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Terceira mesa: Formação mínima para uma atuação de qualidade

A mesa da tarde de sábado foi pensada a partir do questionamento “qual a formação mínima necessária para uma atuação de qualidade dentro dos hospitais?”. Apesar de o trabalho desenvolvido pelos Doutores da Alegria há 21 anos ser realizado por artistas profissionais que tem a máscara do palhaço como formação, há diversas iniciativas semelhantes Brasil afora com características únicas de atuação.

Os convidados a debater o assunto foram Denis Camargo (Grupo Risadinha), Dagoberto Feliz (Doutores da Alegria), André Correia (Operação Hospalhaço) e Bete Dorgam (atriz e ex-vice diretora da Escola de Arte Dramática da USP) com mediação de Soraya Saide (Doutores da Alegria).

André Correia atua em um grupo de profissionais voluntários que já passou por formação na Escola dos Doutores da Alegria. Ao entrar pela primeira vez no hospital, disse que não tinha conhecimento da máscara do palhaço e hoje acredita que a boa intenção é essencial para o trabalho, mas ela é apenas motivadora. “A formação mínima depende do caminho que o grupo quer trilhar. Quando você estuda e sabe quem é o seu palhaço, você não se perde no hospital.”

André também ressaltou que o grupo precisa saber por que quer estar no hospital, que reações quer causar e se questionar se está realmente preparado. “Na ida ao hospital tínhamos certeza do que estávamos fazendo. Quando saíamos de lá, ficávamos em dúvida.” A formação ajuda a sanar essas dúvidas e procurar um caminho adequado.

Denis Camargo, do Projeto Risadinha de Brasília, participou do programa Palhaços em Rede em 2007 e disse que a formação o ajudou a resolveu questões internas do grupo. Técnico em Enfermagem, Denis aposta que o paciente precisa de uma visita diferente da visita do médico. “Nós não usamos a imagem do médico besteirologista, assim como os Doutores da Alegria, e sim a do palhaço que faz uma visita.”

Ele relatou a falta de uma formação intensa e de boa qualidade na região centro-oeste do país e buscou ajuda fora do país. “Pra mim a formação só acontecia onde estava um mestre, e fui buscá-la. Hoje penso diferente: dá pra ter uma formação mínima sem ter de sair do país.”

Bete Dorgam, que viu Doutores da Alegria amadurecer e treinou a formação de alguns palhaços, falou sobre o recente fenômeno mundial de procura pela máscara do palhaço. “Acho que é um movimento humano que a máscara do palhaço indica.”

Para ela, a formação precisa passar por pontos importantes como as habilidades, a criação de um repertório, a criação de instrumentos para o trabalho, jogo, escuta, improvisação e até estudo da Filosofia, da Psicologia. “Se a máscara se dá pelo outro, você precisa do contato com o outro para ser palhaço. E é aí que você entra em contato com você mesmo.” Dorgam finalizou dizendo que a máscara do palhaço é a máscara da inadequação, mas também é a máscara da humanidade.

Para Dagoberto Feliz, palhaço dos Doutores da Alegria, a formação tem a ver com o seu repertório, com a sua vida. Ele conheceu grandes mestres que o colocaram em contato com a música e com o teatro. “Eu não tinha formação de ator, eu era músico; o jogo do ator apareceu através da máscara.”.

Para ele, a atuação no hospital é artística e, para que isso aconteça, é preciso uma habilidade, uma técnica. “Minha atuação tem a ver com dúvidas às quais eu tento dar uma conotação artística. É preciso que algo aconteça entre o palhaço e a plateia ou o palhaço e a criança para que seja verdadeiro.”. 

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