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Última mesa discute as perspectivas da atuação

A última mesa do 2o. Encontro Nacional de Palhaços reuniu convidados que fazem parte da história dos Doutores da Alegria para debater as perspectivas da atuação do palhaço no hospital. Sérgio Mamberti (ator e Secretário Nacional de Políticas Culturais), Prof. Yassuhiko Okay (Faculdade de Medicina da USP), Ana Achcar (Enfermaria do Riso) e Thais Ferrara (Doutores da Alegria) participaram da mesa com mediação de Wellington Nogueira, que abriu a discussão:

“A ideia desta mesa é que todos saiam provocados a pensar e refletir sobre a importância do que fazemos e como podemos nos equipar da melhor maneira possível para garantir a qualidade e a ética da atuação.”

Ana Achcar iniciou falando sobre a atuação da Enfermaria do Riso no Rio de Janeiro e sobre a importância de encontros como este para o desenvolvimento de novas formas de atuação no hospital. “Precisamos pensar um código de ética, um norte para administrar as nossas diferenças sem que uma impeça a outra de atuar; trabalhar na adversidade de uma forma horizontal, sem hierarquizar a atuação.”.

Ana colocou em pauta o que acredita ser a formação mínima para uma atuação de qualidade no hospital. Segundo ela, a escolha e a vocação são essenciais para um bom palhaço. Ela também lembrou da nova geração que vai entrar no hospital. “Hoje encontramos jovens que não aprenderam a suportar a dúvida, que não incluíram a dúvida como conhecimento no seu processo de aprendizagem. E o palhaço precisa disso, precisa arriscar.”.

O professor Yassuhiko Okay, que acompanha os Doutores da Alegria de perto no Instituto da Criança (São Paulo), baseou seu discurso nas mudanças que o hospital enfrentou nas últimas décadas e nas perspectivas que a Medicina tem pela frente. “A Medicina científica nunca me bastou”, iniciou o professor, que falou sobre o modelo adotado pelas faculdades médicas que é centrado no corpo, nas pessoas e nas partes e exclui o sujeito. “O foco precisa ser no paciente, e não na doença.”.

Ele contou a experiência do Instituto da Criança, em que a gestão poder foi descentralizada de modo que todos os escalões da instituição pudessem participar de uma construção de saúde adequada, verdadeira e que fosse realmente acolhedora para o paciente. “É impossível regredir quando você muda uma cultura favoravelmente.”, finalizou.

Okay afirmou que a atuação dos Doutores da Alegria quebrou paradigmas e serviu como facilitadora dentro da instituição. “Nos fez sentir quão ridículos éramos cumprindo papéis institucionais. Quando você percebe isso, começa a se questionar e o seu papel deixa de ser “tecno-científico” e se torna humano”.

Sérgio Mamberti pautou a cultura e a forma com que o governo brasileiro vem tratando o tema. “Pela primeira vez a cultura está tendo um planejamento para os próximos dez anos. A visão da cultura hoje é muito mais ampla do que apenas a expressa pelo artista, representa um conjunto de ações que a sociedade vai construindo.”. Para ele, a ação inspirada pelos Doutores da Alegria precisa ser assumida como política de Estado.

Mamberti também falou dos caminhos que regulamentam uma construção da ética para a atuação no hospital e da possibilidade de os grupos procurarem secretarias para uma construção orgânica de conteúdo.

Thais Ferrara fechou a mesa falando como chegou aos Doutores da Alegria, lá em 1993, e como hoje a Escola inspira as ações da ONG. “Hoje estamos construindo conhecimento e cultivando uma escola. Não somos mais um grupo de palhaços que vai para o hospital, somos uma organização que tem a formação como vocação.”.

Falou também sobre a questão da humanização, em que, hoje, o palhaço parece só mais um elemento. Para ela, os grupos precisam ter formação para que o palhaço não possa ser institucionalizado, banalizado. “Ele precisa estar sempre em um novo lugar.”, ponderou.

Durante os questionamentos para os convidados da mesa, ficou claro que, após o evento, os grupos precisam trabalhar em cima de questões que envolvam a qualidade do trabalho. “Não esperem somente as ações dos Doutores da Alegria, vamos agir em rede.”, pediu Wellington Nogueira.

A mesa fechou as discussões propostas para o 2o. Encontro Nacional, que contou com mais de cem participantes representando 12 Estados brasileiros.

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