em mãos, os nobres besteirologistas Chicô e Mingal resolveram ajudar os enfermeiros a homenageá-lo. Nada de flores ou discurso de quatro páginas… Pensamos em fazer um show de mágica! E sabe por quê? Porque lembramos do médico parando a gente nos corredores para mostrar suas mágicas. O que ele não desconfiava é nós também temos truques na manga! 

O grande dia

Todo mundo esperava espremido dentro da brinquedoteca do Santa Marcelina. Quando o dr. Ulysses chegou, foi muito emocionante! Entre abraços, lembranças e risadas, surgiram duas figuras esquisitas: o mágico Mingal e a sua ajudante. 

O quê? Sua ajudante? Claro! O que seria do Dom Quixote sem o Sancho Pança? O pão sem a manteiga? O Claudinho sem o Bochecha? O que seria do mágico sem a “sua” ajudante? E quem seria essa mulher? Quantas perguntas! Acredite se quiser: Mingal convenceu Chicô – na base da força dos seguranças do hospital – a fazer o papel da ajudante. 

E foram muitos números, um melhor do que o outro, como a mágica de tirar água do joelho e o incrível aparecimento do sutiã em um dos doutores que gritou: LIBERDADE! 

No auge da nossa apresentação, Mingal disse para o doutor:

- Mas eu queria ser um mágico excelente pra tentar fazer desaparecer a saudade que o senhor vai deixar aqui, viu! 

E essa foi a nossa simbólica homenagem ao doutor Ulysses, grande médico que agora vai ter o seu merecido descanso!

Dr. Chicô Batavô (Nilson Domingues) e dr. Mingal (Marcelo Marcon)
Hospital Santa Marcelina – São Paulo 

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Mandou muito!

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Um paciente divertido e criativo mandou muito bem com essa música!

Ele cantou com o grupo Bando de Palhaços (parceiro dos Doutores da Alegria no Rio de Janeiro) e com os demais pacientes que aguardavam atendimento no hospital. Veja só!

♫♪ Marinete nete nete nete nete….
Marinete nete nete nete nete….
Furando, furando, furando um braço
furando, furando, furando o outro
No braço do paciente
ela bota até o soro!

Mas de manhã nesse calor
no calor desse verão
Ela pega o meu braço
e afere minha pressão!

♫♪ Marinete nete nete nete nete….
Marinete nete nete nete nete….
Furando, furando, furando um braço
furando, furando, furando o outro
No braço do paciente
ela bota até o soro!

Mas isso ainda não é nada
ela é muito rápida, ela é loucura
Ela pega o outro braço
e mede minha temperatura!

♫♪ Marinete nete nete nete nete….
Marinete nete nete nete nete….
Furando, furando, furando um braço
furando, furando, furando o outro
No braço do paciente
ela bota até o soro! ♪♫♪

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Homenagem ao circo

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Na semana que comemora o Dia do Circo, preparamos uma série de posts com algumas figuras ilustres para falar sobre o circo. A maioria das pessoas conhece a figura do palhaço pelo circo, e não é por menos: foi lá que ele se popularizou.

Respeitável público! Senhoras e senhores, crianças de todas as idades! 

No dia 27 de março é comemorado o Dia do Circo! A data é uma homenagem ao palhaço brasileiro Piolin, que nasceu no dia 27 de março de 1897, em Ribeirão Preto. Ele era considerado o “rei dos palhaços” no país. 

Eu, Roger Querubin, também sou palhaço, e vivo debaixo de uma lona de circo desde que apareci pela primeira vez no mundo. Meus primeiros passos foram no picadeiro do Circo Spacial,  e nesse mesmo picadeiro aprendi que sempre que cair… É preciso levantar, porque o show tem que continuar! 

Trabalhei com vários palhaços – alguns famosos, outros nem tanto – que foram fonte de inspiração. Na busca por mais conhecimento passei pela vida acadêmica, e, logo em seguida, ingressei em outra jornada. Uma jornada que “talvez” eu já deveria ter passado anos atrás, mas como no circo os ensinamentos não são escritos e sim falados, passados de geração em geração, pode ser que alguma geração minha não tenha repassado direito…

Então eu busquei os Doutores da Alegria para me ensinar, e também para “aprender” comigo. [O Roger participou do Programa de Formação de Palhaço para Jovens de 2011 a 2013] 

Hoje posso dizer que faço parte de duas famílias: a família do Circo Spacial e a família dos Doutores da Alegria! Ah, já ia me esquecendo! Com meus amigos que também saíram do curso formei a Trupe La"Cuna de Variedades, e estamos na busca de preencher espaços com nossas vivências e conhecimentos adquiridos até aqui. 

A jornada é longa, e com certeza vou encontrar muitas pedras no caminho, mas hoje posso falar sem sombra de dúvida que me sinto preparado para o show. E se eu cair, vou me levantar, afinal, o show tem que continuar!”

Viva o Dia do Circo, Viva o circo brasileiro! 

Roger Querubin

1.000.000 ou um milhão

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Fizemos as contas: com os resultados do ano passado, alcançamos a marca de um milhão de visitas a crianças hospitalizadas.

Um milhão de “A gente pode entrar?”.

Milhares de exames besteirológicos, de narigadas na porta e de gargalhadas.

E mais um monte de olhares tímidos, curiosos, às vezes tristes, muitas vezes impacientes.

O Mateus, a Laura, a Gabi, o Lufe, a Duda… A gente seria capaz de lembrar o nome de quase todas!

O programa de visitas inspira tudo o que a ONG Doutores da Alegria faz, da formação à produção de conteúdo (saiba mais).

E quem possibilitou o alcance deste número foi a doação de pessoas e empresas.

Você vem com a gente para o próximo milhão?

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Daquele domingo

Hoje quem conta a história não é um palhaço. Ou melhor, é Sandro Fontes, mais conhecido como dr. Sandoval, que preferiu tirar o nariz vermelho pra contar esta história pra gente.

27 de outubro, manhã de domingo, exatamente às 8h. Estava em casa com minha família, todos dormindo, quando o celular de minha esposa toca… Ela atende e a expressão que vejo em seu rosto não é nada boa. 

No telefone, uma enfermeira do Itaci. Diz que uma criança que elas cuidaram com tanto carinho, a L., de 6 anos, entrava em estado terminal depois de uma longa batalha contra a doença que lhe acompanhava desde pequenina. Eu a conheci em 2010 no Itaci, quando fiz dupla com o dr. Dadúvida.

No telefone a enfermeira faz um apelo: 

- A L. quer muito ver os Doutores da Alegria. Ela faz esse pedido a todos que entram em seu quarto… Mas tenho medo que não dê tempo, pois ela não está nada boa. 

No dia seguinte L. receberia morfina e a equipe temia não haver tempo hábil para que visitássemos a paciente na segunda-feira (dia do nosso trabalho nesse hospital), já que ela seria sedada a partir deste momento. Que situação difícil… O que fazer? Como fazer? Às 11h30 tenha uma viagem para Santos a trabalho, será que vai dar tempo? Será que consigo encarar essa situação? Então decidi: sim, eu vou! 

Liguei para o dr. Charlito e dr. Zequim, palhaços que atuam neste ano no Itaci, mas infelizmente os dois não puderam comparecer. Zequim estava fora de São Paulo e Charlito trabalhando em seus projetos teatrais. Mas apoiaram em minha decisão. Liguei também para o coordenador artístico dos Doutores da Alegria, Fernando Escrich, para saber se “tudo bem” levar essa ação em frente. Ele deu sinal verde. 

Comecei a me trocar em casa mesmo. 

Vesti meu figurino, coloquei meu jaleco e antes de começar a me maquiar, liguei para outros dois artistas: o Anderson Spada (dr. Dedérson) e a Tereza Gontijo (dra. Guadalupe). Expliquei a situação. 

Fiquei muito atordoada e tive medo do que poderia acontecer. Como ela estaria? Em que estado eu encontraria a família? Não. Não me sentia preparada. Mas não consegui parar de pensar no caso. Fiquei tentando achar explicações para o fato dessa solicitação ter chegado até mim. Será mesmo que eu não era capaz? E comecei a pensar em como seria e no que eu poderia oferecer. Pensei em exames besteirológicos, em músicas e acabei me dando conta de que não estaria tão desprotegida assim!, conta Tereza Gontijo, a palhaça Guadalupe. Quando ela revelou ao Anderson o que passava em sua cabeça, ele disse:

- Calma. Vamos fazer o que fazemos todos os dias. E ele tinha toda a razão. 

Eu me senti exatamente como um médico que é solicitado para uma emergência e imaginei que eles também deviam sentir-se como eu, em posse de tamanha responsabilidade: uma mistura de medo e satisfação!, contou Tereza. 

Chegamos, nos olhamos, respiramos fundo, e sem muitas palavras entramos no hospital e seguimos em direção à enfermaria. Fomos recebidos pelas enfermeiras e funcionários, que nos olhavam com muito brilho nos olhos. É difícil descrever o que aqueles olhares nos diziam, mas nos demonstravam muita força e orgulho de estarmos ali por uma causa tão nobre. Todos ansiosos. L. e seus pais se preparavam no quarto para receberem os palhaços, ou melhor, os médicos besteirologistas! 

Depois de alguns minutos, a porta do leito se abriu e o dr. Sandoval, a dra. Guadalupe e dr. Dedérson entraram no quarto. A L. estava sentada na cama, respirando com a ajuda de uma máscara de oxigênio. Ao que nos pareceu, deveria estar sob o efeito de drogas fortes, o que se notava pelo estado dopado. Não sabíamos por onde começar. 

Começamos dando um oi! e a conversa foi se desenvolvendo naturalmente. Todos foram se acomodando e os jogos e brincadeiras de palhaço foram acontecendo. Acredito que, por alguns minutos, todos se esqueceram da situação cruel ali presente. 

Começamos a nos divertir com um desfile com música para a mãe. Logo depois, a pulga adestrada de dra. Guadalupe, a Olga, se apresentou fazendo saltos acrobáticos e equilibrismo. Durante o número, as meninas se lembraram de algo… 

Dr. Sandoval e dr. Dadúvida deixaram há três anos uma pulga com a L., para que ela cuidasse… E não é que ela cuidou da pulga todo esse tempo? 

Antes do número acabar, ela entregou a pulga diretamente na peruca de Sandoval. Puxa! Respirei fundo, me emocionei por trás da máscara de palhaço, que esbanjava um sorriso enorme. A menina acompanhava tudo o que fazíamos, mas estava um pouco desorientada, até que, ao final da visita, quando tudo virou uma confusão entre os palhaços, Sandoval pegou seu violão para bater na bunda de Dedérson e a menina falou: 

- Não briguem, vai devagar… 

Sandoval então pediu para que L. contasse até “três” para bater com o violão na bunda do besteirologista. Guadalupe aguardava com a porta aberta. Ela contou: 

- 1, 2, eeeeee… 3… Bum! 

Os três palhaços foram projetados para fora do quarto, deixando L. com um sorriso no rosto. Voltamos para nos despedir e então, quando íamos fechar a porta, a maçaneta se soltou e caiu no chão… Mais um sorriso! Usamos a maçaneta de telefone, brincando mais um pouco, e em seguida se despediram de todos.

A porta do quarto se fecha. 

Saímos com um pouco de pressa, nos despedimos de todo o pessoal que nos aguardava fora do quarto e seguimos adiante pois tínhamos que viajar e trabalhar fora de São Paulo. No estacionamento, nos abraçamos, nos olhamos e sentimos nossos corações calmos e com a sensação de dever cumprido.

Dr. Charlito e dr. Zequim chegaram a visitar a L. na segunda e na quarta-feira, mas ela não estava mais consciente. Então, na quarta à noite, dia 30 às 18h, ela partiu. 

O que dizer agora, não sei… Sei que fiz o que meu coração mandou, fiz o que um palhaço, aliás, nós palhaços, talvez não devêssemos fazer. Quebramos barreiras inimagináveis e fizemos um trabalho digno e sério durante todo esse tempo em que L. esteve internada. Conquistamos o respeito e o carinho de uma pequena garota que, em seus últimos instantes, pediu para nos ver. E o de seus pais, que num momento tão delicado, nos deixaram entrar! 

Até onde vai o jogo de palhaço? Até onde podemos chegar? 

Não sei… Sei que chegamos até ali e tenho grande orgulho de mim e de meus colegas que pintam a cara e foram para a guerra… Guerra de onde às vezes voltamos machucados… Com cicatrizes… Mas com dever cumprido, tanto como palhaço, quanto como ser humano!  

Sem mais palavras… Pois foi muito difícil escrever todas essas.

Um abraço, 

Sandro Fontes (dr. Sandoval)

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