Às vezes alguns encontros são bem rápidos, de apenas um ou dois dias, mas ficarão marcados nos nossos narizes para sempre.

Dia desses a paciente Tatá estava dormindo e seu pai, ao seu lado, também dormia. Eu e a Dra. Suca atendíamos outras crianças quando o pai da Tatá acordou e teve a visão de nós dois. Ele olhou bem, levou a mão aos seus olhos, esfregando-os e piscou algumas vezes para ter certeza do que estava presenciando: duas estranhas criaturas – uma que parece de outras galáxias (eu, Dr.Marciano) e  uma pigmeia de jardim (a Dra. Suca). No primeiro momento, ele não entendeu muita coisa, mas aos poucos se inteirou dos acontecimentos esquisitos da enfermaria.

Na segunda visita besteirológica Tatá estava acordada e, ao nos encontrar, ela já pediu uma “girurgia”. Percebemos que ela estava com parafuso solto e fizemos o devido reparo. Ela ficou super satisfeita e seus olhos brilhavam… mas, peraí! Uma paciente com um diagnóstico destes é muito complicado, minha gente!

Depois que deixamos o seu quarto, ela quis nos acompanhar em visitas a outras crianças, assistindo as nossas trapalhadas. Na enfermaria seguinte, seu pai, bravo, foi chamá-la dizendo para voltar para sua cama. Ela obedeceu meio a contragosto e voltou para o seu cafofo.

Mas adivinha quem ficou para nos assistir? Ele próprio! Oras, um tempinho depois, percebendo que ele não estava junto dela, Tatá foi até ele e o olhou questionando:

Se o senhor pode, por que eu não posso?

Rá! Seu pai ficou com cara de pastel e, com um risinho amarelo, voltou com a menina para a sua enfermaria.

Moral da história:

Façorum ests eus digus pero nom façoruns ests eus façurus.

Traduzindo:

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

Dra. Suca e Dr. Marciano

Hospital da Restauração
Dr. Marciano (Márcio Carneiro)
Dra. Suca (Suenne Sotero)
maio de 2011