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Essa nossa dúvida

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Quando decidimos explorar o hospital como palhaços, miramos na figura do médico.

Foi o médico, lá em 1991, que inspirou o personagem “besteirologista”. Nosso figurino recebeu mais uma peça – o suntuoso jaleco, manto da profissão – e itens que parodiavam estetoscópios, termômetros e receituários. Cada artista incorporou o seu besteirologista: Dr. Zinho, Dra. Emily, Dra. Sirena, Dr. Lui e tantos outros.

Palhaços e médicos se colocam a serviço do outro e nutrem-se dos mesmos elementos para suas atuações: olhar, ouvir, compreender necessidades, interagir. O contraste talvez esteja na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro.

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Enquanto um erro do médico pode ser fatal, o besteirologista treina para o tropeço, para bater com a cara na porta. É no erro que se constrói graça e cumplicidade. Como pacientes ou meros espectadores, amparamos a sua fragilidade e rimos de suas trapalhadas.

No hospital a perfeição é exigida em cada detalhe. O palhaço ajuda a lidar com a vulnerabilidade da condição humana, com nossos conflitos e dificuldades, atuando para expandir os limites do comportamento.

Fotografia da Dupla Du Circo e Ju Gontijo no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas.

O palhaço nos leva a aceitar a dúvida e a hesitação; enquanto esperamos respostas rápidas e salvadoras da figura médica. Dá pra imaginar o peso da profissão, de cada palavra ou esperança dada!

Hoje o nosso trabalho nos hospitais ainda segue a paródia do médico, mesmo que superficialmente. As visitas leito a leito e o jaleco espelham a profissão. Mas dia a dia questionamos que outros elementos – no campo objetivo ou no campo dos afetos – merecem a intervenção artística. Que função social o palhaço cumpre hoje nos hospitais públicos?

o inevitavel

Talvez cada hospital tenha as suas questões. O Instituto da Criança, referência em São Paulo, é diferente do Hospital do Campo Limpo, que é diferente do grande Hospital Barão de Lucena, no Recife, ou do Hospital Santa Maria, que trata pessoas com tuberculose no Rio de Janeiro.

A busca por essa resposta também é motor de diálogos e pesquisas hoje no Doutores da Alegria. Artistas e corpo administrativo pensam juntos. E a reflexão com a sociedade, com quem habita esses lugares públicos, é um passo importante nesta jornada.

Assim como o palhaço, deixemos que a dúvida faça sempre parte do trajeto.

Duplas a postos nos hospitais

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Depois de experimentar a troca de duplas nos hospitais paulistanos atendidos pelos Doutores da Alegria, os artistas finalmente escolheram as suas duplas e definiram os hospitais em que querem trabalhar neste ano.

Cada dupla passa o ano inteirinho no mesmo hospital, cuidando para que a cultura da alegria esteja sempre com uma chama acesa. Essa estratégia anual funciona muito bem, porque os artistas se aproximam dos profissionais de saúde e podem perceber as sutilezas de cada ambiente. Além, é claro, de poder aperfeiçoar o seu percurso e o tempo em cada leito.

E a troca das duplas também é muito benéfica para a formação do artista, que precisa estar sempre experimentando, se reinventando, aprendendo com o outro. Veja abaixo a disposição das duplas e seus respectivos hospitais:

 

Instituto de Tratamento do Câncer Infantil
Dra. Manela, Dra. Guadalupe  e Dr. D. Pendy

Instituto da Criança (percurso I)
Dra. Pororoca e Dr. Valdisney

Instituto da Criança (percurso II)
Dr. Sandoval Soluço e Dr. Charlito

Hospital do Campo Limpo
Dra. Crica Canaleta e Dr. Pinheiro

Hospital do Grajaú
Dra. Dona Juca Pinduca e Dra. Greta Garboreta

Hospital Universitário
Dra. Lola Brígida e Dr. De Derson

Hospital do Mandaqui
Dr. Zequim Bonito e Dra. Emily

Hospital Santa Marcelina
Dr. Mané Pereira e Dra. Xaveco Fritza

E lá no Recife os palhaços também se escolheram. Veja a lista:

Hospital da Restauração
Dr. Marmelo e Dr. Lui

Hospital Barão de Lucena
Dra. Tan Tan e Dr. Cavaco

Hospital Prof. Fernando Figueira (Imip)
Dr. Dud Grud e Dra. Monalisa

Hospital Oswaldo Cruz
Dra. Baju e Dr. Eu Zébio

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Cachorro louco

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Já ouviu falar em job rotation? Ou rotação de emprego?

Essas duas palavras estranhas querem dizer que, durante um determinado período, você testa uma nova função dentro da empresa que trabalha. É um “rodízio” que permite ao funcionário conhecer outras atividades.

Tanto blá-blá-blá pra dizer que nós também fazemos o job rotation dentro dos hospitais. Mas como?, você nos pergunta. Trocando de lugar com os médicos? Ora, ora, isso a gente já faz, afinal somos besteirologistas! Seria então trocando de lugar com as enfermeiras? Os seguranças? As crianças?

Não, nada disso! Cada um no seu quadrado!

O job rotation é o que acontece todo início de ano entre os próprios palhaços. Durante o mês de fevereiro as duplas paulistanas se revezam nos hospitais atendidos pela ONG. No final do mês acontece um baile na sede e cada palhaço tira outro pra dançar. Pronto, estão formadas as duplas que vão atuar juntas durante todo o ano em um único hospital!

Só que, ao invés de chamar de job rotation, a gente chama de cachorro louco. E vai dizer que o nome não é muito mais legal?

Pra tentar organizar toda essa confusão, os artistas se reuniram semana passada na sede para acertar a rotação das duplas. Veja algumas fotos abaixo:

Lu Viacava (Dra. Lola Brígida) ajudando na organização

Duico (Dr. Pistolinha), Márcio Douglas (Dr. Mané Pereira) e Lu Viacava (Dra. Lola Brígida)

Os artistas depois da definição do "cachorro louco" nos hospitais

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Outubro merece uma retrospectiva

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“Outubro merece uma retrospectiva. O mês celebra três grupos de pessoas muito importantes para nosso trabalho: as crianças, no dia 12; os professores, no dia 15 e os médicos, no dia 18. E nesse ano o mês também trouxe surpresas que preciso compartilhar com todo mundo!

No dia 6, o ITACI – Instituto do tratamento do Câncer Infantil – celebrou o Dia da Criança tendo o circo como tema. Total surpresa: os artistas que se apresentaram eram os próprios colaboradores do hospital!

Oba, hoje eu vou ver o circo pegar fogo!, pensei.

E pegou mesmo! A equipe passou por treinamento circense para aprender os números, que foram apresentados com o maior profissionalismo. Fiquei tão coruja, parecia que estava vendo um filho se apresentar na festa da escola! O pessoal mandou muuuito bem: médico em perna de pau, enfermeira no trapézio, motorista fazendo malabares, nutricionista fazendo acrobacias… Uma inversão de papéis radical que gerou outro espetáculo: crianças, pais e palhaços – eu, Dr. Dadúvida e Dr. Sandoval – completamente boquiabertos. Parabéns, colegas, pela transformação que vocês realizaram nesse dia e que ficará pra sempre no coração deste palhaço que vos escreve!

E falando em transformação, um fenômeno ocorre hoje nos cursos universitários de saúde no qual devemos prestar muita atenção: alunos de medicina, enfermagem, psicologia, fisioterapia e nutrição têm investido na contratação de professores de técnicas de palhaço e circo para trabalhar com os pacientes hospitalizados. A motivação é, segundo eles mesmos, aprender algo que a faculdade não ensina: como se relacionar com o paciente de uma maneira mais sensível e saudável.

Ainda no “modo ver o circo pegar fogo”, pensei: O que será que isso pode fazer pela formação desses jovens? Bem, minhas primeiras conclusões são: quando o curso é bem estruturado, vemos profissionais diferenciados aparecerem; especificamente, uma turma da faculdade de Santo André saiu tão mobilizada que criou um seminário de 3 dias – o Medicina, Cultura e Arte - que teve nesse ano a sua segunda edição! Essa moçada criou painéis riquíssimos de debate e reflexão, colocando na mesma mesa médicos, pajés, antropólogos e palhaços para falar de saúde, cura, arte e sociedade!

Esse pessoal, ainda bem, não está anestesiado para os problemas seríssimos que se amontoam à nossa volta e discute antídotos e soluções para pôr em prática no sistema público. Taí um circo que eu quero ver pegando fogo por muito tempo, o das transformações que levam para o ser humano – tanto para quem faz quanto para quem recebe – os benefícios do alento, respeito, cidadania, amor e propósito; afinal, a que viemos?”

Wellington Nogueira, fundador e coordenador geral dos Doutores da Alegria.

Aos palhaços de cada corredor

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De corredor em corredor, de enfermaria em enfermaria, de encontros em encontros, nossa vida de Besteirologista vai seguindo e, quase sempre, desfrutamos da presença de outros tão palhaços quanto nós.

Vocês não devem fazer a menor ideia de quem estamos falando. É alguém que está sempre pronto para saltar como gato. Alguém que dança nossos hits bobofônicos e remexe mais que lombriga-em-barriga-comendo-doce. Ele faz a graça do seu setor e aumenta o número de dobradas de lençol na lavanderia do Hospital.

Foi batizado por nós como “Dubigode”. Mas, oh, seu nome de verdade é Val.

Outro dia, Dubigode nos chamou no cantinho e perguntou, assim como quem não quer nada, se tinha como a gente dar um jeitinho de ele entrar no “nosso ramo”. Tentamos manter a compostura para falar de coisas sérias. Perguntamos:

- Você já fez teatro?

Dubigode ergueu as sombrancelhas. Balançou a cabeça. Não.

- Sabe, tô querendo diversificar meu ramo e aumentar a renda.

Continuamos com as perguntas. Ele não sabia que era preciso tanto estudo e dedicação para ser um Doutor da Alegria. As perguntas continuaram e foram tantas que ele achou melhor ficar no seu emprego mesmo. Ficamos imaginando se ele conseguiria manter toda aquela espontaneidade e energia diante do que enfrentamos todos os dias em nossas visitas aos hospitais.

O querido Val nos fez pensar que o que a gente faz deve ser bom mesmo, pra alguém querer deixar o seu emprego de todo dia e se aventurar a ser um Besteirologista. O nosso desejo é o de que os milhares de Dubigodes que nos inspiram e alimentam nossa jornada diária continuem fazendo da graça o valor da graça por ser de graça! E isso não tem preço que pague!

Dra. TanTan (Tamara Floriano)
Dr. Lui (Luciano Pontes)
Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip)
junho de 2011

Com a palavra, Dr. Chicô

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Dr. Chicô Batavô

O Dr. Chicô Batavô é o mais novo integrante da Unidade Pão de Queijo dos Doutores da Alegria. Depois de alguns meses de residência besteirológica, ele nos deu as suas palavras – ou melhor, as suas letras:

“Foi um grande e imenso prazer para minha mãe, amigos e colegas do futebol a noíicia de que eu, Chicô Batavô, me tornaria um Doutor, pois sempre pensavam que eu é quem precisava de um Doutor. Mas quem sou eu? Eu venho detrás das montanhas e trago comigo toda experiência que a vida me deu em jo ken po e em guerrinha de dedo.

Como um Besteirologista iniciado, tive a felicidade de encontrar o Dr. Custódio, que está me ensinando as artimanhas do ofício, apesar de um pouco atrapalhado e de sempre pisar na unha encravada. Com ele e com o Dr. Mingal,  iniciei as atividade na Santa Casa de Belo Horizonte. Aos poucos, vou me adaptando ao linguajar médico e tentando ser um Besteirologista idôneo, altruísta, malemolente, swingue no pé, entre outras coisas mais que só este ofício nos dá.

O Dr. Custódio também me apresentou para o Hospital das Clínicas. Nós estávamos muito empenhados em fiscalizar os trabalhos dos outros Besteirologistas de plantão ali, mas nada poderia ser feito, pois eles haviam feito um excelente trabalho. Obs: Já fiz  a minha parte do acordo, agora me paguem em balas de goma verde limão.

Obrigado Doutores, obrigado pacientes, obrigado enfermeiras, obrigado guardinha do hospital, obrigado meu ursinho Jack-Caolho. Agradeço pela confiança dada e que venham as próximas narigadas!”

Dr. Chicô Batavô
julho de 2011

 

Novas duplas em hospitais

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Em fevereiro tivemos em nossa sede o Baile do Cachorro Louco, que definiu as novas duplas de palhaços que freqüentam os hospitais paulistanos neste ano.  O “cachorro louco” é um período em que os besteirologistas se rebelam, deixam seus hospitais, dão cano nos parceiros, colocam ideias novas em cabeças ocas e experimentam de tudo:  novos ambientes (hospitais), novas paqueras (parceiros) e novos procedimentos (trabalho).

Tudo é levado em conta quando se trata de escolher a nova dupla. As besteiras que cada um tem na cabeça e na mala, as tranqueiras que cada um leva nos bolsos, os truques nas mangas, a vontade de experimentar coisas novas e até a belezura, a intelejumência e o exibimento de uns e outros.

O Drs. Mané, Crica e Sandoval se confundiram com tanto troca-troca e trocaram até de personagem. Que bagunça!

Antes: Drs. Sandoval, Crica e Mané

 

Depois: Drs. Cricaval, Manécrica e Sandoné

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja abaixo a formação das novas duplas para 2011:

Segundas e quartas-feiras

Instituto da Criança
Dra. Crica Canaleta e Dr. Valdisney
Christiane Galvan e Val Pires

Dr. Montanha e Dra. Shriley
Fernando Paz e Sheyla Areas

ITACI
Dr. Sandoval Soluço e Dr. Daduvida
Sandro Fontes e Davi Taiu

Hospital Nossa Senhora de Lourdes
Dr. D. Pendy, Dra. Pororoca e Dra. Lola Brígida
Dagoberto Feliz, Layla Roiz e Luciana Viacava

Terças e quintas-feiras

Hospital do Campo Limpo
Dra. Juca Pinduca e Dr. Charlito
Juliana Gontijo e Ronaldo Aguiar

Hospital Santa Marcelina
Dr. Pinheiro e Dr. Mané Pereira
Du Circo e Márcio Douglas

Hospital Universitário
Dr. Dedérson e Dra. Manela
Anderson Spada e Paola Musatti

Hospital do Mandaqui
Dra. Xaveco Fritza e Dra. Greta Garboreta
Val de Carvalho e Sueli Andrade

Hospital do Grajaú
Dr. Bonito Zequim e Dra. Emily
Afonso Nereu e Vera Abbud

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