O Auditório estava lotado de profissionais da saúde, transplantados e candidatos a transplantes. Entramos na hora combinada com a coordenadora, fazendo “Cooper médico”, uma forma de manter a saúde em dia.

Apresentamos-nos e afirmamos que a parte séria do evento começaria naquele momento. Encontramos um voluntário na platéia e fizemos uma rotina para medir o nível de gordura do fio de cabelo. Assim que Dr. Dud acoplou o medidor no cabelo do Mateus, as luzes do instrumento acenderam e a hélice girou. Diagnóstico claro: alto índice de gordura. Sinal de que o fígado não estava filtrando bem. Por sorte, tínhamos a mais nova tecnologia desenvolvida em matéria de filtro (um daqueles de papel, para coar café) que foi imediatamente deixado com o Mateus para ele utilizar três vezes ao dia, inclusive como chapéu (sobre a cabeça) e como cavanhaque (abaixo do queixo).

A platéia estava um pouco sisuda no início, tendo em vista a formalidade do evento. Mas ao final, após diagnosticarmos o paciente e, sobretudo, após apresentarmos ali mesmo, sem demora, a solução para o problema, percebemos uma alteração no humor geral. Alguns pareciam não acreditar, sobretudo a turma do jaleco branco – médicos que estavam na primeiríssima fila. Um deles, já de cabelos brancos, ria e balançava a cabeça com ar de grande surpresa ao nos ver receitar um filtro de papel. Acho que ele se perguntava: como não pensei nisso antes?

Dr. Dud e Dra. Monalisa

Sobre o 9º Aniversario do programa de transplante de fígado no HUOC, dia 26/08/2008